John Deere quer ir embora do RS

Osmar Terra diz que John Deere demite porque irá embora do RS com seus tratores. Ele acha que os governos do Brasil e do RS renderam-se à Argentina.

O deputado Osmar Terra, PMDB do RS, que tem base eleitoral na região, enumerou alguns fatos que provam que a John Deere está de saída de Horizontina:

1) a diretoria da empresa, que residia na cidade, mudou-se para Porto Alegre e será transferida para São Paulo;

2) a fábrica de tratores de Horizontina foi fechada e transferida para Montenegro;

3) a fábrica de colheitadeira reduz drasticamente sua produção e deve ser levada, a curto prazo, para a Argentina:

– Quem conhece rudimentos de economia sabe que uma multinacional não vai instalar duas unidades semelhantes perto de outra. É o caso da John Deere, que está de saída da região Noroeste do Rio Grande do Sul.

A unidade da John Deere em Horizontina, fábrica de tratores, colheitadeiras e máquinas agrícolas demitiu 40 trabalhadores no dia 3 de abril, agravando o problema social na cidade e região Noroeste do Rio Grande do Sul. No ano passado, outros 300 funcionários foram dispensados, por causa da falta de mercado para seus produtos.

Terra critica a política do governo federal “que permite que a Argentina pressione e ganhe uma planta industrial da John Deere”. Observa que a fábrica a ser ampliada está distante cerca de mil quilômetros de Horizontina:

Isso prova que o investimento cede às pressões do governo argentino, afetando diretamente os interesses brasileiros nesse mercado. Fica cada vez mais claro que o mercado argentino não importará mais máquinas da fábrica de Horizontina para montar as máquinas por lá. Os argentinos já se organizaram para ter seus próprios fornecedores. E isto também demonstra que eles não querem saber de equipamentos brasileiros para montar as máquinas .

Osmar Terra acusa o governo brasileiro e o governo gaúcho de passividade diante das ações do país vizinho e propõe uma mobilização dos setores produtivos e parlamentares gaúchos para exigir providências. Os argentinos tiram empresas e empregos do RS. E isto não se resume à John Deere e nem é questão recente. O Mercosul prejudicou o Estado, que nunca foi compensado pelos ganhos de escala obtidos pelas indústrias de SP e da Argentina, sobretudo a automotiva, a mais privilegiada.

A John Deere de Horizontina é a maior fabrica de colheitadeiras do Brasil, herdeira da SLC, tem planta de 12 hectares de área coberta. Juntas a Unidade da John Deere de Horizontina e a unidade da AGCO/Massey, de Santa Rosa, produzem 70 % das colheitadeiras brasileiras. As duas indústrias estão localizadas no Noroeste gaúcho, região que diminuiu a população no ultimo censo (2010). Terra adverte:

– Se, mesmo com tais indústrias, e outras como os frigoríficos, a região diminuiu sua população, imagine se perder a John Deere.

Políbio Braga

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Demissões na John Deere

O deputado federal Osmar Terra reagiu às demissões na fábrica da John Deere, em Horizontina.

“A empresa sofre uma pressão absurda com o bloqueio de seus produtos na Argentina, bem como para transferir operações do Rio Grande do Sul para o outro lado da fronteira”, reclamou.

“O governo de Cristina Kirchner bloqueou por nove meses as exportações da John Deere até que a empresa concordasse em construir uma fábrica de colheitadeiras lá.”

Resultado: na semana passada, mais 40 funcionários foram demitidos da unidade de colheitadeiras no Noroeste gaúcho. A eles, somam-se outras 300 demissões no ano passado. E o governo federal assiste a tudo de camarote.

Fernando Albrecht

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A fábrica da John Deere em Horizontina

Na fábrica de Horizontina, município situado no noroeste gaúcho, são produzidos colheitadeiras de grãos e plantadeiras. A fábrica tem área coberta de 122.700 metros quadrados e é uma das plataformas mundiais de exportação e de desenvolvimento tecnológico da John Deere. Nela trabalham 2.000 empregados.

A primeira colheitadeira automotriz fabricada no Brasil foi produzida em Horizontina, no ano de 1965. A Schneider Logemann & Cia, fundada em 1945 como oficina mecânica para reparos, iniciou em 1965 a produção da 65-A, tendo como base o modelo 55 da John Deere. A tecnologia John Deere passou a ter aplicação em todos os produtos da fábrica de Horizontina a partir de 1979, quando a John Deere adquiriu participação de 20% na SLC S.A. Indústria e Comércio, nova denominação da Schneider Logemann. Em 1984 a empresa começou a produzir também plantadeiras e em 1989 foi inaugurada a nova fábrica.

A produção de tratores foi iniciada em 1996, com a marca SLC – John Deere, e a partir de 2001 todos os produtos passaram a usar a marca mundial da John Deere. Em 2004, a empresa comemorou dois marcos históricos: a produção de 50 mil colheitadeiras e de 30 mil tratores em Horizontina. A produção de tratores foi transferida em 2008 para a nova fábrica de Montenegro.

Endereço:
Av. Eng. Jorge A. D. Logemann 600
Distrito Industrial
Cidade: Horizontina/RS
CEP: 98920-000
Fone/Fax: 055-3537-5000
 

Fonte: John Deere



Categorias:Economia Estadual

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17 respostas

  1. Quando eu for empresário, procurarei fazer meus tratores onda o custo é menor. Sei que no Brasil a carga tributária e trabalhista está entre as maiores do mundo. O sr. Terra teria que lutar para reduzir estes encargos, mas ele não entende de ser empresário.

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  2. Faz 15 anos que ouço essa notícia.
    Pobre deputado infeliz, quer atenção.
    Todo ano, nesta época, a produção agrícola é baixa e demite-se funcionários. Antigamente antes da fábrica de tratores se mudar para Montenegro os funcionários eram ‘ajeitados’ em outros setores.

    Se o boato fosse que iria se mudar para o centro do país, aí sim era de se preocupar. Pois é isso que vai acontecer nos próximos anos.

    De qualquer modo, já estou bem longe.

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  3. A situação parece trágica mesmo (tem que ver o que é exagero aí), mas o governo não é Messias. Se a coisa tá feia a ponto de fechar, não tem como o governo tornar a situação sustentável por decreto. No máximo a esfera Federal pressionar a Argentina a mudar de postura no caso, o que não adianta muito, até porque é justamente o que a Argentina quer.

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