Curiosidade: onde inicia o Lago Guaíba

Você sabia que o Lago Guaíba inicia junto da Usina do Gasômetro ? E que antes disso (ao norte) é o Delta do Rio Jacuí? Então por que chamamos a ponte sobre o Delta, de Ponte do Guaíba ?

Claro, por costume. Todo mundo considera todo este manancial d’água de Guaíba. Mas ele inicia na verdade, na Usina do Gasômetro.

“O Rio Guaíba (outros preferem dizer Lago Guaíba) inicia após o encontro dos braços Leste (Porto) e Oeste (Ilha da Pintada) do RIO JACUI, na altura da Usina do Gasômetro. Os braços E e O do Rio Jacuí envolvem o Delta (conjunto de ilhas e canais). Por isso é o Delta do Jacui.”  (parágrafo escrito pelo leitor Hermes).

Veja os mapas:

(clique para ampliar)

Aproveito e deixo um recorte de jornal sobre o fato do Guaíba ser lago, de 2002, do Correio do Povo:

O Atlas Ambiental de Porto Alegre fala, em seu Capítulo 3, na página 37, o seguinte:

Em 1820, quando Saint-Hilaire avistou o Guaíba, não teve dúvidas em anotar em seu diário que se tratava de um lago. Os moradores da época chamavam-no de Lago de Viamão ou, também, Lago de Porto Alegre, denominações existentes desde o século XVIII. A análise de mapas históricos da região costeira do Rio Grande do Sul mostra que, durante o século XVIII e início do XIX, Rio Guaíba era a designação do segmento final do atual Rio Jacuí, compreendido entre a foz do Rio Taquari e as ilhas do delta.

Se Guaíba, em tupi-guarani, significa o “encontro das águas”, de fato é para esse segmento que as águas de cinco rios afluem e convergem. O Guaíba é um lago, pois:

1. os rios que nele desembocam formam um delta. Este tipo de depósito sedimentar ocorre quando um volume de água confinado por canais encontra-se com um grande corpo de água. O rápido desconfinamento do fluxo de água causa a descarga do material arenoso e argiloso que estava sendo carregado pelos rios. Este processo origina a formação de ilhas que vão sendo recortadas por canais sinuosos chamados de distributários. Ao longo do tempo, as ilhas crescem em direção ao lago. Os canais distributários podem se fechar e novos podem se abrir, conectando ou separando as ilhas. A Ilha das Flores, por exemplo, era formada pela antiga Ilha do Quilombo, na porção norte, a qual era separada da porção sul por um canal, chamado de Quilombo, que hoje está ainda se fechando;

2. cerca de 85% da água do Guaíba fica retida no reservatório por um grande período de tempo. Esse fator é fundamental para a compreensão do modelo ambiental do município e da região hidrográfica, implicando diagnósticos ambientais e diretrizes de controle de efluentes poluidores mais acurados;

3. o escoamento da água é bidimensional, formando áreas com velocidades diferenciadas, típico de um lago;

4. os depósitos sedimentares das margens possuem geometria e estrutura características de sistema lacustre;

5. a vegetação da margem é de matas de restinga, identificadoras de cordões arenosos lacustres oceânicos.

Fonte: Atlas Ambiental de Porto Alegre. Coordenador Geral: Rualdo Menegat.

PMPA – UFRGS – INPE. Porto Alegre, RS, 1999 2ª Edição.

OBS.:

Este mesmo texto estão nesta página do Blog: https://portoimagem.wordpress.com/o-guaiba-e-um-lago/

e no site Porto Imagem, neste endereço: http://www.portoimagem.com/rio-lago.html

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Categorias:Lago Guaíba

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34 respostas

  1. Agradeço ao Hermes Vargas pelas palavras a meu respeito, sou um mero questionador do uso indevido do termo Lago Guaíba, pela fraude que se cometeu.
    Quanto a aplicação da Lei 4771/65 que se refere a rios com mais de 600 m, determinando 500 metros de APP, nada a questionar, pois é de 1965 e até 1998 (Atlas ambiental) todos os documentos oficiais se referem a Rio Guaíba.
    Portanto não se questiona o nome que cada um dá ao Guaíba e sim a pura aplicação da Lei, pois quando editada todos se referiam a Rio Guaíba e os que aprovaram a Lei assim entendiam.
    Divulgo estes fatos para esclarecimento, pois devemos respeitar as Leis.
    Se a maioria decidir poderão mudar a Lei 4771/65 e então eu serei o primeiro a defende-la.

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  2. Não é uma questão de princípio, pessoal, mas basta olhar qualquer carta náutica do Guaíba, de qualquer época (por óbvio), para verificar que existem canais naturais claramente definidos, sobre os quais foi lançada a linha de navegação, com poucos trechos dragados. Lagos têm canais? Acho que não, pois são os rios que apresentam canais naturais (talvegues). Lamento, mas Toldo e Wittler (dentre outros) são craques nessa área …

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  3. O mal do País é este achismo, o eu fico com tal ou qual opinião, pois mais mete o bico no pote quem nada sabe do assunto. É lamentável tal atitude ou interesseira.

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  4. Nessa eu fico com a constatação do Saint-Hilaire, totalmente afastada temporalmente desse discussão: “O intendente que me perdoe, mas isso é um lago”.

    Aliás, qualquer um que ver num mapa as formas geográficas do Guaíba e não estiver “envenenado pela disputa ideológica, chegará a essa mesma constatação.

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    • Especialistas em Linguística não dizem que não se pode corrigir alunos que usam uma variedade diferente da utilizada pelos falantes letrados/cultos. O que eles dizem é que, embora cientificamente todas as variedades tenham a mesma importância (e todas elas são organizadas por regras, das quais muitas vezes o falante não têm consciência), o papel da escola é instrumentalizar os alunos no domínio da variedade socialmente prestigiada e que, para isso, não há necessidade nem é producente estigmatizar/ridicularizar a forma como os alunos falam.

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  5. Eu apresento estudos do Professor Toldo Junior da mesma Geociência do Professor Rualdo Menegat e da área de atuação de rios e águas , enquanto o Professor Menegat é especializado inclusive em áreas celestes e professor apenas de formação na UFRGS.
    Vejam o trabalho do Professor Toldo Junior, baseado em trabalhos de Teses de Doutorado .O que venho tentando dizer é que o assunto merece ainda muita discussão.
    Veja o trabalho: http://www.myebook.com/ebook_viewer.php?ebookId=25428

    Eu participei de reuniões da Comissão formada pelo Governado Amaral de Souza e embora a tese do Professor Hans Thofner do Guaíba ser Lago não tenha prosperado pois a Comissão não chegou a nenhuma conclusão (entre 1979 e 1982). E o dito Decreto de Amaral de Souza trocando o nome de Rio para Lago nunca existiu.

    Alguns que aqui escrevem já conhecem este trabalho mas, não sei a intenção, continuam induzindo pessoas a acreditarem numa só versão.

    O Professor Toldo Junior também é da tese que o delta não é delta e sim depósitos proveniente da erosão ao longos de milhares de anos e que delta tem rios no sentido divergente o que não ocorre aqui.

    Por outro lado se pesquisarem no IBGE ou na ANA – Agência Nac. de Águas verão que nada encontrarão sobre Lago Guaíba e sim Rio Guaíba.
    Na regulamentação da Lei da Mata Atlântica o Mapa incluso feito recentemente pelo IBGE reza Rio Guaíba. Também na nossa Lei Orgânica de Porto Alegre (nossa constituição) até a alteração de 2007 considera o Guaíba Rio.

    O resto é história e elementos benéficos para aqueles que queriam ocupar a orla do Guaíba entre os 500 m (se Rio) e os 30 m (se lago)

    Engenheiro Henrique Wittler

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    • Um “estudo” apresentando em 1999 em plena discussão do Pontal do Estaleiro?

      Mais dirigido e parcial impossível…

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      • Caro Julião

        Conheço os dois professores, poderia dizer que um por vaidade não modificará a sua visão e outro por raiva também não, porém não precisas levantar suspeitas sobre os dois, eles tem vários defeitos (como eu os tenho), e consigo identifica-los perfeitamente, porém Lago ou Rio por dinheiro, jamais, por ego e vaidade, sim.

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      • Aliás, não de 1999, mas de 2009, quando se discutia os 30 ou 500 metros do projeto do Pontal. Em 1999 foi lançado o atlas ambiental de Poa e não havia essa celeuma, mas o professor que o lançou não era “especialista”, e pelo jeito, nem fanático da “causa”.

        Falando em especialista, esse é o grande mal do Brasil: especialistas em direito criminal influenciam as leis de execução e ninguém mais pode ser preso no país; especialistas em previdência lutam contra a sua reforma, enquanto o Brasil se torna o país que mais gasta com previdência no mundo, relativamente ao seu PIB; especialistas em linguísticas dizem que não escolas não se pode corrigir as crianças pobres que falam errado e o Brasil não consegue sair das piores colocações em testes escolares globais e assim por diante.

        Chega de especialistas, chega de parcialistas, chega de corporativismos…. Precisamos ouvir pessoas que PENSAM as coisas do Brasil integradas como um todo; generalistas, universalistas, enciclopedistas, estadistas…, E NÃO QUE PENSAM SOMENTE NO SEU UMBIGO.

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