O trânsito de Porto Alegre precisa de alternativas

Congestionamento não é mais exclusividade dos horários de pico. Foto: Gilberto Simon - Porto Imagem

Com o constante crescimento da sua frota de automóveis, Porto Alegre não tem mais uma hora de pico, e sim inúmeros momentos do dia em que o fluxo de veículos para. Pode ser às 9h30 na Avenida Ceará ou às 15h na Avenida Ipiranga com a Rua Silva Só. É um oceano de carros conduzidos por pessoas que fazem questão de almoçar em casa e depois retornam para o centro. Ou apenas gente que vem dos bairros para fazer compras nos shoppings mais afastados.

No passado, a capital gaúcha tinha horários certos para empacar: no início da manhã e no fim da tarde – muito em razão da rotina de trabalho. Agora, é possível garantir que, em qualquer hora do dia, algum ponto da cidade está engarrafado. A Rua Andrade Neves e muitas outras do centro, por exemplo, estão quase sempre lotadas de carros, por uma peculiaridade da região: vias estreitas e cheias de pedestres, o que dificulta a passagem de veículos.

Entretanto, quando se fala congestionamento não é apenas por força de expressão: são quilômetros de para e arranca até mesmo onde os carros deveriam se deslocar com maior rapidez. É o caso das avenidas Bento Gonçalves e Salvador França, ao amanhecer, entupidas de veículos oriundos da Região Metropolitana que se dirigem às principais vias da capital. Por mais que as explicações para esse caso sejam variadas e complexas, existem alternativas para reverter o quadro.

Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), afirma que a maior causa dos congestionamentos é a própria saúde econômica do Brasil, que viabiliza o crescimento incessante no número de automóveis. Porto Alegre conta com uma frota de mais de 710 mil veículos, média de um carro para cada dois habitantes. “É no mínimo um carro por família. Some-se a isso outros 700 mil veículos que vêm da Região Metropolitana todos os dias e está pronta a receita do caos”, defende Cappellari.

Por mais que a EPTC trabalhe para que os engarrafamentos sejam minimizados, a frota de Porto Alegre aumenta 8% ao ano. São cem novos veículos emplacados por dia. Capellari acredita que a conscientização para que se use menos o carro e adote outros meios de transporte é a saída para quem não aguenta mais a tranqueira ininterrupta em Porto Alegre. Os exemplos de cidades como Medellín, na Colômbia, e da Cidade no México, que revolucionaram o seu sistema de transporte a partir do BRT e de outras iniciativas, provam que alguma coisa ainda pode ser feita.

Paulo Finatto – THECITYFIXBRASIL



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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35 respostas

  1. tem que tirar todas as sinaleiras da ipiranga, carlos gomes e demais avenidas grandes e colocar viadutos e passarela para pedestre

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  2. alias, falando em terminal de onibus…
    Faz um tempo ja, vi dentro do onibus que iriam fechar o terminal do mercado, que iria passar por reformas.
    Se não me engano, era pra começar no dia 6 de outubro, falaram que os onibus iam parar ali no arco que tem em frente ao mercado, onde tem uma estação pro trêm.

    To até hoje esperando o inicio dessa obra.

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  3. A verdade é que a EPTC só faz m3rd4.

    Se quiserem reduzir a quantidade de carros no centrão o jeito é investir em transporte ferroviário metropolitano (pode ser VLT, aeromóvel, metrô ou o raio que o parta) para reduzir a superlotação nos ônibus. E as lotações acabam sendo um paliativo bom ao se considerar que um “rico” não vá querer pagar para andar em pé num ônibus convencional sem ar condicionado e superlotado (daí por um pouco a mais já acaba usando um serviço mais confortável), mas nem por isso devem ser deixados de lado investimentos na qualificação dos ônibus convencionais. Em algumas linhas deveria haver mais uso de modelos articulados devido à maior quantidade de assentos, reduzindo o amontoamento no corredor do ônibus fazendo com que o embarque e desembarque sejam mais ágeis e seguros.

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  4. A CURTÍSSIMO PRAZO:

    1- reduzir/ eliminar o estacionamento ao longo das vias – RETIRAR CARROS PARADOS E AUMENTAR O FLUXO.

    2- Instituir o pedágio urbano, taxando de acordo com a área utilizada.

    A LONGO PRAZO:
    Contruir o metrô que o PT não permitiu, em conluio com a ATP (lembram 1989?)

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  5. Todo dia saio do trabalho e vou à pé para casa. Às vezes vou de carro. Ontem fui experimentar ir de ônibus, e foi um verdadeiro inferno, demorou para chegar, estava lotado, um baita calorão, um terror. Isso não é transporte de qualidade. Enquanto as pessoas tiverem que passar por essa situação, certamente quem puder vai optar por se deslocar de carro. Por conforto. Simples a fórmula: Mais conforto no transporte publico, mais qualidade igual à mais usuários.

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    • Estou usando o ônibus nos últimos dias, porque estou esperando o carro novo, e realmente é horrível. Cada vez que pago uma passagem (para andar no calor e numa carroça barulhenta e fedorenta, depois de esperar numa parada nojenta), lembro que ela custa 1 litro de gasolina e que poderia andar 8 km no ar condicionado e todo o conforto do meu carro, penso que sendo mal tratado, inevitavelmente, mais pessoas comprarão um carro, ao invés de andar no transporte público

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  6. O centro só tranca nas avenidas principais, que levam para outros lugares,

    A burrada é sem tamanho, tem muita rua que tem muito mais pedestres do que carro, e sabe se la por que, não aumentam as calçadas.

    A 7 de setemmbro é um caso.

    Tirar os carros do centro é o mesmo que aceitar que não queremos mais nosso centro arrumado, por que rico não anda de onibus.

    Toca estacionamento mesmo, cobra um bom valor, usa o dinheiro do estacionamento pra manter outras coisas no centro e pronto.

    Muita gente com grana deixa de trabalhar no centro por falta de estacionamento, ai fica aquelas lojas de 1,99 que só chama povão… e ai, nossa arquitetura fica atirada.

    O governo poderia ser esperto tambem, reformar e usar predios antigos pra trazer o pessoal que ganha seu bom salario aqui pro centro.
    Isso da uma inovada nas ruas….

    Enquanto os onibus ficarem lotados, nossos terminais forem cheios de mendigos (vixi, vai ter gente me criticando por que estou falando dos mendigos), o povo não vai querer o centro.

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  7. “Por mais que a EPTC trabalhe para que os engarrafamentos sejam minimizados” (not!)

    Ouvi relatos de uma amiga que tem ido nas reuniões da EPTC com os ciclistas. Os caras da EPTC simplesmente não tem jeito de entender a lógica simples: quanto mais espaço se der para os carros (novas pistas, novos estacionamentos…), mais carros haverá!

    Reclamar que o trânsito no centro não anda porque tem muito pedestre é inverter a lógica. No centro, são os veículos que atrapalham os pedestres. Tem milhões de pessoas espremidas nas calçadas da dr. flores, andradas, andrade neves…

    Já que o negócio é se inspirar em outras cidades, que tal se inspirar em Nova Iorque ou Londres, que estão fechando ruas para os carros, para os pedestres poderem se deslocar à vontade. Em regiões de grande movimento, isso até beneficia o comércio, pois as lanchonetes podem colocar umas mesinhas na rua sem medo de estar ocupando a calçada, pois a calçada estará gigante. Claro, não é em todo lugar que isso seria sensato, mas em várias partes do centro parece que isso está latente.

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    • Os caras da EPTC não conseguem entender, porque isso é um ABSURDO COMPLETO.

      O que faz aumentar o número de carros na ruas é… a compra de mais automóveis e a falta de uma opção confortável de transporte e não o espaço dado aos automóveis. Por exemplo, se o Brasil tivesse continuado a crise do anos 80 (quando o país vendia 500 mil carros por mês) nos anos 90 e 2000 (quando passamos a vender 3,5 milhões), a Terceira Perimetral (única obra estrutural que tivemos na cidades nesses últimos 30 anos), por exemplo, estaria hoje completamente esvaziada.

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      • Ok, tu quer que eu enumere todas as razões:
        Isenção de IPI para carros + Aumento da frota de veículos + Transporte publico deficiente + PRIVILEGIAR TRANSPORTE PRIVADO (através de viadutos, triplicações, novos estacionamentos etc.) + … = aumento do número de carros.

        Indico a leitura: http://thecityfixbrasil.com/2011/09/21/paradoxo-de-braess-e-as-cidades-brasileiras/

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        • Bah cara, ninguem estimula nada, é falta do que fazer dos governantes.

          Nossas ruas são as mais esburacadas, nossos carros (ops, carroças) são as mais caras do mundo, os impostos são os mais altos, e pra piorar, tudo ao contrario, quanto mais pau velho, mais barato fica o ipva…
          Estacionamento?
          Preços altos, e estão acabando com vagas gratuitas, ainda aceitam flanelinhas.

          Ja o transporte publico, ai é falta de competencia mesmo…

          Na minha opinião, que façam uma torre de 100 andares de estacionamento no centro, mas que o dinheiro dessas vagas, sejam investidos em coisas como ciclovias (uaaaaaaaaaaaaau, to defendendo as bikes), iluminação, sinalização, urbanismo e outras coisas do tipo… ou no que der pra gastar…
          Até mesmo pra manter os terminais…

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        • Pois é, falar que no Brasil estimulam a venda de carros quando sabemos que pagamos os automóveis (o dobro do preço na média) e os combustíveis mais caros do mundo é uma piada.

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        • Mas concordo que o transporte público deficiente e insuficiente é uma das causas do aumento dos congestionamentos.

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      • Não é Absurdo Julião, é lógica e bem simples.

        Porque as pessoas entendem quando se fala que não se anda mais de ônibus porque ele é ruim e não entendem quando se fala que andam de carro porque a preocupação da prefeitura é sempre melhorar a estrutura para ele em detrimento dos outros modais de transporte?

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        • Então é a lógica da falta de lógica!

          Dizer que aumentar o espaço para os automóveis é a causa dos congestionamentos é o mesmo que dizer que o crescimento dos casos de cirrose decorre do maior número de bares na cidade.

          Além do mais, esse argumento cai por terra quando sabemos que Porto Alegre não investe quase nada na ampliação das vias da cidade, tanto que a única grande obra que tivemos, nos últimos 30 anos, foi a Terceira perimetral. Ou seja, então deveríamos estar comemorando a diminuição dos congestionamentos

          Por outro lado, não é verdade que a prioridade seja do automóvel no planejamento da cidade. Os investimentos previstos na circulação urbana de Porto Alegre somam mais de 3 bilhões de reais e 80% desse montante será aplicado em um transporte público de excelência, o metrô, e ainda teremos investimento no incremento dos corredores de ônibus, transformado-os em linhas de BRTs. O automóvel, através da construção de viadutos e do alargamento de avenidas, ficará com a menor parcela dessa bolada toda.

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          • Julião, por mais que não queiras aceitar, sim os congestionamentos são sim causados em parte pelo aumento do espaço para os automóveis, mais uma parte pelos diversos incentivos para comprá-los, mais a propaganda que vende uma ilusão de liberdade, aliada a cultura do carro como status.

            E sim pode ser aplicada a mesma lógica a cirrose, o aumento no número de bares estimula as pessoas a beberem, aumentando assim os carros de cirrose.

            Tanto uma coisa quanto outra são uma parte grande do problema.

            Bem, durante décadas e até agora pelo menos, a maioria do investimento foi para a melhoria da infraestrutura para os carros e não para o transporte público. Com esse dinheiro todo a ser aplicado para o metrô realmente teremos muito recurso aplicado no transporte coletivo pela primeira vez, pena ser tão concentrado, tenho certeza que os técnicos poderiam usar muito melhor essa grana toda, em projetos mais baratos e tão eficientes quanto, e ainda mais distribuído pela cidade toda.

            E, ainda sendo minoria o dinheiro a ser investido em viadutos e alargamentos ainda é muito dinheiro. Sem contar com os recapeamentos e constantes manutenções.

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  8. abrir mais vias não resolve, tirar funis, sinaleiras e organizar mais para que os carros não tenham de diminuir a velocidade, isso ja é 60%.
    Mas isso é quase impossivel, ou absurdamente caro de se fazer.

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