Entrevista: Oscar Coester, pai do aeromóvel

Inventor do aeromóvel: “É bom sonhar, mas ver o sonho realizado é ainda melhor”

Uma ideia inovadora que poderia solucionar o problema da mobilidade urbana das capitais brasileiras há pelo menos 30 anos parece finalmente ter sido levada a sério. Prometida para a metade deste ano, a inauguração do aeromóvel em Porto Alegre garantirá o transporte de 300 pessoas em apenas 90 segundos da estação Aeroporto da Trensurb até os terminais do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Outras linhas também estão sendo estudadas, mas dentro de Porto Alegre deverá funcionar em curto prazo apenas mais uma linha, a que ligará a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) ao outro lado da Avenida Ipiranga. Quem garante é o inventor do trem aéreo movido a ar, o empresário Oscar Coester.

O empresário Oscar Coester ao lado do aeromóvel remodelado: "se Deus quiser, desta vez vai sair. É um projeto inovador" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Um engenheiro nato, daqueles que desmontam aparelhos só pelo prazer de remontá-los, Oscar Coester propôs a criação de uma espécie de barco a vela ao contrário há 30 anos e se emociona ao imaginar o dia da inauguração do aeromóvel em solo brasileiro. Acreditado e desacreditado por sucessivos governos, o projeto acabou saindo do papel fora do país. Há 23 anos funcionando de forma exitosa na Indonésia, o protótipo está quase pronto na garagem da empresa Coester, em São Leopoldo. “Há duas possibilidades para definir por que ninguém nunca fez isso antes: ou não funciona ou nunca ninguém pensou nisso”, falou, em conversa com o Sul21.

Engenheiro autodidata, Coester não passou pelos bancos da universidade, mas utiliza-se de diversos autores e referências dignas de alguém com muito conhecimento na área. Um senhor de muita humildade, o idealizador do aeromóvel contou sua trajetória desde os tempos de funcionário da Varig até o dia que assinou o contrato para finalmente concretizar o sonho de ver funcionar a sua maior invenção.

ENTREVISTA

Sul21 – De onde veio a ideia de criar um trem aéreo movido apenas a ar?

Oscar Coester – Ninguém inventa nada. A gente só tem a capacidade de enxergar as coisas. Eu acredito que é por eu ter trilhado um caminho diferente dos outros. Minha trajetória começou em Pelotas, onde nasci. Meus pais vieram da Alemanha para o Brasil em 1935. Meu pai era da área agrícola e foi contratado por uma fábrica pelotense que veio a ser a primeira fabricante de aspargos no Brasil. Mas a ideia dele era volta para a Europa, o que não ocorreu devido à Segunda Guerra Mundial. Para mim foi muito bom. Eu fiz escola técnica em Pelotas e com 17 anos eu tive que ir para o quartel. Foi assim que descobri um curso da aeronáutica, administrado pela Varig, que em dois anos passava a ser reservista da FAB (Força Aérea Brasileira). Eu fui. Este negócio de sair por ai carregando fuzil e dando tiro não era para mim. Eu sempre fui mais curioso e técnico. A escola técnica foi uma experiência muito importante e agradeço ao Getúlio (Vargas) por ela. Foi uma das grandes coisas que ele fez. Eu tinha meio turno de aulas teóricas e meio de aulas práticas, que era o meu chão. Eu fazia horrores por lá. Fiz um turbojato em uma das aulas e acordei a cidade toda quando coloquei ele a funcionar. Depois do curso passei a ser funcionário da Varig. Fui para os EUA em 1958 e fiz o curso da Boeing também.

Remodelado, aeromóvel deve entrar em atividade em Porto Alegre ainda em 2012: "é muito simples: colocar um barco a vela de cabeça para baixo e começar a soprar" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

 Leia a entrevista completa (bastante extensa) no SUL 21, clicando aqui



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6 respostas

  1. Com relação à declaração do “engenheiro autodidata” de que “Há duas possibilidades para definir por que ninguém nunca fez isso antes: ou não funciona ou nunca ninguém pensou nisso”, me parece uma confissão de que nem ele mais acredita, porque o meio de propulsão já era usado na Inglaterra no século XIX, como ele mesmo sabe.

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  2. Se no RS tivessemos uns 300 caras como esse, seríamos primeiro mundo.

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  3. O cara é simples como todo inventor, sem arrogãncia, idéia gaúcha funcionando há quase um quarto de século na Indonésia! Que vergonha pros nossos políiticos!

    Mas eles não tem esta palavra em suas vidas, muito menos em seus dicionários!

    Bah! Fazem mais de 30 anos que está engavetado na PMPA!

    Imaginem se tivessem implantado eles em todos os bairros possíveis?

    Será que a máfia do ônibus permitirá realmente venha a ser instalado nas linhas citadas?

    Depois de instalados numa linha outros bairros não vão querer eles também?

    Já vi este filme, mais um projeto pra ser engavetado, Bondes Turísticos, dez anos estão empoeirados nas gavetas dos donos dos ônibus, digo da prefeitura, dá tudo no mesmo!

    Lamentável, lastimável, revoltante, indignante, faltam-me adjetivos para estes abjetos que administram a coisas pública, não é so aí em Porto não, mas em todo país!

    Estão sempre interessados se ganham algo, se não engavetam, mesmo que seja para o prejuízo, quer seja do povo, cidades, estados, ou do país! Estes governam o país!

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  4. Baita entrevista.

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  5. Mais um exemplo de uma boa idéia, desacreditada pelo “ciumentismo e pelo cabecismo”. Sonho ver um dia diversas linhas do aeromóvel cruzando a cidade e complementando a linha 1 (trensurb) e a futura linha 2, formando uma malha e qualificando e substituindo o serviço idiota que temos hoje.

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