Indefinições sobre reforma do Beira-Rio preocupam Aldo Rebelo

Ministro diz que o estádio colorado é o plano A e B para a Copa, descartando a Arena gremista WILSON DIAS/ABR/JC

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, usou da prosa de baiano que é para amenizar nesta quinta-feira a tensão instalada ante a demora da retomada da reforma do Estádio Beira-Rio, ambiente com o qual poderá se deparar na próxima segunda-feira quando aterrissará em Porto Alegre para inspecionar a execução de projetos para a Copa do Mundo. E verá pouca coisa em andamento, pois do estádio (com a reforma interrompida em junho de 2011) à mobilidade e ao aeroporto, quase nada ocorre na Capital.

Após a declaração de Rebelo, no começo da noite, a construtora Andrade Gutierrez (AG) liberou nota oficial (forma como vem se comunicando desde o anúncio da parceria com a direção do Internacional) a ser publicada nesta sexta-feira nos jornais, esclarecendo o estágio da negociação, mas sem dar uma data de assinatura do contrato com o Internacional.

No comunicado, a AG informa que já tem os investidores para assegurar a parte do aporte que faltava e que “resta apenas a negociação da estrutura de garantias desses potenciais sócios”. Um banco de fomento estadual, segundo a nota, estaria montando a operação. O silêncio da AG elevou o tom das críticas e dos questionamentos locais nos últimos dias. O ministro ressaltou que reconhece o esforço dos governos estadual e municipal e da direção do clube em “superar os obstáculos para retomar as obras”, entre eles o do desfecho do acordo. “Não sei quando será. Somente a empresa pode dizer”, eximiu-se Rebelo. Para o ministro, que antes de desembarcar em solo gaúcho visitará Curitiba, onde também há dificuldades na obra do estádio escolhido, espera que qualquer atraso seja superado por métodos construtivos.

O ministro descarta a mudança de estádio, caso se mantenha o impasse com a arena colorada. “O plano A é o Beira-Rio, e o plano B também. Não há condição de isso ser alterado”, demarcou o baiano. Mas foi taxativo que, depois de o Conselho Deliberativo do Inter aprovar o contrato, os responsáveis agora são a AG e seus sócios. “Acompanho dia a dia. O prazo de conclusão é o da Copa. Tenho certeza absoluta de que o estádio ficará pronto.” Além de verificar o estádio, o ministro quer ver como estão as licitações das obras de mobilidade e não mostrou preocupação com os prazos de execução. “Antes não via recursos, agora temos de fazer”. A Capital soma mais de R$ 500 milhões em projetos viários. A ampliação da pista do Aeroporto Salgado Filho também está indefinida e é crucial para o Mundial.

O documento com as cláusulas jurídicas já está pronto, segundo fontes próximas ao Colorado. A raiz da demora está na indefinição da composição para busca de crédito no Bndes e oficialização da Sociedade de Propósito Específico (SPE) que será constituída para firmar o negócio de 20 anos com o Inter e avaliado em R$ 330 milhões.

A construtora esclarece na nota que já apresentou suas garantias financeiras para os 20% de participação no negócio. A AG indica que resta os sócios apresentarem as garantias reais para que a SPE possa firmar o contrato e acessar o financiamento do Bndes. “A construtora concentra seus esforços nessa definição, mas tem respeitado prazos que independem da empresa e são impostos pelos órgãos responsáveis.” Mesmo sem data para firmar o acordo, a construtora promete divulgar todos os detalhes da obra e cronograma, além de mais uma vez buscar tranquilizar que “ainda há prazo suficiente para a reforma”.

Patrícia Comunello – Jornal do Comércio



Categorias:COPA 2014, Gigante para Sempre (Beira Rio)

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2 respostas

  1. Se ista que este sr Rebelo está falando for verdade nós gaúchos ficaremos sem a copa do mundo, pois esse tal de reforma tem grandes chances de não sair do papel e mesmo que saia, creio que não ficara pronta a tempo, vistas greves, chuvas de inverno que ainda teremos pela frente e tantos outros inprevistos comuns em reformas deste porte….triste fim para Porto Alegre…

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  2. Como pode um impasse desses durar tanto tempo? Já se passou bem mais tempo da escolha do Brasil como sede da Copa (e Porto Alegre consequentemente) do que falta até o evento e nem a questão do estádio está resolvida. Sem contar que praticamente não existe obra alguma nos investimentos públicos previstos.

    Mais do que incompetência, temos nitidamente um caso de irresponsabilidade de nossos administradores públicos, que estão investindo o nosso dinheiro num projeto que ninguéms sabe onde vai dar e, pelo jeito) se vai ocorrer mesmo.

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