Reféns da CEEE

Rede elétrica exposta prejudica arborização, compromete espaços públicos e coloca população em risco

Poda radical realizada pela CEEE em Porto Alegre Crédito: Beto Moesch

É muito comum nos depararmos com árvores mutiladas em virtude das podas drásticas executadas pelas equipes da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). A falta de orientação e cuidado ao manejar a vegetação que entra em contato com a rede elétrica levou o vereador Beto Moesch (PP) a fazer denúncia ao Ministério Público Estadual, originando inquérito civil.

Moesch reporta-se ao alto faturamento da companhia, que lucrou cerca de R$ 6 milhões em 2010, para sustentar que há recursos suficientes a serem investidos em tecnologias mais seguras, modernas e sustentáveis, como os cabos ecológicos e subterrâneos.

Preocupado com os danos causados à flora, o vereador conseguiu aprovar a Lei das Redes Elétricas Ecológicas (Lei 8.971/2002). A medida institui que os locais onde a rede elétrica entre em contato com árvores, impondo a necessidade de reiteradas podas, ou onde altere a paisagem original de áreas de importância pública, devem utilizar condutores subterrâneos ou aéreos com cobertura semi-isolada ou isolada nas substituições dos cabos existentes.

“A exposição da fiação elétrica não somente compromete a arborização e, muitas vezes, inviabiliza novos plantios, mas também é um perigo para a segurança da população”, avalia. Ele ainda lembra que, em função dos fios de alta-tensão, diversas praças não possuem árvores e equipamentos de lazer, privando crianças de regiões carentes de todos os benefícios de uma área verde. O parlamentar pondera que, se por um lado, a CEEE oferece energia, por outro, atrapalha a qualificação dos espaços da cidade em face da ausência de instrumentos mais modernos.

CICLOVIA DA AVENIDA IPIRANGA

Todavia, diante da declaração do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, de que a ciclovia da Avenida Ipiranga seria temerária por estar localizada entre fios de alta-tensão e tubulações de gás, Moesch garante que o equipamento é seguro.

“Ela está incluída no Plano Diretor Cicloviário Integrado da Capital, concebido por técnicos altamente qualificados. Se os ciclistas estivessem expostos a riscos, as pessoas e os carros que circulam pela Ipiranga também estariam”, pontua.

A ciclovia da Avenida Ipiranga foi concebida por Moesch enquanto secretário municipal do Meio Ambiente, como contrapartida de empreendimentos. As obras começaram no fim de setembro e deverão ser concluídas em junho de 2012. Com 9,4 quilômetros de extensão, o espaço deverá custar cerca de R$ 2 milhões.

Vereador Beto Moesch



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24 respostas

  1. Com relação à poda, o que se constata que o serviço realizado pela CEEE ou Empresas terceirizadas, estas de ex-funcionários da própria Companhia, em que se verifica que o empresário que bate o escanteio é o mesmo que cabeia na área, demonstrando a relação de um negócio entre amigos.

    Com referência a poda, constatamos que quando realizada a mesma deixa a desejar, aliás, cometesse um crime com a falta de orientação e, nos deparamos depois como se tivesse ocorrido um ciclone, em que a destruição é total, afora a descaracterização total sem necessidade e cuidado.

    Com relação a ciclovia, seria interessante saber como se chegou a um custo de 2 milhões para realização deste projeto, que prevê quase 10 km e, qual o retorno que estas empresas terão de isenções do erário público municipal, afinal de contas o ente privado não realiza nada sem o devido lucro.

    Mas cá entre nós, parece ser uma obra superfaturada.

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  2. A prefeitura/CEEE põe uns postes nanicos e baratos e quem paga são as árvores, comprometendo a beleza das ruas!

    Minha rua é uma delas. Tá certo que é por segurança, mas poxa, minha rua ficou quase irreconhecível depois das podas.

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  3. Dois milhões para fazer uma obrinha, era mais fácil não terem cobrado nada de compensação nos empreendimentos do gtupo Zaffari, do que fazerem este fiasco. Porto Alegre precisa de gente competente na sua administração !

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  4. Tem e’ que privatizar esta companhia.

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    • Phil.

      Não esqueça que o Brito já fez isto com a parte boa da antiga CEEE, o que ficou com o Estado foi a carne de pescoço.
      Gostaria de saber o que as companhias privadas que ficaram com grande parte do estado e ficaram sem o PASSIVO TRABALHISTA fizeram a mais pelo estado, na tua ótica eles deveriam estar vendendo energia muito mais barato do que a CEEE, afinal eles só ficaram com o Bônus quem ficou com o Ônus foi a CEEE!

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      • A CEEE ficou com o passivo trabalhista e com um ATIVO de alguns bilhões de reais de crédito com a União.

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      • Vamos tomar a AES SUL por exemplo. Morei em São Leopoldo durante um tempo. Quando me mudei para lá, pedi a ligação de luz em um dia, no dia seguinte eles fizeram a ligação, e era um bairro afastado. Tempos depois me mudei para outro bairro, mesma rapidez para a religação. Esse ano ao retornar à Porto Alegre, pedi ligação no novo AP, na região central, demoraram 2 semanas me enrolando, me dando informações erradas pelo telefone, um site precário e cheio de bugs, uma má vontade tremenda dos funcionários para me atender. Enfim, acho que algumas privatizadas são infinitamente superiores à arcaica CEEE.

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    • O que não faz sentido é o governo ser dono de empresas de energia, telecomunicação, bancos, mineração e metada da população ser anafalbeta, que era o que ocorria até os anos noventa. No RS, atualmente o governo ainda é dono de várias estatais e as crianças estudam em escolas de lata, a segurança pública é um caos e o governo estudal não investe em saúde há anos. O Estado imobiliza uma montanha de recursos nessas estatais e não oferece o mínimo – educação, saúde e segurança – para o cidadão. Quanto a inicitiva privada oferecer serviços de caráter de monopolio natural não há problema, basta uma boa regulação, existe farta teoria econômica sobre o assunto. Esses serviços na maioria dos países desenvolvidos (e são desenvolvidos justamente por isso) são oferecidos por empresas privadas.
      Se não fosse a completa irracionalidade de o governo investir uma montanha de recursos em sertores nos quais a iniciatia privada poderia atuar, ainda há o problema de o governo não ter capacidade de investimento suficiente para fazer frente a essas demandas, vide o caso da telefonia antes da privatização com um miseravel serviço prestado, e atualmente com o caso da água. Há 500 anos o serviço de água é estatal e até hoje não estamos nem perto da universalização da água tratada e da coleta de esgoto.

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      • Leonardo, o serviço de telefonia tem concorrência, acho que até demoraram para privatizar.

        Em relação a falta de investimento, de todos impostos arrecados, 30% vai para dívidas, 30% para INSS e o resto faz todo que (não) vemos aí. O Banrisul, por exemplo, gera riqueza. Petrobras também. Sair vendendo tudo não vai resolver a falta de investimento, no caso da petrobras só iria piorar.

        Em relação a saneamento, achas que com o que pagamos de água uma empresa privada iria fazer um projeto como o PISA? Te dou duas opções:
        1- Não, o estado teria que fazer igual o investimento, e a empresa iria arrecadar
        2- Eles fariam, mas teríamos que pagar uma fatura de água ABSURDA de alta, exatamente como nos países que mencionaste. Não sei se sabes, mas na Alemanha a água é caríssima.

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      • Caro Leonardo.

        Sei que aqui não é um fórum para este tipo de discussões, porém não resisto e o Simon que me desculpe.
        Se chamares dois teóricos um Marxista e outro Liberal eles farão belos discursos sobre a beleza do socialismo real num e sobre os grandes benefícios do capitalismo liberal em noutro. Porém, quando se coloca na prática os dois dão errados, porque, praticamente o marxismo precisa de um governo popular para funcionar com pessoas desinteressadas e o liberalismo precisa da livre concorrência sem nenhuma falcatrua. O que acontece, nas experiências de socialismo real existe sempre uma burocracia que toma conta e no capitalismo nunca a concorrência perfeita (cerne de toda a doutrina) existe. Logo vamos arrumando o que temos numa direção de participação de todos e vamos ver no que dá.

        Agora porque coloquei isto, sistemas de distribuição de água e de luz não permitem uma concorrência em hipótese nenhuma, imagine ter dez canos de água passando pela frente da tua casa, seria a hipótese perfeita da livre concorrência, porém para ter dez canos teria que ter dez estações de tratamento e daí por diante, por mai eficiente que fossem o preço da água seria duas a tres vezes mais caro que a pior estatal existente!

        Na energia elétrica é a mesma coisa, na telefonia o mesmo, precisou ser inventado o Skipe para as ligações internacionais caírem de preço! A regulamentação é outra ilusão, quem regulamenta estes serviços? Geralmente são organismos estatais em que os consumidores se comunicam através de “call centers” enquanto os concessionários falam com os diretores!!! Captasse a assimetria. Uns falam e reclamam para terceirizados rezando para que sua reclamação chegue em algum lugar, enquanto outros falam diretamente com quem regulamenta.

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    • Caro Felipe X, vou te responder aqui pra ficar melhor a visualização.
      Primeiro em relação a telefonia fixa, que foi a que mencionei, não existia concorrência até os anos 2000, quando houve a convergência com a internet e a tv a cabo. Mas o fato de não haver concorrência não é a explicaçao para o serviço miserável que era prestado, a explicação é que o governo não tinha dinheiro pra investir não expansão da rende, por isso combrava um valor tão alto pela linha e demorava pra entregar o serviço pra fazer caixa.
      Segundo, a divisão dos impostos que faleste está bem equivocada, 30% não vão para dívida e nem 30% para INSS. Quanto ao Banrisul gerar riqueza, tu não entendeu o que eu falei, o que eu disse é que o Estado tem uns 5 bi aplicados nas ações do banco e no entanto nas áreas fundamentais a situação é precária. Eu preferiria que o Estado vendesse o Banrisul e aplicasse os recursos reformando as escolas, equipando a polícia e construindo hospitais. Quanto a Petrobrás não preciso nem rebater o teu argumento simplista sobre privatização de setores sem concorrência. O Petróleo, nem na extração, nem no refino, é um monopólio natural, então pela tua lógica seria melhor sendo privado, bastaria o governo esquartejar a Petrobrás, dividindo em vários pedaços, o que inclusive faria o valor total ser maior, e vendê-la.
      Quanto à água, não sem se tu tem acesso a planilha de custo, mas não por que tu diz que a iniciativa privada não faria esse investimento, o Pisa, Também não sei daonde tu tirou que o que pagamos é pouco pelo serviço. Pensando lógicamente uma empresa privada com acesso a fontes de capital para investimento muito maiores e com custos mais baixos, com uma gestão sem toda a burocracia do setor público, sem empreguismo de CC’s do partido, teria muito mais condições de ter um custo menor e sendo regulada por agência do Estado oferecer um preço melhor. O caso da Alemanha – nem sei quanto custa a água lá especificamente – é como toda europa, lá e na maior parte do mundo, água doce é muito mais rara e por isso os preços são bem mais altos. Água a um custo baixo é um privilégio do Brasil por uma generosidade da natureza e não pela gestão do governo. De qualquer forma não estava me referindo a Porto Alegre, que é uma cidade grande com escala e com uma capacidade muito maior de fazer investimento, estava falando do interior do Estado nas mãos da CORSAN e do miserável serviço que ela presta.

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      • Sou obrigado a concordar com o Rogério que essa conversa tá ficando sem sentido. Mas em relação a vender a Petrobras e o Banrisul, a CEEE foi em boa parte vendida e nenhum problema foi resolvido. O dinheiro da venda já desapareceu e o mesmo aconteceria com estas outras.

        Em relação a telefonia fixa, além do fato que a concorrência chegaria eventualmente, não te esqueça que as empresas públicas de telefonia foram amplamente reformadas antes da venda e entregues bem melhorores pra iniciativa privada.

        O Banrisul também já foi deficitário, graças ao Brito que o reformou agora ele dá lucro. Por sorte, ele não teve tempo de privatizar.

        E tens toda razão, a água é cara na Europa por que é rara e não há concorrência, é assim que funciona no livre mercado. Nosso tranporte público é absurdamente caro e faz as pessoas usarem transporte individual e poluente por que ele não é público nem subsidiado. E adivinha? Não há espaço para concorrência.

        Em relação a financiamento… give me a break, todos ultra-liberais adoram esse papo, mas na hora do vamos ver correm para o BNDES para pegar empréstimo. Pergunte para o Abílio Diniz.

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      • Por sinal, lucro do banrisul subiu 32%:

        http://polibiobraga.blogspot.com/2011/11/lucro-do-banrisul-cresceu-325-nos.html

        Des me livre, tenho que me desfazer desta empresa! 😀

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      • Caro Leonardo M.

        Há uma coisa que todos procuram esquecer, na telefonia houve um enorme salto tecnológico na passagem das centrais analógicas para as centrais digitais. Também o uso extensivo da fibra ótica e dos telefones digitais também fez com que se passasse de 8 para 80.
        Quando se passa de uma linha analógica para digital, no mesmo “espaço físico” que passa uma ligação passam 10 ou mais, o sinal é compactado e enviado em blocos, podendo ser enviado o mesmo som (com uma pequena perda de qualidade) em pacotes.

        Esta tecnologia estava sendo implantada no início da privatização, por exemplo numa central telefônica de uma cidade de 10 a 20 mil pessoas era necessário um prédio imenso com mais de uma dezena de pessoas para conservar tudo o que era necessário, com a digitalização de central este espaço se reduz a menos de 10% da área e além disto a manutenção fica restrita a poucas pessoas para trocar as placas quando estas dão pane.

        É importante destacar que na privatização da telefonia se pensava que viriam empresas norte-americanas, alemãs ou francesas, e vieram espanholas, portuguesas e italianas. Tudo isto porque em países como os USA tem uma legislação para aumentar a concorrência que impede que se dê propinas para governantes do terceiro mundo.

        Interessante, né.

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  5. O vereador falou algo que ele não conhece, redes ecológicas não evitam a necessidade de poda, a poda é necessária também para os galhos não caírem sobre as redes de alta e estes caírem na cabeça das pessoas (eletrocussão).

    Provavelmente os seis milhões de lucro para a CEEE, no porte de uma companhia com patrimônio que tem é uma merreca, e não dá nem para fazer uns poucos quilômetros de rede subterrânea.

    Raciocínios simplistas despojados de qualquer embasamento técnico que fazem o descrédito do legislativo, o senhor vereador deveria pegar um de seu assessores e solicitar que este fizesse um cálculo sob o custo e fazer propostas mais concretas, como avaliar quantos quilômetros se poderia fazer com uma parte dos lucros da CEEE (não esqueçam que a CEEE não serve somente a cidade de Porto Alegre!)

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  6. 6 milhões de lucro n é nd pra um faturamento de qse 5 bilhões, mas é alguma coisa pra uma empresa q vinha dando prejuizo a 11 anos

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  7. Atenção pessoal: o termo correto é ENTERRAR a fiação.
    Aterrar ou aterramento é o fio terra.
    São coisas completamente distintas

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  8. Não consigo ver esse absurdo de aterrar a fiação, vi umas imagens de uma aterração em outras cidades e parece que só fazem um buraco na calçada, não muito fundo e colocam os fios.

    Isso não é mais barato que por postes e mais postes pela cidade?

    Seria muito melhor, tchê…

    Poderiam aproveitar as obras do metrô pra fazer isso tambem…. obras de condutos, duplicação de avenidas e outras..

    Mas Porto Alegre é TRISTE..

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    • É mais caro aterrar por causa das dificulades principalmente com o isolamento. Teriam que refazer também as fiações de telefone, tv a cabo e eventualmente fibra ótica.

      Sai caro, mas tudo depende de que cidade queremos para nós, e do sacrifício que estamos dispostos a fazer para ter este benefício.

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      • Não é só os fios, tem os transformadores também. Isto tudo é caro. O que foi feito em gramado só é possível fazer em poucas ruas, pois eles simplesmente deixaram os transformadores nas ruas laterais e enterraram as redes de baixa tensão.

        Custa caro, principalmente o isolamento das redes de alta tensão (vide comentário do Adriel)

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        • Poderiam começar pela àrea central. A Julio de castilhos até pouco tempo atras tinha fiação subtrerrânea, e inexplicávelmente começaram a aparecer fiação aérea.

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