A cidade vai parar na (i)mobilidade urbana ?

Calçadas devem compor um sistema, afirma especialista em São Paulo

Especialistas da área de transportes participaram do debate A Cidade vai parar na (i) mobilidade urbana?, realizado ontem (7) em S. Paulo. O Mobilize estava lá.

Apresentação durante o seminário do Idelt créditos: Regina Rocha/Mobilize

Calçadas devem ser estruturadas, projetadas, construídas e mantidas como um sistema de transporte, tal como os metrôs e trens urbanos. A opinião é do engenheiro Philip Gold, especialista em segurança de trânsito, que apresentou ontem uma proposta para mudar radicalmente a gestão dos caminhos de pedestres nas cidades brasileiras.

Gold falou durante o encontro do “Projeto Seis e Meia”, realizado nesta segunda-feira (7) pelo Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente (Idelt), em São Paulo. Para debater o tema “A Cidade vai parar na (i) mobilidade urbana?”, o Idelt convidou especialistas em transporte e urbanismo, como o planejador urbano Thiago Guimarães, consultor do Mobilize Brasil; Joaquim Lopes da Silva Jr., presidente da EMTU; o presidente da ANTP, Ailton Brasiliense; e o engenheiro Carlos Paiva.

Philip Gold defendeu a ideia de que o caminhar é e continuará a ser uma componente das mais importantes no transporte urbano. “Toda a população do Brasil e do mundo caminha ao menos alguns minutos ao dia. E sem pessoas caminhando a pé não haveria passageiros nos trens e ônibus das cidades. O problema é que não enxergamos esta rede de transporte e por isso a qualidade é péssima, a pior no sistema de transporte”, lembrou o especialista.

Gold mostrou alguns exemplos de como seria possível estruturar um sistema de caminhos, incluindo as calçadas, faixas de pedestres, sinalização específica, iluminação, paisagismo, passarelas e túneis, tudo para facilitar e tornar mais confortável a viagem do pedestre. O objetivo é aumentar a mobilidade, melhorar a condição ambiental das cidades e estimular a ocupação das cidades, ruas e praças pelas pessoas.

Carlos Paiva defendeu também o espaço para o pedestre, mas associado ao uso da bicicleta, que pode reduzir as longas caminhadas entre as casas, estações de transporte e os locais de trabalho. Paiva e Thiago Guimarães centraram suas palestras em mostrar as dinâmicas da cidade de São Paulo, com o progressivo esvaziamento das regiões centrais e o crescimento da população nos bairros periféricos. O resultado são as milhões de viagens realizadas todos os dias por paulistanos entre o centro, onde estão os locais de trabalho, e os bairros, a 30 km ou 40 km de distância. Algumas imagens projetadas por Paiva – ônibus, trens e estações superlotadas – mostraram o problema, de forma concreta.

A postura das autoridades tem sido a de “correr atrás” desse movimento da população, com a expansão das redes de metrôs e, especialmente de ônibus, como revelou o presidente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, Joaquim Lopes. Em sua apresentação, Silva traçou um panorama da expansão dos corredores de ônibus na região metropolitana, algo em torno de 200 km até 2014, incluindo a ligação entre o aeroporto de Cumbica e a estação Tucuruvi do metrô, na zona norte de São Paulo.

Política de Mobilidade Urbana

Ailton Brasiliense, da ANTP, lembrou a recente vigência da nova política nacional de mobilidade urbana, as oportunidades e desafios que a lei traz. E sugeriu que a sociedade se organize e leve suas propostas aos candidatos das próximas eleições. “Não adianta esperar propostas dos governantes. A sociedade é que precisa organizar suas proposições de mobilidade e levá-las aos candidatos e depois cobrá-los”, declarou Ailton.

Ele fez um breve histórico sobre a urbanização da cidade de São Paulo, lembrou que a capital chegou a ter mais de 300 km de trilhos – e linhas elétricas – de bondes, até a chegada do automóvel e a decisão do prefeito Prestes Maia, de iniciar um plano de avenidas para abrir espaço ao novo modo de transporte mais moderno que o automóvel então representava. “Até 1950, quase 90% das viagens urbanas eram feitas por transporte público e o tempo médio de viagem não passava de dez minutos”.

O Idelt realiza os debates do “Projeto Seis e Meia” todos os meses, sempre sobre um tema relacionado ao transporte urbano e sempre aberto à participação do público. Para saber mais, acesse o site http://www.cargaurbana.org.br

Marcos de Sousa / Mobilize Brasil | Postado em: 08 de maio de 2012

MOBILIZE.ORG



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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16 respostas

  1. O Gabriel fez um bom “RX”, mas não falou nada que não saibamos.

    O Blog mencionou os anos 50, mas lá existiam meios de transpotes que foram sucateados
    e não dá pra comparar a realidade e número da população daquela época com a atual, a
    grande metrópolis, no caso a mencionada, São Paulo.

    Não adiantam só ciclovias, calçadões para pedestres, praças, calçadas espaçosas, faixas de seguranças “respeitadas”, sem segurança para andar na rua e ser assaltado.

    A mobilidade urbana pelo que li no comentário do Blog está no trânsito público, em todos lugares de boa qualidade à população sem divisões de classes, transporte público com qualidade, para quem deseja por opção em andar de transporte próprio por causa da falta de qualidade deste, ter acesso às ruas sem engarrafamentos das horas de pique etc.

    Que os políticos não estão nem aí para o povão e às classes menos privilegiadas não é nenhuma novidade também, estes como bem comentado, vivem noutra esfera, não usam do mau serviço disponível, andam de carros importados e digo mais, blindados, além de helicópteros e jatinhos.

    Enquanto a mídia não cobrar uma atitude das autoridades competentes em momentos estratégicos, como de agora, em ano eleitoral, com promessas registradas em cartório, com cláusulas específicas de que se não cumprirem o que prometeram, devolverem todos salários e não disputarem reeleições!

    Isto deveriam valer para vereadores, prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e até para o cargo de presidente da república!

    Mas como aqui não é um EUA, tudo é uma sujeira completa, corrupções expostas sem ter
    punições, o lobby de político proteger político já é coisa manjada, CPI é só pra engana que eu gosto, se não for do interesse para o govêrno, as coisas são abafadas mesmo.

    Assim a vida segue, ninguém faz nada para resolver o problema mencionado, tudo acaba nos interesses deles, os tais safados conforme mencionou o Gabriel, não usam, então não
    sabem a realidade do povo que dizem dirigir.

    Todos sabem o que fazer neste assunto, até um analfabeto, lamentável depender destes!

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