Porto Alegre busca crescimento em áreas do futuro

Capital representa 25% da produção de serviços do Estado, acima da participação do município no PIB ANTONIO PAZ/JC

ESPECIAL PORTO ALEGRE 240 ANOS

JORNAL DO COMÉRCIO

Apesar de ser a Capital de um Estado fortemente identificado com o setor de agropecuária e com a indústria, é no segmento de serviços que Porto Alegre consolida a cada ano a sua posição.

A cidade já representa 25% da produção de serviços do Rio Grande do Sul, índice maior que a própria participação do município no Produto Interno Bruto (PIB) regional, que é de 17,5%, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE). “É comum que os grandes centros passem a se focar nesse segmento, especialmente em áreas mais intensivas em mão de obra qualificada”, observa o economista da entidade, Jéfferson Colombo.

Como exemplo disso estão setores como de telecomunicações, consultorias, auditorias e serviços financeiros, que tendem a se concentrar nas grandes cidades.

No caso da Capital gaúcha, um movimento que vem ocorrendo mais intensamente nos últimos anos chama atenção: a criação de um ambiente propício para o desenvolvimento da chamada economia criativa. Investimentos em design, moda, gastronomia e tecnologia ganham força e despertam a atenção de empresas, universidades e dos gestores públicos.

“Éramos a Capital dos grãos e hoje somos referência de ambiente tecnológico. Não tenho dúvida de que estamos preparados para aproveitar as oportunidades que estão surgindo”, diz o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e secretário de Inovação de Porto Alegre, Newton Braga Rosa. São novas áreas de investimentos que se transformam cada vez mais em vetores para o desenvolvimento econômico e social da cidade. “Porto Alegre entendeu desde muito cedo que o futuro pertence àqueles que produzem, dominam e transformam o conhecimento em tecnologia. E que colocam isso a serviço da sociedade”, observa Marcelo Lubaszewski, superintendente de Design e Relações Institucionais da Ceitec. A empresa, localizada na Lomba do Pinheiro, inicia entre 2012 e 2013 a fabricação de chips na Capital.

Parques tecnológicos, que reúnem empresas com perfis de investimentos em mercados como o de biotecnologia e microeletrônica, são um exemplo disso. “Porto Alegre foi uma das precursoras a pensar nesse modelo que une setor público, empresas e universidades trabalhando em busca de modelos inovadores de negócios, dentro dos parques tecnológicos”, comenta.

A essas áreas pode ser acrescentado o segmento de turismo, que coloca a Capital gaúcha entre a quarta e quinta do Brasil com maior captação de eventos de turismo de negócios. Já a cultura ainda carente em políticas públicas. “Existe um consenso entre os economistas de que a cultura é a variável capaz de levar o desenvolvimento para as regiões e gerar inovação”, diz Lemos.

Mudança de perfil aconteceu na década de 1960

Porto Alegre nasceu como uma cidade mercantil, na época à margem dos centros econômicos do Rio Grande do Sul, concentrados basicamente na região da Campanha. Em um período em que a produção de gado e depois do charque e banha dominava a economia.

A partir dos anos de 1950 e 1960, começou a se tornar uma cidade de comércio e serviços. A economia do Estado começava a se diversificar e precisava de um espaço para a comercialização da produção.

O Mercado Público, localizado no Centro da cidade, foi um dos primeiros locais de intercâmbio entre os produtores agrícolas, especialmente da Serra gaúcha. “O DNA da cidade permanece esse até hoje”, comenta o economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Leandro de Lemos.

Além das áreas mais ligadas à indústria criativa, algumas atividades específicas do setor de serviços são, naturalmente, mais concentradas em Porto Alegre, segundo o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Jéfferson Colombo.

É o caso de transportes aéreos (96,2%), com o aeroporto Salgado Filho apresentando aumentos sistemáticos no movimento de cargas e de passageiros. As atividades ligadas à informação, como informática, cinema, vídeo, televisão e rádio também apresentam alta concentração (50,1%), devido à presença maciça dos meios de comunicação na Capital.

A saúde também se concentra em Porto Alegre, especialmente com as atividades relacionadas a unidades privadas de saúde (47,2%). “As atividades de serviços mais intensivos em tecnologia e em mão de obra qualificada permanecerão concentradas em Porto Alegre”, aponta o economista. Por outro lado, aquelas que não exigem qualificação técnica tão elevada, como o próprio comércio e serviços domésticos e de manutenção e reparação, apresentam tendência de disseminação para outros municípios. “Nos municípios menores, do ponto de vista populacional ou de renda, essas atividades são importantes na base de sua economia local”. acrescenta.

Patricia Knebel – Jornal do Comércio



Categorias:Economia, Economia da cidade

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11 respostas

  1. O brasil numca tera um vale do silicio nem qualquer coisa parecida por motivos quase intrasponiveis, e esses motivos comecam pela CULTURA, os EUA sao unicos, as condicoes culturais e empresariais deste pais sao inimaginaveis a empreendedores de outos paises. Comeca por apoio a pesquisa (apoio que ja vem do berco), pouca burocracia poucas regulamentacoes, mercado aberto, atracao de especialistas e empreendedores do mundo INTEIRO que por sua vez contribuem com uma cultura mais dinamica. Aonde estao as APPLE, MICROSOFT, GOOGLE, ORACLE, IBM, FACEBOOK e por ai afora de paises europeus ou asiaticos?

    Mas isso nao significa abandonar oque esta sendo feito ai em POA. Melhor usar os EUA e o VALE DO SIliCIO como exemplos do que essa politica de PO’ & MATO e baixo valor agregado deste governo do PT.

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  2. Nao vejo nada que mostre que a cidade rume a ser um vale do silício ou coisa parecida. Falta um projeto sério e a longo prazo de vocação para a cidade. O texto só fala de uma concentração de coisas na cidade em relação ao Estado gaúcho, o que é normal pra uma capital.

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    • Concordo…Vale do Silício virou uma palavra mágica, foi um cluster de sucesso com certeza e as pessoas querem copiar… em cada canto da Terra ter um igual e vc vê prefeituras no mundo inteiro usando o vale como modelo… para mim o problema é que isso depende muito da capacidade criativa das pessoas…pessoas capazes de inovação..outra palavrinha mágica…que parece que só pronunciando ela se instaura…

      Parece aquelas religiões tradicionais…. o fiel dizia “Senhor, Meu Deus!” e pronto Deus se apresentava… agora se diz “Inovação!” e pronto… mágica… tem que ter muita gente criativa e em permanente interação…e talvez sai algo inovador mesmo…

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    • Essa história de vale do silício é uma bobagem… o vale do silício foi um grande gerador de inovações, e tudo que POA tem são grandes software houses que fazem programas que são, basicamente, commodity. Não tem nada de parecido. Somos mais parecidos com os centros de desenvolvimento da Índia e outros países em desenvolvimento.

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  3. Acho que nos últimos 50 anos a concentração que fala na notícia vem caindo. Veja a região da serra em torno de Caxias e o crescimento de Gravataí com a GM, Canoas… Com os gargalos de infra-estrutura de Porto Alegre a economia passa a crescer em outras regiões do RS e do Brasil.

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  4. SUGESTÃO PARA O BLOG:
    http://cubbos-consultoria.blogspot.com.br/
    Nesse site tem várias imagens do projeto para a Orla, do Jaime Lerner. Tem, inclusive, umas imagens para a área da Marina Pública.
    Mas que fique claro (aos críticos de plantão): são ESBOÇOS!

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    • Muito boas as imagens que vcs postaram, em nenhum lugar vi uma apresentação tão ampla do projeto de revitalização da Orla, muda muito minha visao sobre o projeto…não sei porque a prefeitura não publica isso.

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      • Que fique bem claro: o blog não é meu, nem sei de quem é… só encontrei navegando pela internet 😛

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        • Ok, eu vi que eles fazem críticas ao projeto também, que não tem área para crianças, para a terceira idade, etc., mas acho normal, num mundo ideal projetos seriam lançados e a comunidade poderia participar, afinal por melhor que seja um arquiteto ou urbanista, no meio de seu trabalho, um ou outro aspecto escapam. Acho que várias sugestões poderão ser incorporadas desde que nao prejudiquem o conceito do projeto. Se tiver uma área para crianças deveria ser uma obra de arte em si mesma, nao aquele tipico modelo balanço + escorregador.

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  5. Eu acho que Porto Alegre deve investir em tecnologia cada vez mais e transformar a nossa terra num novo Vale do Silício e o RS como um todo também, pelo menos uma boa parte dele. Devemos deixar de ser agrícolas e nos transformar numa potência tecnológica e de serviços.

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