Deputados de oposição querem ajudar Tarso a atrair montadoras


Ao receber ofício, governador falou que, se for necessário, fará novos projetos de lei CAROLINE BICOCCHI/PALÁCIO PIRATINI/JC

Líderes das bancadas de oposição ao governador Tarso Genro (PT) na Assembleia Legislativa foram recebidos ontem pelo petista no Palácio Piratini. O grupo de deputados estaduais foi oferecer apoio a projetos que visem a atrair montadoras de automóveis para o Rio Grande do Sul.

Os líderes do PMDB, PSDB, PP, PPS e DEM assinaram um documento que observa que o Brasil se tornou o quinto maior mercado consumidor de automóveis, atraindo a atenção de pelo menos dez grandes indústrias, que estariam definindo locais para se instalar no País, “em um novo ciclo de investimentos do setor automotivo”.

O texto diz, ainda, que existe a necessidade de projetos de lei específicos “para que possamos competir, em igualdade de condições, com os demais estados da Federação”. E a oposição está disposta a assinar embaixo dessas matérias.

O líder do PMDB, Giovani Feltes, informa que os deputados da oposição estão preocupados com o fato de algumas empresas já terem definido a ida para outros estados. “Nós ouvimos que algumas montadoras estariam indo para o Nordeste, São Paulo, Paraná, mas não se ouve nada sobre o Rio Grande do Sul. São investimentos de centenas de milhões de dólares. A JAC Motors, por exemplo, anunciou a Bahia para um investimento de US$ 900 milhões”, observa.

O PT gaúcho sempre se posicionou contra incentivos fiscais a grandes montadoras de automóveis. O governo Tarso, entretanto, já aprovou dois projetos de lei ampliando os benefícios do Fundo Operação Empresa (Fundopem).

O líder do PSDB, Jorge Pozzobon, declara que o movimento da oposição não é uma tentativa de impor uma agenda ao Executivo. “Nosso papel é demonstrar que, acima de divergências partidárias, estamos a favor do desenvolvimento gaúcho”, diz o tucano. Pozzobon afirma que “nos últimos 16 anos, o Estado nunca teve uma oposição que votasse tão maciçamente com o governo”.

A deputada Zilá Breitenbach (PSBD), que foi líder do governo Yeda Crusius (PSDB) na Assembleia, argumenta que existe uma disposição de auxiliar a gestão petista. “Não fazemos oposição do atraso”, cutuca Zilá.

Para o líder da bancada do PP, João Fischer, o Rio Grande do Sul deveria conceder melhores condições do que os outros estados brasileiros para atração de grandes empresas. “Não é só na questão de incentivos; é também a infraestrutura, a logística”, defende o progressista, lembrando que a Volkswagen ainda não definiu a localização da nova planta no Brasil.

A líder do governo no Parlamento, Miriam Marroni (PT), que acompanhou o encontro, enalteceu a iniciativa da oposição e a “relação respeitosa, fraterna e compartilhada, especialmente nos grandes temas em debate”. A petista entende que esta relação é resultado da orientação dada pelo governador Tarso Genro à base para uma postura de diálogo e de busca da concertação.

Miriam argumenta que o novo Fundopem tem elementos para atração de grandes empresas e que o Estado precisa de unidade para enfrentar o tema da guerra fiscal. A deputada, porém, não explicou se o Executivo estaria disposto a criar novos instrumentos fiscais para atrair grandes montadoras.

Tarso considerou importante essa postura da oposição, “porque se o Estado precisar de alguma modificação das leis para atrair novos investimentos, elas serão feitas”, afirmou o petista.

O líder do DEM, Paulo Borges, não pôde acompanhar a visita a Tarso. Além do chefe da Casa Civil, Carlos Pestana (PT), também estiveram na reunião os deputados tucanos Pedro Pereira e Lucas Redecker.

Alexandre Leboutte – Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

Tags:, , ,

5 respostas

  1. O Rio Grande só pensa em montadora??? Pensem na agricultura, reflorestar, diminuir os desertos.

    Curtir

    • Eu até sou favorável à instalação de uma outra fábrica de automóveis, mas realmente o setor agrícola vem sofrendo com o descaso governamental. Mas agora com o Tarso não dá para confiar que a agricultura vá ser levada a sério, já que o PT é ligado visceralmente ao MST, e por mais que os esquerdopatas chorem não dá para considerar os assentamentos e invasões do MST (que não passam de “favelas rurais”) como um modelo de produtividade nem para a agricultura familiar.

      Curtir

  2. Um doce de oposição! Com uma oposição dessa, para que aliados, não é mesmo?

    Curtir

  3. Otima iniciativa.

    Curtir

  4. Ou isso é politicagem por causa do ano eleitoral, ou, por milagre dos poneis sagrados, esses politicos abostados se ligaram que ferrar com o povo pelo bem do bolso deles e do partido deles é uma coisa absurda.

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: