Mobilidade nas cidades modernas é tema no Fórum Mundial da Bicicleta

De acordo com Plano Diretor Cicloviário, menos de 20km dos mais de 300km potencialmente cicláveis foram dedicados a ciclovias em Porto Alegre |Foto: Ramiro Furquim/Sul21

No final da tarde desta quinta-feira (23), o painel “Mobilidade e bicicleta: o papel da bicicleta nas cidades modernas” reuniu aproximadamente 50 ciclistas, simpatizantes e curiosos dispostos a aprender e compreender melhor a importância das bicicletas como um meio de transporte viável nas principais cidades.

O professor do Laboratório de Sistemas de Transportes da UFRGS, João Fortini Albano deu início no painel falando da distância existente entre o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) de Porto Alegre e a realidade da cidade.

Em sua apresentação, o professor explicou que o PDCI, desenvolvido em 2006, aponta 274 vias potencialmente cicláveis, em mais de 300km da cidade, conectadas entre si e podendo ser implementadas até 2022. Entretanto, até o atual momento, menos de 20km foram dedicados a construção das ciclovias e elas, de nenhuma maneira, se conectam, ou tendem a se ligar.

“A construção de apenas uma, duas, três ciclovias não melhoram as condições do trânsito. Elas resolvem problemas pontuais, mas não solucionará o caos no trânsito. É preciso ampliar a malha cicloviária. Para isso é preciso uma política propositiva para as bicicletas, o que está bem longe de ser aplicada”, garante Albano.

“Integração com outras modalidades de transporte urbano é a solução”

Para ele, uma solução adequada e viável para os problemas de mobilidade urbana, de acordo com a realidade da cidade, seria a integração dos transportes públicos com as bicicletas. Entretanto, o grande vilão desta situação, segundo João Fortini, é a falta de planejamento por parte dos governantes.

“Integrar a bicicleta com outras modalidades de transporte urbano seria ideal para os problemas de trânsito. Uma pesquisa recente apontou que 67% dos usuarios do trensurb usariam a bicicleta como meio de transporte se houvessem melhorias na integração, com vagão especial para bicicletas e existissem bicicletários nas estações”, explicou o professor.

“A cidade é para as pessoas. A cidade é das pessoas”

Dando continuidade a apresentação do professor João Fortini Albano, o sócio da consultoria de urbanização TC Urbes e um dos idealizadores do Plano Diretor Cicloviário Integrado de Porto Alegre, Ricardo Corrêa, destacou a importância na relação de integração entre os transportes.

Segundo Corrêa, na Holanda 50% dos espaços dos trens são destinados a ciclistas e suas bicicletas. “Tu não vai pedalar de Porto Alegre a São Leopoldo, por exemplo, mas tu pode ter uma integração entre o tresnurb, que facilitaria a viagem”, explica.

Ricardo argumenta que diferente do que muitos pensam, a realidade europeia não é plenamente voltada para a cicloatividade. Na realidade ela ocorre nos grandes centros, nas capitais, mas nas cidades do interior a grande predominância ainda são os automóveis. “talvez estejamos melhor do que pensamos, pois no Brasil os dados são inversamente proporcionais. Os cidadãos dos pequenos centros seguem utilizando as bicicletas como meio de transporte, mas ao chegarem nas capitais, buscam comprar seus veículos motorizados”.

Outra questão levantada por Corrêa está nos números da (i)mobilidade urbana. Segundo ele, os números de pessoas que cicrulam por hora num espaço de 3,5m, de acordo com o modelo de transporte são alarmantes. “Em uma via de apenas 3,5 metros, circulam duas mil pessoas por hora, quando estão dentro de um carro, enquanto passam quase 15 mil, no mesmo espaço, quando estão de bicicleta. Se a via tiver corredor de ônibus, poderá circular no transporte público até 22 mil pessoas, caso contrário, cairá para nove mil. E a pé, percorrem aproximadamente 19 mil pessoas, em apenas 3,5 metros”, garante o consultor.

Bicicleta ainda é sinônimo de pobreza no Brasil

Por fim, a diretora de Projetos e Operações da Embarq Brasil, Daniela Facchini, em sua rápida apresentação, destacou os dados da bicicleta no Brasil, onde o país é o quinto maior consumidor de bicicletas do mundo.

Segundo Facchini, cinco milhões de bicicletas são vendidas por ano, porém, ainda segue o raciocínio de que elas são sinônimo de pobreza. “Infelizmente o povo brasileiro ainda acredita que a bicicleta é coisa de pobre, que não tem dinheiro pra comprar um carro, quando deveriam considerar sinônimo de qualidade de vida, lazer e saude”, comenta.

Entretanto, de acordo com ela, o raciocínio do senso comum brasileiro faz sentido, visto que 73% dos atuais usuários de bicicleta no país tem renda inferior a R$ 1.500.

André Carvalho – SUL21



Categorias:Bicicleta, Eventos

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