Inter e AG assinam contrato nesta semana

Reunião de quarta-feira ocorre na sede do Internacional JOÃO MATTOS/JC

Agora é a construtora mineira Andrade Gutierrez (AG) que tem pressa de retomar a reforma do estádio Beira-Rio, palco oficial dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre, e parada há mais de 250 dias.

Na sexta-feira passada, ao mesmo tempo em que distribuía comunicado garantindo já ter as garantias para contratar um empréstimo de R$ 205 milhões, resposta imediata à forte pressão disparada do Palácio do Planalto, representantes da construtora sondavam o Internacional sobre a chance de reabrir os trabalhos mesmo sem ter o contrato assinado.

Uma fonte informa que a direção colorada foi orientada a não aceitar a proposta até tudo estar formalizado, principalmente a negociação com o Bndes, que detém a linha Pro-Copa, destinada aos estádios. “A mudança de postura é tão brutal que existe intenção de retomar as obras antes da assinatura do contrato. Eles é que estão correndo atrás agora”, resume a fonte, que considera o momento favorável ao Inter.

“Eles (AG) se embretaram. Antes estavam empurrando com a barriga, pois não tem cabimento levar seis meses para fechar a minuta que poderia ser resolvida em poucas semanas”, opinou a fonte, que já percebia sinais de que a intenção era saltar fora do negócio, visto como ruim para o grupo de construção. A pressa pode ter relação com a vinda de uma comitiva da Federação Internacional de Futebol (Fifa), nesta quarta-feira, para conferir os preparativos locais e repassar orientações sobre o evento. Reuniões com 45 integrantes da Fifa ocuparão todo o dia e serão no Beira-Rio. Mas diante dos últimos fatos, com a AG assumindo que fará a obra, a fonte avalia que a posição dos colorados na federação internacional é tranquila. O diretor de comunicação do Comitê Organizador Local (COL), Rodrigo Paiva, disse ontem que “enquanto o contrato não for assinado, continua a preocupação”. O organismo quer ver o documento pronto e descartou que a vinda da Fifa impõe a formalização. O COL acompanha de perto cada lance das tratativas. “A visita independe da negociação. O tempo ainda está a favor do Inter.”

No comunicado, a empreiteira apontou que “as garantias formais, necessárias para o projeto de reforma e modernização do Estádio Gigante da Beira-Rio, asseguram a execução das obras em tempo hábil para que o estádio sedie jogos da Copa do Mundo de 2014”. A empresa promete para “breve” a data de assinatura do contrato e cronograma de obras. Dirigentes do clube, autoridades governamentais e gestores do Banrisul aguardam que nesta semana seja confirmada a promessa. Hoje, o banco estadual espera ser acionado sobre as garantias. Na nota, a empresa não chegou a citar o banco estadual, como fez em manifestações anteriores, que geraram atritos e tentativas frustradas de obtenção de investidores e garantias. Além de noticiar que assumiria 100% da operação, os principais executivos da AG repassaram o desfecho, por telefone, diretamente ao governador Tarso Genro, que disseminou a novidade em vídeo divulgado no site do governo.

Após quase três meses da aprovação da minuta pelo Conselho Deliberativo Colorado, o interlocutor cita que a atitude mais acertada do Inter foi não ter firmado o contrato. “Uma das cláusulas previa que, passados 120 dias da formalização, se a empresa não arranjasse investidores poderia desistir da operação.”

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Luiz Carlos Bortolini, espera que o impasse se resolva o quanto antes. “Temos de trabalhar em algo concreto.”

Preocupações da Fifa são “naturais e legítimas”, diz CBF

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, resolveu intermediar o atrito entre o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Em comunicado oficial, Teixeira tentou amenizar o conflito ao dizer que as preocupações da Fifa em relação à preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 são “naturais e legítimas”.

No sábado, Rebelo anunciou que pediria à Fifa um novo interlocutor para tratar da Copa do Mundo de 2014 com o governo brasileiro, em resposta às críticas de Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade. Na sexta-feira passada, Valcke disse que os organizadores do Mundial do Brasil deveriam levar “um chute no traseiro” para acelerar a construção dos estádios e as obras de infraestrutura.

Ontem, foi a vez do secretário especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que classificou o número 2 da federação como “vagabundo” e “um boquirroto”, após sua chegada a Hannover, na Alemanha, onde acompanha a presidente Dilma Rousseff. Ele reiterou que Jérôme Valcke não será mais aceito como interlocutor do governo brasileiro. “As preocupações da Fifa em relação aos preparativos de todas as Copas do Mundo são naturais e legítimas”, registrou Teixeira, em uma tentativa de tranquilizar a Fifa. “A entidade pode ficar tranquila porque o Brasil e seu povo têm competência e seriedade para organizar uma Copa do Mundo impecável, inesquecível”, assegurou.

Teixeira minimizou as declarações de Valcke sobre a demora na aprovação da Lei Geral da Copa. “Algumas questões na organização da Copa do Mundo podem parecer que avançam lentamente. Mas em todo processo democrático as discussões devem ser amplas e sempre levar em conta os interesses do povo. O Brasil não tem um dono, é uma democracia sólida e reconhecida mundialmente. O País e seus três Poderes devem ser respeitados sempre”, destacou o presidente da CBF.

Patrícia Comunello – Jornal do Comércio



Categorias:COPA 2014, Reforma do Estádio Beira-Rio

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7 respostas

  1. Bianca, adoro os seus comentários, mas clubismo da sua parte??? Não por favor.

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  2. Se o Inter começou, pro que não termina??? Lá vem dinheiro dos nossos impostos, via indireta.

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    • Vai terminar, mas precisa da tal empreiteira enrolona. A FIFA queria “garantias” e com os recursos próprios, diz ela que não era possível… daí a entrada da AG na história.

      Se tivesse taaaanto dinheiro público assim, a AG não tava se enrolando quase 1 ano pra começar igual em outros cantos do país. Além disso, que na minha opinião é um erro IMENSO da empreiteira, depois que resolveram ver na ponta do lápis que o lucro não é exatamente o que eles querem.

      Lucro certamente tem, mas não com a quantidade de 0’s que eles gostariam.

      Procura a entrevista do Fortunati na BAND AM hoje que ele enfatiza bem disso: NÃO é dinheiro que vai entrar pra reforma e não vai voltar pro estado. O BNDES vai emprestar e depois vai ser devolvido como um empréstimo normal.

      A princípio é isso. Tem que ver o que vai acontecer depois… seguimos no pensamento positivo.

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      • (antes que me apedrejem)

        Lembrando que a gestão Piffero deu um passo maior que a perna e saiu demolindo arquibancada e o caramba… aí tá aí essa “coisa” da foto. E que a gestão do Luigi tá precisando dum toddy pra dar uma animada – mas pelo menos ele não é gargantão igual o sr Odono da Arena.

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      • seguimos no pensamento positivo..

        “Me inclua fora dessa” bianca. Não vou negar, to torcendo por greve dos baianos.

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  3. Já se esgotaram os ângulos dessas (partes de) arquibancadas! Já vi de frente, pela esquerda, pela direita, por cima, por baixo, por trás, com cachorro…

    …espero que mude a paisagem duma vez!!!

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