Curitiba tropeça na mobilidade

Referência mundial, Curitiba agora tropeça na mobilidade

Aumento da frota de veículos torna urgente investimento no transporte público, dizem especialistas

O “Portal 2014” publica uma série de reportagens do site Mobilize Brasil sobre a situação da mobilidade urbana sustentável em 13 capitais. Nesta sexta, destaque para Curitiba

Considerada mundialmente modelo de sustentabilidade, a cidade de Curitiba já apresenta uma frota de 1,3 milhão de veículos e enfrenta severos problemas de trânsito, principalmente no centro, em horários de pico. Para os especialistas, a solução está no transporte público.

Segundo o engenheiro Garrone Reck, professor do Departamento de Transporte da Universidade Federal do Paraná, é urgente “investir na melhoria do serviço de transporte coletivo e aumento de capacidade dos corredores exclusivos de ônibus”. Se o sistema não for priorizado, alerta o professor, ficará cada vez mais ineficiente, enquanto a frota de automóveis prosseguirá crescendo. “Num futuro talvez próximo, teremos de adotar alguma restrição ao transporte individual, única forma de reduzir inevitáveis congestionamentos”, conclui.

Enquanto isso, as obras de mobilidade urbana que devem preparar a capital paranaense para a Copa do Mundo ainda não mostram resultados.

O principal problema, analisa o especialista, não é a falta de planejamento da cidade, mas a falta de “ferramentas modernas para pesquisa, estudo e modelagem de demanda”. E uma ampla pesquisa origem-destino domiciliar que permita conhecer melhor os padrões de viagens da população pelos modos públicos e privados, motorizados ou não”, ressalta.

Garrone questiona obras de longa duração, que não dão conta de resolver problemas de forma mais urgente: “Fala-se da construção da primeira linha de metrô em Curitiba no corredor Norte-Sul, contudo, com a fase inicial de obras entre 2012 e 2016, só alcançará o trecho sul até o centro. É um projeto de alto custo com longo tempo de construção. A curto prazo a solução seria investir em aumento de capacidade dos corredores de ônibus”.

Neste mês, a prefeitura anunciou recursos para a compra de 60 ônibus híbridos (coletivos que funcionam com motores diesel ou tração elétrica) nos próximos dois anos. Mas, para os especialistas, além de aumentar a capacidade dos corredores de ônibus e ampliar as plataformas de embarque (estações tubo), um novo plano para a cidade deveria prever soluções sustentáveis e integradas para outros modos não motorizados, como a locomoção a pé e por bicicleta.

A prefeitura até afirma que irá revitalizar as ciclovias e ampliar a rede de bicicletas, de 118 km para 400 km, mas não há data programada para estas obras.

Investimentos para 2014

Dois grandes pacotes de investimentos preparam a cidade para a Copa de 2014. São aproximadamente R$ 360 milhões, distribuídos em 14 grandes obras viárias em várias regiões, dentro de um cronograma planejado para não causar transtornos à população.

O primeiro grupo de obras –em execução– tem investimentos da ordem de R$ 140 milhões, com recursos de município, governo do estado, BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e Agência Francesa de Desenvolvimento. Neste primeiro pacote está a trincheira Bacacheri/Bairro Alto, Linha Verde Norte, binário Chile/Guabirotuba, Anel Viário, rua 24 Horas, av. Marechal Floriano Peixoto (fase 1) e as avenidas Toaldo Túlio e Fredolin Wolf.

Outra obra, esta concluída, é a modernização da av. Toaldo Túlio, refeita com asfalto, iluminação, calçadas e ciclovia novas. Junto com a Fredolin Wolf, que está com 60% das obras concluídas, formarão uma nova ligação viária entre a BR 277/Santa Felicidade e os parques Tingui, Tanguá e Ópera do Arame.

A parte mais relevante dos investimentos integra os projetos de mobilidade apresentados pela cidade no PAC da Mobilidade Urbana, programa exclusivo para cidades da Copa, com financiamento federal por meio da Caixa Econômica. No total, serão investidos R$ 222.210.526,32 em sete grandes obras (veja abaixo), com prazo de execução até dezembro de 2013.

Júlio Cesar Lima, do Mobilize Brasil* – Curitiba

Portal 2014



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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42 respostas

  1. Vanessa o povo que não conhece o seu passado dificilmente terá um futuro.

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    • Não dá para tirar totalmente a razão da Vanessa. De fato, o passado importa mas nem por isso deve ser tomado como pretexto para impedir progressos no futuro.

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      • Quem falou que o progresso tem que ser pretexto para impedir os avanços do futuro?? Não eu. O povo que não conhece o seu passado, pode REPETIR os mesmos erros no futuro!!!

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        • O problema é que tem ainda muitos provincianos em Porto Alegre, que julgam ser “mais gaúchos” por imitarem peão de fazenda uma ou duas vezes no ano, além dos ecologistas-melancia de sempre…

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  2. Sem comentários…” irrelevante para o hoje em dia e para o futuro”.

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  3. Bruno, desculpe a minha ignorância, mas qual a relevância política do Paraná na história do Brasil? Ao que me consta o Paraná era um local de passagem de tropas de gado do Rio Grande do Sul para São Paulo???

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    • Realmente é isso. E o RS tem a importância de criar o gado e comemorar todo ano uma guerra que perdeu.

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    • Jorge, entendo tua pergunta, e acho que por ter escrito muito no outro texto acabei não passando a mensagem que queria. O Paraná tem cultura e tem história, mas ao meu ver a nossa é muito mais rica e interessante. O problema é que, mesmo tendo tanto potencial, nossas atrações estão atiradas às traças e não recebem a devida atenção que mereceriam. A impressão que tenho é que lá (Curitiba) eles não tinham tantas atrações turísticas como aqui, no entanto, eles souberam aproveitar os espaços e qualificar o pouco que existia. Em frente a grande maioria dos prédios históricos lá, há placas dando informações sobre o local (ano em que foi construido, o que abrigou, etc.). Na praça central (bem menos imponente que a nossa Pça da Alfandega), eles colocaram uma espécie de vidro no chão em alguns pontos, mostrando o antigo calçamento da praça – descoberto em escavações durante a restauração. Aqui, encontraram a antiga escadaria da Praça da Alfândega nas escavações, e até onde sei, enterraram de novo. Na ponte da azenha não há sequer uma indicação do que ela representa.

      Creio que esse tipo de informação (que uma minima parcela da população detém) ajuda a desenvolver uma espécie de afeto com o local histórico e até um interesse maior pela preservação – pois aquela ponte não é uma ponte qualquer, é a ponte por onde os farrapos tomaram Porto Alegre, por exemplo.

      Qual vista a partir da torre telefonica é mais deslumbrante? A de Poa ou de Curitiba? Poa, óbvio – com o Guaíba, os prédios, os morros. A diferença é que na de Curitiba qualquer cidadão tem acesso, aqui ninguém pode subir. Detalhes que fazem a diferença.

      Como eu disse, Curitiba não é perfeita, mas Porto Alegre poderia aprender algumas coisas com ela.

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      • aplausos!

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      • Gostei do teu posicionamento Bruno foi de alto nível, parabens é bom teclar com pessoas assim, não tenho nada contra o Paraná, digo isso muito tranquilo como disse antes tenho parte da minha família em Maringá, e são nativos são paranaenses, e conversando com eles noto esta dificuldade de identidade que eles tem com a história do passado deles.

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        • Grande coisa identidade com o passado. Por isso que o Rio Grande não vai pra frente: Todo mundo quer viver de um passado irrelevante para o hoje em dia e para o futuro.

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