Previsão oficial de custo dos estádios da Copa já subiu R$ 992 milhões; dinheiro público vai pagar 97%

Sobem os custos e as irregularidades: só na Arena Amazônia, TCU denuncia superfaturamento de R$ 86 mi

A previsão oficial atual do custo total das construções e reformas dos 12 estádios que serão utilizados na Copa do Mundo de 2014 é de R$ 6,904 bilhões.

O valor é R$ 992 milhões superior à previsão inicial do Ministério do Esporte, divulgada em janeiro de 2010, na Matriz de Responsabilidades da Copa (veja tabela abaixo), documento assinado pelas autoridades públicas brasileiras que contém a previsão de custos e prazos das obras planejadas pelo país para receber o Mundial de futebol.

Fonte: Ministério do Esporte
* Previsão do governo do DF
** Segundo dados da Odebrecht, construtora do estádio

Na última quinta-feira, o Ministério do Esporte publicou uma atualização da Matriz, revendo as previsões de custos de estádios e obras de mobilidade urbana, portos e aeroportos. O valor total a que chegou a pasta federal, porém, pode ser considerado uma estimativa conservadora do custo total das arenas.

É que o ministério não leva em conta alguns custos adicionados às obras pelas secretarias estaduais responsáveis pelas empreitadas. Em Cuiabá (MT), por exemplo, o governo local contratou uma empresa para fiscalizar e coordenar as obras da Arena Pantanal. O valor do contrato é de R$ 7 milhões.

Em Brasília (DF), a previsão do Governo do Distrito Federal não inclui o custo de construção de um túnel de 300 metros que está previsto para ligar o Estádio Nacional a um centro de convenções. Além disso, para chegar ao custo de R$ 800 milhões, o governo distrital conta com um desconto em impostos federais que ainda não foi concedido. Caso o benefício fiscal não se concretize, a arena brasiliense deverá custar mais de R$ 1 bilhão. O mesmo acontece com o Maracanã, no Rio de Janeiro.

Em outro exemplo, em Manaus (AM), a estimativa do Ministério do Esporte de que a Arena Amazônia vai custar R$ 533 milhões diverge dos cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), que levantou um custo total de R$ 615 milhões para a obra, ao mesmo tempo em que detectou um superfaturamento de R$ 86 milhões na empreitada, que está a cargo da empreiteira Andrade Gutierrez.

Em Salvador (BA), o modelo adotado pelo governo estadual prevê que os cofres públicos paguem às empreiteiras OAS e Odebrecht, que são financiadas por empréstimos estatais para erguer a Arena Fonte Nova, o montante de R$ 107,3 milhões anuais durante 15 anos para que os concessionários administrem o bem público. É essa a PPP (parceria público-privada) que o governo da Bahia assinou com as empreiteiras.

Funciona assim: OAS e Odebrecht recebem empréstimos estatais subsidiados para construir o estádio para o povo baiano. Em troca, têm direito a explorar a arena por 35 anos e a receber essa contrapartida anual de R$ 107,3 milhões por 15 anos.

O TCE-BA (Tribunal de Contas do Estado da Bahia) realizou auditoria no Contrato de Parceria Público Privada nº 02/2010, que tem por objeto a reconstrução e exploração do Estádio da Fonte Nova pelo prazo de 35 anos. Foram identificadas as seguintes situações:

1. “precariedade na motivação administrativa quanto ao modelo adotado”;

2. “prazo de concessão da PPP demasiadamente elástico”;

3. “valor superestimado da Contraprestação Pública (CP)”;

4. “falhas na estimativa de custos e despesas da PPP durante a fase pré-operacional

e operacional”; e

5. “precariedade da estimativa do custo global da obra”.

As manifestações oferecidas pelos gestores responsáveis estão em fase de análise no âmbito do TCE há mais de um ano.

A Copa do dinheiro público

Dos R$ 6,904 bilhões da previsão oficial de custo dos estádios da Copa, R$ 6,712 bilhões sairão dos cofres públicos, valor correspondente a 97,2% do total. Apenas o estádio do Beira-Rio (RS) e o da Arena da Baixada (PR) estão recebendo dinheiro privado em sua construção.

Em São Paulo, o estádio que está sendo feito pelo Corinthians e pela empreiteira Odebrecht na zona leste da cidade será parcialmente pago pelos seus donos. São R$ 400 milhões que terão que ser reembolsados ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Mas, até que a Copa termine, só o dinheiro público banca a obra.

Em dezembro de 2007, o então ministro do Esporte, Orlando Silva, em discurso no Rio de Janeiro, previu: “Os estádios para a Copa do Mundo serão construídos com dinheiro privado. Não haverá um centavo de dinheiro público para os estádios”. Nada mais longe da verdade.

Vista de dentro do gramado da demolição para a reforma do estádio Beira-Rio do Internacional (10/04/2012) Carmelito Bifano/UOL Esporte

E AINDA TEM MAIS

Uma obra de reforma e ampliação do estádio Flamarion Vasconcelos, na cidade de Boa Vista, capital de Roraima, está sendo executada pelo governo estadual com recursos do governo federal a um custo previsto de R$ 100 milhões.

Esse é o valor estimado para transformar o estádio, com capacidade para 8.000 pessoas e construído em 1975, em uma arena moderna para 10 mil pessoas, de padrão internacional, para que Boa Vista concorra a ser sede de treino de uma das 31 seleções que virão disputar a Copa de 2014. Há 158 municípios na disputa. LEIA MAIS

UOL – COPA 2014 – Vinícius Segalla – São Paulo



Categorias:COPA 2014

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4 respostas

  1. Alguem ficou surpreso com essa noticia??

    Eu nao esperava nada diferente!

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  2. Brasiiiiiiiiiiiil, meu Brasiiiiiiil brasileeeeeiro…. haha

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  3. Com toda a certeza, no Itaquerão vai ser erigida uma estátua para o maior dos corintianos, Luis Inácio Lula da Silva, que arrecadou o dinheiro do povo (que ele tanto gosta de citar) para dar aquele grandioso estádio ao seu time do coração. O resto que se dane.

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  4. É uma vergonha o que fazem. O estado de Roraima não deve ter saúde adequada, educação, etc. Mas ganha 100 milhoes para fazer um estádio de futebol… que logo após a copa será deixado às moscas!
    Brasil: país DESACREDITADO!!!

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