Acordo permite retomada das obras do estádio para a Copa, paradas há seis meses
Nos próximos dias, o Internacional vai finalmente assinar o contrato com a Andrade Gutierrez, empresa escolhida pelo clube para retomar a reforma do Beira-Rio para a Copa de 2014, em troca de uma parceria de 20 anos para exploração de novas áreas comerciais do estádio. O contrato com a construtora foi aprovado no final da noite desta quinta-feira (16) em reunião do Conselho Deliberativo que durou quase quatro horas.
A partir de agora, o clube corre contra o tempo para assinar o documento ainda em 2011. Com o acerto, a Andrade Gutierrez terá 30 dias para retomar os trabalhos, parados desde meados de junho, quando o clube decidiu interromper a obra para aguardar a redação do contrato –um processo que superou as expectativas iniciais dos dirigentes e consumiu seis meses.
Ainda não há data para a assinatura do contrato, mas o clube deve convocar a empresa mineira para uma cerimônia a ser realizada antes do Natal. O Inter tem interesse em mostrar agilidade para a Fifa depois que a paralisação das obras foi apontada como um dos motivos que levou Porto Alegre a ficar de fora da Copa das Confederações de 2013.
Teme-se que uma demora possa tirar a capital gaúcha do calendário de 2014 ou que os jogos passem para a Arena do Grêmio, estádio do clube rival que está sendo erguido na zona norte da capital gaúcha.
Acordo
Na reunião desta quinta, 283 conselheiros compareceram ao Beira-Rio para apreciar a minuta que obriga a Andrade Gutierrez a reformar o estádio nos padrões da Fifa em tempo para a Copa de 2014.
Em troca, a construtora terá direito de explorar novos espaços do estádio por 20 anos, como camarotes, cinco mil cadeiras vips, um edifício-garagem, espaços comerciais, publicidade interna e direitos de nome (naming rights) do Beira-Rio, que, segundo o contrato, não perderá o nome de batismo (o patrocinador ganhará espaço ao lado do nome popular).
O modelo foi aprovado por 229 conselheiros, 82,97% do total de votantes. A oposição, liderada pelo ex-presidente Vitório Píffero, foi ruidosa e fez previsões sombrias sobre o futuro do clube caso a parceria fosse aprovada. Entretanto, somente 47 conselheiros rejeitaram os termos do contrato. “Agora, é entrar na fila da capela”, disse Píffero ao final da votação, dizendo que ira “rezar” para a parceria dar certo.
Modelo
Em março, quando o clube optou por alterar o modelo de financiamento da obra, desistindo do sistema que utilizava recursos próprios, criado na gestão de Píffero, para adotar a parceria com uma empreiteira, a proposta da nova direção colorada havia sido aprovada por unanimidade.
O contrato, mantido sob sigilo, mas disponível para os conselheiros, despertou dúvidas que alimentaram oposição ao projeto. Conselheiros questionaram, por exemplo, os valores envolvidos. Inicialmente orçada em R$ 290 milhões pela Andrade Gutierrez, a obra passou para R$ 330 milhões.
O contrato prevê a reforma no sistema de “preço fechado”, cabendo à construtora absorver eventuais oscilações nos valores. O clube terá que desembolsar R$ 26 milhões, além de devolver nos próximos anos cerca de R$ 8 milhões referentes à antecipação do aluguel de suítes, que agora ficam sob a guarda a Andrade Gutierrez. Outros R$ 14 milhões que foram gastos na obra não serão ressarcidos.
Até paralisar a reforma em junho, o Inter havia concluído obras na tubulação do entorno do Beira-Rio e as fundações para a cobertura do estádio. Um quarto da arquibancada inferior foi derrubado em dezembro do ano passado e somente 50% da área foi reconstruída, obrigando a torcida a conviver com um estádio aos pedaços ao longo de toda a temporada de 2011.
Transparência
Além do Conselho Deliberativo, o contrato foi analisado por outras três instâncias do clube (o Conselho Fiscal, a Comissão de Obras e a Conselho Consultivo), sendo aprovado em todas.
Os conselheiros tiveram uma semana para ler o texto numa sala do Beira-Rio guardada por um segurança que impedia o uso de câmeras fotográficas ou celulares no local. “O rito foi muito demorado, mas foi muito transparente”, disse o presidente Giovanni Luigi após a votação.
Com a aprovação da parceria, o Inter encerra uma novela iniciada em meados de 2010, quando a Fifa passou a questionar as garantias financeiras do clube para tocar a reforma. O clube não encontrou uma forma de comprovar a capacidade de investimento para a entidade e, após a troca de gestão em janeiro, Luigi optou pelo modelo de parceria, deixando para a construtora o ônus de apresentar as garantias bancárias.
A Andrade Gutierrez deverá pedir um empréstimo ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar a reforma do Beira-Rio. A estatal possui linha de crédito para os estádios da Copa, e pode financiar até 75% das obras.
Com a assinatura do contrato, o Inter deverá jogar algumas partidas do Campeonato Gaúcho em outros estádios da região para permitir mais agilidade nas obras. Na Libertadores, no entanto, o clube vai utilizar o Beira-Rio.
Alexandre de Santi – Porto Alegre – Portal 2014
Categorias:COPA 2014, Gigante para Sempre (Beira Rio)
Tem muitos din-dins – pilas, entrandos nos bolsos de alguns.
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A novela só termina com o aporte dos investidores, a assinatura do contrato e o início das obras.
A seguir cenas dos próximos capítulos…
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