Um raio-x da elite empresarial do sul: Paraná passa o RS

AMANHÃ e PwC lançam a 21ª edição de Grandes & Líderes, ranking que apresenta as 500 maiores companhias da região

A Revista AMANHÃ e a PricewaterhouseCoopers (PwC) lançaram hoje, em Porto Alegre, a edição 2011 de Grandes & Líderes 2011, ranking que apresenta as 500 maiores empresas do sul. Neste ano, o grande destaque foi o Paraná: pela primeira vez desde 1991, o Estado superou o Rio Grande do Sul em todos os indicadores analisados na pesquisa. Juntas, as maiores empresas paranaenses apresentam a maior soma de receita bruta, patrimônio líquido e lucro, além dos menores índices de endividamento. Uma conquista significativa, já que o Paraná tem menos representantes do que o Rio Grande do Sul entre as 500 maiores da região.

A localização geográfica é um dos fatores que pesam a favor do Paraná. Próximo do grande centro econômico do país – São Paulo –, o Estado leva vantagens na capacidade de atrair investimentos. Além disso, a atual conjuntura econômica favorece o Paraná, que conta com mais companhias voltadas para o mercado interno. “Em 2010, os setores que mais se destacaram no sul do país foram justamente aqueles que têm foco no mercado doméstico”, explica Jorge Polydoro, diretor-presidente do Grupo AMANHÃ (à direita na foto). Um exemplo é a Vivo, que tem sede em Londrina. Só em 2010, a empresa lucrou R$ 1,7 bilhão – um dos resultados mais expressivos do ranking. Outra que se destacou foi a Renault: beneficiada pela popularização do crédito, a montadora registrou um aumento nas vendas de mais de 35% e obteve um lucro de R$ 232,8 milhões – o maior desde que se instalou em São José dos Pinhais, em 1999.

“No Rio Grande do Sul, temos muitas empresas familiares, que sofrem diretamente com a atual estrutura tributária do país. Já no Paraná, há uma incidência maior de grandes grupos multinacionais, que chegam aqui desfrutando de benefícios que realmente fazem a diferença nos seus resultados”, acrescenta Carlos Biedermann (à esquerda na foto), sócio da PwC na região sul – e um dos líderes do projeto Grandes & Líderes.

Construção em alta

Outra tendência que despontou no ranking foi o crescimento das empresas do setor imobiliário e construção civil. Em 2010, cinco estrearam no ranking das 100 maiores do Rio Grande do Sul – e três delas se posicionaram no grupo das que mais cresceram em 2010. O destaque foi a Construtora Sultepa, de Porto Alegre, que atua em obras de infraestrutura para transportes – filão que vem registrando alta demanda em função da Copa de 2014. Em doze meses, as vendas da empresa subiram 67%, ao lado de outras grandes da construção como Habitasul e Goldsztein Cyrela, que viram seus faturamentos inflarem em mais de 50% no mesmo período.

Em sua 21ª edição, o ranking Grandes & Líderes traz um panorama completo do ambiente empresarial da região sul do Brasil. O diferencial do ranking está na análise feita exclusivamente de balanços. Além disso, a lista se baseia em um indicador exclusivo para auferir a força das empresas, o Valor Ponderado de Grandeza (VPG) – que faz uma média ponderada entre patrimônio (50%), receita bruta (40%) e lucro/prejuízo (10%).

Revista Amanhã



Categorias:Economia Estadual

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9 respostas

  1. Irmãos do Rio Grande, tudo isso que vocês leram eu vejo na prática todo dia.

    Sou médico e moro no Paraná desde 2008. O mercado de trabalho para mim aqui é promissor, enquanto que no nosso pago, médicos recebem menos que um bom mestre de obras, que nunca estudou na vida. Atualmente resido em Maringá, uma cidade que cresce de forma impressionante. Aqui vejo agricultura, comércio e indústria fortes. Tudo bem que a proximidade com São Paulo é uma grande vantagem, mas mais do que isso, realmente aqui todos trabalham pelo progresso. Políticos discutem, mas no fim se investe muito em educação e em infra-estrutura, entre outros setores. Todo mês novas escolas são inauguradas, e em breve tenho certeza que a melhor educação do Brasil será a paranaense. Cansei de caminhar em frente ao Piratini, pois morava na Duque de Caxias, e ver as greves dos professores, mobilizados, desesperados, desmoralizados. Maringá, Londrina, Foz do Iguaçú, Cascavel, todas tem aeroportos. Em especial refiro-me à primeira, onde moro, que tem no mínimo três empresas aéreas que operam voos regulares. O aeroporto que é novo, já é considerado obsoleto, e há uma grande mobilização para uma ampliação ou para a construção de um novo. TODOS políticos, independente de partido, lutam por isso. TODOS. Se discute diariamente o assunto em programas de rádio, TV e jornais. Tentem viajar para Pelotas, por exemplo, ilhada por 4 pedágios!!! E o que vocês me diriam de escoar a produção de Caxias do Sul para o porto de Rio Grande!?!? No mínimo o número de pedágios dobra!!! E viajar de avião de Santa Maria para Porto Alegre? E muito, mas muito pior: nossa prinicipal atração turistica do estado, a serra, em especial, Gramado e Canela, não tem nem aeroporto decente!!! Pelo menos pensam em fazer um aeroporto na Vila Oliva! Graças a Deus! Caxias e a Serra merecem!!! O absurdo é que a necessidade é tão grande que após a idéia inicial, todas as autoridades públicas e a iniciativa privada deveriam unir forças para a sua construção imediata!!! E deveriam fazer algo realmente belo do ponto de vista arquitetônico, chega de gastar toneladas de concreto em prédios que mais parecem monolitos em homenagem à falta de criatividade! Não temos as cataratas do Iguaçú, mas dava para atrair muitos turistas para o Salto do Yucumã, que poderiam chegar por um belo aeroporto na Vila Oliva e visitar a Serra, e por que não as abandonadas e esquecidas Missões? Muitos turistas do mundo inteito vão visitar Missiones na Argentina e após vão visitar as cataratas, não poderíamos captar alguns para visitar os nossos pagos?

    Nenhum estado tem um banco como o Banrisul. Os bancos no Brasil estão enriquecendo, desdo os grandes às pequenas empresas de crédito. Porque não espandir o nosso banco para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, enfim, aproveitar o momento e garantir mais dinheiro para investir no RS?!?

    Chega de rivalidades e acomodação. Sou Colorado, e de ser tão discriminado por ser gaúcho, fico feliz em ver o Grêmio ganhar do flamengo, por exemplo, com a torcida dando um show.

    Tá na hora de chimangos e maragatos se unirem, sob pena de nos tornarmos o que nunca fomos: uma província alienada e isolada em sua ignorância do resto do país!!!

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  2. Não entendi direito uma coisa. Quais foram os critérios utilizados para estabelecer este ranking? Que revista é esta Amanhã?

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  3. Concordo, em parte, pois até mesmo o Custo RS é culpa do governo local e é essa a única parte que discordo do teu comentário.

    O RS tem que adotar uma política mais agressiva, ou ficaremos eternamente chorando a perda de indústrias inclusive nativas do Rio Grande para o nordeste e outras regões, até mesmo para o PR e SC. Se lá tem incentivos, se o Governo Federal os ajuda, que façamos algo contra isso, reclamando ou adotando medidas parecidas. Podes ter certeza de que a Dilma não quer perder os votos dos gaúchos, pois são uns milhõezinhos de votos que podem fazer a diferença numa eleição, então temos que sair da passividade e demonstrar o nosso descontentamento. E, de qualquer forma, o PR e SC nos mostram que dá para crescer sim. O problema que vejo, por exemplo, no caso da vinda de fábricas de automóveis, o RS só entra na disputa quando praticamente já há uma definição da localização, só para dizer que entrou na briga. Veja que quando começam os rumores de estados disputando uma fábrica, nunca citam o RS como um dos que de imediato se ofereceram. Quando já há até planta da fábrica no estado em que será feita, o RS aparece. É ruim dar incentivos, é. Mas o que é melhor, abrir mão de um pouco ou não levar nada? E por aí vai.

    O resto assino embaixo! Só acho que o Custo RS é culpa dos nossos governantes também!

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  4. Isso é um tapa na cara em cada um de nós. Tá certo, que já estávamos falando sobre isso há bastante tempo, mas enquanto não formos mais humildes em assumir que não somos melhores do que ninguém, não conseguiremos reagir.

    Qual é o custo RS? Será que adianta colocar a culpa no(s) governo(s)? Que estado queremos para nossos filhos no futuro?

    Acho que precisamos compreender esse movimento para conseguir planejar uma saída.

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  5. Time que está ganhando nao se mexe. E time que está perdendo? Espera assim até a derrota no final do jogo ou mexe na escalaçao do time? Mantemos nossas práticas atuais ou mudamos nossas açoes? Algo a refletir. Durmamos com esse barulho.

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  6. É, a nossa pedante superioridade cada vez mais escorre pelo ralo. Enquanto a gente fica se gabando, os outros estados estao correndo trabalhando. Perdemos a supremacia dentro do sul do país e se nao acordarmos poderemos acabar ficando atrás de SC, em terceiro lugar entre os três estados do sul, ou seja, em último. Já pulamos do topo da lista para o meio dela, vamos esperar SC nos bater também? Síndrome de Portugal? Quando tiraremos o argentino que temos dentro da gente e arregaçaremos nossas mangas para começar a reverter isso? “E tem gente que achava que o PR estava na pior, se isso é estar na pior..”.

    A verdade machuca e dói, mas ignorá-la nao muda a situaçao. Aquela história de repetir uma mentira várias vezes para que se tornr verdade é balela, nossa gauchada tem que parar de mentir para si mesma e encarar a realidade dos fatos e assim começar a correr atrás para reverter o prejuízo. Temos políticos para quê? Pra nada? Enquanto acharmos que está bom, para eles estará melhor ainda, pois nao precisarao trabalhar.

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    • prq nao precisarao trabalhar mais??? As multis estao dividindo os lucros??? Se tu leres a reportagem, ali diz que no RS as companhias sao locais e de familias, que no meu ponto de vista e’ tao bom quanto ter todas sendo multis. Nada contra multinacionais e’ obvio, mas tendo uma base nacional ou regional e’ tambem positivo. Pelo menos a maior parte dos lucros ficam por perto. Mas esta pesquisa indica que terao que lutar mais para atrair grandes investimentos para entrar no mix de pequemas locais e grandes (multis ou nacionais). Mas na boa, vamos deixar de lado os esterismos desvairados…o RS esta mudando sua base industrial, indo em direcao a alta technologia e produtos com maior valor agragado e branding. Esse tipo de mudanca leva tempo mas eventualmente ira melhorar essa posicao abaixo do Parana, que por sinal, e’ SASONAL, e’ uma base industrial voltada ao mercado interno, coisa que depende desse cambio “PARA INGLES VER” que de REAL nao tem nada. Mas no fim do dia, otima noticia para o Parana e para o sul.

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      • Phil, antes fosse, mas não é só o RS que está indo em direção da alta tecnologia, não é uma exclusividade nossa. Há grandes e FORTES pólos de tecnologia também em SC (Joinville), no interior de SP, em MG e até mesmo no nordeste, isto não é desculpa. E essas empresas familiares são as mesmas que nós já temos há “séculos”, já as novas, que vem de fora, raramente acabam se intalando por aqui. É fato.

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