Porto Alegre trabalha para assegurar sede da Copa

Luigi (e) foi ao Palácio Piratini e cobrou responsabilidade da construtora MARCELO G. RIBEIRO/JC

Episódios registrados ao longo do dia de ontem reforçaram a mobilização local por um único objetivo: assegurar a Copa do Mundo em Porto Alegre. E as jogadas disparadas em público, e nos bastidores, espelham mais uma partida de xadrez em curso que de futebol. Cada movimento dos próximos dias, dependendo da direção e da estratégia, pode confirmar o estádio Beira-Rio como sede dos jogos ou transferir o palco à Arena Tricolor, que se ergue em ritmo acelerado no bairro Humaitá, com inauguração prevista até o fim do ano. Para muitos interlocutores, entre governo e lideranças empresariais e esportivas, ter duas opções é zona de conforto. O Beira-Rio foi a escolha do Comitê Local da Copa em Porto Alegre, validada pelo Comitê Organizador Local (COL) nacional, mas a indefinição do contrato para as obras da reforma com a construtora Andrade Gutierrez (AG) agora tem prazo para apresentar um desfecho: fim de março, avisou o prefeito José Fortunati. O COL já alertou que mudança de estádio é tarefa do gestor porto-alegrense.

O dia D poderá ser 7 de março, quando uma comitiva de 45 pessoas da Federação Internacional de Futebol (Fifa) desembarca na Capital para vistoriar obras – de estádio à infraestrutura viária e aeroporto. O Inter ainda está nas mãos da Andrade Gutierrez, que no começo da tarde de ontem entrou e saiu de uma reunião com a direção do Banrisul com a mesma posição: aporta apenas 20% das garantias para acessar um financiamento superior a R$ 200 milhões. Diante da conduta, o presidente da instituição, Túlio Zamin, avisou que não bancará a operação e, se assumir a contratação (se houver garantias), não deve ir sozinho.

A frustração do encontro no prédio-sede do Banrisul provocou uma reação inusitada do presidente colorado, Giovanni Luigi, que pegou o caminho do Palácio Piratini, em vez de subir no avião para uma conversa com os construtores na capital paulista, agenda que chegou a ser cogitada pela manhã. No Piratini, Luigi foi literalmente consolado pelo vice-governador Beto Grill, mas de concreto, nenhuma solução à vista. Grill assumiu a pauta na cúpula do governo estadual a pedido de Tarso Genro, que foi a primeira autoridade a admitir dúvida sobre a escalação do Beira-Rio para 2014.

Como nem só do drama Colorado com sua empreiteira eleita pelo Conselho Deliberativo em 2011 vive a Capital, prefeitura, bancada de deputados federais e lideranças empresariais operam com medidas para qualificar o entorno da Arena do Grêmio e devem cobrar posição da empreiteira, a ser convocada para reunião na próxima segunda-feira. Ontem, Fortunati entregou na Caixa Econômica Federal os primeiros projetos das obras viárias que melhorarão o trânsito na conexão com o estádio novo. Logo depois, presidentes de associações de hotéis, comércio, serviços e restaurantes foram ao gabinete do prefeito comunicar o apoio a eventual mudança de endereço dos jogos.

A última jogada foi dada na noite de ontem em nota enviada pela assessoria de imprensa da Andrade Gutierrez, cujo conteúdo nada explicou sobre o impasse da negociação com o Banrisul, nada projetou sobre prazo para firmar o contrato e nada acrescentou para tranquilizar o Internacional.

Para Fortunati, situação não é desesperadora

A cada dia que passa, a indecisão sobre o contrato entre Inter e a construtora Andrade Gutierrez favorece a opção da Arena do Grêmio como alternativa a ser sede dos jogos da Copa de 2014. O presidente da Grêmio Empreendimento, empresa criada para cuidar da construção do novo estádio, Eduardo Antonini, evita comentar a situação, mas admite que a cogitação da Arena como plano B já está dando visibilidade ao empreendimento. “Não tem o que o Grêmio faça. O que existe é o Inter ou a Andrade não fazer”, declarou Antonini. A condição da obra tricolor, que deve ficar pronta até dezembro, vira facilidade para resolver a equação local e não colocar em risco o Mundial.

O prefeito José Fortunati disse que está preocupado com o impasse. “Estamos perdendo tempo, mas ainda não é uma situação desesperadora”, dimensionou, lembrando que a resposta não está nas mãos dele e nem do COL, por enquanto. “No dia 7 de março a Fifa estará em Porto Alegre com mais de 40 pessoas. Espero que, até esse dia, essa situação esteja resolvida”, torce o prefeito. A alternativa da Arena oferece saia justa ao prefeito, que é integrante do conselho do Grêmio.

O tricolor está focado em outra janela que se abriu: o mutirão de deputados federais e da prefeitura para obter recursos às obras do entorno do estádio. “Se a Copa vier para nós, teremos um ano e meio de mobilidade pronta”, anima-se o dirigente. Se não vier, o Grêmio tem a chance de melhorar a infraestrutura. O secretário de Gestão, Urbano Schmitt, esteve ao lado de Fortunati na entrega dos projetos na Caixa, que prometeu agilidade. As intervenções custam R$ 15,3 milhões, mas só estão assegurados R$ 8,7 milhões. Schmitt vai ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para completar a cifra. Faltarão ainda R$ 30,5 milhões para o restante das melhorias em ruas e avenidas, que já estão em emendas de parlamentares.

O presidente do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre, Ricardo Ritter, reforçou o coro da comitiva integrada do setor, que levou a Fortunati apoio à eventual troca de local dos jogos. “Não podemos correr o risco que algum impasse não garanta a Copa”, sinalizou Ritter.

Jornal do Comércio – Fernando Soares, Jefferson Klein, Patrícia Comunello e Rafael Soares



Categorias:COPA 2014

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2 respostas

  1. Entendo que as pessoas daqui querem e se esforçam para dar uma solução. A sacanagem é da AG que demonstra claramente um arrependimento de ter entrado no negócio e usa a situação para forçar a sua saída. A prova está na negativa de querer apresentar garantias para o financiamento quando, para o patrimônio que tem, seria ridiculamente fácil.

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  2. Acho este prefeito muito aproveitador fazer este tipo de coisa. deve apoiar o que está em pauta ok.

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