Sobre velhos prédios

Na Avenida Independência, a poucos metros um do outro, dois exemplos marcantes de como tratar nosso patrimônio arquitetônico.  Um é a Casa Firmino Torelly. Firmino Torelly adquiriu a casa da Avenida Independência em 1908. Estava situada em um dos pontos mais requintados da cidade, procurado pelas famílias da burguesia industrial e comercial da época.  Hoje, completamente restaurada, abriga parte da SMC.

A segunda foto mostra dois prédios de estilo semelhante, completamente abandonados.

Esta foto abaixo mostra o prédio recentemente pintado da Faculdade de Medicina da UFRGS. Ficou bom, mas está há meses com uma placa, agora desbotada e capenga, na sua frente, estragando a fachada renovada. A cerca de ferro à frente também acho desnecessária: poderiam ter colocado grades por dentro das portas.

Nossa cidade tem poucos prédios antigos que sobreviveram à monstruosa tempestade demolutiva dos anos 40 e 50 que colocaram no chón boa parte de nossa arquitetura européia: temos obrigação de restaurar essas relíquias que aqui e ali ainda povoam nossas ruas.

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Categorias:Sustentabilidade

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32 respostas

  1. Adriel.

    Porque há ou havia um prefeito safado na tua cidade, não devemos nos supor que todos os prefeitos são safados. Achamos criaturas de má índole em todas as profissões e todas as ocupações, se seguirmos o raciocínio que fazes, não poderemos ir ao médico nem poderemos morar numa casa construída por engenheiros.

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    • O que citei que aconteceu conosco foi apenas um exemplo. No meu ponto de vista, o respeito a vontade do dono por si só já deveria ser suficiente para impedir qualquer tipo de intervenção pública, já que o mesmo não está cometendo nenhum crime/ilegalidade. Como disse, a liberdade tem o seu preço. O mundo perfeito não é igual para todo mundo.

      Intervenções como tombamento gera mais problemas do que soluções.
      Outro exemplo foi um amigo nosso que comprou um prédio em Pelotas para reformar e construir um estabelecimento comercial e no dia seguinte a prefeitura tombou o prédio dele (prédio este que não tinha absolutamente NADA demais) fazendo-o engolir um enorme prejuízo também pois ficou com o imóvel encalhado.

      Claro que alguém poderia dizer que tombamento é um caso de bom senso, e que há muitos exageiros por aí, mas acontece que mesmo nos casos em que há bom senso, há autoritarismo escondido. O que a prefeitura poderia fazer é manter apenas os incentivos para os prédios tombados, acabando com a proibição.

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  2. É! Eu tb acho uma lástima aqueles prédios históricos abandonados, mas…
    Aquela cerca ao redor da Faculdade de Medicina é necessária p/que o prédio não seja pichado novamente!

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  3. Parabéns, Marcelo Bumbel, pela iniciativa de nos trazer fotos de prédios que visualizamos no dia-a-dia muitas vezes, não dando a devida atençao.

    Quanto a Av. Independencia e adjacencias…ainda existe um conjunto razoável de prédios que ainda estão “em pé”…mas ao vê-los notamos que os governantes da cidade não tem uma grande visão de utilização dessa área como: a retirada dos fios, instalação de luminaria de ” época”, fazendo sua real recuperação e incentivo a instalação de restaurantes, etc… embora ali fique localizado a Secretaria de Cultura da PMPOA ( na Casa Torelli) que vc postou…o orçamento da mesma deve ser bem pouquinho…
    Em frente, tem outro casarão tombada em estilo Art Nouve que tb pertencem a SMC, mas que esta precisando de recuperação…andei conversando com pessoal dessa secretária, falam que sairia em torno de 4 a 5 milhões, isto….
    Em outros tempos, nos jardins desse casarão tinha show de chorinho, etc…infelizmente, acabaram com essas atividades musicais e parece que a mesma, esta agora, esta servindo de uma espécie de deposito da SMC.

    Selecionei uma ´serie de links que remetem a preservação que tem bastante informações e fotos antigas.. acho que a maioria de vcs viram.. mas sempre é bom guardá-las nos favoritos…

    – Defesão civil do Patrimônio Histórico – RS

    http://www.defender.org.br/

    – Esse link já postei aqui – tem uma pesquisa especial sobre chafarizes de POA e como “Prédios Tombados de Porto Alegre – Centro ”
    http://lealevalerosa.blogspot.com/2010/03/predios-tombados-de-porto-alegre.html

    Dos Chafarizes, Fontes, Bicas e Relíquias em ferro fundido

    http://lealevalerosa.blogspot.com/2010/05/chafarizes.html

    – Tesouros Culturais no Centro de Porto Alegre – do skyscrapercity

    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=608142

    – Porto Alegre – 156 fotos, dados históricos e muita..muita arquitetura – Mais outra do skyscrapercity

    http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=532624

    E é claro, o…

    IPHAE RS

    http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do=paginaInicialAc&Clr=1

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  4. Quanto ao antigo prédio da Faculdade de Medicina (Atualmente Instituto de Ciências Básicas da saúde, sede do curso de Biomedicina), a arrecadação de fundos para a restauração não suficiente para todo o prédio. Foi adotada uma estratégia diferente: restaurar uma parte (utilizando o dinheiro já arrecadado) para mostrar para a comunidade como ficaria a restauração e, assim, arrecadar o restante do dinheiro. Por isso a placa se mantém na frente da fachada. E como disse o João, as grades estão lá para evitar pichações. Por essa razão que a fachada segue limpa há 3 anos.

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    • É triste ter que por ferro em volta dum prédio para impedir vandalismo. Não sabia esta história da placa. De qualquer forma, ela poderia ser retirada da frente e colocada um pouco ao lado, mais discretamente.

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  5. Preservem no centro, tem muito espaço nos bairros novos pra construir coisas modernas.

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  6. E esta história de “patrimônio histórico” uma ova!

    Se eu construo um prédio bonito, a última coisa que eu iria querer é que ele virasse um estorvo para os meus netos caso tombem ele no futuro. Eu quero que eles tenham a liberdade de fazer o que eles quiserem quando eu morrer.

    O proprietário deve ter a liberdade de fazer o que ele quiser com o prédio. Se ele for realmente importante historicamente, é provável que ele apenas tome prejuízo com sua demolição, não precisa a prefeitura proibir, até porque isto é imoral já que ela não é a dona. Se o prédio é tão importante assim para a sociedade… que ela O COMPRE!!

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    • é uma pena que pense assim adriel. esse é o típico pensamento pequeno da nossa sociedade falida. é cuspir na história de uma cidade, estado ou pais. é dar pouco valor aos teus próprios ancestrais.

      “pra que serve museu não é mesmo? historia so serve pra colégio e estorvo no vestibular! cultura é uma obra das esquerdas retrógradas!” é assim que pensam muitos que destroem aquilo que deveriam preservar.

      Pois saiba que para muitos arquitetos, elaborar um prédio desse tipo é como criar um filho.

      e prédio antigo é uma desgraça para proprietário sem visão, pois está sentado numa mina de ouro e não percebe. Se eu tivesse condições de financiar diversos casarios em Porto Alegre para fazer start ups de negócios, certamente o faria. Mas os proprietários fazem questão de aumentar mais o preço para evitar que se instalem negócios nesses lugares. é o tipico pensamento “se eu não posso ganhar com isso, ninguém mais ganha”.

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    • Adriel, que bom que a maioria das pessoas não pensa como tu. A arquitetura antiga, além de ser lindíssima, é uma coisa que veio e nunca mais virá. Quem tem o seu legado do começo do século XX para trás, maravilha, quem destruiu sua herança na maior parte, como nós, pena de nós! Não é a toa que as pessoas do mundo inteiro convergem à Europa para ver seus prédios antigos, seus palácios centenários, seus velhos cafés, praças, ruelas, fortalezas e castelos. As pessoas babam quando chegam a Paris, mas Porto Alegre (e até São Paulo) já foram um dia muito elegantes e europeias. Devemos fazer o máximo para preservar o que nos restou.

      Hoje pela manhã sai a fotografar a Independência. Estou preparando a parte 2 deste post, que publicarei mais tarde. Aguardem.

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      • Marcelo tem várias casas ainda preservadas na rua Santa Terezinha, de uma olhada dão ótimas fotos, são jóias de uma Porto Alegre que não existe mais.

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      • Morei 6 meses em Lisboa… a capital mundial dos “prédios históricos”, tvz junto com Porto/Portugal.

        Museu a gente visita, não mora!!! O lugar que eu mais gostava de ir lá era no Oriente, a parte (acho que a única parte) mais nova da cidade!

        Felizmente existem bastante pessoas que penam como eu! Meus amigos ao menos não trocavam Madri, Londres, Berlin, por Lisboa.

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    • Adriel.

      Felizmente cada vez mais uma mentalidade como a tua se torna minoria. O problema da propriedade e do impedimento de construir nos prédios históricos, pode ser resolvido pela troca por cota terreno equivalente. Algo que muitas vezes se torna um excelente negócio para o proprietário.

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      • Oi Rogério, poderia falar como funciona este sistema de troca por cota terreno equivalente?
        Parece uma ótima forma de manter e preservar prédios históricos.

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        • É simples um prédio tombado recebe uma cota terreno que pode ser comercializada para empreendimentos imobiliários em outras áreas com restrição de área (dentro de um limite). O proprietário pode vender tudo ou em partes para outros, ficando não ficando com o prejuízo.

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    • Aposto que este raciocínio que transformou nosso centro na “maravilha” que é, Adriel. Demoliram prédios bonitos para criar aquelas monstrosidades que temos lá hoje. Reconheço que hoje em dia fazemos melhor nos bairros nobres, e felizmente temos um plano diretor que não permite criar aqueles paredões, ruas que nunca pegam sol.

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      • Visita então Pelotas! Lá o centro foi todo tombado. Se não fosse o governo torrar milhões na reforma de alguns prédios, estaria tudo caindo aos pedaços como era alguns anos atras.

        Daqui a meia dúzia de anos, será necessário torrar tudo novamente, e assim ad eternum! Chegou ao cúmulo de tombarem um muro em frente a receita federal quando ela já estava em fase final de construção… tiveram que fazer uma verdadeira gambiarra com a entrada do prédio para poder entrar pela lateral.

        Mas como somos um país desenvolvido… podemos nos dar ao luxo de torrar dinheiro com estes supérfluos.

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        • Caro Adriel

          Morei três anos num prédio construído a mais de 130 anos, o estado não colocava nenhum dinheiro nele e seus proprietários mantinham com melhor qualidade do que os prédios construídos a menos de dez anos, ganhando um bom aluguel por 130 anos.

          Diga-se de passagem que não era no Brasil!

          É uma questão de hábito e educação. Um prédio histórico não que dizer um prédio caindo os pedaços, pode-se com pequenas reformas de tempos em tempos, mantê-los funcionais e o mais importante para muitos, economicamente viáveis, agora deixar cair tudo, aí as intervenções tem que ser muto grandes.

          Se os proprietários verificarem que com reformas sistemáticas eles mantém o seu rendimento ad aeternum pensarão diferente.

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          • Eu também morei em Lisboa num prédio de mais de 100 anos. Lá praticamente toda a cidade é tombada, resultado: Sérios problemas de mobilidade urbana pq prédios antigos sequer tinham garagem para estacionar carros.
            Você está pegando como exemplo um prédio funcional, que é lucrativo para o dono. Este é o normal. São poucos os casos em que construir um novo é melhor negócio do que reformar. O que eu advogo aqui é o direito do proprietário em faze-lo. Se a “sociedade” acha que o imóvel tem valor histórico, que ela o compre ao invés de transformar ele em um abacaxi para o dono.

            Penso assim pois meu pai já foi vítima de falcatruagem do prefeito que utilizou seu excesso de poder para desapropriar um terreno de nossa propriedade por razões pessoais, nos causando um prejuízo de mais de R$20 mil reais em valores corrigidos.

            A propriedade privada não deve ser sobrepujada por um capricho da sociedade! Sim, capricho pois está se envolvendo em algo que não é da sua conta por razões fúteis. Aliás, eis aí uma das razões para a decadência da nossa sociedade comparada a países mais avançados: se interferir navida dos outros.

            E para os que acham que é necessário tombar prédios históricos para atraír turismo, sugiro que visitem os EUA ou outro país desenvolvido fora da Europa. Na minha opinião, não é necessário tombamento para preservar prédios históricos importantes pois eles já são lucrativos sozinhos. E muito pelo contrário, as limitações que o tombamento causa ao dono acaba contribuindo para o seu abandono.

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          • Caro Adriel.

            Comento abaixo.

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  7. Não temos obrigação nenhuma de restaurar. Quem quiser manter estes prédios antigos, que os compre!

    Prédio antigo só é bom para os outros… para o proprietário é uma desgraça!

    Em tempo: não sou contra prédios antigos, eles restaurados ficam bonitos. O problema é se amarrar ao passado e achar que eles são mais importantes que novas construções que venham a ocupar o seu lugar, o que faz as prefeituras sairem tombando feito doidas quenem ocorre em Pelotas. A ameaça de tombamento só faz com que os imóveis históricos se desvalorizem e ninguém queira adquiri-los/mante-los pois sempre terá alguém para dar pitaco em qualquer reforma.

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  8. Um dos maiores crimes já cometidos nesta cidade foi a demolição da antiga igreja do Rosário, para dar lugar aquela verdadeira monstruosidade arquitetônica, um mausoléu escuro e frio. Devemos agradecer ao ido sr. Lesenheur de Faria, incansável em seu esforço para “modernizar” aquela jóia em estilo colonial. E assim aconteceu com várias outras igrejas: a Luterana da Senhor dos Passos, a católica da Getúlio com José de Alencar, a antiga da praça de Ipanema – esta sim, ganhou o prêmio de estilo: conseguiram reproduzir algo que se assemelha à uma batedeira Sunbeam Starlite, modelo 1956… Somos o máximo, não é mesmo?

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    • Jorge

      Esqueceste da Capela do Menino Deus.

      Deveríamos mudar a legislação sobre a propriedade das igrejas, ela deveriam ser propriedade da comunidade que a frequenta, isto seria importante para estas não ficarem ao sabor do “gosto” dos curas.

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  9. Perfeito o post, esse problema sempre foi algo que me angustiou muito em Porto Alegre. Perdemos um legado enorme. Aqui no Petrópolis também havia diversos casarios antigos das décadas de 30 a 50 que foram demolidas para construção de prédios. Ta certo que algumas não tinham valor artístico, mas muitas delas eram únicas e poderiam se tornar comércio da região. Isso iria valorizá-las.

    Estou começando a catalogar as casas da região, pois sei que eventualmente essas casas serão demolidas. É uma pena.

    Pra mim, pura falta de visão dos herdeiros que assumiram as casas dos pais e não souberam aproveitar o potencial da casa.

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    • Então a tua opinião sobre o que é artístico ou não tem mais valor sobre o direito do dono, ou de seus descendentes0 em fazer o que ele quiser com o imóvel!

      Se queres manter um imóvel velho, simples, compre ele! Como consolo, podes ter certeza que o maior interessado em “ter a melhor visão” sobre o que fazer com o imóvel velho são justamente os proprietários e os possíveis compradores. Se eles resolveram demolir, é pq certamente encontraram algo melhor para fazer com o prédio e isto não é da nossa conta.

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    • Adriel, vou repetiro mesmo que falei na parte 2: ainda bem que não europa não demolem estes casarios, senão não tínhamos oq ue visitar lá. De qualquer forma, eu até gostaria de comprar 1000 casas destas, mas mal consigo pagar meu apartamento hehehe.

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  10. Creio que as grades do prédio da Medicina foram instaladas não somente pela segurança, mas para conter pichações e cartazem que eram colados na fachada. A situação era caótica.

    Aliás, sobre cartazes e propagandas que são colados em paradas de ônibus, fachadas e onde mais possam colocá-los: é muito simples chegar aos responsáveis, porque neles sempre há algum telefone ou endereço pra contato. Só falta vontade das autoridades.

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  11. Acho bizarro terem pintado este prédio da URFRGS com cores tão claras, muito branco. O prédio ganha uma pintura a cada 30 anos, daqui há 5 já vai estar totalmente manchado.

    Em relação a perda de patrimônio arquitetônico, procurem fotos da Salgado Filho e arredores, cheio de prédios neoclássicos nos anos 40… agora temos aqueles prediões genéricos.

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    • A pintura realmente está péssima. A antiga cor era a mesma desde a construção do prédio, semelhante aos prédios de Paris, por exemplo. Odeio a mania brasileira de pintar prédios históricos com as cores mais chamativas possível. Pelo menos a maior parte do edifício está sem pintura, até lá podem mudar de ideia. Se não mudarem, prefiro que fique assim mesmo.

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