Consórcio deve ter posse da área do Cais Mauá ainda em novembro

Governo e consórcio assinaram termo aditivo de contrato para as obras de revitalização do cais | Foto: Caroline Bicocchi / Palácio Piratini

O consórcio Porto Cais Mauá deve receber do governo do estado a concessão da área do Cais ainda no mês de novembro. O governo prepara, inclusive, um grande ato para o próximo dia 23, no próprio cais, para passar a área ao consórcio. Formada majoritariamente por três grupos espanhóis, a empresa já começa a viabilizar os estudos para ter licenças para a obra.

Nesta quarta-feira (9), empresa e governo assinaram um termo aditivo ao contrato para as obras de revitalização do cais. O aditivo atende às exigências da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que no final do ano passado, contestou no STF o edital de licitação feito pelo Piratini. Com a assinatura do documento, o governo garante que a questão judicial com a agência está finalmente solucionada. “Este aditivo define a solução para o porto”, garante o governador Tarso Genro.

De acordo com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, algumas das mudanças no contrato se devem ao fato de que a área não perdeu o status de portuária, como alegava a administração anterior. Na prática, as principais alterações foram que o aluguel anual não irá para o Tesouro do estado, mas direto para a Superintendência de Portos e Hidrovias e o valor deste aluguel também mudou, de R$ 2,5 milhões para R$ 3 milhões.

As mudanças foram pactuadas depois que a Procuradoria-Geral do Estado pediu, no início do atual governo, para que a ação da Antaq fosse para uma câmara de conciliação. As negociações duraram cerca de cinco meses, ocorrendo em seguida a análise, por parte do consórcio, das alterações propostas.

Consórcio começa a viabilizar licenças para obra

Uma área às margens do Guaíba que se estende desde a Usina do Gasômetro até a rodoviária será concedida ao consórcio por 25 anos, passíveis de renovação. O Porto Cais Mauá deverá realizar melhoria nos armazéns do cais e construir dois prédios, que terão salas comerciais e hotelaria, próximos à rodoviária, e um shopping center na parte mais próxima ao Gasômetro.Está prevista a instalação de espaços culturais e gastronômicos nos armazéns. Não haverá áreas residenciais no local. Os investimentos previstos são de R$ 560 milhões.

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, prevê que em 2014 os armazéns já devam estar reformados, e que a obra toda seja concluída até 2016. Mais cauteloso, o presidente do conselho de administração do consórcio, José Munné, evita fixar datas, seja para o início das obras, seja para sua conclusão. Ele se limitou a explicar que o consórcio começa desde esta quarta-feira a viabilizar os estudos ambientais e de mobilidade para conseguir as licenças necessárias à obra. Inicia também a elaboração do projeto-executivo.

Munné disse também que, enquanto não obtiver as licenças, o consórcio não fará comercialização de espaços na área. “A partir de hoje vamos começar os estudos ambientais, de mobilidade, o projeto executivo, tudo o que requer uma transformação tão importante. Esta transformação também requer as licenças necessárias. “Sem licenças ainda não podemos falar de comercialização”.

Cais Mauá será menos elitizado que o Puerto Madero

O empresário defende que as revitalizações em áreas portuárias agregaram qualidade de vida em todas as mais de 20 grandes cidades pelo mundo que fizeram isto. “Todas as transformações foram extremamente felizes para a cidadania e agregaram qualidade de vida para as cidades”.

Para Munné, o porto de Barcelona pode ser um bom paradigma para se prever como será o impacto do Cais Mauá para Porto Alegre, por também ser localizado em uma área central, com grande trânsito de pessoas. Por outro lado, diz que o Puerto Madero, de Buenos Aires, é bem mais elitizado do que o cais será na capital gaúcha. “Este será muito mais popular, porque há uma densidade de população que já está nas ruas próximas comprando, exercendo seu lazer”, disse.

Felipe Prestes – SUL 21



Categorias:Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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12 respostas

  1. Mas não falo em cultura, até por que pobre gosta de funk, e não de livros.. (sem querer generalizar, isso foi uma piadinha tosca mesmo..)

    Mas to falando que tem que gastar grana pra fazer algo bonito, e não um camelodromo.

    Tem que ser um lugar que as pessoas gostem de ir, e não um lugar cheio de mendigos e gurizada escutando funk no celular.

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  2. Com a arrogância que lhe é peculiar, Tarso Genro declarou:” foi difícil chegar ao termo aditivo. Havia muitas imperfeições jurídicas e técnicas no contrato firmado em 2010. Tivemos que corrigir essas falhas, o que demandou muito empenho do nosso governo e da União. Agora, está tudo pronto para que os trabalhos comecem com a anuência da Antaq”.
    Ou seja, ele ti ha que dar um jeito de dizer que a revitalização sairá por sua competância. Dá até nojo…

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  3. “Cais Mauá será menos elitizado que o Puerto Madero”

    Isso que me assusta….

    TEM QUE SER PRA ELITE, TEM QUE SER ALGO CARO, BONITO, PRA TER GENTE DE NIVEL!

    Vão querer por lojas de 1,99 na beira do guaiba?

    Por favor né?
    Tem que pensar em melhorar o centro po…

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    • Não precisa ser só para a elite Guilherme, tendo biblioteca, teatro e cinema já é um bom começo, não é só a elite que gosta de cultura, pobre também.

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    • Esse pessoal não conhece o Joaozinho Trinta?

      “Pobre gosta é de luxo; quem gosta de pobreza são os intelectuais”.

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    • Ihhh, Guilherme. também não gostei dessa parte.

      Será que planejam fazer um Cais Popular, estilo Camelódromo? Só o que faltava!

      Ainda tenho esperança que saia algo de bom, pois eles terão que arrecadar dinheiro e pagar R$ 3 milhões/anuais para a SPH encher o bolso.

      Se fizerem algo popular, o projeto jamais será rentável!!!!!

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    • Incrivelmente esses políticos repetem sempre as mesmas bobagens! Também diziam que não haveria público para o catamarã devido ao preço da passagem. Vejam só! Acontece exatamente o contrário: filas de pessoas querendo usar a embarcação! Cada vez mais chego à conclusão que eles não entendem nada de população.

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    • Vc já viu a quantidade de armazéns que tem lá de uma ponta a outra? Não tem elite suficiente no RS e muito menos em Porto Alegre para ocupar esse espaço…. se for direcionado apenas para esse público vai fracassar economicamente. A elite é muito instável, está sempre procurando novidades e se afasta logo depois que conhece algo, com raras exceções. Claro que tem que ter lugares de peso, caros, sofisticados, porque temos um bom turismo de negócios na cidade e com certeza eles prourarão o Cais Mauá e tem que encontrar um restaurante muito bom, livraria sofísticada, lojas de peso, teatro caro. Mas mesmo assim sobra muito espaço.

      Tem que ter também opções para classe média, alta e baixa, que possa ir ali e comer algo que não pese demais, tomar um chopp, tipo boteco, simples mas bem arrumado. Pequenas cafeterias e sorveterias seriam tb uma opçaõ mais barata. E mesmo opção para quem só for passear sem consumir, por exemplo, só tomar um chimarrão e olhar o Guaíba, com bons bancos e agua quente a disposição. É esse movimento de pessoas, variadas, diferentes, que da vida ao lugar, nao pode ser só elite e eventuais turistas.

      Milhares de pessoas passam pelo centro todos os dias, se em lugar de uma parte pegar o seu onibus no final do expediente e ficar presa 1 hora ou mais nos engarrafamentos, derem um passeio pelo cais antes de voltar pra casa, escapando do engarrafamento, isso será bom para elas , para o cais e para o sistema viário da cidade, que vai ficar menos pressionado na hora do rush. Falta em Poa a pratica do convivio entre diferentes classes econômicas, como é normal no Rio, e que é bom para a riqueza cultural da cidade.

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      • Assino embaixo do que o Jorge falou. Há e sempre deve haver lugar para todos. A cidade como um todo deve se desenvolver e não só para alguns.

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        • Vejam o que foi feito no cais de Belém do Pará ha mais de dez anos. Um espetáculo e um SUCESSO!
          Transformou a cidade de Belém.

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  4. “…a empresa já começa a viabilizar os estudos para ter licenças para a obra.”
    é aí que mora o problema !

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    • Gabriel, já está tudo quase pronto. Existe uma comissão de várias secretarias da Prefeitura e juntamente com pessoas do consórcio que há meses trabalham nisso. Os estudos técnicos estão prontos pra serem aprovados. Não vai ter muito o que estudar. Em 1 ou 2 meses será tudo aprovado e as obras iniciam lá por fevereiro/2012. Ou seja, em 3 ou 4 meses.

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