Porto Alegre no roteiro dos gringos

Capital receberá ainda este ano shows importantes como o de Ringo Starr e sua All Star Band TIME FOR FUN/DIVULGAÇÃO/JC

O gradual aumento no número de shows internacionais em Porto Alegre parece ter chego ao ápice recentemente. A lista de grandes artistas desembarcando no aeroporto Salgado Filho ganha novos nomes graças ao forte trabalho de produtoras locais, que apesar da dificuldade em encontrar lugares adequados para as apresentações, nos brindam com momentos inesquecíveis. Se no ano passado os gaúchos puderam ver produções memoráveis como os shows de Paul McCartney, Guns N’ Roses, Aerosmith e Metallica; e neste ano já passaram por aqui Ozzy Osbourne, Shakira, Alice Cooper e Roxette, a lista de shows – e preços de ingressos – aumenta gradativamente com o anúncio de novos nomes como Pearl Jam, Ringo Starr e Eric Clapton.

Das 16 atrações internacionais anunciadas neste ano no Brasil, em shows fora de festivais, metade passa por Porto Alegre. Das que ficam de fora, seis bandas participam de grandes festivais, como Rock in Rio e SWU, e adicionaramshows extras em datas próximas, apenas no circuito Rio-São Paulo. Entre as oito apresentações programadas para a Capital, em metade delas a cidade figura como a única de fora do centro do País. Os cachês dos artistas são os mesmos para todas as localidades exceto São Paulo, que conta com maior público e, consequentemente, orçamentos maiores.

Atravessar o País ou o continente para ver um show já é praticamente desnecessário. Porto Alegre parece estar entre as primeiras opções de cidades fora do eixo comandado por cariocas e paulistas. Segundo Cássio Lopes, um dos diretores da produtora Hits Entretenimento, ao lado de Matheus Possebon e Lucas Giacomolli, “este é um dos melhores momentos para o entretenimento devido à baixa do dólar e ao mercado que se encontra em um momento favorável, além de Porto Alegre possuir um público eclético e de nível cultural acima da média”.

Entretanto, os espaços para realização de grandes eventos ainda é um obstáculo para produtores gaúchos. “Porto Alegre possui excelentes teatros como o do Sesi e do Bourbon Country, mas são teatros. Trabalhamos bastante no Pepsi On Stage, porém, ainda carecemos de um local específico para shows maiores como o Canecão, no Rio de Janeiro, ou o Credicard Hall em São Paulo, que na minha concepção é a melhor casa de shows do País”, explica Lopes. O critério de escolha acaba sendo o potencial de venda de cada artista. Os espaços disponíveis para shows acima de seis mil pessoas – capacidade do Pepsi On Stage – são improvisações como o Gigantinho (onde cabem 12 mil pessoas), o estádio do Zequinha e a Fiergs com capacidade de até 25 mil, e o Beira-Rio, capaz de suportar até 50 mil. Em todos os casos a estrutura precisa ser montada do zero.

Entre as principais preocupações dos artistas estrangeiros está a segurança. O ano passado foi marcado por uma invasão generalizada do público chileno em um show da banda Rage Against the Machine. Revoltados com o vão de separação reservado para uma pista vip, o público venceu a segurança e as grades de contenção à base de violência e se aproximou do palco. Os reflexos foram sentidos no show da banda no festival SWU do mesmo ano, realizado no município paulista de Itu, onde fãs brasileiros tentaram o mesmo. “Hoje em dia o artista se preocupa demais com o nível de segurança, pois qualquer problema acaba revertendo na sua imagem. Eles exigem estar cientes da capacidade do local e a compatibilidade do número de ingressos à venda, fora a quantidade de seguranças, barricadas, grades de contenção e estrutura de palco”, conta Lopes.

Além da iminente movimentação de fãs que chegam para apreciar eventos tão aguardados, os shows acabam se tornando legados culturais, que permanecem no imaginário popular por muito tempo. Para o coordenador do curso para músicos e produtores de rock da Unisinos e figura lendária da música gaúcha, Frank Jorge, “ver um show de Paul McCartney ou Ringo Starr, de um modo ou de outro, impacta na produção local, os músicos acabam se motivando, se inspirando. Mas não apenas o artista internacional cumpre esse papel, pois sempre é possível levar alguma coisa de qualquer show”.

Os altos preços dos ingressos para atrações de grande porte também podem fazer com que o público deixe de comparecer aos shows locais. “É um avanço poder ver uma outra expressão seja pelo tipo de som, arranjo, sotaque ou abordagem técnica, mas é importante também se enxergar neles e não deixar de dar atenção para a produção local”, afirma Frank.

Programação de shows internacionais em Porto Alegre / 2011

30/08 – Ricky Martin – Gigantinho – de R$ 100,00 a R$ 400,00

27/09 – Nick Jonas – Pepsi On Stage – de R$ 60,00 a R$ 180,00

04/10 – Tears for Fears – Pepsi On Stage – de R$ 90,00 a R$ 160,00

04/11 – Hanson – Centro de eventos Casa do gaúcho – De R$ 80,00 a R$ 150,00

06/10 – Eric Clapton – Fiergs – de R$ 180,00 a R$ 700,00

10/10 – Justin Bieber – Estádio Beira-Rio – de R$ 130,00 a R$ 400,00

10/11 – Ringo Starr – Gigantinho – de R$ 150,00 a R$ 300,00

11/11 – Pearl Jam – Estádio Zequinha – de R$ 150,00 a R$ 200,00

Jornal do Comércio



Categorias:Eventos, Show/Música

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15 respostas

  1. Que outra cidade de 1,4 milhao de habitantes da America Latina recebe shows de porte semelhante aos que Porto Alegre recebe? … Wait! Eu mesmo respondo: nenhuma.

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    • Nao entendi. Vc esta dizendo que o porte dos shows que PoA recebe sao pequenos ou Grandes?

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    • Ricardo, Curitiba recebe as vezes, inclusive recebeu o McCartney antes de nós. Até acho que o tamanho do público era menor, mas era o mesmo artista (não sei a capacidade da Opera de Arame)

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      • Discordo, Felipe X. Porto Alegre recebe todos os shows que passam por Curitiba, mas Curitiba não recebe todos os shows que passam por Porto Alegre!

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  2. Mas o problema não é espaço para grandes shows, que será suprido pela Arena e hoje já funciona bem no Olímpico ou no Beira rio. O problema, como aponta a reportagem – e qualquer um que os frequente sabe, é espaço para shows “médios”.
    Passando de duas mil pessoas, Porto Alegre não tem casa de shows. O Pepsi On Stage é um lixo, com uma acústica péssima, visão terrível e estrutura pífia. Todos os outros locais, Teatro do Sesi e Bourbon, Opinião, são pra até duas mil. O Araújo também, aparentemente, não vai tapar esse buraco pois fica próximo de 2 mil.
    Porto Alegre precisa de uma boa casa para 5 a 10 mil pessoas. Meu sonho é que fosse feita uma no futuro Cais. Seria uma localização perfeita, os armazéns que tem lá já servem como base para uma enorme casa de shows, haveria estrutura prévia para recebimento de grandes públicos, segurança para entrar e sair do show, além de um imenso atrativo pros restaurantes e bares que se instalarem lá (atrativo pro complexo inteiro, na verdade).

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    • O Araújo Vianna será para 3 mil pessoas.

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      • E o Dado das “Tesouras”, que seria parecido com o Canecão, em importância e quantidade de público? Alguém sabe alguma coisa? Será que com o Cais, o Eduardo Bier não se entusiasma de novo e constrói a casa noturna ali, entre o Cais e a Usina? O blog poderia fazer uma matéria a respeito.

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      • Paulo, o Dado encheu o saco com a burrocracia e o prédio das tesouras incendiou, não existe mais.

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  3. Falto colocarem o show do Rapper Flo Rida no Planet Music (casa de shows do Ronaldinho )

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  4. triste…

    Pena que nosso povo tem a mente pequena, o anfiteatro por do sol poderia ser um baita lugar para grandes shows, mas la, só shows gratuitos.

    Ta mais do que na hora de construir um centro de eventos grande para a nossa cidade, algo preparado pra isso, numa localzação de facil acesso….

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    • A Arena do Grêmio será um grande e maravilhoso palco para shows internacionais de grande porte ! Dezembro/2012 estará pronta !!!!!

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      • Arena do Grêmio deve estar pronta em 30.11.12. Capacidade p/futebol: 57.000 pessoas. Capacidade p/grandes shows: 75.000 pessoas. Com um palco destes, mais e mais shows acontecerão. Porto Alegre sempre foi o 3º local no Brasil, pelo seu público diferenciado, e ainda mais por ser trajeto p/Buenos Aires e Santiago. Com a Arena, este 3º lugar ficará consolidado ainda mais! Uma pena que Erasure não pode se apresentar lá!

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        • 75.000 pessoas na arena em shows? deve estar de brincadeira. Só se fosse a turne 360º do U2, onde o palco é aberto. Num show normal, a parte de tras do palco é tapada, aí, já perde no minimo uns 15 mil lugares.

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  5. Viu, depois dizem que não estamos capacitados para receber os gringos…

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