Onde tem um telefone público?

Maioria dos orelhões não funciona na Capital e a população sofre com a falta de opções de comunicação em diversos espaços

De 48 aparelhos testados, 28 estavam mudos ou sem condições de uso Crédito: BRUNO ALENCASTRO

Tão logo saiu do consultório, na Rua dos Andradas, no Centro de Porto Alegre, a gestante Ana Marta Santos, de 27 anos, recorreu ao telefone público para tentar avisar os familiares que os exames clínicos apontavam que o bebê estava bem. Sem êxito, andou mais de 1 quilômetro, até encontrar um aparelho que funcionasse. “Demorei quase 10 minutos para conseguir avisar meu marido que a ecografia apontou que a gravidez transcorria sem problemas. Meu celular estava sem bateria. Imagina se fosse algo urgente, ficaria sem comunicação”, disse. A procura de Ana por um telefone público se iguala à de tantos outros que recorrem aos orelhões na Capital.

Ainda que muitos estejam conectados a celulares pequenos, leves e cheios de funcionalidades, ninguém sabe quando precisará recorrer aos telefones públicos. Mas, até achar um que complete uma ligação, a espera pode demorar e frustrar muitos. “Esses dias chovia e eu precisava avisar que iria chegar atrasada no trabalho. Me molhei toda, fui em cinco aparelhos e todos estavam mudos, além de emporcalhados. A gente dificilmente precisa destes orelhões, mas eles precisam funcionar justamente neste momento”, argumenta Amanda Souza, 32 anos, que havia esquecido o celular em casa. O martírio de Amanda e Ana também deve, possivelmente, ser compartilhado por quem circula pela Andradas, uma das ruas mais movimentadas da Capital, onde circulam milhares de pessoas diariamente. Dos 48 aparelhos testados pela reportagem do Correio do Povo, 28 estavam mudos ou sem condições de uso, ou por depredação ou sujeira. Os outros funcionavam, mas alguns estavam com o som comprometido.

Alvo de vandalismo, na maior parte das vezes, quem mais sofre com a falta de orelhões que completem uma ligação é a própria população que, quando precisa, encontra limitações para chamar médicos e serviços de emergência. Segundo a Oi, há 9.552 aparelhos espalhados pela cidade. Técnicos especializados irão vistoriar os locais mencionados na Andradas e após, se for constatado que os aparelhos estão danificados, serão normalizados os seus serviços o mais brevemente possível. A Oi esclarece que nos dois primeiros meses de 2012 já foram danificados por atos de vandalismo, em média, por mês, 10% dos mais de 60 mil orelhões instalados no RS.

Do total de orelhões que apresentam defeitos, 90% devem-se a atos de vandalismo, principalmente danos em leitora de cartões, monofone, teclado, pichações e colagem indevida de propaganda nas máquinas e protetores de fibra. Ainda assim, a situação de sujeira e vandalismo nos aparelhos é recorrente em vários bairros. Sandro de Alves Júnior, 22 anos, que estuda e trabalha na região da Farrapos, também reclama dos orelhões. “Já precisei usar e praticamente percorri toda a avenida. Parece que estão lá só para bonito”, indigna-se.

Estudante procura em vão pelo campus

A ausência de telefone público no campus da Ufrgs por pouco não prejudicou o acadêmico Marcelo Maciel, 23 anos. “Eu precisava telefonar para minha professora e confirmar a Bolsa de Iniciação Científica, mas não iria ligar a cobrar do meu celular. No entanto, corri o campus inteiro com o cartão telefônico e não encontrei um aparelho. Por fim, consegui ligar da secretaria do meu curso, mas é um absurdo, um campus do tamanho do Vale não ter esse serviço”, avalia.

Na Ufrgs não tem telefone público

Ao menos 15 mil pessoas transitam diariamente no Campus do Vale da Ufrgs, no bairro Agronomia, onde estão as faculdades de Agronomia, Veterinária, Letras, Geociências, Matemática, Química, Física, Informática, Filosofia, Ciência e Tecnologia de Alimentos e Pesquisas Hidráulicas. Mas não há telefone público no local, segundo a Ufrgs. A Agência Nacional de Telecomunicações determina que as concessionárias devem manter ao menos quatro orelhões por mil habitantes.

Capitão critica atos de vandalismo

Integrante do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), capitão Ivan Urquia, critica os atos de vandalismo que podem comprometer a relação da Brigada Militar, da Polícia Civil, do Comando Regional de Bombeiros, da EPTC e do Samu com o cidadão. “Embora o celular esteja difundido na sociedade, nem sempre estes aparelhos funcionam. E a demora para acionar a EPTC, os Bombeiros ou qualquer serviço de urgência pode significar a perda de uma vida”, alerta.

Urquia avalia que uma grande parcela da sociedade utiliza o sistema pré-pago da telefonia celular e se vale do aparelho móvel para receber chamadas. Desta forma, com o custo do telefone fixo, o orelhão pode ser uma opção acessível. “Muita gente pode precisar do 190 e não ter como ligar. Além disso, cada reparo é um gasto que poderia ser evitado e gerado novos telefones”, diz.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – que regulamenta as obrigações das operadoras de telefonia -, João Rezende, relata que, para melhorar a telefonia pública, foi criado o sistema Fique Ligado!. Por meio desta ferramenta é possível realizar uma pesquisa em mapas digitais para a localização de orelhões em todo o território nacional e a obtenção de informações sobre a condição de funcionamento de cada aparelho – verde (funcionando) e laranja (em manutenção). “O usuário também poderá saber o número do orelhão, características e facilidades de acessibilidade”, diz Rezende.

Correio do Povo



Categorias:Outros assuntos, vandalismo

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11 respostas

  1. Tem que investir em educação!

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    • Mas o que a Oi tem a ver com a educação?

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      • Parte do problema é a falta de educação de uns vagabundos que ficam vandalizando orelhões. É um equipamento relativamente simples, mas deixar entregue à vagabundagem vai fazer com que deteriore facilmente…

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  2. Bem, tendencia mundial. A culpa é nossa pois como não usamos o serviço as empresas não tem interesse em manter o serviço. Honestamente, para mim não faz a menor falta, podiam tirar todos.

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  3. Telefones que não funcionam com o decalque da Oi é propaganda e não serviço público. Deveriam pagar alguma taxa de utilização do espaço público.

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  4. Acho que deviam focar mais em caixas eletrônicos ATM (sem banco definido) em mais áreas da cidade. Já passei bastante trabalho por isso, pegar ônibus pra ir num caixa eletrônico é complicado.

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  5. Se forem reformar poderiam aproveitar e usar o mesmo modelo de telefone público do Moinhos de Vento. http://img851.imageshack.us/img851/818/moinhosdevento052.jpg http://img18.imageshack.us/img18/855/moinhosdevento143.jpg

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  6. A falta é da ANATEL, e de nós que temos que reclamar á mesma.

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  7. Aqui em Floripa ainda tem muitos funcionando, no Centro nos bairros, aí a realidade parece ser outra mesmo sendo a mesma operadora.

    Mas depois que a TELESC, foi vendida a qualidade dos serviços despencaram, sem nota pra OI nos serviços, principalmente no atendimento 10314.

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  8. Fui assaltado no centro mês retrasado e fiquei sem celular, tive que ir do mercado público até a Santa Casa (!!!) ziguezagueando pelas quadras pra testar todos os telefones públicos do caminho. Demorei quase 20 minutos e só um funcionou.

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