Prefeitura começa hoje primeiro curso para carroceiros

Até dezembro de 2016, carroceiros só poderão circular na área rururbana Foto: Guilherme Santos/PMPA

Será iniciado nesta terça-feira, 7, o primeiro curso de cooperativismo para cerca de 65 carroceiros e catadores (carrinheiros) em Porto Alegre. Serão beneficiados moradores das ilhas Grande dos Marinheiros e do Pavão. A primeira aula será às 18h30 na Escola Estadual Alvarenga Peixoto (Ilha dos Marinheiros). O aprendizado estende-se por dois meses em três dias por semana.

Essa ação faz parte das políticas da prefeitura em relação aos carroceiros e carrinheiros, que, gradativamente, deverão deixar de circular pelas ruas da cidade até dezembro de 2016. Após esse prazo, estabelecido pela lei municipal 10.531, de 10 de dezembro de 2008, eles só poderão andar na zona rururbana de Porto Alegre. O curso que começa hoje é uma parceria da prefeitura com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Rio Grande do Sul.

Cadastro – A lei 10.531 está regulamentada pelo decreto 16.638 que criou o cadastro de todos os condutores de veículos de tração animal (VTA) e veículos de tração humana (VTH). Prevê ações de treinamento e capacitação dos carroceiros, carrinheiros e suas famílias para uma nova inserção no mercado de trabalho, escola, creche e outras atividades para seus filhos e também uma avaliação física e clínica dos animais que puxam carroças.

Com a cidade dividida pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) em quatro zonas, o Comitê de Políticas para os Condutores de VTA e VTH concluiu o cadastramento dos carroceiros e carrinheiros nas ilhas do Pavão e Grande dos Marinheiros e agora dá início às primeiras turmas de treinamento. Conforme a coordenadora do comitê, Denise Souza Costa, foram realizadas, nas duas ilhas, 1.110 visitas casa a casa e relacionadas 135 carroças, 13 carrinhos, 15 outros veículos usados no transporte de lixo, 139 cavalos e 42 trabalhadores no galpão de reciclagem da Ilha Grande dos Marinheiros.

A meta é cadastrar todos carroceiros e carrinheiros de Porto Alegre neste ano para que o mínimo possível já esteja circulando em 2014. “Estamos iniciando o cadastramento na zona um, que inclui os bairros Glória, Cruzeiro, Cristal, Restinga e regiões Sul Centro-Sul , Extremo-Sul e Lomba do Pinheiro”, informa Denise.

Ações – A prefeitura implantou, em 2011, mais três unidades de triagem de lixo nas novas vilas Chocolatão e Dique e na avenida Frederico Mentz, onde foram trabalhar muitos carrinheiros e carroceiros. Foram realizados cursos de informática para os integrantes de cerca de 20 cooperativas e associações de reciclagem de lixo existentes no município. Todos os cursos e políticas serão direcionados aos condutores que se cadastraram. “O cadastro é mantido ativo e aberto a quem queira se cadastrar”, afirma Denise Costa.

As políticas da prefeitura, de cadastramento, capacitação e encaminhamento a um novo mercado de trabalho aos carroceiros e carrinheiros, contam com parceiros. A Braskem, empresa líder no setor de química e petroquímica, está financiando um plano estratégico de inclusão produtiva e triagem seletiva para os condutores de carroças e catadores de Porto Alegre. O Banco do Brasil, através de seu programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) faz um diagnóstico nas oito unidades de triagem de lixo da Capital, visando a montar uma rede de sustentabilidade e melhorar a gestão e rentabilidade dos trabalhadores nesses galpões.

A OAS Empreendimentos, responsável pela execução da obra Arena do Grêmio, construirá mais uma unidade de triagem de lixo na Voluntários da Pátria para receber o material dos catadores das ilhas.

Em março, será iniciado o curso para desmonte e triagem de equipamentos eletrônicos, também visando à capacitação de jovens e adultos carroceiros e carrinheiros e possibilitando-lhes a reinserção social e acesso ao mercado de trabalho. Será mais uma ação da prefeitura, tendo a participação das secretarias municipais de Coordenação Política e Governança Local (SMGL) e do Trabalho e Emprego (SMTE) e o Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa), com a IZN Recicle Brasil, que tem na Capital gaúcha uma unidade de reciclagem de produtos de informática.

Prefeitura

 



Categorias:Carroças e Catadores

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14 respostas

  1. De vez em quando eu vou na Ilha da Pintada, e já reparei que há uma grande extensão de terrenos atualmente degradados pelos carroceiros, que transformam aquelas áreas em depósitos clandestinos de lixo. A meu ver, uma boa alternativa para geração de emprego e renda seria algum projeto agroecológico visando a produção de gêneros alimentícios (eventualmente consorciada ao cultivo de oleaginosas para a produção de biocombustíveis que poderiam ser usados no transporte coletivo metropolitano de passageiros).

    http://cripplerooster.blogspot.com/2011/11/biocombustiveis-e-seguranca-alimentar-e.html
    No caso específico de Porto Alegre, em que as vergonhosas carroças estão em vias de serem finalmente proibidas, não me parece inadequado considerar as oportunidades de geração de emprego e renda com algum programa agroecológico a ser levado a sério. Na região das ilhas há algumas áreas que poderiam perfeitamente ser aproveitadas para a produção de gêneros alimentícios, facilmente absorvida devido ao custo mais competitivo em função da simplificação de processos logísticos por estar incluída diretamente em um grande centro consumidor, além de atender à demanda da própria comunidade. E atualmente é bastante comum alguns dos que se dizem “ecologistas” alegarem que o consumo de alimentos produzidos na própria região, reduzindo o gasto de recursos energéticos com o transporte, é uma medida eficiente para poupar recursos naturais… Levando em conta a escala de produção, não seria difícil promover o uso de métodos orgânicos, biodinâmicos, ou seja lá como inventem de chamar algum sistema semelhante, que acabaria por trazer vantagens na estabilização biológica do solo e melhorias na qualidade do ar, devido à umidade relativa ficar mais equilibrada e diminuir a quantidade de poeira em suspensão

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    • Acumulo de lixo em locais inadequados: esse é um dos maiores problemas que eu vejo nesse sistema de coleta de lixo reciclável, seja por carroceiros, seja por carrinheiros. Normalmente esse pessoal leva o lixo para casa, guardando esse material em locais inadequados e rejeitando o que não interessa ali mesmo, criando verdadeiras montanhas de detritos – UMA VERDADEIRA BOMBA.

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  2. No centro eu não vi mais carroças (mas de carrinho sim..)

    Quer dizer, ontem eu vi uma carroça puada por um cavalo, me deu raiva…

    Mas tem muito catador que espalha lixo, isso ainda vejo..

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  3. É Phil no século 21 e ainda temos carroças circulando em Porto Alegre, … e o coitadismo… assim caminha a nossa cidade.

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  4. Tinha que remover TODOS imediatamente de TODAS as ruas da cidade, nao deixar ter mais nenhum circulando por lugar algun. Aonde ja se viu corroceiros andando pelas ruas em pleno seculo 21? Vergonha isso!

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    • Tu dizes isto porque tem uma condição melhor de vida (ainda bem) e não está na pele deles. Ninguém é miserável e sem instrução por opção. Vamos olhar um pouco o lado humano.

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      • O lado “humano” ja foi visto e minha opiniao continua a mesma, removam-os das ruas AGORA! Tem um topico neste site mesmo pedindo gente para trabalhar! E agora? Essa desculpa de coitadinho dos pobres ja deu oque tinha que dar, ja arrancaram favores, beneces*, previlegios e simpatia de todos, so’ que eles nao se ajudam a si proprios, entao ja ta ne’!

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        • Concordo contigo. Então vamos juntar a esse grupo, especialmente, todos os viciados e traficantes que nos infernizam com crimes e violência e que são os “coitados” que também tem tantas beneces de tratamento e recuperação e nunca adiantou nada aí damos um tratamento tipo “solução final”, já que nenhum deles se ajuda e nem quer ser ajudado. Vamos limpar de vez.

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    • Infelizmente não é fácil assim pra remover.
      É só ver no inverno: a grande maioria do pessoal de rua não quer ir para os albergues porque não querem cumprir as REGRAS – banho, barba/cabelo, horário pra dormir, sem drogas, etc.

      Não tem como obrigar os caras a sair da rua e eles muitas vezes não fazem nem questão pela “liberdade” que têm.

      Assim como já fui xingada por um cara que veio pedir dinheiro na minha casa e eu disse que só daria em troca de trabalho, um corte de grama – como todo mundo faz, trabalha pra receber.

      E aí, que se faz?

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  5. 2016 é muito longe, mas mais de 3 anos depois da lei, quase nada ainda foi feito. Esperava uma exclusão gradual de áreas da cidade. Por exemplo, nas regiões onde foram implantados os conteineres, Central, já poderia ser proibido o trânsito de carroças e carrinhos.

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    • Olha, mas eu acho que diminuiu bastante as carroças… tenho visto mais papeleiros com aqueles carrinhos mesmo.

      E também acho até 2016 demais, tinha que ser antes da Copa!

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  6. Juro que quando li o título eu fiquei uma vontade enorme de xingar a Prefeitura indo contra uma lei feita pela Câmara de Vereadores (Sebastião Melo) que previa a extinção dos carroceiros em Poa. Mas lendo achei muito interessante e pertinente essa ação de integração. Tomara que dê certo! (Embora tenha achado 2016 muito distante ainda….)

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  7. Não sei sobre a qualidade dos cursos, mas no papel MUITO BOM!

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