Aeromóvel em discussão

Depois de mais de 30 anos parado, por falta de financiamento, uma linha vem sendo implantada

Concebido como um símbolo do futuro, o aeromóvel ficou relegado ao passado durante anos. Três décadas depois de o governo federal ter interrompido o apoio ao projeto, o sistema de transporte inventado no Rio Grande do Sul ganha novo fôlego graças a duas iniciativas que visam melhorar a mobilidade urbana de Porto Alegre: a ligação entre a Estação Aeroporto do Trensurb e o Aeroporto Salgado Filho e a possível criação de uma linha entre o Centro e a zona Sul.

Obras da estrutura para usuários do Trensurb/Salgado Filho Crédito: MAURO SCHAEFER

Enquanto a inauguração da primeira obra é aguardada para a metade deste ano, especialistas em trânsito questionam a possibilidade de execução do segundo projeto. O estudo de viabilidade técnica teve início em janeiro e deve ser concluído em 90 dias por técnicos da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e Trensurb. Uma proposta de itinerário formulada pela EPTC contempla 9,3 quilômetros entre a Estação Rodoviária e o Jockey Club, no bairro Cristal, com um total de dez estações. Críticos ao projeto apontam que o traçado já estaria pré-definido, o que não justificaria o estudo de viabilidade. Mas, segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, a proposta não é definitiva. “Foi avaliado um conceito visual, mas nunca divulgamos essas questões de localização de estações e traçado”, afirma. Até porque, de acordo com ele, simulações estão sendo feitas considerando a utilização do sistema BRT e do metrô, que devem ser implantados nos próximos anos, o que dará uma dimensão mais precisa da demanda do trajeto Centro/zona Sul. Caso o estudo confirme a viabilidade do projeto, o veículo que irá transportar os passageiros será bem diferente do protótipo instalado na avenida Loureiro da Silva, feito com peças de ônibus adaptadas. A evolução do aeromóvel é um dos argumentos de quem defende esse tipo de transporte. “Tínhamos dificuldades operacionais que foram superadas. Hoje, é um sistema moderno e inovador”, defende Cappellari. Ele ressalta que um único veículo pode transportar mais de 300 passageiros, o que o caracteriza como sistema de transporte de massa – e não apenas complementar. Iniciada em dezembro de 2011, a obra do aeromóvel do Aeroporto Salgado Filho está orçada em R$ 33 milhões. O trajeto possui 998 metros que serão percorridos em 90 segundos. A linha contará com duas estações de 660 metros quadrados e dois veículos: um com capacidade para 150 passageiros, outro para 300. A previsão é de que a obra seja concluída em julho de 2012. O projeto da zona Sul, por sua vez, não tem prazo para sair do papel.

Crédito: ARTE JOÃO LUIS XAVIER

Implantação teria um custo menor

O custo do aeromóvel é comprovadamente inferior ao de outros tipos de transporte por trilhos, sustenta o diretor-presidente do Trensurb, Humberto Kasper. Ele aponta os números: o Metrô de Porto Alegre, por exemplo, vai custar R$ 2,4 bilhões com extensão de 14,8 quilômetros – o que representa um custo de R$ 166 milhões por quilômetro. A construção do aeromóvel, por sua vez, está orçada em US$ 20 milhões por quilômetro (em R$, cerca de 37 milhões), embora com uma capacidade menor de passageiros. Para um trajeto de dez quilômetros, o custo total seria de aproximadamente R$ 370 milhões, seis vezes menos do que o metrô. Para Kasper, o grande desafio é fazer com que esses recursos sejam aplicados pela iniciativa privada. “Os investimentos necessários têm viabilidade para serem pagos integralmente pela receita futura que vai ser auferida pelo sistema no período de concessão de 25 ou 30 anos?”, indaga. “Se isso acontecer, há chance de ser implantada como concessão comum, com todo o investimento privado”, completa.

Engenheiro vê traçado antecipado

O engenheiro civil e professor da Ufrgs João Fortini Albano estranhou que, mesmo antes de iniciar o estudo técnico para o aeromóvel da zona Sul, o percurso e o número de estações já tenham sido anunciados. “Para que contratar um estudo se a origem e o destino já estão pré-concebidos?”, questiona. Além disso, segundo ele, não há problemas graves no trânsito entre o Centro e a zona Sul que justifiquem um investimento desse porte. “Qual o problema de transporte ali, com várias avenidas e faixas de rolamento? Vejo reclamações no corredor da Protásio Alves, na Assis Brasil, problemas na Sertório, congestionamentos na Bento Gonçalves.

Na avaliação do professor, essas vias, pelo volume de passageiros e de reclamações, deveriam ter um tratamento diferenciado. Ali (nesse trecho da zona Sul) não vejo reclamações”, argumenta o engenheiro. “Fico com uma certa dúvida do interesse público, como instrumento de transporte da população.”

Demanda é estimada em 7 mil/dia

Humberto Kasper acredita que o aeromóvel do Aeroporto será importante para aumentar a popularidade da nova tecnologia. A expectativa é de que 7 mil pessoas usem essa ligação diariamente. Hoje, o número de passageiros que utilizam o Trensurb para chegar ao Aeroporto é restrito, mas o diretor-presidente da empresa afirma que a tendência é o crescimento.

“Cada vez mais, viajar de avião passa a ser uma condição popular de transporte, devido aos preços”, aposta. Ele lembra que o acesso ao Aeroporto foi um dos principais pontos da CPI que discutiu a crise aérea brasileira há cinco anos, no Congresso. Antes da inauguração, um protótipo voltará a fazer testes na linha experimental da avenida Loureiro da Silva.

Desde 1982, protótipo segue na via

Em 1977, Oskar Coester construiu o primeiro veículo. Em 1979, iniciaram os testes em convênio com a Fundatec, que indica viabilidade econômica. Em 1981, o ministro dos Transportes Eliseu Resende assina contrato e financia a construção de uma linha piloto em Porto Alegre. Em 1982, o veículo é instalado na avenida Loureiro da Silva. Em setembro do mesmo ano, o novo ministro dos Transportes, Cloraldino Severo, cancela o projeto. O piloto ficou ali, até hoje.

Correio do Povo



Categorias:Aeromóvel

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27 respostas

  1. Chega de conversa, quero ver obras!

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  2. Nao quero ser chato, mas a linha prototipo na primeira imagem do post tem um grande erro: cadê a estaçao da ipiranga pra futura conexao de uma linha na avenida?

    A prefeitura cometeu o mesmo erro na linha do metro sem uma estacao na PERIMETRAL! Que projeto é esse, meu deus? O sistema de metro deve ser uma MALHA de linhas pra transporte de longa distancia urbana COM conexoes, isso o onibus nunca vai igualar.

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  3. Esta aí o projeto ideal para a cidade de Porto Alegre, mas o que se vê é a existência de uma resistência quanto a implantação do aeromóvel, inclusive se vê um certo desleixo por parte do erário público municipal de Porto Alegre em alavancar este projeto, talvez sejam os interesses outros a este projeto que na verdade é mais barato do que o metrô.

    Certamente se este projeto fosse colocado em prática não teríamos o custo milionário que sairá o metrô.

    Na verdade há uma grande pressão de empresários do ramo de transporte público frente a este projeto e, se depender da Câmara Municipal de Porto Alegre através de nossos representantes que dizem representar o povo de Porto Alegre, saberemos de antemão qual vai ser o resultado.

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  4. Aviso a quem interessar possa: a equipe do Blog está de olho em trollers, falsos e-mails, falsos nomes, spams diversos e em quem só quer avacalhar com tudo. Se você é um deles, não perca tempo comentando aqui, pois será moderado.

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  5. Tabela do comparativo energético entre modos de transporte:

    Clique para acessar o consumo_aeromovel.pdf

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  6. Vocês sabem qual é o rendimento dessa máquina, ao transformar energia elétrica (forma nobre) em vento (!) que irá impulsionar a vela invertida no duto do aeromóvel? É o mesmo rendimento das máquina de transporte pneumático, é de chorar … Além disso, o colega Albano tem razão, o aeromóvel não é transporte de massa, é coisa para turismo, parque de diversões, e coisas do gênero. Discutimos essa questão na Sociedade de Engenharia, com colegas e mestres da UFRGS há mais de 30 anos. Se isso fosse bom, já estaria implantado nos países desenvolvidos há muito tempo …

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    • “Vocês sabem qual é o rendimento dessa máquina, ao transformar energia elétrica (forma nobre) em vento (!) que irá impulsionar a vela invertida no duto do aeromóvel?”

      Não, Hermes, não sabemos!!!!! Por favor, nos abrilhante com este cálculo!!!! Tenho certeza que as centenas de engenheiros que se envoveram nesse projeto nos últimos 35 anos só podem ser um bando de inconsequentes que nunca estudaram estes rendimentos!!!!

      Diego

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    • As CENTENAS de engenheiros que se envolveram e foram embora, depois de, provavelmente, se darem conta da farsa.
      Hermes, é isso aí, a maior prova da inconsistência é a não utilização pelos outros países, muitos dos quais não respeitam e onde o “invento” não é patenteado na empresa das ilhas Cayman.

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    • “Vocês sabem qual é o rendimento dessa máquina, ao transformar energia elétrica (forma nobre) em vento (!)?”

      Com certeza melhor que a queima de um combustivel que leva milhoes de anos pra se formar nas profundezas da terra em fumaça poluente. Mas é só um chute de um leigo sobre o assunto. 🙂

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  7. Eu sei que este traçado e estas estações não são nada definitivos, mas de cara já se tem um erro muito grave de conceito, que é a ideia de construir esta linha em frente ao museu Iberê Camargo. O museu é um marco arquitetônico da cidade que ficaria muito prejudicado por esta interferência.

    Além disso, esta proposta sugere uma estação no Museu e outra no Estaleiro, o que me parece uma temeridade: estações de aeromóvel são estruturas relativamente grandes e, portanto, caras. Não podemos construí-las como se fossem paradas de ônibus: é necessário um planejamento adequado que maximize a utilidade da estação, muitas vezes implicando em ter dois ou mais destinos de interesse do usuário servidos pela mesma estação. Poxa, o Museu e o Estaleiro distam algo como 200 metros, o que está plenamente dentro dos parâmetros de caminhada para os usuários de transporte coletivo sobre trilhos. Creio que faria mais sentido ter uma estação no ponto médio disso, servindo tanto ao futuro empreendimento do Estaleiro Só e o museu.

    Mas claro, toda essa ideia eu ainda acho mais elegante se implementada com um bonde moderno. Minha singela proposta é o seguinte:

    1) do Mercado até o Viaduto Açorianos: pela Borges de Medeiros, junto ao canteiro central, reproduzindo como era originalmente. Estação término em frente ao prédio da Companhia União de Seguros, e uma outra estação em frente ao Capitólio;

    2) do Viaduto Açorianos até a Ipiranga: pela Praia de Belas, que seria transformada em uma via pacificada, quase um calçadão, onde seria permitido aos carros apenas acesso local, priorizando ciclistas, pedestres e o bonde. Uma estação naquela praça em frente ao Tribunal de Justiça e outra perto dos quartéis da Brigada;

    3) da Ipiranga até o Viaduto Dom Pedro I: pela atual pista Centro-Bairro da Praia de Belas, que teria o asfalto substituído por grama; a pista Bairro-Centro seria transformada em uma via de mão dupla com pista simples, com rotatórias nas esquinas com as ruas perpendiculares, incentivando traffic calming nesta via. Uma estação para o shopping Praia de Belas e outra perto da Rua Botafogo;

    4) do Viaduto Dom Pedro I até a esquina com a Pinheiro Borda: junto ao canteiro central da Padre Cacique. Uma estação embaixo do Viaduto e outra estação em frente ao estádio, bem ampla para suportar a demanda dos dias de jogo. Para dar espaço a esta estação, as pistas para carros seriam subterrâneas em frente ao estádio.

    5) da Pinheiro Borda até o Barra Shopping: trilhos nos dois sentidos entre a Padre Cacique e o morro; para não necessitar de fios em frente ao Iberê Camargo, poderia ser utilizada a tecnologia de supercapacitores. Uma estação no servindo o museu e o Estaleiro.

    6) do Barra Shopping à Campos Velho: seguindo à direita das Avenidas Chuí e Icaraí, com uma estação na Chuí servindo ao Shopping e mais duas na Icaraí, onde for mais adequado.

    7) da Campos Velho ao Terminal de Integração: o imenso pátio-garagem da Trevo (na Cel. Massot) seria convertido em um terminal de embarque para os ônibus destinados aos bairros com menor densidade. O bonde faria sua parada na borda norte deste pátio, tendo vindo da Icaraí em um traçado desenhado junto ao arroio existente no local. Toda a área ao redor disso, hoje uma favela, seria reurbanizada na forma de um parque longitudinal, e seriam construídos prédios para moradia popular próximos ao terminal de Integração.

    Percebam que seria possível continuar no futuro a linha em direção à Cavalhada, pois há ali um arco praticamente sem construções. Isto permitiria integração com uma futura linha na Terceira Perimetral, efetivamente conectando tudo.

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    • Eu não tinha me dado conta disso, de passar na frente do Iberê, mas se tapar ele realmente seria de chorar.

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    • Aí tu acordou!

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    • De fato, passar diante do Iberê não vai ser nada legal.
      Também não ficaria bem costeando o Guaíba – vai parecer um trambolho atrapalhando a visão do lago e do pôr do sol. Aquele trecho da rodoviária até o mercado é absolutamente desnecessário. Além do mais, seria outro a ajudar a poluir visualmente a Mauá, além do muro e do trensurb. Se for possível ficar sem o trecho da Mauá e não passar em frente ao Iberê, será um ponto turístico e tanto. Junto com a revitalização do Cais, novo Beira-Rio (oremos), e todos os investimentos previstos, um aeromóvel passando por aquela região tem tudo para ser o novo ícone da cidade. Ir para POA e não andar de aeromóvel será o mesmo que ir a Paris e não subir a torre Eiffel. Se sair mesmo essa linha, tiro o chapéu para o prefeito. Parece que Porto Alegre tem mesmo esperança.

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      • Além do óbvio problema de impacto visual que citas, traçar uma linha de aeromóvel pela Av. Beira-Rio é uma temeridade pelo simples fato de que NINGUÉM mora na Av. Beira-Rio. De acordo com estudos na área de transporte, para transportes sobre trilhos, um passageiro caminha até uns 400 metros para chegar ao ponto de embarque. Baseado nisso, fiz um gráfico muito tosco da área que servida pelas duas alternativas (aeromóvel pela Beira-Rio versus Bonde Moderno pela Praia de Belas).

        Claramente, a minha opção é melhor.

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    • Botou na tela tudo que eu penso sobre como deve ser o transporte pra zona sul. VLT é uma alternativa extremamente boa: conforto do trem com o alcance do ônibus, estaçoes menores e acessiveis. Por que ainda relutam? Muito mais barato que um metro.

      Algumas fotos que tirei do VLT de Bilbao:

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  8. Esse estudo para a implantação do aeromóvel pela orla podia também verificar a possibilidade da implantação de um terminal de ônibus na zona sul (espécie de Portal), a partir do qual haveria necessidade integração com o aeromóvel para que passageiros acessassem o centro de Poa, evitando milhares de viagens de ônibus diariamente para a região mais conturbada da cidade. Com isso também, não haveria a necessidade de abrir um corredor de ônibus pela Padre Cacique/Borges até o centro.

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    • Até onde sei, é para ter uma estação do BrT na Icaraí, onde houve a permita de terreno com o hipódromo há poucos meses. O aeromóvel proposto terminaria na mesma região.

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      • Mas o corredor da Borges/Padre Cacique está previsto como uma das obras de mobilidade para a Copa. Deveria ser cancelado, caso um estudo compravasse que a melhor alternativa para o transporte público dessa região fosse essa linha do aeromóvel.

        É um ou outro, e o melhor opção, no meu entender, é o aeromóvel.

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  9. To sentindo dedo de ATP nisso. Já que com certeza ela não vai gostar nenhum pouco das empresas de onibus perderem passageiros pro aeromovel. Lembrem-se quando surgiu a ideia do aeromovel pela ipiranga ate a puc, as empresas de onibus (não lembro se existia ATP na época), fizeram um lobby poderoso pro projeto não ir a frente. Espero que agora, esse projeto como está sendo sugerido, saia do papel.

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    • Lá vem a paranóia da ATP novamente.
      Entendo que o blog poderia sim, ser muito útil, se abrisse um espaço para discutir as deficiências do transporte coletivo, que podem ser resolvidas com um canetaço – novas linhas, novos horários, flexibilização das concessões e tarifas.
      É possível aceitar, que um permissionário não possa cobrar uma tarifa abaixo da aprovada, mesmo que ele entenda que é suficiente um valor menor?
      A ATP como uma entidade associativa, deve defender o interesse de seus associados.
      Mas nós, a coletividade, é que devemos exigir melhores serviços do poder público.
      Isto será muito mais útil para a sociedade, e pode gerar soluções para os problemas de transporte hoje existentes com facilidade. A permissão dada às empresas, contempla o fornecimento do serviço quando for necessário, e não somente quando for lucrativo para as empresas, como hoje vem sendo conduzido.

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  10. O prof. Albano equivoca-se quando afirma que o Aeromovel não pode operar em fluxo misto (via dupla, circulação nos dois sentidos). Não há nada na tecnologia de propulsão pneumática que inviabilize este modo operacional, muito pelo contrário. Haverá um trecho de 250 metros em via dupla já na linha do Aeroporto.

    Caue, os pilares podem ter qualquer altura, depende apenas dos gabaritos mínimos de passagem dos veículos no nível do solo.

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  11. uma perguntinha: a altura dos pilares pode alterar? ficar mais baixo ou mais alto em relação ao nível do solo?

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  12. Achei essa matéria do Correio bem ruizinha, misturando muito uma coisa que já é projeto em andamento com outra que ainda é um estudo de viabilidade.

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