Praça da Alfândega fica pronta em agosto

Alfândega guarda história da Capital

Praça, que vem sendo restaurada há dois anos, deve ficar pronta em agosto

Ajardinamento é uma das últimas etapas do projeto Crédito: cristiano estrela

Quem passeia hoje pela frente do Margs está pisando em cima de uma das duas grandes escadarias, que, na segunda metade do século XIX, serviam de entrada e saída de pessoas que utilizavam os botes como meio de locomoção. Naquele tempo, o tráfego era pelas águas. As mercadorias chegavam em barcos carregados que aportavam em um longo trapiche hoje enterrado na avenida Sepúlveda, entre o Margs e o Memorial do Rio Grande do Sul.

Ali foi a infância de Porto Alegre, que se alimentava de produtos vindos de outros estados pelo Porto de Rio Grande e pela Lagoa dos Patos até desaguar no Guaíba, e se sustentava com a venda de seus produtos enviados pelo mesmo caminho. Chegou o tempo do primeiro aterro iniciado no final do século XIX por uma grande cortina de pedras para fazer o imenso Cais do Porto, cujos armazéns margeiam o Guaíba, e o tempo em que os navios deixaram o Centro, com vias ocupadas por carros e pedestres.

Essas são algumas das histórias vividas pela Praça da Alfândega, que nos últimos dois anos tem a arquitetura restaurada pelo programa Monumenta. As escavações arqueológicas chegaram, por exemplo, até a escadaria e os estudos localizaram imagens de satélite que comprovam que o trapiche está inteiro – apesar de enterrado.

Hoje com vias mais largas, menos árvores, bancos reposicionados e mosaicos portugueses reorganizados, ela vive os momentos finais de sua reurbanização. Pelo planejamento, adquire novamente o desenho que tinha por volta dos anos 1930, época tida como áurea pelos historiadores, quando a comunidade a desfrutava como um ponto de encontro, acolhida do antes e depois do cinema, e lugar para cultivar a tranquilidade e a amizade.

Em tempos de outrora, antes do aterro, ela se chamava Largo da Quitanda, praça guardada por senhoras, em geral escravas, que andavam com grandes cestos vendendo comestíveis como doces, rapaduras e batata-doce.

“Um patrimônio histórico não é apenas material, mas social. O significado da praça se completa à medida que as pessoas resgatarem a preciosidade de sua história”, afirma a coordenadora do programa Monumenta, Briane Panitz Bicca.

Recém-chegado à cidade, vindo de Belo Horizonte, o funcionário dos Correios Rodrigo Brandão se sente em casa no local. “Trabalho no Centro e aqui espero minha esposa. Consigo, na praça, ter uma tranquilidade, mesmo estando no coração da cidade. As árvores, a distância dos carros e os passarinhos propiciam esse aconchego de todo dia”, relata.

A previsão é que a praça fique pronta em agosto. Na última semana começou o ajardinamento, uma das últimas etapas, serviço contratado por R$ 250 mil pela prefeitura. Conforme o arquiteto do Monumenta, Luiz Mirino Xavier, falta retirar o banheiro antigo e finalizar a pavimentação das ruas do entorno e a construção do Caminho dos Jacarandás. Ao lado da Caixa Econômica Federal, o caminho receberá duas bancas de revista, uma de mel, um posto de informação turísticas, sorveteria, floricultura, banheiros e espaço da Smam.

Correio do Povo



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11 respostas

  1. “……A previsão é que a praça fique pronta em agosto…..”
    So nao menciona em qual ano!!!!!!!!!!!!

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  2. Faltou dizer quando vão ligar as FONTES ao redor da estátua! Continua tudo SECO!!! Mais: espero que plantem FLORES, e não aquelas mesmas folhagens tropicais escuras de sempre.

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  3. Estou no rio e na frente do Paço Municipal tem uma área pequena mas significativa, o antigo muro e escadaria onde subiam/desciam todos que chegavam no rio pela baía da guanabara… seja escravos ou burgueses…. porque não escavar e deixar para todo mundo ver essa escadaria? Sem acesso mesmo, mas para todo mundo encontrar um lugar antigo da cidade…

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  4. Quantas vezes já deram prazo para conclusão e não cumpriram ?

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  5. Atenção aos detalhes é o que falta.

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    • Olha eu falando sem ter visto a praça… Mas até as últimas fotos postadas aqui era essa a conclusão.

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    • O que falta é uma população educada e que mereça uma obra dessas, e não essa desleixada que picha os bancos menos de uma semana depois deles terem sido instalados.

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      • Talvez investindo em educação, sei lá. Como meter na mente dessa gente que destruir a cidade não leva a nada?

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        • Brasileiro so aprende ou quando sai na pior num caso desses (é preso pra valer) ou quando dói no bolso.

          Nos eua é prisao na certa pra quem dirige levemente bebado. Vai pra cadeia mesmo. As pessoas com o tempo adquirem um receio, andam na linha. Por que sera que nao ha esses vandalismos em cidades de primeiro mundo?

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