Fábrica de caminhões será ”totalmente brasileira” em 5 anos

Camaquã escolhida por fábrica chinesa

Indústria de caminhões Yunlihong espera inaugurar planta até 2013

Missão chinesa esteve na zona Sul para analisar a instalação da fábrica Crédito: Claudio fachel / palácio piratini / cp

O município de Camaquã foi escolhido pela empresa chinesa Shiyan Yunlihong para receber a fábrica de veículos comerciais leves e caminhões. O anúncio foi feito ontem, em solenidade no Palácio Piratini. As cidades de Santa Maria e Tapes também estavam na disputa para receber o investimento. A delegação chinesa chegou a visitar Tapes segunda-feira para conhecer o projeto de construção de um porto com capacidade para navios de grande porte.

A empresa espera iniciar a produção no final do primeiro semestre do ano que vem. Após liberação das licenças, em dez meses a fábrica pode ser concluída. O investimento inicial será de R$ 185 milhões, com previsão de geração de 200 empregos na implantação e 455 postos de trabalho na operação. No primeiro momento, a previsão é de produção de 5 mil caminhões, com importação das peças para montagem dos veículos. A capacidade da planta deve ser aumentada para 20 mil unidades em cinco anos.

A presidente da empresa, Lian Bing Yun, explicou os critérios para a escolha de Camaquã. “A infraestrutura de logística, custos e mão de obra foram decisivos. O município de Santa Maria nos recebeu de braços abertos e vamos indicá-la para receber investimentos de outras empresas chinesas”, disse Lian.

Totalmente brasileira” em 5 anos

A presidente da Shiyan Yunlihong (braço da gigante DongFeng), Lian Bing Yun, falou dos planos de expansão da unidade da empresa chinesa no município de Camaquã. “Nosso objetivo é, no prazo de cinco anos, ter uma fábrica totalmente brasileira e exportar caminhões para o mercado latino-americano e da África”, explicou. O Rio Grande do Sul deve responder por 20% das vendas da marca chinesa. Os demais estados devem responder por 60% e 20% serão destinados ao mercado externo.

Um prédio de três andares em Camaquã foi cedido para que funcionários da companhia iniciem o processo de obtenção das licenças. Oito chineses e representantes brasileiros trabalharão no processo. Para o prefeito de Camaquã, Ernesto Molon, a conquista da fábrica chinesa representa um presente para o município, que completa 148 anos, e também vai representar a diversificação da produção, que tem no arroz e no fumo as principais culturas. “O fato representa uma vitória também para todos os municípios da região. Em Camaquã estará a possibilidade de ficar menos suscetível a perdas e quebras de lavouras”, disse Molon.

Durante a solenidade de anúncio de instalação da fábrica chinesa em Camaquã, o secretário estadual de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, lembrou que, sozinha, a Shiyan Yunlihong produz 300 mil caminhões anualmente, mais que as 216.270 unidades produzidas por todas as montadoras instaladas no país em 2011. Ele acrescentou que “a produção dessas montadoras tem extraordinária capacidade de entrar em sintonia com a base de fornecedores já instalada no Rio Grande do Sul”. “Temos uma classe trabalhadora qualificada que vai nos permitir dar um salto de crescimento com o reforço da nova política industrial”, declarou o governador Tarso Genro.

Santa Maria lamentou a perda

Em nota, a Prefeitura de Santa Maria lamentou a perda da preferência na escolha para sediar a instalação de uma montadora chinesa de caminhões. “Mais uma vez, Santa Maria figurou no visor do desenvolvimento do RS e disputou com apenas outra cidade – a escolhida foi Camaquã – os investimentos da fábrica chinesa. O texto acrescenta que “não menos importante que o resultado dessa disputa é o fato de Santa Maria estar entre os municípios do RS lembrados para receber grandes empreendimentos, sejam eles de capital nacional ou internacional.

“Ao longo dos últimos três anos e três meses, a prefeitura não mediu esforços para atrair investimentos e incentivar iniciativas empreendedoras locais para geração de emprego e renda.” Segundo o texto, “a municipalização e o licenciamento ambiental do Distrito Industrial estão atraindo 19 novas indústrias e possibilitando a instalação e a ampliação de outras 18 unidades 100% santa-marienses”. Soma-se à revitalização, um conjunto de políticas públicas que confere a Santa Maria o status de município com melhor modelo de desenvolvimento entre as cidades de médio e grande porte do RS, conforme avaliação do Sebrae.

Correio do Povo



Categorias:Economia Estadual

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17 respostas

  1. OBS: O futuro porto (obra incluída no PAC 2) não é em Camaquã, e sim em Tapes.

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  2. Imaginei.

    Esses caminhões devem ser vendidos para toda a AL.
    Não contrariem os chineses, eles sabem fazer com que tudo fique baratinho.
    haha

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  3. 5000 caminhões?? n eram 500??? se forem 5000 mesmo então é um número excelente

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  4. Se formos inteligentes saberemos aproveitar essa influência chinesa aprenderemos a valorizar mais a educação e áreas tecnológicas em detrimento ao direito.

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    • Não entendi? Roubando tecnologia você quer dizer?

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      • Julião.

        Se olhares o processo de industrialização nos USA, no Japão e demais países, começa pela cópia, passa pela pesquisa e termina na inovação. O problema que no exemplo brasileiro, ficamos sempre na primeira etapa e nunca passamos para as subsequentes.

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      • Não entendi a relação entre esse “roubo” e valorização da educação e tecnologia…

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  5. Poderiam lançar a ideia de Santa Maria, como capital do RS, para descentralizar o desenvolvimento do estado.

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    • Porque pobre das regiões Centro, Oeste, Noroeste, Sudoeste do RS.

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    • Bah, isso implicaria em mais gastos para o nosso empobrecido estado! Todos as sedes dos órgãos públicos teriam que ir para lá, pois uma capital é assim considerada justamente por centralizar a administração de um estado, gastariam uma fortuna para construir e adquirir imóveis para tanto, sem falar nos transtornos que uma grande mudança dessas ocasiona. Seria uma nova Brasília, uma gastança desnecessária (ainda que nesse caso não fosse necessriamente uma nova cidade inteira a ser erguida) para os políticos continuarem os mesmos e administrando o governo da mesma forma. A capital do país nunca deveria ter saído do Rio de Janeiro, onde já estava instalada, e a capital do RS deve permanecer em POA, onde já está. Não sei como nos EUA as capitais dos estados funcionam na sua grande maioria em pequenas cidades, mas sei que aqui no Brasil isso não funciona. A própria Brasília inchou e inflou.

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      • Discordo, se a capital brasileira ainda fosse no Rio, com esse centralismos federativo que vivemos, a gandaia ia ser pior ainda.

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        • Os políticos seriam os mesmíssimos.Defendi o Rio porque já era lá, tudo já estava montado lá, mas se fosse para dizer onde eu acho que deveria ser, creio que deveria ser em São Paulo, que é a principal cidade do país. Esse centralismo federativo não mudaria, só mudaria se a capital fosse em POA, mas infelizmente isso nunca seria, mais fácil seria que o RS fosse um país do que POA fosse a cpaital do pais, então, fosse onde fosse a capital do país, esse centralismo federativo ainda assim existiria.

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    • Julião

      Os chineses minimizam o máximo os custos, transportar em trem ou caminhão o produto da fábrica até o Porto de Rio Grande custa dinheiro e atrasa a entrega. Vendo a lagoa eles já pensaram em transporte fluvial com isto Santa Maria fica de fora.

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      • Muito bem colocado.

        Veja que interessante, uma empresa chinesa de caminhões usarão o transporte fluvial para reduzir o seu custo, no entanto desperdiçamos nossa lagoa e nosso extenso litoral transportando tudo com caminhão, destruindo as estradas pagas com nosso dinheiro.

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      • Os chineses ingênuos cairam na lorota do Beto Grill.
        Sabe quanto tempo levará para fazerem um porto em Camaquã???
        No ritmo “brasil”??
        Décadas, senão séculos…

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        • Frank
          Um porto fluvial não é tão caro assim. Os sistema fluvial não é aproveitado no Rio Grande do Sul mais por tacanhice do que por falta de recursos. Aqui quem manda é o transporte rodoviário, mesmo que isto torne o nosso produto mais caro.

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