Porto Alegre constrói ciclovias, mas cultura ‘carrocêntrica’ ainda predomina

A prefeitura de Porto Alegre marcou o Dia Mundial Sem Carro com o início da obra da ciclovia na avenida Ipiranga

André Carvalho

Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Celebrado nesta quinta-feira (22), o Dia Mundial Sem Carro procura levantar a reflexão da sociedade sobre o uso excessivo dos veículos automotores e as consequências para as cidades e para o meio-ambiente. Em Porto Alegre, a data foi marcada com o início da construção da ciclovia na avenida Ipiranga – o prefeito José Fortunati participou de um passeio ciclístico pela manhã. A capital gaúcha terá mais ciclovias, mas ainda as ações voltadas para os automóveis ainda são predominantes.

Além da ciclovia na Ipiranga, que será construída como contrapartida pela rede de supermercados Zaffari e pelo shopping Praia de Belas, a ciclovia no bairro Restinga está praticamente concluída, segundo o diretor-presidente da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari. Já está em elaboração pelos técnicos da EPTC o projeto de construção de uma ciclovia na avenida Sertório, cuja obra deve começar em 2012.

Outra ciclovia será construída na Edvaldo Pereira Paiva – a avenida Beira-Rio. A ideia da prefeitura com a obra é realizar uma integração dos espaços para ciclistas nas avenidas Diário de Notícias, Edvaldo Pereira Paiva e Ipiranga, o que vai resultar em 17,4 quilômetros de espaços para ciclistas. Estas obras fazem parte do Plano Diretor Cicloviário, que pretende implantar 40 quilômetros de ciclovias até a Copa do Mundo de 2014.

Cultura “carrocêntrica” ainda predomina

Apesar do avanço na construção das ciclovias, especialistas e cicloativistas de Porto Alegre alertam que a cultura do carro ainda é predominante – não só na capital gaúcha – e que a mudança será um processo demorado.

Para o arquiteto e urbanista Ricardo Corrêa, sócio fundador da consultoria TCUrbes e um dos coordenadores do projeto do Plano Diretor Cicloviário (PDC) de Porto Alegre, o trânsito só se tornará um lugar mais respeitável quando houver educação por parte de todos, sejam eles pedestres, ciclistas ou motoristas. “Uma cidade democrática é uma cidade que dá espaço para todos os meios de transporte, e para isso a educação é fundamental e tem que partir dos órgãos de fiscalização”, afirma.

Corrêa sustenta que no Código de Trânsito Brasileiro a prioridade é sempre o pedestre. Depois ciclistas, transportes de carga e descarga e, por fim, os carros de passeio. “As pessoas têm dificuldade em aceitar que as bicicletas também fazem parte do trânsito. É obrigação dos fiscais cuidarem dos ciclistas também, educando-os, explicando como devem andar na cidade”, defende.

Para o cientista político e consultor da ONG Cidade, Sérgio Bairele, enquanto a sociedade viver na lógica do carro, considerando este o principal veículo da pista, nada irá mudar. “O motorista hoje tem o pensamento de que é mais cidadão que os outros por estar no seu automóvel. Com isso, ele acha que está acima da lei e acaba desrespeitando os demais envolvidos no trânsito, como o pedestre e o ciclista”, avalia.

SUL 21

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13 respostas

  1. Meus Caros: a ineficiência do sistema de transporte coletivo é dolosa, para obrigar que seja usado carro aumentando o gasto em combustível (leia-se % elevado de impostos), estacionamento e, é claro, para haver mais carros a serem multados!

    Um ex-aluno, Cláudio Rodrigues da Silva, acrescentou:

    “O trânsito na perimetral (a 3ª), posso chama-la de 3ª Perinfernal, pois ali trafegam carros demoníacos sedentos de quebra-quebra e motoristas vampíricos sedentos de sangue pois não respeitam pedestres e outros condutores. Moro próximo à Aparício Borges, que faz parte da Perimetral. Há uma rua chamada São Miguel, que cruza a Aparício. É o maior perigo, ainda mais quando há garotas menores de idade se prostituindo, o que distrai os motoristas e motoristas fazendo manobras radicais para encurtar caminho.
    Trabalho em Canoas, poderia descer do trem na Estação Aeroporto para pegar o T11, que, aparentemente, é a melhor linha para me levar em casa. Mas não o faço, porque:
    – o ônibus anda sempre superlotado;
    -motoristas de ônibus acabam deixando a gente na parada, quando estamos fora do ônibus;
    -motoristas de ônibus acabam deixando a gente noutra parada, quando estamos dentro do ônibus (eles não tem paciência em esperar que a pessoa desça, querem que atropelemos os demais passageiros, e várias vezes tive que gritar para descer!);
    -a tranqueira é tão grande que é mais fácil descer no centro e pegar um ônibus lá (cadê a promessa de que a linha T11 encurtaria caminho e diminuiria o tráfego no centro? ).
    A linha T11 realmente encurta caminho, mas alonga o tempo de permanência no ônibus e na parada. Lá na estação Aeroporto do metrô, já vem carregado, a segunda parada após ter saído do terminal no Aeroporto!”

    A Cultura “carrocêntrica” é parte da acultura da superficialidade – TUDO fomentado pelos politocorruptos para faturarem mais impostos diretos e indiretos e facilitar a dominação, entorpecendo as pessoas com paradoxos. Trabalham feito escravos para comprarem carros moderníssimos, que podem trafegar com segurança a velocidades superiores a de decolagem dos aviões e, contudo, em ruas entupidas, trafegam mais lentamente do que um JEGUE…

    Por isto, muita gente boa está se aglutinando em torno da idéia de ACORDAR!

    Considere-se convocado a participar!

    Compartilhe, converse, espalhe…

    O mais interessante e extraordinário na amizade é que propicia a troca de idéias:

    Quanto as doamos, desinteressadamente, abre espaço, em nossa consciência, permitindo crescerem novas idéias!

    Mais do que uma pretensão em rumo à politização da nossa sociedade, isto é um chamado para deixarmos de sermos idiotas:

    Saiba mais em: http://ning.it/n6hzNd

    Link completo: http://blogln.ning.com/forum/topics/acordar-da-acultura-da-superficialidade-o-ensino-p-blico

    Acordar: Vamos, hoje, começar a construir 1MMM =
    UM Mundo Muito Melhor?
    Abs 🙂

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