Sonho de lucro em 2014 se torna incerteza para vizinhos dos estádios

Foto da construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo - Robson Ventura-3.dez.11/Folhapress

Promessa de geração de empregos e de lucros no Brasil, a Copa-2014 começa a ter seus resultados questionados por quem vive nas cidades-sedes, mais especificamente os vizinhos dos estádios do Mundial que usam essas áreas para obter renda.

A informação está na matéria assinada por Bernardo Itri, Eduardo Ohata, Mariana Bastos e Rodrigo Mattos, publicada nesta segunda-feira pela Folha. A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha. (VEJA LOGO ABAIXO, AQUI NO BLOG)

Para proteger seus patrocinadores oficiais, a Fifa estabelece que em um raio ao redor dos estádios apenas pessoas credenciadas ou com ingressos podem entrar.

Como alguns desses estabelecimentos usam em suas fachadas marcas de patrocinadores que não são os da Fifa, os empresários temem ser obrigados a fechar as portas durante a Copa de 2014. Até mesmo os hospitais podem ser afetados.

DE SÃO PAULO

FOLHA.COM

Zona de exclusão

Área de isolamento ao redor dos estádios exigida pela Fifa gera temor de moradores, comerciantes e até mesmo de hospitais sobre como será o dia a dia durante o Mundial

BERNARDO ITRI – ENVIADO ESPECIAL A CURITIBA E PORTO ALEGRE

EDUARDO OHATA – ENVIADO ESPECIAL A BELO HORIZONTE, RIO E SALVADOR

MARIANA BASTOS – ENVIADA ESPECIAL A FORTALEZA, NATAL E RECIFE

RODRIGO MATTOS – ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA, CUIABÁ E MANAUS

Promessa de geração de empregos, de lucros sem fim e da criação de novos rumos comerciais no Brasil, a Copa-2014 começa a ter seus resultados questionados por quem vive nas cidades-sedes

Essa aflição atinge principalmente os vizinhos dos estádios do Mundial e quem usa essas áreas para obter renda.

Em Curitiba, bares e restaurantes fincados no entorno da Arena da Baixada não sabem como vão trabalhar no período do campeonato.

Como alguns desses estabelecimentos usam em suas fachadas marcas de patrocinadores que não são os da Fifa, os empresários temem ser obrigados a fechar as portas durante da Copa de 2014.

O medo que paira na cabeça dessas pessoas é explicado pela zona de exclusão imposta pela federação.

Para proteger seus patrocinadores oficiais, a Fifa estabelece que em um raio ao redor dos estádios apenas pessoas credenciadas ou com ingressos podem entrar. O raio é de dois quilômetros a partir de cada arena.

Ou seja, nesta área somente produtos licenciados poderão ser vendidos. Há, no entanto, negociações entre as cidades-sedes e a Fifa para remanejar a área de restrição.

Mesmo assim, a insegurança está instalada. E não apenas sobre as questões comerciais. Hospitais situados na zona de exclusão também não têm livre acesso garantido, segundo o Comitê Popular da Copa de Curitiba.

“Temos 15 hospitais na zona de exclusão, um deles especializado em pediatria. Como as pessoas vão fazer para ter acesso a eles na Copa?”, indaga Thiago Hoshino, representante do comitê.

A única certeza, por enquanto, é que os moradores da “zona de exclusão” deverão passar por um cadastro especial da Fifa para poderem chegar às suas casas.

O caso de Curitiba é semelhante ao do Rio de Janeiro. A região do Maracanã passa pelas mesmas incertezas.

Em Fortaleza, o drama se repete. “Teremos que chegar a um meio-termo para atender os interesses da cidade e os interesses comerciais da Fifa”, argumenta Herbert Lima, gerente executivo da Copa em Fortaleza.

Para ele, preocupa as limitações impostas pelas marcas registradas da Fifa, o que pode prejudicar o ganho de comerciantes locais e artesãos com a Copa. Segundo Lima, a Fifa já patenteou até mesmo a expressão “Fortaleza, cidade-sede da Copa de 2014”

“Como é que vai ficar se, lá em Aracati, onde o pessoal faz as garrafinhas de areia colorida, um dos artesãos resolver colocar o símbolo da Copa? Pela Fifa, isso não pode. É visto como pirataria, mas o artesão não sabe disso. Então, precisamos encontrar meios para que o pequeno produtor cresça durante o evento”, conta Lima, lembrando que essa é um preocupação comum das sedes.

A manutenção das tradições locais também é alvo de discussão em Belo Horizonte. O governo de Minas se preocupou com a sobrevivência do tropeirão do 13.

O prato, que traz feijão-tropeiro, torresmo, arroz, couve, ovo frito e pernil de porco, era disputado pelos torcedores que iam ao Mineirão.

Com a criação da esplanada, um bulevar que ocupará o entorno do estádio, a ser gerenciado pelo consórcio que controlará a arena, surgiu o risco de essa tradição culinária, nacionalmente conhecida, extinguir-se.

O governo de Minas entrou em contato com o consórcio e recebeu sinalização de que o tropeirão continuará. Mas, durante a Copa, sua manutenção depende do aval da Fifa, que tem como patrocinadora uma loja de comida.

Em São Paulo, os comércios de comidas devem, no mínimo, passar por uma pressão da federação. Autoridades locais esperam que a Fifa negocie com os estabelecimentos que estamparem marcas de empresas que não são patrocinadores da Copa.

A expectativa é que seja sugerida a troca dos banners e dos produtos dos locais por aqueles que são permitidos na zona de exclusão do Mundial.

FOLHA.COM (SÓ PARA ASSINANTES)



Categorias:COPA 2014

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4 respostas

  1. @Anabel e Gilberto: oras, o governo SABIA disso qdo se propôs como candidato da Copa. Não reclamem da FIFA pois isso não foi uma regra criada APÓS o Brasil receber a Copa.

    Além disso, essa matéria é ridícula. A zona de exclusão é SOMENTE para produtos RELACIONADOS à Copa do Mundo.

    Isso é: quer vender camiseta ou bandeira de alguma seleção? Precisa estar cadastrado. Os produtos tem que ser originais.

    Não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com vc ter um bar e ser proibido de vender Pepsi Cola pq o patrocinador oficial é a Coca.

    Não tem ABSOLUTAMENTE NADA A VER com vc ter uma loja de sapatos e ser proibido de vender marcas que não sejam Adidas!

    1 – visitantes, comerciantes, moradores, terão acesso NORMAL à Área de Exclusão, COM EXCESSÂO de durante os eventos específicos. (onde então necessitam do cadastro, etc). Ou seja… a área de exclusão funciona NORMALMENTE o tempo inteiro com excessão de algumas horas durante os jogos. A questão não é somente comercial. É principalmente de SEGURANÇA. Ou seja, a área tem menos gente circulando, facilitando revistas, circulação de pessoas que vão ver os jogos, etc

    2 – comércio normal TAMBÉM é permitido todo o tempo, oq não é permitido é vender produtos relacionados à Copa do Mundo e MENOS AINDA fazer promoções ou marketing RELACIONADO à Copa do Mundo, sem permissão da FIFA.
    Isso é, vc PODE SIM ter um bar vendendo Pepsi Cola se o patrocinador for Coca Cola. Oq não pode é colocar um anúncio na porta do bar “O Bar da Copa do Mundo!”

    3 – comércio INFORMAL é proibido nas Zonas de Exclusão. Isso é, vc não pode vender cachorro quente numa carrocinha a não ser que seja cadastrado, e muito menos vender produtos piratas na esquina.

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  2. Isso é um tremendo disparate! Como é que aceitam isso? Ninguém ousa boicotá-los? Quero ver como é que vão resolver isso agora!

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  3. Mas quem disse que o lucro da copa é só o que se vende perto do estadio?

    Se vão continua vendendo com os patrocinadores, ainda vai ter lucro, mas a maior parte da grana acontece fora dos estadios, com hoteis, turismo, compras em outros lugares e bla bla bla…

    Isso ai é o de menos…. as pessoas vão gastar muito mais em varias outras coisas..

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  4. Que poder descomunal que tem a tal de FIFA: manda nos governos, obriga a alterar leis vigentes no país e impede a livre circulação de pessoas onde bem entender. Tudo em prol dos seus grandes patrocinadores, que despejam fortunas para a “entidade”. E tudo em nome do futebol. Seremos subservientes até quando?

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