Stara confirma que fábrica de tratores terá sede no Estado

Indústria de máquinas agrícolas organizou megaevento em estádio de Não-Me-Toque para fazer anúncio

A gaúcha Stara, uma das líderes mundiais na fabricação de implementos para agricultura de precisão, escolheu o Estado para sediar sua primeira planta de tratores, provavelmente em Não-Me-Toque. O investimento será de R$ 75 milhões, com geração de 500 empregos e produção estimada de 2 mil unidades anuais. O empreendimento é uma joint venture com a argentina Pauny, que repassará a tecnologia, com faturamento projetado até 2016 de R$ 450 milhões anuais. Atrativos fiscais, recursos para financiar obras de infraestrutura e enquadramento em programa público para inovação, além de oferta de mão e cadeia de fornecimento de peças existente no Rio Grande do Sul, pesaram na opção. O Estado detém hoje mais de 60% da produção de máquinas agrícolas, sendo duas delas de tratores.

A confirmação tranquilizou o governo e virou novo trunfo dentro da política de não deixar escapar novas plantas ou ampliações de operações já existentes. Foi o caso da Stihl, que confirmou ampliação da unidade de São Leopoldo e investimento de R$ 516 milhões. Com a Stara, o governo se refaz em parte da perda da unidade de montagem da coreana LS Mtron, que optou no final de outubro por Santa Catarina. “O investimento da Stara sinaliza que o nosso Estado segue atrativo e comprova o acerto da política de desenvolvimento de valorizar a expansão das empresas enraizadas no Rio Grande do Sul”, resumiu, em nota, o secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), Mauro Knijnik.

Os dirigentes da fabricante gaúcha, com sede em Não-Me-Toque, fizeram suspense até a noite dessa quinta-feira, quando pretendiam anunciar oficialmente a decisão para uma plateia de 9 mil a dez mil pessoas esperadas para um evento-show no estádio da cidade. No público, também estavam 1,8 mil produtores que compram produtos da marca e vieram de todo o País. A definição pela cidade onde a Stara surgiu há 51 anos e onde mantém quase 2 mil empregos também era acalentada. O prefeito do município, o médico Antonio Vicente Silva (PT), garantiu ter atendido a todas as exigências, que incluíam terraplenagem da área de 21 hectares adquirida há dois anos pela empresa, segurança por meio da instalação de câmeras de monitoramento e construção de imóveis para moradia de novos empregados, bancados por projetos privados. “A Stara é de Não-Me-Toque”, cravou o prefeito.

Convidados para a festa, que teria show da dupla Rio Negro e Solimões, como o secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, citou que seria uma grande desfeita se o diretor-presidente da indústria, Gilson Trennepohl, marcasse o ato, no estádio Doutor Waldomiro Gräeff lotado, para anunciar que a unidade iria à vizinha Carazinho, que estava na disputa. Mainardi ressaltou que a conquista para o Estado fortalecerá a liderança no Brasil neste segmento e a base de produção existente. O economista da Fundação de Economia e Estatística (Fee) Martinho Lazzari informou que o segmento de máquinas, implementos e tratores respondeu por 3,8% do PIB da indústria de transformação gaúcha em 2009, e por 0,85% do produto total. “Investimento novo consolidará mais a cadeia do setor e atrairá mais empresas”, aposta o economista.

O diretor-presidente da indústria avaliava pelo menos mais três unidades da federação para a instalação, entre eles o Paraná. Desde o primeiro semestre, Trennepohl negociava condições para a sede da unidade. Com 18% das vendas no Estado, o empresário admitiu, em entrevista ao Jornal do Comércio em setembro, que a demanda de outras regiões poderia levar o empreendimento para fora. Os modelos, que começarão a ser produzidos no segundo semestre de 2012 no parque existente, terão potência de 120 a 350 cavalos (cv). O grupo quer alcançar até 2015 uma receita anual superior a R$ 1 bilhão e planeja abrir o capital.

Patrícia Comunello – Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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1 resposta

  1. Não adianta, o futuro do rs é o interior…bento, caxias, nao me toque, rio grande, carazinho, passo fundo, erechim…

    Só vejo essas cidades crescendo e se industrializando…para poa realmente sobrou os serviços apenas…

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