Hotelaria é a área que mais vai gerar empregos com a Copa

Capital deve receber 11 novos empreendimentos em três anos

A área de hotelaria é uma das que mais deve gerar emprego com a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Por isso, já está de olho tanto na qualificação dos profissionais empregados como nas oportunidades que serão geradas pelos novos investimentos. Só em Porto Alegre, nos próximos três anos, devem ser inaugurados 11 novos hotéis segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Sul (ABIH-RS), José Reinaldo Ritter. Isso significa um salto de seis mil leitos, fazendo com que a cidade passe dos 16 mil leitos (8 mil apartamentos) para 22 mil leitos.

Esse crescimento beneficiará diversos tipos de profissionais, mas que terão de se qualificar para trabalhar nas redes internacionais. A presidente da Porto Alegre Convention & Visitors Bureau (POACVB), Berenice Lewin, avalia que, só nos novos empreendimentos na Capital e na região Metropolitana, os empregos diretos podem chegar a mais de mil e os indiretos entre 3 mil e 4 mil. “Os hotéis vão precisar de todo o tipo de empregados. Desde a parte de gerente, camareira e garçons até lavadeiras, garagistas e manobristas”, diz. Devem abrir vagas também para cozinheiros, seguranças, copeiros, auxiliares de cozinha, maître, etc.

Os ganhos de quem trabalha no setor variam conforme a região do Estado, que conta atualmente com mais de mil meios de hospedagem. Mas, segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal da Hotelaria no Rio Grande do Sul (Sindihotel), Manoel Suárez, nos chamados cargos de entrada, é possível receber um salário entre R$ 1 mil e R$ 2 mil mensais. “Os ganhos para recepcionistas estão estimados em R$ 1,5 mil. Para camareira, chegam a R$ 1 mil, e para governança são de R$ 2 mil”, relata. Hoje, o ramo hoteleiro gaúcho emprega cerca de 10 mil funcionários, sendo de 30% a 40% deles na Capital e na região Metropolitana.

A qualificação dos pretendentes a essas vagas passa basicamente pelo aprendizado do inglês e do espanhol. Conforme Berenice, a exigência é basica, principalmente, para quem trabalha com atendimento ao público. “É imprescindível que as pessoas possam orientar os turistas.” Mas ressalta a importância de os interessados correrem para aprender uma língua estrangeira agora. “As pessoas precisam começar a aprender agora, e não quando faltar seis meses para o início do Mundial”, alerta. De acordo com Suárez, também é preciso que os atuais empregados da rede hoteleira gaúcha passem por reciclagem e capacitação.

Treinado para bem receber

A pessoa que recepciona os clientes que chegam para se hospedar nos hotéis é chamada de capitão-porteiro. No Sheraton Hotel de Porto Alegre, o encarregado de bem receber os hóspedes – dos quais grande parte vem de fora do Brasil – é Eduardo Finamor, de 26 anos. Há oito anos trabalhando no estabelecimento, Finamor revela que começou como menor aprendiz. “Eu entrei como auxiliar de cozinha e logo passei a ser repositor de frigobar. Comecei a fazer um cross training, que consiste em fazer treinamento interno para outras funções”, explica.

Seu maior diferencial em relação a outros profissionais do mercado está em saber se comunicar em inglês. “Eu nunca fiquei parado. Estudei inglês, aprendi a dirigir, tirei carteira de motorista, conheci a cidade. Isso é importante, pois precisamos informar os visitantes como eles devem fazer para ir aos lugares, onde ficam os pontos turísticos da cidade”, exemplifica.

Atualmente, cursando o Bem Receber Copa, programa governamental para capacitar os profissionais do ramo hoteleiro, Finamor já mira o próximo objetivo: tornar-se recepcionista. “Quem sabe no futuro eu consiga fazer um curso universitário em hotelaria”, sonha. Morador da vila Bom Jesus, na Capital, Finamor passou a ser tratado como exemplo na comunidade onde mora. “Eu fazia um curso de cartonagem e reciclagem de papel. Depois que vim para o Sheraton, virei exemplo de sucesso na vila e ajudei outras pessoas a virem trabalhar aqui.”

Oportunidades são geradas em cadeia

A hotelaria não irá crescer sozinha. Trará a reboque emprego para outras áreas, especialmente às ligadas ao turismo e com atendimento ao público. Segundo Berenice Lewin, presidente da POACVB, o complexo turístico como um todo deve gerar 8 mil vagas em Porto Alegre. No topo da lista estão os profissionais que podem ser contratados diretamente pelos hotéis ou atuar de maneira terceirizada, como de lavanderia, manobristas, professores de inglês e espanhol, contadores, advogados, jornalistas, profissionais e informática, dentre outros.

Os taxistas também devem sentir diretamente os impactos do crescimento da rede hoteleira. Além de cada empreendimento precisar de um ponto próximo, o fluxo de turistas vai aumentar significativamente, obrigando-os a, também, se capacitar a falar inglês. “Os taxistas têm que ter o pensamento de que eles são o primeiro contato com o turista. Aquele que investe no inglês terá mais chance de fazer bons negócios. Os garçons também devem se preocupar em aprender línguas para lidar com o turista. Falar inglês e espanhol vai ser fundamental”, orienta José Paulo da Rosa, diretor regional do Senac.

Na carona, também vêm os serviços de transporte para grupos, de guias turísticos, tradutores e intérpretes e motoristas. O setor gastronômico também será beneficiado, mas com pouca oferta de vagas, conforme Berenice projeta. “Acredito que devam abrir umas 200 vagas na Capital, pois não devem abrir novos restaurantes.”

Correio do Povo



Categorias:COPA 2014, hotelaria, TURISMO

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11 respostas

  1. Caro Marcio

    Vamos deixar as coisas bem claro, esses hotéis não estão sendo construídos devido e para a Copa, estão sendo construídos porque faltam hotéis em Porto Alegre. Quando se faz um evento um pouco maior na nossa cidade não se encontra nenhuma vaga em hotel, o Sheraton Porto Alegre (caro que é uma desgraça) tem taxa de ocupação de 80%, isto quer dizer que em um terço do ano ele está LOTADO, veja a notícia no link, (http://www.hoteliernews.com.br/HotelierNews/Hn.Site.4/NoticiasConteudo.aspx?Noticia=69334&Midia=1) e importante notar que só 20% desta lotação é para congressos e lazer.

    Se Porto Alegre for excluída da copa, esses Hotéis deixarão de ser um inferno durante duas semanas mas não é isto que os mantém.

    Quando aparece um professor visitante aqui na UFRGS é uma luta para achar um hotel, e o preço dos hotéis em Porto Alegre tão tão altos como hotéis de mesma categoria em cidades médias europeias (e maiores do que cidades grandes norte-americanas), é só dar uma pesquisadinha. Agora se comparares com Paris vai estar menor hehehehehehe.

    Não te preocupes, se vier o dinheiro para obras de infra-estrutura de nossa cidade eu vou ver a copa do mesmo jeito que vou ver se ela for em Porto Alegre, pela TV!

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    • Tenho que concordar com o Rogério.
      Ninguém irá construir um hotel para causa de UM único evento que não irá durar mais que um mês.
      Os hotéis serão construídos por que a cidade necessita.

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    • Mas o problema está aí… Tu acha que vão liberar algum $ se a Copa não sair aqui!!!! Vai ser mais um baita atraso para esta província… Vai ser o fim.. E é claro que os hotéis não serão construídos para a Copa, mas que ela em grande parte motiva os investimentos não há dúvidas, vide a própria manchete da reportagem..

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      • Márcio

        Ao meu ver a política do governo federal é de alavancar a economia do país, especialmente o mercado interno, para que os efeitos da crise internacional não chegue a pleno. Para esta alavancagem o melhor é investir na construção civil que não necessita muita importação e ocupa muita mão de obra. A copa é uma motivação que serve para todos os governos, federal, estaduais e municipais apoie os investimentos independente de ser situação ou oposição.

        Quanto a copa sair de Porto Alegre é só se os gaúchos quiserem, as obras do Gigante não são nada de revolucionárias, inclusive como parte já foi feita e os detalhes de construção que atrapalham e atrasam uma obra já são conhecidos. É tudo jogo de cena para a platéia.

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  2. Esqueceram do detalhe que Poa está prestes a ser excluída da Copa por conta do problema no Beira Rio e o nosso “inteligente” prefeito e governador insistentemente dizem que não há plano B. E como ficarão estes hotéis…???

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    • Pensei a mesma coisa… Porto Alegre e Natal são duas cidades que, na minha opinião, estão mais atrasadas em todas as obras envolvidas.

      Está na capa do ZH deste domingo a possibilidade de a Copa não sair em POA.

      Detestaria isso, mas seria um baita tapa na cara desse orgulho besta gaúcho de se achar melhor que os outros estados.

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  3. Taxi tinha que ser tudo umas banheiras, pega uns Santanas (nem fabricam mais) e botam de taxi.

    Acho que carros medios seriam perfeitos, Cerato, Corolla, Linea, Focus Sedan e outros do segmento.

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  4. Gilberto

    Tens levantado pontualmente os problemas de Porto Alegre o que eu acho excelente, porém falta um que ninguém falou, o problema da falta sistemática de táxi em Porto Alegre. Há uma falta sistemática desses veículos próximo e durante os horários de Pique, os taxistas tem isenção de imposto nos seus veículos e utilizam gás como combustível, esses duas economias não são repassadas aos consumidores, a SMT tem uma tabela que associa o preço do Táxi, da Lotação e do Ônibus, que quando um sobe os três sobem junto, é o mesmo que associar a passagem de avião internacional com o voo de balão.
    O Táxi em Porto Alegre, está caro, são quase umas carroças (motores 1.0 a gás?), são pequenos e desconfortáveis. Além de tudo os motoristas são completamente despreparados tanto para o dia a dia como para a Copa.

    Por que não levantar este assunto!

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  5. O número de leitos vai aumentar bastante, mas pra manter esses quartos cheios após a copa, Porto Alegre precisaria de um grande centro de convenções, revitalização da orla e do cais.

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    • Caro Norton

      Para a Copa eu não estou nem aí! Mas o que falaste é o que me preocupa, não temos centros de convenções que atraiam grandes congressos em Porto Alegre. Isto sim que seria importante, pois eventos são permanentes, Copa é uma vez cada 60 anos!

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  6. As vezes as noticias são tão boas que acho que vai faltar funcionarios para as empresas.
    asuhshuahuashusahu

    Meu medo é de que venha gente de fora, gente pra trabalhar na construção civil e outras coisas, e ae acontece o mesmo que aconteceu com São Paulo, acabou o booom, o povo perde o emprego e ta feito a merd*.
    Faavelas e favelas

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