Governo do Estado quer reabrir Praia de Fora, em Itapuã, ainda neste verão

Parque de Itapuã - ao fundo, Praia de Fora. Foto: Gilberto Simon - Porto Imagem

Considerada por muitos como a mais bela praia do Parque Estadual de Itapuã, a Praia de Fora nunca ficou por muito tempo à disposição dos cidadãos desde que o parque foi reaberto em 2002. De lá para cá, a praia abriu esporadicamente, mas logo era fechada de novo. A Praia de Fora é o único dos três balneários do parque que fica já na Lagoa dos Patos e sofre com problemas de infraestrutura, mas, segundo o gestor do parque, Carlos Alberto Mancio, a intenção é abrir ainda nesta temporada.

A dificuldade para colocar a Praia de Fora à disposição do público é a falta de energia elétrica. Sem ela, também não funciona a bomba que permite o funcionamento dos banheiros. A administração do parque tem tentado gerar energia eólica por meio de um catavento, mas os primeiros testes não deram certo. O uso da energia eólica é visto como um projeto “ecopedagógico”. “Muitas vezes os governos falam, mas não dão exemplo. Seria um pequeno exemplo do governo”, explica Mancio.

Enquanto o catavento não for viabilizado, deve ser instalado um gerador a diesel, que causa maior impacto ambiental, mas deve permitir que a praia seja aberta ainda neste verão. “Queremos abrir nesta temporada. A ideia é abrir mesmo com geradores a diesel, mas seguir tentando o projeto de energia eólica”, relata Mancio.

Mancio diz que a praia pode ser reaberta já em janeiro, mas que não pode garantir nem que isto vai ocorrer neste verão. “A dificuldade para instalar os geradores é que são equipamentos pesados e precisa de pessoal especializado”, justifica.

Por ora, o veranista pode desfrutar das praias da Pedreira e das Pombas, ambas banhadas pelo Guaíba, envoltas por natureza preservada, e bem mais vistosas que a enorme praia retilínea do Litoral Norte gaúcho. É possível entrar no Parque das 9 às 17h. Os ingressos custam R$ 4,82. O local tem fechado às 18h, mas Mancio conta que estáprocurando pessoal para conseguir fechar às 19h no verão.

O gestor do Parque recomenda que os visitantes cheguem cedo ao Parque nos finais de semana, visto que há um número máximo de 350 pessoas por praia. Outra recomendação de Mancio é que os visitantes da Praia da Pedreira levem comida. “O pessoal costuma ficar o dia inteiro e fazer churrasco”, conta. Na Praia das Pombas já há uma lanchonete. Na Pedreira só haverá uma depois que for concluída uma licitação.

Carlos Alberto Mancio ressalta também que há um museu no Parque, com uma série de fotografias do local e que também conta parte da história da Revolução Farroupilha, já que a região foi palco do Cerco de Porto Alegre.

Durante o Governo Yeda, o Parque Estadual de Itapuã chegou a ficar um período fechado, sob argumento do déficit zero, uma vez que o montante arrecadado com ingressos era bem menor que as despesas. Ao final da gestão o parque já havia sido reaberto.

Em 2011, a Praia das Pombas também ficou fechado por um curto espaço de tempo, enquanto não era contratada uma das empresas terceirizadas que participam da administração do local. Agora, este problema parece sanado pelos próximos cinco anos. Para funcionar, o Parque necessita de duas terceirizadas, uma para segurança e outra para serviços gerais. “Temos contratos para os próximos cinco anos com as duas empresas, que podem ser revistos anualmente”, afirma Mancio.

O gestor não se queixa da estrutura que tem à disposição, mas da manutenção. Ele relata que o Parque foi reaberto em 2002 com recursos do Banco Mundial e que conta com todos os equipamentos necessários como trator, motosserras, entre outros. “Os equipamentos estavam bem melhores quando chegaram. Os governos compram, mas não fazem manutenção. O Parque foi sucateado, tivemos que recuperar quase tudo. Estamos chegando quase ao fim (desta recuperação)”, diz Mancio.

O gestor afirma que a secretária do Meio Ambiente, Jussara Cony, vê Itapuã como uma questão prioritária, tendo em vista a Copa do Mundo. O Parque é visto como uma das mostras do potencial turístico da cidade-sede e também ecológico, uma vez que o Brasil pretende fazer uma Copa “verde”.

Felipe Prestes – SUL 21

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Para saber mais de Itapuã, leia a seguir:

Localizado a 57 km do centro de Porto Alegre, em Viamão, o Parque de Itapuã, protege a última amostra dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre, com campos, matas, dunas, lagoas, praias e morros às margens do lago Guaíba e da Laguna dos Patos (a maior laguna do mundo).

Nas suas formações vegetais, ocorrem mais de 300 espécies, destacando-se a figueira, a corticeira-do-banhado, o jerivá, o butiazeiro, além de orquídeas, cactos e bromélias. A Lagoa Negra, com 1750 hectares, é o ponto de parada de aves migratórias, como o trinta-réis e batuíras. “O Parque Estadual de Itapuã foi criado em 1973 e fechado 18 anos depois, sendo reaberto apenas em abril de 2002. A área de 5,5 mil hectares, onde está localizado o parque foi palco de combates durante a Revolução Farroupilha.

Na tentativa de impedir a passagem de navios imperiais vindos do Rio de Janeiro, os farrapos construíram fortes nos morros chamados de Itapuã e de Fortaleza. Em 1836, 32 soldados farrapos morreram no Morro da Fortaleza, vítimas de um ataque imperial. Duas embarcações farroupilhas também estão afundadas perto da Praia das Pombas.”

FOTOS:

As fotos são escaneadas e foram tiradas em 2004 (Gilberto Simon).



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10 respostas

  1. Realmente é um paraíso.é uma pena que não se possa visitar outras praias a não ser a praia das pombas.Pois liguei pra lá essa semana e me informaram que só essa está aberta ao público.No ano passado estive na pedreira,desde de então está em manutenção permanente, e tem toda infra para receber o público.

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  2. O Brasil é provavelmente o único país do mundo em que parques e áreas protegidas dão prejuízo ao invés de dar lucro. Isso porque não se vê essas áreas naturais como fonte de geração de emprego e renda através do ecoturismo, e sim como caixas-pretas, e que são pessimamente geridas pelos órgãos ambientais estatais e seus chefetes políticos incompetentes. O RS e o Brasil precisam ter MAIS, e não menos (como quer o lobby burro de alguns) áreas protegidas, mas assegurar sua gestão tecnicamente adequada para que haja visitação e educação ambiental nelas é fundamental. Itapuã é caso emblemático!

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    • Quando descobrirem que o maior trunfo do Brasil é justamente sua diversidade ambiental, talvez seja tarde de mais.

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  3. Agora imaginemos se houvesse um passeio de barco, que saísse de manhã de POA, fosse para a praia e lá tivesse um ecoresort para o dia, como há na Ilha de Porto Belo, com concessão a uma faculdade de turismo, que explorasse o local e fizesse trilhas ecológicas.

    Passaríamos o dia no resort, comeríamos por lá, faríamos os passeios, descansaríamos e ao fim do dia pegaríamos o barco de volta para o centro.

    Mas bem, isso é para Santa Catarina, não para POA.

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  4. Nem sabia da existência desse lugar. Realmente lindo.

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  5. Por que não investir em turismo ecologico?
    Não conheço a amazonia pessoalmente, mas sei que tem muitas coisas belas por la, natureza e bla bla bla, assim como foz do iguaçu…. e nesses lugares tem isso, e pessoas do MUNDO INTEIRO vão para esses lugares, ainda mais da Alemanha, quando fui pra Foz, era o que mais tinha…
    Por que não investir nisso?
    É um lugar show, muito belo, arruma uma empresa de turismo pra investir ali e ta feita a festa.. (óó meu deus, vamos pivatizar….. malditos capitalistas…)…
    Mas né…. Porto Alegre é Porto Alegre, vou me recolher com meu sonho..
    haha

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    • Bem dito, Guilherme. Porto Alegre é Porto Alegre. imagina o auê se alguém quiser fazer um investimento por aí. Já vejo até os abraços;;;;

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    • Guilherme, eu já acho que tudo é possível, inclusive explorar comercialmente sem destruir aquele local. É para isso que serve os estudos de impacto ambiental. Quando as coisas são bem feitas e bem controladas, tudo é possível.

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  6. A Praia de Fora é linda!

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  7. Um paraíso escondido.

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