CSN pode investir no Rio Grande do Sul

A Companhia Siderúrgica Nacional, a maior indústria siderúrgica do Brasil e da América Latina, uma das maiores do mundo, é um grupo que possui diversas outras empresas em vários estados brasileiros e nenhuma no Rio Grande do Sul, a não ser uma filial da distribuidora de aço Prada. Esta situação poderá mudar. Em sua visita ao Estado, dia 27, para a posse do industrial José Antônio Fernandes Martins, reeleito presidente da Associação do Aço-RS, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, conversou de forma reservada com algumas pessoas e explicou que o grupo está entrando firme na área do cimento e poderá instalar, no Rio Grande do Sul, uma das três fábricas de cimento que pretende construir, com investimento de US$ 600 milhões. Não há nada definido, nem certo, mas, com sua espontaneidade, Steinbruch falou que a unidade poderá ter capacidade de produção maior do que todas as que já existem no Estado. O projeto da CSN é se transformar na maior empresa privada industrial do Brasil e “está muito perto disso”, afirmou. O grupo tem empresas no Rio, Paraná, Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e nos Estados Unidos e Portugal e atua em aço e ferro, minérios, carvão, terminais portuários, logística e transporte ferroviário e usinas hidrelétricas.

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O que preocupa Benjamin Steinbruch, no momento, é a conjuntura econômico-financeira do Brasil. Ele defende que a presidente Dilma Rousseff deve enfrentar os efeitos da crise internacional adotando o mesmo remédio que o presidente Lula usou contra a crise de 2008. Manter, principalmente, o crédito, como forma de “evitar uma retração mais forte da economia”. Segundo ele, já estão ocorrendo demissões de trabalhadores no País. Em sua opinião, “abrir mão de 1 ou 2 pontos a mais na inflação seria aceitável para contornar a crise”. Coincidentemente, a CSN divulgou seus resultados no terceiro trimestre do ano, com lucro líquido de R$ 1,118 bilhão, com evolução de 56,1%.

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Perda de investimentos

O presidente do Sindicato da Indústria de Marcenaria-RS, Joni Alberto Matte, está preocupado com a ameaça de perda de investimentos que duplicariam a produção de painéis – Masisa, Duratex e Fibraplac – no Estado. Esses projetos se somariam às duas empresas de celulose que já abandonaram o RS: a Fibria, que optou pelo Mato Grosso do Sul, e a Stora Enzo, que foi para o Uruguai. “É lamentável que estejamos perdendo a oportunidade de avançar na produção dessas matérias-primas essenciais para a indústria moveleira”, afirma o dirigente. Há uma série de medidas propostas pela indústria de base florestal e moveleira para corrigir os gargalos existentes no setor. As providências incluem mudanças no licenciamento ambiental para a silvicultura e na legislação para compras de terras na faixa de fronteira na Metade Sul por empresas estrangeiras e o incentivo para o desenvolvimento do parque industrial de madeira serrada, entre outras.

Danilo Ucha – Jornal do Comércio



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