Porto Alegre em Cena no mapa do teatro mundial

A Flauta Mágica (E) e Ivo Bender (D) PORTO ALEGRE EM CENA/DIVULGAÇÃO/JC E GABRIELA DI BELLA/JC

Maioridade é a idade em que, segundo a lei, adquire-se total capacidade de exercer direitos e ser responsável pelos seus atos. E o que dizer e esperar de um festival como o Porto Alegre em Cena, que completa 18 anos? Durante as edições do evento pisaram nos palcos da Capital gaúcha muitos espetáculos criados pelos nomes mais importantes da cena teatral mundial.

Depois da criação do Em Cena, não é mais preciso pegar o avião e viajar pela Europa inteira e aos países vizinhos para estar por dentro do que de melhor está sendo produzido no teatro. Nesta edição, o festival coloca, definitivamente, Porto Alegre no mapa do teatro mundial. Não é exagero. A programação, que começa nesta terça, às 21h, no Teatro do Bourbon Country com a apresentação dos portugueses Maria João e Mário Laginha e segue até o dia 27 de setembro, fala por si só.

Em uma mesma noite, por exemplo, o público poderá assistir a dois destaques internacionais que justificam a afirmação acima citada. Bob Wilson estará, pela primeira vez, presente como ator no festival. O encenador, que já participou antes na direção com Quartett (2009) e Happy days (2010), volta com A última gravação de Krapp em um encontro particular com Samuel Beckett. Outro destaque é A flauta mágica, encenação de Peter Brook para a célebre ópera de Mozart. Aos 86 anos, o diretor escolheu o espetáculo para anunciar seu afastamento do seu centro de elaboração cênica, Les Bouffes du Nord.

A escolha dos espetáculos nacionais também merece significativos aplausos. Histórias de amor líquido é uma delas. A peça tem direção de Paulo José, que compareceu no festival anterior, contrariando recomendações médicas. Ele emocionou o público com sua montagem de Um navio no espaço ou Ana Cristina César, em que, além de dirigir, atuava.

Outra atração bastante esperada é Pterodátilos, dirigida por Felipe Hirsch – que este ano apresentou na Capital gaúcha Trilhas sonoras de amor perdidas. A peça traz um elenco de peso, em que se destaca o nome de Marco Nanini, pela primeira vez participando do Em Cena. Mas os ingressos já estão esgotados.

O público também poderá conferir o talento de Ney Matogrosso, dessa vez, no teatro. Ele dirige Dentro da noite, baseada em dois contos de João do Rio, encenados por Marcos Alvis.

Neste ano, o teatro do Mercosul estará representado, em maioria, pelo teatro independente. Como em Amar, peça que está em cartaz em Buenos Aires, de Alejandro Catalán (com ingressos esgotados). Emílio Webhi, fundador do célebre grupo El Periférico de Objetos, vem com Dolor exquisito. Também se destacam as montagens uruguaias: Neva e Music Hall (esta com texto de Jean Luc Lagarce).

A música ocupa lugar significativo na programação deste ano, apresentando shows de renomados artistas como Phillip Glass e Estrella Morente, o maior nome da música flamenca. É a primeira vez que Estrella vem à América do Sul. No Brasil, por exemplo, somente Porto Alegre poderá vê-la. Também será a primeira vez de Maria Bethânia no festival. Como era de se esperar, todos os bilhetes para assistir à diva baiana já foram comercializados.

Das atrações locais, muitas também já estão com ingressos esgotados, como Wonderland e o que Michael Jackson encontrou por lá, Hybris, Clube do fracasso, Hotel Fuck e Viúvas. Entre elas, está uma série de homenagens aos 50 anos de teatro do dramaturgo Ivo Bender nesta quarta. Será lançado o curta documental Entrenós, com depoimentos sobre a vida e a obra de Ivo Bender; a reedição da exposição Ivo Bender, O senhor das Letras; e ainda uma apresentação do Cabaré do Ivo, espetáculo do Grupo Experimental de Teatro, às 23h, na Sala Alvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307).

E para fechar com chave de ouro, a programação segue pós o encerramento do festival. O Théâtre Du Soleil, da diretora Ariane Mnouchkine, terá apresentações em dezembro, fora do período do festival. Como disse o curador do Em cena, Luciano Alabarse: “É um grande festival, não?” Se é.

Além do já tradicional ponto de venda na Usina do Gasômetro e nas bilheterias dos teatros (quando houver ingressos disponíveis), os bilhetes podem ser adquiridos no site www.ingressorapido.com.br ou pela telentrega (4003-1212) e nas lojas My Ticket (Andradas, 1342 e Padre Chagas, 326). Os valores variam entre R$ 20,00 e R$ 50,00.

Michele Rolim – Jornal do Comércio



Categorias:Cultura, Eventos, Teatro

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