Navistar anuncia local de fábrica até o mês de junho

Prazo foi revelado em visita à linha de motores da MWM MARCO QUINTANA/JC

O grupo Navistar define até o fim do primeiro semestre a localização da sua primeira fábrica de caminhões no Brasil. O prazo foi estipulado nesta quinta-feira pelo CEO e presidente da companhia na América do Sul, Waldey Sanchez, que veio ao Estado para inaugurar a nova linha de motores da planta da MWM International, em Canoas, que integra a companhia. Sanchez evitou comentar os potenciais candidatos a receber o investimento de US$ 200 milhões (projetado para cinco anos) para montar uma nova família de caminhões e adiantou que pesará mais infraestrutura e logística do que incentivos fiscais, que alimentam a guerra entre as unidades da Federação.

A meta é dar a largada na montagem no começo de 2014. A capacidade será de 20 mil a 25 mil unidades. “Será a fábrica mais moderna da Navistar no mundo”, garantiu o executivo. Hoje a companhia tem 18 plantas no mundo. O projeto da fábrica brasileira tem origem em uma parceria com a Caterpillar, rompida em setembro de 2011. Segundo Sanchez, a definição da sede do investimento observa pelo menos 20 elementos. “Vamos retomar conversações com os governos após finalizar o projeto técnico da fábrica”, explicou o CEO. Sobre as chances do Rio Grande do Sul, o dirigente sugeriu potenciais vantagens estratégicas. “O Estado é competitivo. Temos motores em Canoas e ônibus em Caxias do Sul”, citou, referindo-se aos parques existentes.

Na cidade da Região Metropolitana, são montados motores para diversos segmentos. A linha destinada a abastecer a GM envolveu aportes de US$ 80 milhões, sendo US$ 10 milhões na operação gaúcha e o restante entre unidades da MWM na Argentina e em Santo Amaro (SP), e prevê entrega de 300 mil unidades do Chevrolet 2.8 CTDI em cinco anos para a picape S10. Em Canoas, os principais executivos da MWM e do braço da Navistar na área de motores apontaram o contrato como um marco na relação com a GM.

A empresa montou uma linha com produto de tecnologia e design da montadora de automóveis e que terá controle de qualidade de peças e construção de staff da GM que atua na planta de Gravataí. A MWM lidera a produção no Mercosul, com 30% da oferta de produtos em diversos mercados de veículo. “O nosso maior contrato hoje é com a GM”, valorizou José Eduardo Luzzi, presidente da empresa. O presidente mundial da Navistar Engine, Eric Tech, definiu o trunfo da unidade como união da inovação das duas fabricantes.

O presidente para a América do Sul apontou que a redução do custo Brasil (que inclui, por exemplo, alta tributação e carência de infraestrutura) e formação de mão de obra são itens essenciais na formatação dos novos empreendimentos. “O câmbio virou desculpa. Precisamos melhorar nossa competitividade”, sinalizou. No evento que foi montado ao lado da linha do novo motor diesel da camionete S10, da General Motors, que levou integrantes da cúpula da montadora a Canoas, o secretário estadual de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, ressaltou os atrativos da política industrial recém-lançada e que a intenção é criar condições de garantir futuras ampliações locais.

Patrícia Comunello – Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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2 respostas

  1. Ao contrário do que cita a reportagem, a Navistar já teve fábrica destes caminhões em Caxias do Sul, mas foi desativada. Vejam a nota publicada pela empresa (fonte: internet):

    “INTERNATIONAL CAMINHÕES DO BRASIL
    NOTA OFICIAL

    • Comunicado distribuído ontem, 29 de outubro de 2002, pela International Truck and Engine Corporation, em Warrenville, Illinois, EUA, informa que a partir de 31 de outubro de 2002 , sua subsidiária International Caminhões do Brasil Ltda., localizada em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, cessará a sua operação de comercialização de caminhões no
    mercado brasileiro, como parte de um programa de reestruturação da companhia aprovado pelo seu Board of Directors.

    • A decisão de sair do mercado brasileiro de caminhões é resultante dos sucessivos prejuízos ocorridos desde que iniciou suas operações no País, em 1998, devido ao forte incremento de custos causado pela desvalorização do Real, que acumula mais de 200% nesse período, e à impossibilidade de repassar esse aumento aos preços de seus produtos. Apesar do plano intensivo de nacionalização implantado pela empresa, a instabilidade cambial não lhe permitiu atingir o ponto de equilíbrio esperado, em que pese os altos investimentos da matriz americana para suportar os custos da operação.

    • A International Caminhões do Brasil Ltda. vai assegurar todo o apoio de assistência técnica à frota de caminhões International que circula pelo País, através de seu centro de peças e mantendo sua rede de postos de serviço no território nacional, bem como toda sua equipe de assistência técnica.

    • A International Caminhões do Brasil Ltda. continuará também fornecendo para os mercados de exportação, a partir do Brasil, nomeadamente a África do Sul, onde mantém uma operação de montagem. A empresa manterá seu contrato com a Agrale S/A para atender a seus negócios na área de exportação.

    • A International Caminhões do Brasil Ltda. cumprirá plenamente todas as suas obrigações com clientes, concessionários, fornecedores, funcionários e entidades governamentais no Brasil.

    • É importante destacar que esta decisão em nada afeta as operações da International Engines South America Ltda., maior fabricante independente de motores diesel da América Latina, instalada em Canoas, Rio Grande do Sul, unidade lucrativa que continua produzindo normalmente dentro de seu programa de investimentos no Brasil, que totaliza mais de US$ 200 milhões desde 1999.

    International Caminhões do Brasil Ltda.
    Diretoria
    Porto Alegre, 30 de Outubro de 2002”
    Fonte(s):
    http://www.navistar.com.br

    6 anos atrás

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    • Na época a Navistar vacilou por conta própria, visto que poderia ter agregado a experiência da Agrale na produção de cabines em fibra de vidro, além de fazer uso de motores, câmbios e eixos de fabricação nacional ao invés de trazer quase tudo de fora.

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