Deputados admitem: não há como garantir que PORTO ALEGRE terá jogos da Copa


Romário: "nós temos o Internacional como sede oficial da Copa do Mundo, mas haverá um momento em que o atraso inviabilizará o estádio de ser sede" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

O deputado federal Romário (PSB-RJ) esteve em Canoas no sábado (5) para participar do segundo Jogo da Solidariedade, onde deputados federais do meio esportivo jogam com políticos locais para obter donativos para entidades sociais. Em meio a muitas perguntas, o deputado federal não conseguiu deixar os gaúchos tranquilos em relação a Porto Alegre manter-se como cidade sede da Copa do Mundo de 2014. “Nós temos o Internacional como sede oficial da Copa do Mundo, mas não só a obra do Beira-Rio como qualquer outra obra terá limitação de calendário. Haverá um momento em que o atraso inviabilizará o estádio de ser sede. Quando isto for constatado, terá um plano B”, avisou.

Por sua vez, o deputado federal Danrlei de Deus (PSD-RS) considera que o imbróglio político-jurídico entre o Sport Club pode deixar Porto Alegre de fora da Copa do Mundo. “A direção do Internacional não está dando informação nenhuma para nós. A única garantia que mantém o Internacional como sede é o contrato assinado. Se isso não for mantido, não temos como pensar a Copa no RS. E eu não sei o prazo novo dado pela FIFA para entrega do estádio”, afirmou.

“O Internacional não assinou o contrato e agora estamos com duas opções: ou vamos para um plano B ou Porto Alegre fica de fora da Copa, como já ficou fora da Copa das Confederações”, acrescentou Danrlei.

 

"A única garantia que mantém o Internacional como sede é o contrato assinado. Se isso não for mantido, não temos como pensar a Copa no RS", adverte Danrlei | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

De acordo com o ex-goleiro do Grêmio, a alternativa de optar pelo novo estádio do Grêmio, a Arena, deveria ser priorizada e uma data deveria ser fechada como limite para o Internacional jogar a toalha. “Há mais de dois meses, em uma das reuniões que tivemos, coloquei a necessidade de termos uma data final pro Internacional dizer se terá condições ou não (de concluir a obra). Mas isso tem que ser estipulado pela FIFA e não por nós, políticos. É um assunto privado, não temos como nos meter. Só podemos é ficar em cima e pressionar para que a resposta saia logo”, falou.

Tentando tranquilizar a população gaúcha, Romário disse que os três anos que ainda faltam para a Copa do Mundo dão margem para mais tolerância na questão. “Tem tempo, ainda dá pra resolver. Se não der, também espero que o plano B esteja pronto”, salientou.

“FIFA quer ser maior que o judiciário brasileiro”, critica Romário

Mesmo sem previsão para ir a votação este ano, a Lei Geral da Copa preocupa Romário. “Ela não tem um principal problema, tem vários. A FIFA está tentando se sobrepor a soberania do Brasil. Ela quer ser maior que o poder judiciário brasileiro”, disse o parlamentar. Ele garante estar empenhado em fazer com que a Copa 2014 deixe para o Brasil um legado maior do que as reformas nos 12 estádios sede do mundial. Mas afirmou: “Hoje ainda não podemos dizer que teremos um legado positivo”.

Como vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara Federal, Romário está percorrendo os estados escolhidos para sediar a Copa do Mundo de 2014. Segundo ele, a preparação do evento em algumas cidades é preocupante. “Dentro do que eu vi nas 11 cidades em que estive, as autoridades estão despreocupadas. Apenas quatro ou cinco arenas devem ficar prontas para receber o evento, sendo que algumas só terão quatro jogos da Copa e não serão reaproveitadas depois”, criticou.

O ex-jogador fez uma crítica específica à obra no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro. “Ele estará pronto, mas está sendo desfigurado. Está sendo derramado um montante de dinheiro que não precisa, enquanto tem escolas e outras instituições precisando de dinheiro. Estão se preocupando muito com a Copa e esquecendo dos problemas do Brasil, que são muitos”, acusou.

Segundo o parlamentar, a Comissão está auxiliando no enfrentamento dos problemas relacionados aos preparativos da Copa de 2014. O principal desafio, de acordo com Romário, é encarar a FIFA. “Existe uma série de estatutos e regras aprovados depois da assinatura do protocolo de intenções entre o governo federal e a FIFA. O acordo foi assinado há três anos e as leis serão aprovadas agora. A FIFA tem que entender que as coisas mudam em qualquer país, e no Brasil não é diferente”, alegou.

Entre as exigências da FIFA criticadas por Romário estão a exigência de comercialização da marca de cerveja patrocinadora do evento nas imediações dos estádios, os valores dos ingressos e uma multa cobrada por quem não comparecer aos jogos, além da possível anulação temporária dos estatutos do Torcedor, Idoso e Juventude. “A regra da meia-entrada, por exemplo, é prevista no estatuto da juventude e a FIFA quer anular. Como parlamentar eu não posso deixar isso acontecer. Não sei se vou conseguir, mas tenho que tentar”, falou.

SUL 21



Categorias:COPA 2014

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3 respostas

  1. Eu já escrevi aqui antes: vamos perder a Copa em Porto Alegre. Uma lástima!!!

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  2. Quem diria que Porto Alegre, uma cidade outrora pulsante, seria paralisada pelo MARASMO.

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  3. FIFA+ CBF + politicos brasileiros = roubalheira faraonica!!

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