Orla do Guaiba é largamente privatizada e proibida à população. Ecologistas, governo e ativistas: deles só OMISSÃO.

Porto Alegre tem uma das orlas mais deslumbrantes do país:

Foto: Gilberto Simon

Foto: Gilberto Simon

________________________________

Autoria das fotos a seguir:  Ricardo Haberland

Um bairro muito completo, verde, e com acesso súper rápido ao Centro. Este é o nobre e lindo bairro Tristeza:

Paisagem belíssima e riquíssima, que ninguém lembra quando baba por Florianópolis e outras:

Mas, espantaosamente, a paisagem acima não é permitida aos portoalegrenses. Toda esta orla é sem acesso. Ao contrário do matagal e do paredão de maricás que nos privam da orla da Gasômetro ao Cristal, a partir da Vila Assunção toda a orla é proibida aos portoalegrenses em função da privatização por clubes , favelas e mansões. O píer novo, acima, também é proibido: pertence a um condomínio recém construido.

Tristeza, um bairro tão nobre, oculta um de horrores na sua orla sem acesso:

Na foto acima, não se enganem com o aparente acesso pela areia: normalmente o Guabia é mais alto e as águas batem no muro.

Um deprimente quase-acesso à paisagem deslumbrante e desconhecida da Tristeza:

Se aventurando neste buraco de quase-acesso, nos deparamos com outra muralha horrivel. As águas normalmente vão até a muralha:

No bairro Vila Conceição, o cenário começa a ficar até mesmo fantasmagórico. Inexplicavelmente, a região junto a orla é uma floresta repleta de ruas,  casas e mansões abandonadas. Algumas mansões até tem moradores, porém com estado de abandonadas e aparência sinistra e assustadora. Outras mansões estão parece que realmente abandonadas, em fortes ladeiras no meio da mata, descendo até as águas.

Portão proibe de chegar à orla:

Na foto acima e em todas as outras que vierem a seguir, esta orla de areia na verdade não existe: o ano inteiro as águas batem direto nas muralhas. A areia só aparece na seca do verão, quando o Guaiba baixa bastante. Ou seja: normalmente, a proibição do acesso à orla não se dá somente por ser privatizada: em muitos locais nem espaço a areia há: os clubes e mansões construiram até a água.

Uma casa grande, mas semi-abandonada:

A coisa fica mais explícita e chocante:

O governo roubou a orla dos portoalegrenses para esta casa:

As casas acima são na Vila Conceição. Seguindo-se adiantge em relação ao sul, vem o bairro Pedra Redonda, que também tem toda a orla proibida, com recantos sinistros e assustadores, muralhas de clubes, etc. Ali também está o Morro do Sabiá, com paisagens deslumbrantes, que outrora tinha acesso à orla, mas que há uma década também a proibiu para a cidade.

________________________________

Pois é: Porto Alegre tem uma das orlas mais deslumbrantes do país.

Mas vivemos como se não tivesse orla, como se Porto Alegre fosse “seca”, como uma Goiânia da vida. Deveríamos entregar o Guaiba para uma cidade que mereça.

Temos uma das orlas mais deslumbrantes do país  mas, com exceção de Ipanema, ela é abandonada, toda sem acesso por matagais sinistros , paredões de maricás, ou simplesmente proibida e privatizada. Sobre isso, os os ecologistas, os contra-tudo e os partidos- políticos-do-contra não fazem absolutamente nada. Mas quando surge uma chance de ouro para a cidade, sem ônus e onde toda a população sairia ganhando, como o Pontal do Estaleiro, esta gente arma uma guerra para proibir tudo, em clara atitude ideológico-partidária. E esta cultura contra-tudo ainda impregnou toda a mentalidade e cultura da cidade. A paisagem magnífica que temos e a situação absurda em que vive nossa cidade é algo único no mundo. Triste Porto Alegre, aquela orgulhosa cidade do sul.



Categorias:Outros assuntos

Tags:, , , , , , , , ,

25 respostas

  1. Parabéns meu amigo por disponibilizar estas informações tão importantes aos Portalegrenses que agora poderão fazer suas denúncias e pedir providências em especial sobre sua postagem que repliquei lá no dihitt: conforme este Link aqui:
    http://www.dihitt.com.br/n/opiniao-e-noticias/2012/05/17/orla-do-guaiba-e-largamente-privatizada-e-proibida-a-populacao-ecologistas-governo-e-ativistas-deles-so-omissao-2012
    Sendo que eu hoje a tarde estive também no local e fiquei alarmado e intricado quanto ao que vi que terei que fazer um Post também no meu Blog a Nova classe Média adicionando fotos das paisagens da área cercado quase que iguais as suas tiradas no local, valeu mesmo, pois não devemos nos calar sobre isso!
    Escreva aos Vereadores de Porto Alegre, exija, cobre, não fique parado
    Estamos disponibilizando aqui no Blog, para facilitar, os endereços de e-mail dos vereadores de Porto Alegre, assim como os telefones dos seus gabinetes.
    Pode parecer meio singelo, mas os vereadores podem ajudar e muito a resolver os problemas da cidade. Eles aprovam as leis, votam o Plano Diretor, desenham o futuro da cidade.
    Escrevam para todos ou para os que você mais confia. Eles não são iguais. Tem ideologias diferentes, segundo seu partido. Mas todos tem poder de resolver muita coisa na cidade.
    Não cruze os braços.
    Escreva aos vereadores, reivindicando ações. Não esqueça: você votou nele !
    Ele recebe o salário que recebe por que você colocou ele na Câmara.
    Vamos exigir!

    https://portoimagem.wordpress.com/escreva-aos-vereadores-de-porto-alegre-exija-cobre-nao-fique-parado/#comment-47293



    Estou também divulgando em mais redes sociais….

    Curtir

  2. E a PROJETADA Avenida Guaíba?

    Curtir

  3. Certamente que o objetivo não é voltar à discussão do Pontal do Estaleiro. Mas na minha opinião (e é apenas uma opinião, não uma verdade absoluta) abrindo-se a brecha para umas 2 ou 3 torres na orla, logo umas 4 ou 5 estarão autorizadas e a pressão para se fazerem umas 15 ou 20 já estará em curso nas salinhas da câmara municipal. Afinal, como tu vai dizer pro pessoal: gente construiremos apenas 3 torres na orla e as 3 construtoras fulanas aqui serão as felizardas. Não, né?

    Sobre as favelas, acredito que os movimentos sociais preocupam-se muito mais com favelas devido ao fato de haver uma população numerosa (no terreno de uma mansão certamente cabem pelo menos umas 100 pessoas numa aglomeração desumana) e em situação de risco (famílias desestruturadas e alta criminalidade). Não é uma equação fácil de resolver. Mesmo que na orla, tais famílias deveriam ser removidas para ocupar um espaço mais digno. O problema é que tais soluções sempre são adotadas após um processo de especulação imobiliária (lobbies de empreiteiras e tal) ou devido a um surto de “sanitarização” da cidade. Achar que os movimentos sociais diriam que “favela na orla é justiça social” é um tremendo preconceito. Favela não é bom em lugar algum, muito menos em áreas de risco.

    Curtir

  4. É bizarro supor que o pessoal “do contra” seria a favor da ocupação privada da orla, só porque não se manifestou contra isso. Aliás, devem ter se manifestado, mas sempre tem o pessoal “a favor” que chama qualquer opinião contrária a sua de “esquerdinha”.
    Pois bem, como vemos felizmente nem tudo é preto no branco. Foi levantada de forma muito válida essa questão da privatização da orla (apesar dos preconceitos e provocações ao pessoal contra ao Portal do Estaleiro). Não sei desde quando as casas estão ali, mas obviamente desapropriação é sempre uma questão complexa. Se os casarões forem posteriores à legislação que determina a orla como pública, de certo que deveria ser dado um jeito de devolver a orla à população. Entretanto, como ninguém reclama e ninguém se mexe, a prefeitura simplesmente não tem motivos para se incomodar com isso. Talvez seja uma luta a ser avaliada pelo pessoal da Associação de Moradores da Tristeza.

    Quanto aquele bairro semi-abandonado, vizinho à Tristeza, visitei mês passado “descobrindo” novos cantos da cidade e também achei fantasmagórico hehehehe O que conseguimos notar após voltar pra “faixa” foi que aquela zona de casarões fica bem ao lado de uma favela grande. Provavelmente deve ter muito bandido que usa o mato pra chegar nos casarões e assaltar geral, tornando a região um festival de “Vende-se”, apesar de uma localização privilegiadíssima quanto à vista, ao tamanho dos terrenos e a calmaria. Visitando aquela região, parece mesmo que estamos no campo ou na praia, tamanho é o silêncio.

    Curtir

  5. Mansões na orla: privatização
    Favela na orla: justiça social.
    Com este pensamento, presente na maioria dos integrantes deste Fórum Social Temático por exemplo, chegaremos onde?

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: