Velocidade pode passar a 70 km/h

Limite em Porto Alegre hoje é de 60 km/h Crédito: fabiano do amaral

O projeto de lei que aumenta o limite de velocidade em Porto Alegre, de 60 km/h para 70 km/h, deve ser votado pelo plenário da Câmara no início de março. A proposta é do vereador Alceu Brasinha. Ele alega que o aumento da velocidade poderá reduzir a morosidade do trânsito de Porto Alegre, repleto de pontos de lentidão e engarrafamento.

O parlamentar justifica que o limite está baseado no Código Brasileiro de Trânsito de 1997, que não poderia servir mais como parâmetro para as fixações atuais. Brasinha explica que o projeto altera o limite de velocidade apenas em algumas vias que exigem fluxo mais rápido, como trechos das avenidas Assis Brasil e Bento Gonçalves.

A proposta é criticada pela Fundação Thiago de Moraes Gonzaga. Conforme nota divulgada pela presidente da entidade, Diza Gonzaga, a medida contraria os esforços realizados pela “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”, em que governos e sociedade civil buscam adotar medidas para preservar as vidas no trânsito. “Não podemos permitir esse retrocesso, se sabemos que a velocidade está diretamente ligada à gravidade e à letalidade dos acidentes, e, junto com o álcool, é responsável pela grande maioria dos desastres”, criticou.

Segundo a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, para cada 1 km/h reduzido na velocidade, diminui 2% o número de acidentes. Em atropelamentos, a uma velocidade média de 32 km/h, 5% morrem, 65% sofrem lesões e 30% sobrevivem ilesos. A 48 km/h, 45% morrem, 50% sofrem lesões e 5% sobrevivem ilesos. A partir de 64 km/h, 85% morrem e 15% sofrem algum tipo de lesão.

Correio do Povo

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Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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20 respostas

  1. O meu pai e as pessoas do início do século passado já diziam quando alguém tinha pressa: “parece que vai tirar o pai da forca”. E tinha outra tão esquecida hoje em dia: “perca um minuto na vida, mas, não a vida em um minuto”. E eu também digo ” a pressa é inimiga da perfeição”.
    Acho uma bestialidade aumentar a velocidade em áreas urbanas. Se espelhem em cidades de 1º Mundo, como Nova York, em que a velocidade máxima será de 40km/h.
    Os senhores do trânsito estão se lixando se aumentar o número de mortes e sequelas no trânsito. Acho que cada um deles tem a foice em suas mãos.
    Para desafogar o trânsito ponham suas cacholas a funcionar e não causar mais mortes.

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  2. Acredito que a discussão sobre eleveção ou não do limite de velocidade deva ser inserida numa discussão mais ampla sobre a cidade. Menos de 1/3 das vítimas fatais do trânsito são motoristas. O restante são pedestres, motociclistas e ciclistas. Boa parte deles são crianças e idosos, por motivos óbvios. A elevação da velocidade máxima em algumas vias tem repercussão ínfima na velocidade média de fluxo de carros pela cidade, mas o risco de que um acidente seja fatal para quem é mais vulnerável (no caso, as pessoas que estão fora dos carros) aumenta exponencialmente com a velocidade.
    Por outro lado, quanto maior a velocidade do fluxo de carros, menos convidativa vai ficando a presença de pessoas nas calçadas. Isso se vê claramente em bairros que tiveram ruas que antigamente eram de baixa velocidade e tiveram essa característica alterada (me vem à cabeça a Rua Mucio Teixeira, no Menino Deus, como exemplo disso). A criação de vias expressas urbanas diminui a qualidade de vida dos locais, com o barulho e a redução da vida comunitária e dos laços de vizinhança, e isso tem várias reperscussões, além do provável aumento de acidentes e mrotes no trânsito, como aumento da poluição sonora, desvalorização imobiliária e até repercussões na segurança pública, já que calçadas com mais pessoas caminhando geram uma sensação de segurança maior do que calçadas vazias.

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