“Ciclovia da Restinga está mais para calçadovia”, critica vereador

Cerca de três quilômetros da ciclovia da Restinga estão sobre a calçada. "Aquilo lá nunca deveria se chamar de ciclovia, está mais para uma ‘calçadovia’”, diz Mauro Pinheiro | Foto: Divulgação/Gabinete Mauro Pinheiro

A prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta segunda-feira (5) o projeto executivo da ciclovia na avenida Ipiranga, que será construída pelo grupo Zaffari e terá 9,4 quilômetros de extensão. O Plano Diretor Cicloviário prevê um potencial de 495 quilômetros de ciclovias em Porto Alegre. No entanto, os 4,6 quilômetros de caminhos para bicicletas no bairro Restinga, que deveriam ter ficado prontos em junho, apresentam uma série de problemas. “Está mais para uma ‘calçadovia’”, critica o vereador Mauro Pinheiro (PT).

Orçada em R$ 1,5 milhão, a ciclovia da Restinga está 90% pronta, segundo a prefeitura. No final de agosto, Mauro Pinheiro percorreu toda a extensão da obra e verificou problemas. “Aquilo lá nunca deveria se chamar de ciclovia, está mais para uma ‘calçadovia’”, afirma o vereador. Segundo ele, mais de três quilômetros da pista estão em cima de estreitas e defeituosas calçadas da avenida João Antônio da Silveira, obrigando os pedestres a dividirem o espaço com os ciclistas ou, na pior das hipóteses, caminharem pela via. “A ciclovia passa no meio de uma parada de ônibus e por vários postes de luz, aumentando a lista dos problemas”, aponta Mauro Pinheiro.

Embasado na legislação, Pinheiro argumenta que o artigo 8º da lei complementar nº 626, do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, prevê a ciclovia como uma faixa exclusiva às bicicletas separada da área destinada a pedestres e tráfego motorizado. Além disso, ele destaca que de acordo com o decreto municipal nº 14.970, assinado pelo ex-prefeito José Fogaça, está vedado qualquer tipo de obstáculo nas calçadas destinadas a pedestres.

Para Mauro Pinheiro, o problema da ciclovia da Restinga não tem a ver apenas com as falhas no trajeto, mas com o alto custo para uma obra que ficou sem qualidade. “O problema não está apenas nas irregularidades. O valor orçado para a sua construção não faz jus à sua existência. É um absurdo”, diz o vereador, que na semana passada pediu ao Ministério Público do Estado que abrisse um inquérito para investigar as irregularidades.

O diretor-presidente da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), Vanderlei Capellari, explica que o fato de a ciclovia passar por trechos em cima das calçadas ocorre pela falta de condições de construir o percurso na avenida. “A pista já é estreita e a colocação de uma ciclovia a estreitaria ainda mais”, justifica. “Em alguns pontos da ciclovia deverá existir um bom relacionamento entre ciclistas e pedestres para que todos possam utilizar do mesmo espaço tranquilamente”, afirma.

Sobre os postes, Capellari admite não ter o que fazer a respeito, apesar de que, segundo ele, isso já estava previsto no projeto inicial. “Estamos construindo uma ciclovia e não uma pista de corrida. Não creio que os postes sejam um complicador para os usuários de bicicletas”, defende. Em relação à parada de ônibus, o diretor-presidente da EPTC garante que ela será transferida para um ponto em que a calçada seja mais larga e não atrapalhe o trafego dos ciclistas.

André Carvalho

Sul 21 – Clique aqui para ler a matéria integral, e ver mais fotos.



Categorias:ciclovias

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27 respostas

  1. Serio, eu acho que se eu fosse responsável pelas obras publicas dessa cidade eu cortaria os pulsos ou daria descarga com o meu diploma universitário, porque está cada vez pior a coisa. Gente que não se cansa de se queimar profissionalmente.

    Realmente o pessoal está sem critério algum na hora de executar uma obra pública dessas. Será que não existe um conselho de classe que trabalhe em conjunto com o TCE que fiscalize essas obras? Alguém mais entendido do assunto poderia esclarecer como funciona isso?

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  2. É vereador. Não tem voz pra levantar esse assunto?
    Pelamor.

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  3. Aquele poste está caindo ou é impressão minha?

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  4. Realmente, esta ciclovia está mal elaborada

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  5. O importante e’ que vai ter canapes e muitas fotos para o Fortunatti no dia da “inauguracao”!!

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  6. realmente está mais parecendo um calçadão remodelado.

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  7. Huahuahuahua
    Eu tô rindo pra não chorar.

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  8. Eu realmente iria preferir que pintassem o asfalto de vermelho e não fizessem essa coisa nojenta. Cada vez me irrito mais com o descaso das autoridades com tudo, só se preocupam com eles mesmos e não estão nem aí para o que a população quer.

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  9. Que obrinha mais tosca terceiro mundista, que pensamento pequeno!!!

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    • Para complementar meu post anterior: quer dizer que a ciclovia é a parte asfaltada…mas e as bordas? Porque não ter asfaltado então toda a largura da calçada, assim se poderia dividir e ter um espaço para os pedestres e outro para os ciclistas, largura suficiente para isso existe!!
      Que coisa tosca, projeto mal feito ou inexistente.

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  10. pensa positivo, é só por um gramado por ela, umas flores e arrumar alguns detalhes e teremos uma excelente calçada pela restinga.
    sausahuashuhusahusahuas

    Cara, nunca viii, Porto Alegre é como uma favela gigante, pegam umas pedras baratas, umas porcarias e vão fazendo sem pensar pelas ruas da cidade, ae fica essa coisa bizarra ae…

    O mesmo pro mirante na orla..

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  11. Cadê a sinalização, equipamentos de proteção dos ciclistas ( guard rail),etc…?? Não dá para indentificar que é um ciclovia a obra-prima ai?
    O 1 milhao e meio não foi suficiente para colocar mais isto??

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  12. Pelo menos o pessoal da Restinga vai ter uma calçada para caminhar…e seguimos com as piadas de implantação do Plano Diretor Cicloviário.

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  13. Ao lermos a notícia, chegamos a conclusão do total descaso das autoridades públicas com relação as necessidades da população neste caso, em que vários outros, que são o somatório total das aberrações feitas com os impostos pagos pelo cidadão.

    Após a análise das fotos, concluímos, que a maldita ciclovia prevista pela Pref. Mun. POA não foi e nunca será uma ciclovia, mas como se trata da população da Restinga, tudo pode, tudo vale, para essa população é este o projeto.

    Fico a imaginar que a ciclovia que se será bancada por um supermercado, se a mesma terá os mesmos parâmetros da futura ciclovia da Restinga, claro que não, esta empresa provavelmente irá abater esta construção, através de mimos de incentivos fiscais no mínimo, aliás, nenhum ente privado, projeta uma obra sem fins lucrativos.

    Temos vários exemplos, o Parque da Redenção, o Parque Marinha do Brasil, o Largo Glênio Peres, em que o ente privado se privilegiou e não terminou a reformulação da referida área, aliás, que deixa a muito a desejar, tampouco se verifica uma reformulação nas áreas dos parques, a não ser um faz de conta, esta tomada de propaganda de refrigerante.

    Seria interessante que o Vereador Mauro Pinheiro, inclui-se em sua demanda, todas as obras públicas listadas para as devidas investigações por parte do Ministério Público de Contas.

    Ao liberarem a ciclovia da Restinga, o ente público, responde por todos os atos que ocorreram com o que o cidadão que transita nesta área, uma coisa é via pública, uma coisa é ciclovia e uma coisa é calçada.

    Em um país sério, no mínimo as autoridades responsáveis pela fiscalização de dinheiro público já teriam tomada as devidas providências.

    Essa é a cidade da Copa do Mundo, em que tudo pode, tudo vale.

    Viva a Ciclovia da Vila Restinga.

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    • Alguém tinha que levar a conversa pra luta de classes… hehehe. Não sei se a ciclovia financiada pelo Bourbon vai ser muito melhor não. Aquela na frente do barra era melhor que estas das fotos mas não era grandes coisas não.

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    • Os projetos da Prefeitura de Porto Alegre são RUINS não importam em qual bairro estejam. A “revitalização” em Assunção foi um FIASCO e essa “ciclovia” na Restinga é VERGONHOSA. Não tem nada a ver com ricos ou pobres, são ruins de qualquer jeito.

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  14. tosco…

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  15. Repito o que já comentei lá no sul21: Os postes não me pareceram grande problema, mas misturar com o trânsito dos pedestres é pedir para haver atropelamentos por ali (ou bloqueios do fluxo de bicicletas).

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