Aeromóvel na zona Sul

Grupo de vereadores discutiu ontem a viabilidade para estender a linha até o bairro Restinga

Trajeto até o Aeroporto Salgado Filho deverá ser inaugurado ainda neste ano Crédito: MAURO SCHAEFER

A Frente Parlamentar de Mobilidade Urbana da Câmara de Vereadores de Porto Alegre quer incluir nos debates sobre o aeromóvel a ampliação do traçado sugerido pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que iria do Centro até o bairro Cristal. Segundo o presidente da frente, Carlos Comassetto (PT), existe viabilidade para que a linha vá até o bairro Restinga. “A região Sul é a região da cidade que mais cresce. O modelo de transporte público que vem sendo adotado não se sustenta”, argumenta o vereador. De acordo com ele, a demanda seria de 60 mil passageiros. “Isso viabiliza um veículo leve sobre trilhos. Não vamos abrir mão desse debate antes que seja tomada uma decisão”, acrescenta.

Um novo encontro para abordar o assunto deverá ser realizado em março pela frente parlamentar, com a presença de diversos órgãos públicos. Serão discutidos temas como a substituição do atual sistema de transporte e o modelo de gestão do futuro aeromóvel. “O modelo não está totalmente definido. A tendência é de que seja uma parceria público-privada, principalmente na operação após a instalação”, afirma o vereador que preside a frente. Ele salienta, ainda, a necessidade de que todos os envolvidos sejam ouvidos. “Se queremos substituir os ônibus, é obvio que temos de chamar os parceiros locais pra que eles participem desse processo”, disse Comassetto.

Uma proposta de itinerário formulada pela EPTC contempla 9,3 quilômetros entre a Estação Rodoviária e o Jockey Club, no bairro Cristal, com um total de dez estações. O estudo de viabilidade da nova linha deverá ser concluído em no máximo seis meses, por técnicos da EPTC e da Trensurb, levando em conta questões como a viabilidade econômica e operacional.

Correio do Povo



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22 respostas

  1. O aeromovel poderia ter uma linha em cada zona da cidade passando nos pontos mais importantes de cada região e onde circulam mais pessoas.Assim facilitaria o transporte até o centro e não é poluente nem barulhento e nem caro porque é uma tecnologia brasileira e isso sem falar que é inovador e não tem em nenhum lugar do brasil.
    Tem mais é que botar e o incomodado que se mude.

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  2. Amigos, sou totalmente leigo no assunto. Mas gostaria de lembrar, alguém comentou sobre o Aeromóvel não contemplar os moradores do Menino Deus, que a fase 2 do metro de Porto Alegre prevê uma estação perto do shopping Praia de Belas, na praça Itália, se não me engano.

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  3. Fmobus,

    Posso escanear e enviar o trajeto proposto para Av. Ipiranga.

    Para a linha da PUCRS, foi feito um projeto bem elegante da via elevada com abas mais largas e guarda corpo para que, quando o Aeromovel não estivesse operando, pudesse ser usada como passarela de pedestres. Então, sim, essa idéia de ponte no Guaíba poderia incorporar uma ciclovia sem dificuldades.

    Felipe X: O VLT, na minha visão, caberia em avenidas largas em que se possa utilizar o canteiro central para circulação dos bondes em via dupla, sem muita interferência com o tráfego. Um exemplo poderia ser a Terceira Perimetral, substituindo o inútil corredor de ônibus ali presente por uma linha de VLT.

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  4. Como é bom ler comentários realmente relevantes e inteligentes, de gente que realmente entende do assunto. Sem ironias, xingamentos ou montagens toscas.

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    • ahaha.. acho engraçado 2 pessoas negativando. Então é ruim ler comentário inteligente de gente que entende do assunto e sem ironias, xingamentos e montagens toscas?

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  5. Fmobus,

    Teus comentários estão sempre entre os mais lúcidos e tecnicamente competentes neste fórum. É sempre um prazer lê-los.

    Em primeiro lugar, esclareço que não sou contra o VLT, pelo contrário. O Aeromovel e o VLT não são concorrentes, são complementares. Conheço muito bem (melhor que qualquer um aqui nesta tribuna) as limitações da tecnologia e quais são os nichos ideais para sua aplicação.

    Sou um entusiasta de sistemas de transporte, especialmente sobre trilhos. E, sim, os bondes são uma de minhas paixões.

    Em situações como passagens em frente a monumentos como o Iberê, o Aeromovel pode “mergulhar” para o nível do solo ou, até mesmo, para o subterrâneo. A capacidade de vencer rampas acentuadas permite isso com alguma facilidade.

    O traçado apresentado originalmente para Zona Sul é uma “provocação” inicial e poderá (e deverá) ser ajustado durante os estudos de demanda.

    Quanto à Ipiranga, existe um estudo da década de 80 pronto para ocupação do Arroio Dilúvio. É técnica e economicamente muito viável.

    Quanto à ponte, exigiria um bom estudo. Temos projetos estruturais prontos para vãos livres até 80 metros. Qualquer coisa acima disso, exigiria uma engenharia adicional. Não ousaria aqui estimar custos,mas me parece ser um projeto bem interessante.

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    • Obrigado pelas respostas!

      Sobre a ideia de uma linha na Av. Ipiranga: tens como nos passar este estudo?

      Sobre a ideia de uma linha pra Guaíba: baseei esta ideia em vários fatores:

      1) a ponte seria mais leve do que qualquer outra ponte, uma vez que são veículos leves
      2) de tão leve, talvez pudéssemos adicionar a ela uma ponte para pedestres e ciclistas
      3) a depender de projeto, poderíamos ter uma bela ponte estaiada se adicionando ao conjunto do cais do Porto e do Gasômetro
      4) atenderia a Ilha da Pintada, região muito mal atendida hoje
      5) proveria uma alternativa rápida para os Guaibenses
      6) a demanda de Guaíba é formidável, se considerarmos que possui uns 110 mil habitantes, com muitos deslocando-se à Capital diariamente
      7) o caminho até Guaíba tem pouca densidade, o que permitiria estações mais espaçadas e maior velocidade comercial

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      • Essa linha para Guaíba iria concorrer com os catamarãs.

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        • Sim, eu considerei isso. Mas, ao meu ver, embora tenha um custo inicial mais elevado, e resulte em um tempo de viagem semelhante, a solução baseada em aeromóvel tem várias vantagens quando comparada ao catamarã:

          1) menor dispêndio de energia por passageiro transportado
          2) maior capacidade total por hora
          3) não requer um piloto altamente especializado, pois é automático
          4) é imune a intempéries
          5) a integração com os demais modais (tanto em POA como em Guaíba) pode ser feita mais longe do Guaíba se preciso

          Por mim, com a entrada em operação do Aeromóvel, o serviço do Catamarã poderia ser alterado de forma a evitar redundâncias. Poderia ser construído um terminal junto ao Barra Shopping (interligado com minha proposta de VLT Zona Sul), com serviços tanto para Guaíba quanto para Barra do Ribeiro.

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    • Dúvida rápida então: onde em POA entendes que caberia um VLT?

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  6. Sidney tem um monotrilho famoso. A comparação com um episódio dos Simpsons é divertida, mas não traz nenhuma luz à questão.

    O Aeromovel não é só o veículo. A T’Trans está executando o projeto desenvolvido no Rio Grande do Sul por diversas empresas de engenharia e está usando diversos componentes fabricados no RS.

    Mas Ok, é melhor utilizar mesmo algum VLT da Alstom, Bombardier ou coisa parecida.

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    • Mas em função disso devemos eliminar o VLT completamente do leque de soluções? Porque não desenvolvemos também tecnologia nacional para este nicho? Tenho impressão que ouvi falar de algo nesse sentido acontecendo no Nordeste.

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    • Andei no monotrilho de Sydney e achei ele uma inutilidade, faz uma voltinha no centro da cidade que eu fazia a pé de boa e era mais caro que o ônibus do centro até Dee Why (muito mais longe).

      Em compensação os trams de Melbourne cortavam a cidade em todos sentidos e as pessoas realmente usavam ele. Me corrigindo, Melbourne até tem um sistema de metrô, mas é mais no sentido de tirar as pessoas da cidade, não de uso interno.

      Vamos fabricar componentes de elevadores de empresas sul-coreanas, temos matrizes de algumas indústrias que fazem seus projetos aqui (como o próprio aeromóvel), podemos fabricar peças de tram aqui e, como diz o Mobus, podemos desenvolver outras tecnologias.

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    • Ah, e aposto que em Melbroune não se importam quem fabricou os trams, mas adoram usá-los.

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      • A Alston fabrica trens no Brasil em uma fábrica em São Paulo. Fornecem para todos os países da América Latina.

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    • Simbora andar de Celta, meu povo, que o bicho é feito aqui no RS!

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  7. Em Sistemas de Transporte os “direitos de passagem” (righst-of-way) são um aspecto fundamental. VLTs são sistemas que operam, via de regra, em tráfego misto. Uma linha da Zona Sul até o Centro não pode estar submetida às incertezas de tráfego, mesmo que opere em corredores semi-exclusivos.

    Exite um romantismo com relação ao VLT. As pessoas viajam para Europa, em cidades como Amsterdã, e se maravilham com os VLTs, mas esquecem as particularidades daquelas cidades que permitem que um veículo largo e comprido opere ao nível do solo, quais sejam: baixa ocupação vertical (baixa densidade populacional), restrições severas ao tráfego de veículos automotores, alimentados por modais de alta capacidade em via exclusiva (tipo metrô). VLT em tráfego misto não é sistema troncal.

    A Linha Zonal Sul – Centro é transporte essencialmente troncal.

    Obs:

    Felipe X – A diferença é que o VLT que tu defendes vai gerar emprego e conhecimento fora do país, o Aeromovel gera emprego no Brasil e, majoritariamente, na região metropolitana de Porto Alegre. Essa é uma diferença brutal.

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    • Engraçado, achei um “doce” o transporte como um todo em Melbourne, Australia. É uma cidade muito grande, com uma densidade bem razoável, sem metrô e sem restrições aos automóveis. E sem ciclovia, já que estamos falando em Amsterdã novamente.

      Em suma, teu ponto é que devemos fazer o aeromóvel (melhor por que é nosso) ou um metrô para a zona sul? É que metrô não é realmente uma alternativa, visto que a segunda linha supostamente seria na Bento e já acho que vai demorar muito para acontecer, devido ao custo. Imagino que o aeromóvel seja razoavelmente mais caro e ainda tem a questão de ficar feio no skyline, como já mencionado antes sim.

      Sempre que falam em botar aeromóvel por tudo eu lembro daquele episódio dos Simpsons, “Marge vs the Monorail” (“Marge contra o Monotrilho” em português). Naquele episódio o cara convence a cidade que para ser moderna devia ter um monotrilho, o resto é o que pode-se imaginar 😛

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    • E outra, de onde vem a informação que o aeromóvel é fabricado na grande POA? Dei uma googleada e pelo que descobri são feitos pela TTrans, do Rio (segundo a Lurdete Ertel). A mesma empresa fabrica bondes de outros modelos.

      O fato do trensurb ser importado do Japão provavelmente é indicativo de uma realidade daquela época, não de hoje.

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    • Diego,

      Eu entendo tua paixão pelo aeromóvel, e de fato a incentivo, por compreender o potencial dessa tecnologia. No entanto, eu acredito que o trajeto da Zona Sul, como está sendo proposto preliminarmente, é um casamento inadequado com as necessidades do eixo, pois:

      1) é uma temeridade um investimento desta monta para construir uma linha na Av. Beira-Rio, passando ao largo das necessidades dos residentes do Menino Deus, meramente deleitando os turistas;
      2) é pouco otimizado um trajeto que, ao chegar próximo ao centro, dá tooooda uma volta nele para chegar ao “fervo”; melhor seria traçar uma linha reta pela Borges ou algo parecido, mas com certeza isso tem impactos arquitetônicos proibitivos
      3) no aspecto arquitetônico, também haveria uma grande interferência com marcos já estabelecidos, como o museu Iberê Camargo e os prédios antigos do Centro.

      Eu entendo a tua crítica ao VLT/Bonde, mas se leres minha proposta para a Zona Sul (outro post), verás que proponho justamente alterar a ocupação do espaço viário em nome da priorização do transporte coletivo, precisamente restringindo a circulação de veículos automotores particulares. Enfim, minha solução para Porto Alegre é muito complexa para discutir aqui, mas ela incluiria com certeza o aeromóvel como modal para algumas linhas.

      Em prol da construtividade, deixo duas perguntas para ti, engenheiro com conhecimento profundo do aeromóvel:

      1) Quão difícil seria executar uma linha de aeromóvel sobre o vão da Av. Ipiranga, como muito já se falou aqui? Nos meus momentos selvagens de modelagem tosca no sketchup, pensei algo assim: http://dl.dropbox.com/u/5946888/aeromovel/visto_de_baixo.png http://dl.dropbox.com/u/5946888/aeromovel/visto_de_cima.png

      2) Quão difícil seria executar/quanto custaria uma ponte do aeromóvel sobre o Guaíba? Minha proposta partiria do Gasômetro em direção à Ilha da Pintada (servindo a esta), com um vão que permita a passagem de navios de grande porte, e seguiria em direção para Oeste através de um pontilhão menor, entrando pelo bairro Sans Soussi e virando ao Sul rumo ao centro de Guaíba. Mapa tosco aqui: http://dl.dropbox.com/u/5946888/aeromovel/ponte_aeromovel.png

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      • Mobus, não seria uma restrição do aeromovel a instalação de um ar condicionado nos veículos? Acredito que isto faça uma ENORME diferença no verão.

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  8. Prefiro nem imaginar o tipo de tosquisse que fariam para botar aeromóvel até lá. VLT já! Agora virou modismo esse aeromóvel.

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