Polo naval gera “ramais” longe do mar de Rio Grande

Empresas apostam na navegabilidade do rio Jacuí e na mão de obra de outras regiões – principalmente Charqueadas – para produzir módulos de plataformas petrolíferas

Por Pedro Pereira

O mapa da indústria naval no Rio Grande do Sul vem passando por uma importante transformação. Antes restritas ao extremo sul do estado – principalmente na cidade de Rio Grande –, as atividades do setor agora encontram campo fértil na região do rio Jacuí. Em um primeiro momento, o município que está se beneficiando diretamente deste “transbordamento” da indústria naval de Rio Grande é Charqueadas, a 56 quilômetros de Porto Alegre e a 340 quilômetros da cidade que abriga o grande porto do Estado. Os trunfos de Charqueadas são suas escolas técnicas, com capacidade para formar mão-de-obra de boa qualidade, além do fácil acesso ao mar – uma vantagem que outros municípios situados no curso do Rio Jacuí também apresentam.

Um exemplo deste fenômeno é a chegada da IESA Óleo a Gás, com sede no Rio de Janeiro. A empresa anunciou investimento de R$ 20 milhões em área que foi desapropriada pela prefeitura de Charqueadas e deve empregar 1,2 mil pessoas na fabricação de módulos para plataformas de petróleo. “Serão treinados na região engenheiros, montadores, soldadores, eletricistas e encanadores e, para isso, a empresa contará com a excelente estrutura das escolas técnicas da cidade”, aposta Valdir Lima Carneiro, presidente da empresa. Outra companhia que aposta na mão de obra de Charqueadas é a Engecampo Engenharia Industrial, que se instalará em uma área arrendada de 16 hectares, ao lado da futura unidade da IESA – onde também fabricará módulos para plataformas de petróleo. A expectativa de utilização de mão de obra é de 450 postos efetivos e 400 empregos indiretos.

Segundo o consultor Maurênio Stortti, está claro que as cidades de Rio Grande e São José continuam sendo o lugar ideal para grandes empreendimentos, que necessitam de águas mais profundas. “Grandes estaleiros precisam de condições que existem só lá. Mas o segundo produto que a Petrobras vai demandar são os módulos – e Charqueadas é propícia porque tem área [para a instalação de novas indústrias] e calado de quatro metros até Rio Grande”, explica.

Outras empresas que devem desembarcar na região são a UTC e a Tomé Engenharia. A instalação da UTC ainda depende da desapropriação de uma área que será cedida pela prefeitura. O processo de liberação do terreno obteve parecer favorável e aguarda um depósito judicial para a emissão provisória de posse. Após a conclusão do processo, a empresa investirá R$ 118 milhões e deve gerar cerca de 1,5 mil postos de trabalho. Já a Tomé Engenharia afirma interesse em investir R$ 110 milhões na edificação e adequação de uma unidade industrial. A empresa empregará 2 mil pessoas na fabricação de partes de plataformas de petróleo e unidades de processo – como componentes, equipamentos, estruturas marítimas e módulos destinados à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás.

Na visão de Marcos Reis, diretor de suporte à gestão da Quip S/A, o Rio Grande do Sul está trabalhando para que a indústria naval beneficie todo o estado. Ele observa o desenvolvimento de ações semelhantes em outros pontos do Brasil – como Pernambuco, que já conta com um polo naval, e Ceará, onde há tratativas para a instalação de outro, além do já tradicional polo carioca. “A Petrobras tem uma demanda muito grande e outros estados podem vir a contar com novos estaleiros, mas esses estados que citei saem na frente”, analisa. Criada em 2006, a Quip S/A foi a primeira empresa a implementar uma plataforma no município de Rio Grande – a P-53, finalizada em 2008.

Revista Amanhã



Categorias:Economia, Economia Estadual

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4 respostas

  1. Parece que o polo naval estará focado na área de petróleo e gás… Será que algum dia será usada para passageiros ou demais mercadorias?

    Veja o que acontece nas estradas. Caminhões transportam 40 toneladas por eixo e pagam pouco mais que o dobro dos automóveis que na maioria das vezes pesa certa de 1 tonelada. Já as motos que como o motorista não passam de 300kg, pagam mais ou menos a metade do automóvel.

    Resultado: Motos pagam as estradas para o automóvel que pagam para os caminhões. Por outro lado os caminhões são os que mais destroem as estradas. Além disso os caminhões recebem incentivos no diesel e na sua produção.

    Por isso que as estradas precisam ser refeitas e receber recapagem seguidamente, e nós pagamos por isso! O transporte fluvial é que merece ser incentivado!

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    • A relação do desgaste de uma rodovia é proporcional ao peso por eixo elevado na quinta potência! Porém motos não tem grande peso, mas a pressão nos pneus é muito grande.

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      • Está aí algo que eu gostaria de ver… a pressão que cada veículo faz sobre a estrada (peso / área de contato).

        Me arrisco a dizer que o IPVA cobrado como porcentagem do preço do veículo não condiz com o desgaste da rodovia.

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      • Pablo.
        O dado que guardo de cabeça é a potência quinta em função da carga, agora como atua a pressão não tenho ideia.

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