GM Gravataí concluirá as obras de ampliação em janeiro

Tarso visitou a fábrica que prepara a produção de dois novos modelos da família de automóveis Ônix CACO ARGEMI/PALÁCIO PIRATINI/JC

As obras civis da segunda ampliação em dez anos da fábrica da General Motors do Brasil (GMB), em Gravataí, no Estado, serão concluídas em janeiro. A previsão da companhia é de que as primeiras unidades do novo carro, cujo design é mantido em segredo, saiam da planta em dezembro de 2012. O governador Tarso Genro fez ontem a primeira visita ao complexo desde que assumiu o cargo, em janeiro. Ele ficou por mais de duas horas no interior da fábrica, almoçou no refeitório dos funcionários e recebeu uma chave simbólica da unidade.

O vice-presidente da GM do Brasil, Marcos Munhoz, disse que o périplo serviu para “prestar contas” do projeto anunciado em 2010. A empresa tem convênio com o Estado que reduz o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos produtos montados em Gravataí e adiará por dez anos o recolhimento do tributo das novas unidades. A vantagem fiscal é concedida desde o começo da operação, em 1999. Está sendo investido R$ 1,4 bilhão somente nas novas instalações e na aquisição de máquinas. Outros R$ 600 milhões foram injetados no desenvolvimento da família de automóveis Ônix, que terá dois modelos fabricados na planta gaúcha. A capacidade do parque automotivo aumentará 65%, passando dos atuais 230 mil carros ao ano para 380 mil.

Com o projeto, não há mais possibilidade de expandir o atual parque, e a GM poderá avaliar nova montadora no Estado. “O governador andou por toda a fábrica. Almoçou no refeitório e verificou a implantação, mas não o carro”, descreveu Munhoz. O design do novo veículo gaúcho é monitorado com segurança máxima entre os empregados.

A instalação de equipamentos já começou nas áreas concluídas. A expectativa é de que a montagem completa termine em outubro do próximo ano. O projeto acoplou novas áreas as já existentes.

Neste mês, chega ao complexo a prensa, que é o equipamento de maior dimensão da linha de montagem. “Ela será transportada de São Paulo para cá desmontada, o que exigirá 74 carretas”, descreve o vice-presidente. Segundo o executivo, a produção deve começar com 15% da capacidade projetada de 160 mil unidades anuais.

“A planta começa acelerando e vai ganhando maior velocidade”, explica. A contratação de mil empregados diretos (o número atual é de 2,5 mil, além de 3,5 mil ligados a empresas sistemistas e outros fornecedores que estão no complexo) deve ocorrer quatro meses antes da produção comercial.

A preparação da nova expansão ocorre em meio a um mercado de vendas que desacelerou e não repetirá o desempenho de 2010. Em Gravataí, chegou a haver cancelamento de turnos extras de produção em sábados para reduzir o estoque no pátio. Hoje haveria folga de 20% no local, que pode receber até 4 mil unidades. Este mês, um dos dois sábados foi suprimido. Para dezembro, não deve haver operação extra neste dia. Munhoz espera fechar 2011 com alta de 5,5% a 6% na comercialização (chegando a 670 mil automóveis vendidos), que ainda dependerá dos dois últimos meses do ano. As fabricantes projetam negociar no ano 3,7 milhões de carros. “Novembro e dezembro de 2010 bateram recordes históricos”, pondera o executivo.

Para 2012, a indústria espera seguir a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com avanço de 3,5% a 4%. O dirigente espera que o governo federal também adote mais medidas para manter o ritmo do setor, além do aumento do imposto sobre importados, anunciado em setembro. “A elevação só vigora até dezembro de 2012. Sozinha não resolve”, previne. Ele disse ainda que uma avaliação sobre o impacto sobre importados só será possível depois de dezembro.

Patrícia Comunello – Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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