Novo aeroporto será prioridade de Tarso a partir de janeiro

Governador apresenta balanço do seu primeiro ano de trabalho e antecipa metas para 2012

Tarso com Mario Gusmão, Fernando Alberto Gusmão, Marcus Vinicius Klein, Miguel Schmitz e Roberto Pauletti Foto: Luís Félix/GES

Porto Alegre – Ao completar o primeiro ano no Piratini, o governador Tarso Genro fez um balanço para a reportagem do Grupo Sinos desses 12 meses e uma projeção para 2012. E para a região, quatro reivindicações devem fazer parte da agenda de Tarso desde janeiro: o Aeroporto Internacional 20 de Setembro, a Rodovia do Progresso (RS-010) e a duplicação da RS-118 entre Sapucaia e Gravataí e a extensão da Rodovia do Parque (BR-448) da BR-386 até Portão.

O 20 de Setembro

A construção de um novo aeroporto internacional para o Estado, em área no limite entre Nova Santa Rita e Portão, tornou-se expediente interno para que o governo inicie um monitoramento estratégico, alçando-o a projeto prioritário para Tarso Genro. “Já em janeiro vamos operar de maneira mais orgânica essa questão”, afirmou.

Finalizando o primeiro ano, quais os pontos positivos e o que pode ser melhorado para o próximo?

Tarso Genro – Consolidamos uma nova relação do Estado com o governo federal, reformamos o sistema de incentivos tributários para o desenvolvimento do Estado, iniciamos a construção de um sistema de participação popular cidadã, instituímos uma política especialíssima para a agricultura familiar pelo Plano Safra estadual, que não existia aqui no Rio Grande do Sul. Agregamos nas nossas agências financeiras mais de R$ 1,1 bilhão para dar sustentação para o Plano Safra. Nós organizamos a estrutura institucional do Estado, e vitalizamos os órgãos de financiamento, como o Badesul, por exemplo, que começa a adquirir novas funções. Reestruturamos completamente a política internacional do Estado, estabelecendo uma forte relação com a Coreia, com a Espanha, e aqui, uma política definida em relação ao Mercosul.

Quais os frutos colhidos dessa relação mais próxima com o governo federal?

Tarso – Nós conseguimos abrir um espaço fiscal novo para o Estado, que é extraordinariamente positivo, nos permitindo aumentar de maneira significativa os recursos para a saúde, educação e segurança, e buscando os recursos para investimento em infraestrutura vindos de fora. Portanto, nós reestruturamos a política orçamentária e financeira do Estado. E começamos a recuperar o salário dos servidores, dos professores, dos brigadianos, dos técnicos do Estado.

E o que o senhor não conseguiu fazer?

Tarso – Nós não conseguimos investir em infraestrutura do Estado tudo o que gostaríamos, porque não era um orçamento nosso, e porque nós tivemos de pagar mais de R$ 160 milhões originários de obras terminadas e não pagas do governo anterior. Foi uma limitação que será rapidamente superada com esses investimentos que nós vamos fazer em infraestrutura de R$ 2,6 bilhões, sendo que em torno de R$ 2,1 bilhões são recursos de empréstimos internacionais renovados.

O senhor ingressa no primeiro ano com um orçamento seu, trabalhado, pensado e planejado para 2012. O que se pode esperar?

Tarso – Uma melhora no desempenho das funções públicas do Estado. Como eu afirmei na primeira pergunta, nós teremos mais R$ 400 milhões para investir em saúde. Nós teremos, no mínimo, mais R$ 500 milhões para investir em educação. E temos em torno de 20% a 25% a mais para investir em segurança pública, além dos recursos que estamos captando no governo federal. Os recursos para saúde vão dar sustentação aos três grandes pilares da nossa política, que são as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), o aumento das Unidades de Saúde da Família, e também da criação de condições de investimentos locais para os hospitais regionais.

E na área da educação?

Tarso – Temos três preocupações fundamentais. A primeira é a reestruturação curricular do ensino médio, para modernizá-lo, adequá-lo aos novos tempos. Sem forçar, vai ser processual, respeitando o tempo que o magistério precisa para isso. Mas temos de fazer essa reestruturação curricular, porque ela obedece normas, inclusive do governo federal, que eu ajudei a implementar como ministro da Educação. Nós vamos dar um choque de financiamento para melhorar a infraestrutura escolar do RS. E o terceiro é nos aproximar até o fim do governo pagando o piso salarial dos professores. Já demos um aumento significativo agora, e daremos outro neste ano de 2012. Nós queremos colocar, no mínimo, na matriz curricular dos professores, R$ 2 bilhões até o fim do nosso governo.

Com relação à infraestrutura, o Vale do Sinos está muito preocupado com a questão viária. Que novidades nós poderemos ter sobre as rodovias?

Tarso – No Vale nós temos principalmente a RS-010. E também a ligação da BR-386 com a cidade de Portão. São duas obras estruturantes da região. A primeira, nós já decidimos. Nós vamos fazer uma PPP (Parceria Público -Privada). Segundo, nós já pressionamos, no bom sentido, o meu amigo ministro dos Transportes (Paulo Sérgio Passos), que visitou a região conosco. Ele nos prometeu, esse ano, fazer o projeto. Isso significa que nós poderemos, sim, ter a partir de 2013, investimentos importantes ali naquela região.

E com relação à duplicação da RS-118?

Tarso – É prioridade nossa. Essa nós temos o compromisso de terminar no nosso governo. Nós já aprovamos um plano de investimentos em infraestrutura e estradas, e dentre todas as prioridades, eu deixei bem claro para o secretário de Infraestrutura (Beto Albuquerque), que nós vamos inclusive duplicar os recursos que já estão sendo utilizados para apressá-la.

Quanto às outras demandas da região, o senhor acredita que no primeiro ano já conseguiu atender algumas delas, e o que prevê para 2012?

Tarso – Nós temos feito sucessivas interiorizações do governo, inclusive já fizemos uma interiorização muito grande em Taquara, que teve uma grande repercussão na região. Foi um exemplo típico de uma demanda que estava represada lá. Mas certamente neste primeiro ano nós demos encaminhamentos ainda preliminares para as questões. Então nós pretendemos aumentar os recursos para saúde, educação, melhorar a segurança pública instalando mais Territórios de Paz.

O deputado Fixinha declarou ao Jornal NH que esperava uma ação mais dura em relação ao embargo da Argentina sobre produtos brasileiros. Como o senhor encara essa crítica e como o Estado pode ajudar nisso?

Tarso – Lastimavelmente, não. Essas relações internacionais, pela Constituição Federal, e o deputado Fixinha certamente sabe disso, elas são orientadas e tuteladas exclusivamente pelo presidente da República e pela União federal. E nós tivemos várias incursões, e fizemos várias demandas, para que o governo federal interferisse nessa questão. Mas são questões demoradas, intrincadas. A minha avaliação é de que a presidente Dilma (Rousseff) está tomando as medidas para enfrentar, de maneira prudente, de maneira cautelosa, mas está tomando as medidas para enfrentar. E nós, da nossa parte, nós estamos forjando uma política específica do RS na questão do calçado. Mas nós podemos interferir na nossa capacidade de disputa comercial, e não na questão do vazamento das fronteiras, no impedimento para o transporte de cargas nas exportações. Isso não é da nossa competência.

O senhor citou que a relação do Estado com o governo federal mudou para melhor. Esse ano já tivemos vários anúncios, os corredores de ônibus da região metropolitana, a ponte do Guaíba, o metrô da Capital. Para 2012 dá para esperar que essa ligação se amplie?

Tarso – Desde o momento em que nós assumimos, a presidenta Dilma tem dado uma atenção especial ao Estado. Começou com a crise do arroz. O governo federal colocou aqui R$ 1,150 bilhão para melhorar a aproximação do preço mínimo determinado pelo governo federal. Estas grandes obras que foram anunciadas são obras que se desdobram no tempo, quatro, cinco, seis, oito, dez anos, quem sabe? A pauta que nós queremos nos aproximar no próximo ano é da reestruturação da forma de pagamento da dívida dos Estados. Nós pagamos em torno de 13% da nossa receita líquida, somos o Estado que paga o percentual mais elevado, que nos traz prejuízo extraordinário para a nossa capacidade de investimento. Nós pretendemos retomar em 2012 principalmente esse tema, junto ao governo federal.

Dentro dos investimentos, o Aeroporto 20 de Setembro pode entrar?

Tarso – Deve entrar. Porque mesmo que seja uma obra privada, uma obra de Parceria Público-Privada, onde o Estado entra, essa autorização para um aeroporto dessa natureza deve ser federal. Então o grande tema político nosso em relação ao aeroporto é nós extrairmos do governo federal de maneira fundamentada e pacienciosa a mesma posição que nós já extraímos, o governo do Estado junto com seus parceiros locais, sobre o metrô e sobre a ponte do Guaíba.

O senhor pretende se envolver nas campanhas de reeleição dos prefeitos Tarcísio Zimmermann e Jairo Jorge?

Tarso – Eu vou, dentro dos limites da minha função, sem envolver o governo. Eu vou como militante fora do horário de expediente, dar o apoio para os candidatos do meu partido.

Filipe Limas/ Da Redação – JORNAL NH



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11 respostas

  1. O Brasil é sexta ecônomica do mundo e renda de terceiro mundo, tem dinheiro sobrando, não tem fome, tem ótimas rodovias, não tem favelas. kkkkk. Novo aeroporto depende do gôverno federal- Infrazero-PT e muito roubo.

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  2. Tarso é uma piada..
    Era todo contra o Cais, hoje eu escutei na radio uma propaganda politica falando que ele vai fazer o cais… haha

    Imagina se a Yeda não tivesse feito a jogadinha ninja dela, o que não seria?
    Triste…

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  3. Acho que isso eh papo de politico e esse aeroporto nao sai nunca.

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  4. Em relação a dívida estadual federalizada: “Nós pagamos em torno de 13% da nossa receita líquida, somos o Estado que paga o percentual mais elevado, que nos traz prejuízo extraordinário para a nossa capacidade de investimento.”

    Isso acontece porque o RS manteve o Banrisul (os outros estados, mais “burros”, entregaram seus bancos), como um banco estatal, a União também teve de assumiu os “créditos pobres” no saneamento do sistema bancário e NÓS teremos de pagar essa conta por décadas.

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  5. Me lembrei da Espanha agora. Dizem que no auge da “bolha” espanhola, toda cidade espanhola construiu o seu aeroporto e um Centro de Convenções. Hoje, 90% desses espaços estão jogados as moscas.

    Olha, se abandonassem os aeroportos de Caxias e não pretendessem construir outro na região das Hortênsias, nem houvesse qualquer plano de expansão do Salgado filho, em Poa, até que faria sentido essa ideia de centralizar todos os esforços do estado para construir um grande aeroporto em Portão, mas não é o caso

    Nitidamente trata-se de um cortina de fumaça…

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  6. Que façam uma nova base aerea la e usem a de canoas pra isso então…

    Cidades pequenas, sem prédios altos, param com essa melação de saco de ter predio de meio metro de altura num raio de 500km do aeroporto…. e usem a de canoas para um novo aeroporto.

    Tudo é por causa da base aerea pra não construi, então que façam algo direito…

    Deixa os militares la beem tranquilos, e bota o aeroporto aqui perto.

    Palhaçada isso…

    Parece que fazem questão de cometer os mesmos erros de outras cidades para deixar a nossa mais parecida.

    Aeroporto longe NÃO DA….

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  7. Lixo….

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  8. Tarso deveria empreender esforços para que saia as expansões 1 e 2 do terminal 1 e, quando isso se realizar, deveria lutar por uma expansão do velho terminal 2 e para a criação de um novo e grande terminal 3. Após isso, aí sim poderíamos pensar em um novo aeroporto, cuja localização a ser TECNICAMENTE escolhida e, não, POLITICAMENTE. Tinha que ficar mais perto de POA, em Canoas ou Eldorado do Sul. Portão já será servida pelos novos aeroportos de Caxias (Vila Oliva) e Canela (Hortências). Não faz sentido deslocar POA até Portão. Mais fácil Portão vir até POA ou até Vila Oliva ou Canela.

    Apoio esse aeroporto de portão se vetarem TOTALMENTE o uso de jatos EXECUTIVOS no Salgado Filho. Afinal, não é justo que o cidadão tenha que “viajar” até Portão para pegar um avião e os políticos peguem comodamente seus jatinhos privados no bem localizado e central Salgado Filho.

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