Carta do IAB-RS a Rosane de Oliveira, ZH

Cara Rosane,

Escrevemos para comentar e esclarecer a nota de sua autoria – “Caranguejos…” – publicada na página 10 da ZH de hoje, que comenta que o Prefeito Fortunatti haveria “perdido a paciência com o IAB”.

Não tivemos acesso à manifestação do prefeito, mas, se foi realmente neste tom, não entendemos o que pode havê-lo motivado, tendo em vista o seguinte:

1. O IAB RS não contesta o notório saber do arquiteto Jaime Lerner;

2. O IAB RS contesta sim que a forma de contratação seja por “notório saber”;

3. O IAB RS não concorda que um projeto desta importância seja realizado, aprovado e implantado apressadamente e sem discussão, e que não aceite críticas ou sugestões das entidades e da comunidade, ou que estas críticas sejam estigmatizadas como “boicote” ao projeto. O IAB RS sempre foi e sempre será favorável à uma boa solução para a Orla;

4. O IAB RS está totalmente à disposição para colaborar novamente com a Prefeitura.

Desde 2007, portanto há 5 anos atrás, o IAB RS está empenhado objetivamente na realização de Concurso Público para o projeto da Orla. Já poderia haver sido realizado e já poderia a obra haver sido inaugurada. Durante o ano de 2007 o IAB RS negociou com a Secretaria do Planejamento Municipal – SPM – e apresentou proposta (em janeiro de 2008) para a realização de Concurso.

Encaminho os seguintes documentos e links para clara verificação da nossa posição:

1. Manifestação do IAB RS sobre o caso da Orla: http://www.iab-rs.org.br/noticia.php?id=1482

– Publicada parcialmente no blog do André Machado: http://wp.clicrbs.com.br/andremachado/2012/02/01/arquitetos-gauchos-querem-concurso-para-orla-do-guaiba/?topo=52%2C1%2C1%2C%2C171%2Ce171

2. Minuta da proposta de Concurso Público apresentada em janeiro de 2008, após meses de discussão e negociação com a SPM. O secretário, na época, era o atual prefeito. Os colegas da secretaria participaram das negociações para a realização do concurso foram os arqs. Newton Baggio, Marcelo Allet e Ada Schwartz;

3. Notícia da SPM (abaixo da mensagem) de 2008 que indica que a Prefeitura já poderia haver encaminhado a solução deste problema anos atrás;

4. Artigo do colega Dr. Frederico Flósculo, UnB, criticando a contratação por “notório saber”: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.132/3954

Reproduzo trecho:

“(…) Conclusão: notório saber sem exame continuado se torna notório poder, devastador e sem sabedoria. Esses nossos arquitetos – que não são notórios politizados – se tornam instrumento de fácil manipulação pelo poder econômico, pelos profissionais da corrupção, como é o caso em Brasília, nessas décadas de autonomia política. O círculo dos privilegiados necessariamente aliena a “arraia miúda”, a multidão dos iniciantes, dos jovens arquitetos – que, em casos marcantes, aprendem a ser carreiristas, aderem a um certo pragmatismo, se quiserem ser bem-sucedidos entre os “grandes”.”

5. Links de matérias jornalísticas sobre problemas que o arquiteto Jaime Lerner já enfrentou com relação à este tipo de contratação:

O Globo: http://oglobo.globo.com/politica/ex-governador-jaime-lerner-condenado-tres-anos-meio-de-prisao-2869097

Folha S. Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/poder/958790-stj-mantem-condenacao-de-ex-governador-jaime-lerner.shtml

A ZH deu ampla cobertura à recente parceria e colaboração do IAB com a EPTC no caso da escolha do guarda corpo da ciclovia da Ipiranga. Mesmo que o IAB possa ter críticas à alguns aspectos daquele projeto e a forma desarticulada que as obras são realizadas em Porto Alegre, estivemos presentes e colaboramos com a Prefeitura, atingindo um resultado visivelmente mais adequado que o inicial.

Neste caso da Orla, em nosso entendimento, e pelo que foi publicado, parece que o Prefeito superdimensiona as críticas do IAB RS e as confunde com as críticas de diversos outros movimentos e instituições.

Veja os questionamentos da RP1, que representa o conjunto dos moradores da área mais central de Porto Alegre: http://poavive.wordpress.com/2012/03/19/contratacao-para-projeto-da-orla-e-questionada/

O IAB RS não faz oposição e nenhum governo, seremos sempre um parceiro das administrações quando estas estiverem promovendo boas práticas e o interesse público, mas seremos críticos firmes e responsáveis dos maus projetos e das más práticas da administração pública.

Se, neste caso da Orla, os administradores preferem adjetivar nossa ação, lamentamos, mas seguiremos elogiando ou criticando as suas práticas exatamente da mesma maneira que estamos fazendo agora. É possível fazer as coisas de maneira eficiente e em prazos curtos, mas fazer apressadamente é um equívoco, pois estamos claramente diante de uma “falsa urgência”.

Agradecemos, finalmente, sua a atenção aos assuntos da cidade e solicitamos que nossa manifestação seja publicada edivulgada de forma a não deixar dúvidas sobre a nossa posição.

Parabéns pelo seu trabalho e obrigado.

Att.

T,

– – – – – – – – – – – – – – – – – –

Arq. Tiago Holzmann da Silva

Presidente IAB RS – Gestão 2012/2013

(enviado pelo próprio presidente do IAB-RS)

____________________________

Leia também:

Artigo: Orla, que boa oportunidade para um Concurso

 



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, ORLA, Paisagismo, Projeto de Revitalização da Orla

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61 respostas

  1. ^^
    Muito esclarecedor!!

    IAB:
    “…Em 2008 encontrei apenas um posicionamento contra Ponta do Melo / Estaleiro…”

    “…participação popular na decisão sobre a orla:
    “antes de qualquer solução de projeto, a comunidade de Porto Alegre precisa definir um conceito do que deseja como ambiente de sua orla, e para isso é necessário um processo amplo de CONSULTA POPULAR,…”

    MEDO….MUITO MEDO!!!!!!!!!!!!

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  2. Um dos principais argumentos é que o IAB RS está desde 2007 estava “empenhado objetivamente na realização de Concurso Público para o projeto da Orla.”

    Fui dar uma olhada nas notícias de 2007 no site do IAB RS. Se estava se empenhando, pelo menos não achou que fosse importante o suficiente para dar a notícia no seu próprio site. Ali aparecem em 2007 notícias sobre as eleições internas, a Bienal B, o PDDUA, uma conferência sobre Arquitetura das Emoções Inesperadas, etc…. como se pode ver aqui
    http://www.iab-rs.org.br/noticias.php

    Talvez em documentos internos, em reuniões, houvesse esse empenho, talvez seja esse o problema, pouca visibilidade da instituição, isso pode ser culpa também da mídia que não divulga, mas se tenho um site, pelo menos ali posso divulgar o que pensa e discute a IAB RS

    Em 2008 encontrei apenas um posicionamento contra Ponta do Melo / Estaleiro Só
    http://www.iab-rs.org.br/noticia.php?id=669&PHPSESSID=b29697fcbf8e1d96a0f72e97243b5564

    Em maio de 2009 realmente há uma notícia que revela um interesse nessa questão:
    IAB-RS lota para discutir A OCUPAÇÃO DA ORLA DO GUAÍBA
    http://www.iab-rs.org.br/noticia.php?id=700&PHPSESSID=c192f00a5a0496f8542472f77d4cc37d

    Nessa noticia se fala em participação popular na decisão sobre a orla:
    “antes de qualquer solução de projeto, a comunidade de Porto Alegre precisa definir um conceito do que deseja como ambiente de sua orla, e para isso é necessário um processo amplo de consulta popular, para que as decisões levem em consideração o desejo dos verdadeiros donos e usuários da orla do Guaíba.”

    Mas por outro lado não existe a palavra “concurso” nessa notícia.

    Dá a impressão que a ideia era que antes de fazer um concurso se devia perguntar a população o que ela queria, então em 2009 ainda se estaria numa fase prévia a noção do concurso.

    Claro que estou analisando apenas a partir das notícias que a o próprio IAB RS vinculou em seu site, talvez em outros meios a mensagem fosse diferente…. mas sinceramente é o que eu encontrei para analisar… se alguem tiver mais material para termos uma ideia mais correta de qual foi a atitude do IAB RS em 2007, melhor.

    Queria deixar claro que sou a favor do IAB RS emitir as suas opiniões como pessoas relacionadas profissionalmente ao tema. O ideal é que tivéssemos uma bom canal de diálogo entre associações profissionais e governos locais.

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    • Ótima pesquisa e comentários Jorge.

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    • Para evitar mal-entendidos, não se trata de reduzir o IAB RS a sua pagina de noticias, mas é um indício de pouca divulgação, no mínimo (em outra gestão, suponho), segundo, não tenho nada contra participação popular, ampla, geral e irrestrita…

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    • Bom, não se divulga algo pela metade. O IAB e a SPM realizaram umas 15 reuniões durante o final do ano de 2007. Em janeiro de 2008, quando ficou pronta a minuta definitiva do Concurso o interesse da Prefeitura desapareceu… Nosso empenho foi em montar a minuta com os técnicos da secretaria e de tentar levá-lo adiante.
      Ao final, infelizmente, nada havia para divulgar…
      E as estações do Metro? Como serão?

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      • Mas é estranho, a prefeitura se dispoe ao diálogo, faz 15 (!) reuniões com vcs no final de 2007… e depois “o interesse da Prefeitura desapareceu”. Se não havia interesse da Prefeitura desde o início, para que fazer 15 reuniões…? Alguma coisa deve ter acontecido nessas 15 reuinões. (veja meu comentário acima sobre a notícia que a Prefeitura divulgou).

        Vcs não são responsáveis pelo que se divulgou no passado, mas… minha opinião…se divulga algo pela metade sim, se divulga algo que está só no começo sim … Afinal 15 reuniões com a prefeitura sobre tema tão importante para a cidade, só essas reuniões já são dignas de divulgação…o fato de ainda nao se ter chegado a algo concreto nao impede a divulgacao e as vezes a divulgação pode até ajudar a chegar a algo concreto…

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    • Eu acho que mudou a presidência, e a anterior estava menos ativa. Não é o caso?

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  3. Creio que todos aqui contribuem grandemente para as discussões sobre o projeto da orla de Porto Alegre.

    Eu vejo algumas pessoas, talvez a maioria dos porto-alegrenses neste momento sentirem que seu pirulito foi dado e retirado em seguida. Ou pelo menos querem retirar. Estamos na iminência de ganhar uma orla excelente, criada por um renomado arquiteto brasileiro, que REVOLUCIONOU O TURISMO EM CURITIBA ao criar diversos pontos de atração para aquela cidade, que mal tinha turismo. A cidade jamais viu um projeto da envergadura deste do Lerner, ter a possibilidade de ser executado. E até com prazo: primeira fase em 2012 e o restante em 2013 e 2014. Isto é algo inédito em Porto Alegre. Algo que os seus moradores reivindicam a nível de sonho há décadas. Eles nem reivindicam na verdade, pois era algo dito inalcançável, dada a forma de administrar de todas as gestões da cidade. De costas para o Guaíba e de costas para o bom gosto em projetos arquitetônicos. UMa luz no fim do túnel aparece com a contratação por “notório saber” do referido arquiteto. Alguém questiona o notório saber do Lerner ? Alguém questiona o notório saber do Niemayer ? Creio que não. Então o que acontece na verdade?

    De outro lado, toda a classe de arquitetos do Rio Grande do Sul, em especial de Porto Alegre, imbuídos de uma notável organização, questiona justamente a forma com que foi levada esta questão da contratação e da criação do projeto. É óbvio que existe coerência no que os arquitetos falam.

    Mas, pergunto, será que a população de Porto Alegre merece esperar mais, aguentar mais burocracia (na verdade estes procedimentos de realizar concurso nada mais são aos olhos do povo do que burocracia) para ver a sua orla resgatada? Será que a cidade tem esta paciência? Como ficará a auto-estima dos porto-alegrenses perante a massa de turistas que chegará à cidade em 2014, e enxergar este LIXO que é a nossa orla? Uma orla com barro, com desleixo, com equipamentos de segunda categoria, que mais parecem de uma cidade de 10 mil habitantes da Nigéria. A população se contenta com isso, é verdade. Mas por isso não quer dizer que tenhamos que passar vergonha.

    Urge resolvermos esta situação e dotarmos a cidade de uma orla condizente com a estrutura e o porte da cidade de Porto Alegre.

    Caso seja interrompido este processo ora iniciado pela Prefeitura, demonstrando sua vontade política de transformar a orla para muito melhor, através do brilhante trabalho do Jaime Lerner, ficaremos esperando mais quanto tempo ? Quando sairá do papel o resultado deste futuro concurso que o IAB deseja, com razão?

    Cabe-nos pensar e avaliar se este tempo será demasiado grande, e se o resultado será igual ou melhor do que o atual projeto.

    Estamos em condições de arriscar ?

    Gostaria de sugerir uma saída que contemplaria os dois lados.

    Proponho que o IAB-RS não mais leve adiante esta proposição de questionar o atual projeto que será implantado.

    Mas, desenvolva, a partir de agora, projetos complementares junto a orla para torná-la mais completa, mais atraente e fazer com que se sofistique o atual. Mas sempre tendo como premissa a complementação e melhoria do projeto e, não, simplesmente interromper algo iniciado e substituí-lo por outro.

    Não sei se me fiz entender, mas creio que esta seja uma alternativa conveniente para ambos os lados.

    A Prefeitura abriria a possibilidade de projetos complementares, a fim de enriquecer o projeto total.

    O que vocês acham ?

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    • Eu acho ótima essa posição, não é uma questão de quem está mais certo que o outro, mas do que é bom para a cidade nesse momento.

      Tem algo de “trágico” nessa discussão…. na tragédia os dois lados estão certos, os dois se acham defensores da verdadeira justiça, e isso coloca em rota de colisão com conseqüêncas catastróficas… Não é que um é bom e o outro é mau, os dois defendem princípios justos, desde o seu ponto de vista. Se apegam tanto a ideia de que eles estão certos, que defendem a única causa justa, que ficam cegos para uma visão mais ampla da realidade, que os “outros” tem também as suas razões… e a cidade é que sofre…mas para os gregos era assim mesmo, não tem saida, é a nossa natureza humana limitada que nos coloca nessas situações…

      Quem sabe conseguimos uma reconciliação neste caso, com mais diálogo entre a prefeitura e o IAB RS, o que na verdade já aconteceu no caso da ciclovia, existe uma base para isso. Poa tem tantos problemas que exigem a participação de arquitetos e urbanistas, mas essa é uma das opiniões, os arquitetos vão sempre defender licitações, os governos vão achar que em determinados casos, se a lei permite, o melhor é usar essa vaga noção de notório saber. Neste caso eu acho que a prefeitura queria ter um nome de peso, assim como o Sisa para a Fundação, uma garantia de qualidade, um nome que todos conhecem, e isso também faz parte do apelo que um lugar ganha. E pelo que sei esse não é o único caso de grandes nomes convidados para grandes projetos especiais, simbólicos, que tem a função de aumentar a auto-estima da população e transformar significativamente um espaço. Muitas outras obras como o Gilberto disse podem ser feitas por meio de concurso, inclusive dando chance a jovens arquitetos de mostrar o seu valor e que possam ir crescendo. Prefeitura e IAB RS poderiam trabalhar nisso em conjunto.

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    • Desde que o projeto do Lerner seja corrigido, tipo com estacionamentos ao longo da Avenida (como os bolsões da Beira-Mar norte, em Floripa), tudo bem. Ou seja, corrigir o erro crasso que é o esquecimento de tão importante vetor para o projeto: onde voces, nós e eles vão parar, tirar a bicicleta de porta-malas, as crianças do carro, tomar um sorvete e um chopp olhando o rio, com o seu carro NAS PROXIMIDADES? No meio fio, à mercê dos flanelinhas? É brincadeira…

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    • Perfeita colocação Gilberto! Não podemos mais conviver com este pensamento retrógrado que faz com que Porto Alegre esteja há anos estagnada, num marasmo de fazer dó. Depois não sabem por que somos considerados habitantes de uma cidade decadente. Temos que avançar em termos de urbanismo com urgência. Há muito por fazer, vamos recuperar o tempo perdido e olhar para a frente. Chega de hipocrisias e atitudes xiitas. Chega de pensar pequeno! Tenho dito.

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    • Acho que esse comentário deveria ser um post a parte.

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    • É muito provável que Jaime Lerner aceite negociar e perder alguns anéis (os pequenos e de menor valor, é claro), para não perder os dedos. Mas o IAB não deve negociar princípios legais (e éticos), sob pena de igualar-se àqueles que, sistematicamente, burlam as licitações utilizando-se do “prestígio” obtido na política para garantir a “vitória” (cavalo do comissário). Tem que zerar tudo, até para servir de lição aos mais “espertos”, para mostrar que “quem se apressa muito come cru”. O argumento da pressa, da possibilidade de “perder tudo”, da possibilidade de não sair nada, é um velho truque da retórica (petição de princípio). Qual é a pressa, vão tirar alguém da forca?

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  4. Parabéns ao IAB que, de forma brilhante, inteligente, mostrou que o critério do “notório saber” virou um biombo para frustar a competição profissional, beneficiando apenas os amigos do rei. Quem é competente não teme a concorrência. A respeito desse assunto, a argumentação do IAB é definitiva. Presto aqui minha homenagem à inteligência (IAB), e minha compreensão à falta dela …

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  5. Aqui acredito estar a síntese que nós portoalegrenses deveríamos nos norteae
    A coluna da Cláudia Laitano, de 04/02/12, assum fala:

    “Porto Alegre deveria aproveitar esse momento histórico de rebeldia estética para instalar uma espécie de Brigada da Beleza – um batalhão de arquitetos, artistas e outros profissionais ungidos com a nobre missão de proteger nossa cidade da bárbara invasão das toras de eucalipto, dos caixotes envidraçados, da feiura eficiente. Que o guard-rail da ciclovia seja celebrado como o nosso Grito da Ipiranga.”

    créditos ao amigo Evandro babu que resgatou da memória a citação acima.

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  6. Pq a IAB não esquece a orla que esta resolvida e se dedica a outros problemas da cidade,ou estão esperando vir alguem para fazer ,para depois contestar ,isso até parece que eh só para chamar a atenção.

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    • Sim. Também estamos empenhados na futura, mas bem próxima, realização dos projetos para as estações do Metro e seus entornos urbanos.
      Como serão as estações do Metro em Poa? Puxadões de concreto “projetados” pelas construtoras vencedoras das licitações para a obra? Ou a cidade terá a oportunidade de realizar concurso público nacional?
      Imaginem cada estação com um bom projeto, transformando-se no símbolo do bairro e o metro em local de visitação…
      Dá tempo. Mas será que vamos “esperar a urgência” para fazer arremedo outra vez?

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      • concordo, as estações de metro são uma boa oportunidade de criar obras qeu aportem valor a cidade…. essa é uma excelente discussão que o IAB RS, talvez quem estiver no governo não aceite muitas das sugestões, seja pq pode ficar caro demais, seja pq vao querer um nome de prestigio para o projeto, mas se houver uma discussão permanente sobre isso, aumentam as probabilidades da prefeitura aceitar as sugestões.

        Uma coisa mínima é a sociedade conhecer o que foi feito em outros paises, pq o IAB RS não monta uma exposição sobre as melhores estações de metro do mundo, claro que tem coisas fantásticas, mas tem que estar dentro do orçamento tb… nao adianta criar uma grande espectativa sabendo que nao vai ter dinheiro… Uma exposiçaõ na Usina seria muito interessante.

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  7. A velha prática do porto-alegrense medíocre ataca outra vez: NUNCA PROPÕEM UMA SOLUÇÃO, MAS DAÍ QUANDO OS OUTROS PROPÕEM VÃO LÁ BOTAR DEFEITO.

    O problema da orla é de décadas, e nunca se ouviu falar em propostas desse IAB. Agora que a Prefeitura quer tornar o local decente, querem botar água no chopp do Fortunatti.

    NÃO PRECISAMOS DE PORTO-ALEGRENSES COMO ESTES.

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    • Vou colar aqui porque pelo visto tu passou batido pelo texto to Thiago pra Rosane:

      “Desde 2007, portanto há 5 anos atrás, o IAB RS está empenhado objetivamente na realização de Concurso Público para o projeto da Orla. Já poderia haver sido realizado e já poderia a obra haver sido inaugurada. Durante o ano de 2007 o IAB RS negociou com a Secretaria do Planejamento Municipal – SPM – e apresentou proposta (em janeiro de 2008) para a realização de Concurso.”

      So…

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      • Do site de notícias da Prefeitura em 2008:

        ——– Mensagem original ——–
        Assunto: Sug Pauta SPM/PMPA – Relatório Orla é entregue à FGV
        Data: Thu, 24 Jan 2008 17:02:11 -0200
        De: andre@spm.prefpoa.com.br
        Para: andre@spm.prefpoa.com.br

        Projeto de revitalização da Orla do Guaíba começa a tomar forma
         
                 Foi dado início na tarde desta quinta-feira, dia 24, à primeira etapa de formatação do projeto de revitalização da Orla do Guaíba. Em encontro realizado no Rio de Janeiro entre representantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o secretário do Planejamento Municipal, José Fortunati, começaram as ser discutidas as melhores alternativas para a estruturação do plano.
                 Na reunião, Fortunati, acompanhado do arquiteto da SPM, Marcelo Allet, entregou à FVG o Relatório Orla, estudo aprofundado desenvolvido pela Prefeitura que analisa e aponta soluções para essa região da cidade. Com base nas informações repassadas, a Fundação iniciará avaliação, buscando o melhor formato para o projeto.
                 De acordo com o secretário, tendo em vista à dimensão e os elevados custos que uma iniciativa desta natureza produz, certamente o Município terá que partir para uma Parceria Público-Privada. Falta, agora, delimitar como isso ocorrerá.
                 “Esta etapa de formatação é fundamental para que o projeto possa realmente ser concretizado, pois é ela que nos dará a segurança jurídica e operacional para a sua realização”, enfatizou Fortunati, apontando uma das características que diferenciam esta iniciativa de outras tentativas do passado. Além disso, segundo o secretário, é a primeira vez que a Orla é pensada de um modo global, buscando unificar as estruturas existentes com os futuros equipamentos ou empreendimentos. “Outro fator inédito é a discussão pública que estamos propondo sobre o tema”, ressaltou. A partir do mês de fevereiro, ocorrerá uma série de encontros para apresentar o Relatório Orla aos mais variados segmentos da cidade, fomentando a discussão. Na mesma linha, em março, o secretário deverá lançar Concurso Nacional de Idéias para a Orla de Porto Alegre, sob a coordenação do Instituto dos Arquitetos do Brasil, estimulando a população a refletir sobre o aproveitamento da área.

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        • Mas essa notícia é um enorme elogio que vc faz a prefeitura. Isso significa que faz mais de 4 anos que essa administração discute publicamente a questão da Orla, que conforme foi dito em outro lugar manteve antes disso 15 reunioes com o IAB RS onde imagino vcs devem ter dado todas as opinioes que tinham sobre essa questão. Além disso a Prefeitura divulgou os estudos que foram feitos sobre a Orla e se até eu que não sou arquiteto tive acesso a eles, imagino que vcs tiveram também (o porto imagem divulgou amplamente essa documentação, aliás muito boa.)

          Não se pode alegar que a Prefeitura decidiu na última hora, como se surgisse do nada essa ideia de revitalizar a orla. Segundo o próprio Lerner, toda essa documentação e estudos prévios realizados pela Prefeitura foram utilizados como base para a criação do seu projeto (o que está certo, só faltava não utilizar…) mostra uma sintonia entre um trabalho feito ao longo de 4 anos e quem vai dar o formato final agora.

          Não ficou clara uma coisa nessa notícia, se fala no “Concurso Nacional de Idéias para a Orla de Porto Alegre, sob a coordenação do Instituto dos Arquitetos do Brasil, estimulando a população a refletir sobre o aproveitamento da área”. Sinceramente, na minha opinião, acho ótmo os governos locais se abrirem às sugestões e ideias da população, antes de tomar uma decisão. Mas a decisão é de governo. Seria fantástico se tudo pudesse ser decidido por plebiscito, mas tem coisas que não dá…vc vota em alguém para ele tomar a decisão.

          O que não ficou claro é se esse concurso nacional de ideias era um concurso de projetos de arquitetura/urbanismo, o que o IAB RS defende agora, ou se era um concurso menos rígido, já que a ideia era se abrir “às ideias e sugestões da população”. Por exemplo, qualquer cidadão poderia dar uma ideia, mesmo que fosse trivial. Minha impressão, pela notícia, é que nao se tratava de uma licitação através de concurso para a Orla. Alguém poderia esclarecer isso?

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  8. Acho que nesse caso, a prefeitura queria algo realmente bonito, por isso evitou de pegar os arquitetos gauchos..
    Sabe como é… as safras andam ruins ultimamente.

    Imagina só, se fosse um arquiteto gaucho, certo que iam deixar… como ta..
    haha

    Por que temos o por do sol mais belo do mundo e bla bla bla…

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  9. Deixar tudo para última hora para não fazer edital e beneficiar os mais próximos, eis a receita seguida a risca! É lógico, usando as “brechas na lei”!

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  10. Caros comentaristas.

    Se olharem minhas intervenções passadas verão que tenho diversas (para não dizer inúmeras) rusgas com a categoria dos Arquitetos, inclusive pelo andamento de alguns concursos públicos para arquitetura, entretanto é PRÁTICA INTERNACIONAL o uso de CONCURSOS PÚBLICOS para a elaboração de projetos de impacto no meio urbano, logo não acho (e fica claro pelos documentos acima apresentados) que trata-se de um estratégia protelatória o pedido de um concurso público. Inclusive durante o governo Brito foi feito um concurso público com vencedor, como este e mais os dois classificados teimaram em derrubar total ou parcialmente o muro, e na época não estava definido a propriedade do cais, o concurso não vigorou.

    Inclusive acho que o uso da contratação sem licitação nem concurso de um Arquiteto, não se encaixa na figura do notório saber, e na prática vejamos o por que.

    Quando se contrata um técnico com notório saber para determinada área, está se esperando que devida a experiência deste profissional ele tenha a capacidade de dar a MELHOR SOLUÇÃO TÉCNICA para determinado problema, ou seja, se houver outro profissional da mesma área, também de notório saber, as soluções convergirão para o mesmo caminho, não havendo grandes discussões quanto a estas.

    No caso de serviços de arquitetura, nada impede que um Arquiteto normal consiga num lampejo de criatividade captar a necessidade do projeto e apresentar a melhor solução. Não é somente a experiência que define um bom projeto, ela ajuda, porém muitas vezes inovações, que só quem não tem nada a perder, que são dadas por ilustres desconhecidos, que serão julgados, aí sim, por arquitetos de notório saber.

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