ARTIGO: Novos ares para o IV Distrito, por Adeli Sell

Próximo do Centro Histórico, da Rodoviária, do Aeroporto, da entrada e da saída da cidade, além de bairros tradicionais como o Moinhos de Vento, o IV Distrito figura hoje entre as regiões com maior potencial de crescimento e revitalização da cidade. No passado, foi um dos espaços mais nobres da cidade, nos áureos tempos de sua indústria e construção de prédios históricos. Hoje, a realidade é outra.

O cenário atual contrasta em vários quesitos. Muito do que temos ali é cinza, sujo e escuro. As calçadas e pista de rolamentos são só solavancos. Vastos pavilhões fechados. Edificações em decadência. Prédios históricos e que devem ser recuperados com urgência antes que seja tarde. Há também edificações listadas pela prefeitura como de interesse cultural que são uma afronta, pois nada representam para a História da cidade.

E tem uma disputa entre moradores, transeuntes e trabalhadores da região com profissionais do sexo. Os problemas são correlatos: violência, brigas, arruaças, barulho, desassossego, sexo feito em espaço público e diante de menores. Isto é uma angústia e causa um tremendo mal estar e desconforto aos moradores que por ali circulam.

As primeiras coisas a serem feitas cabem ao poder público: limpeza, recolhimento de lixo, garantia de iluminação pública, fiscalização das calçadas; arrumação da pista de rolamentos das ruas, retirada de obstáculos das calçadas, obras de infra-estrutura contras os alagamentos, etc.

Sempre penso que a Prefeitura deveria propor aos empreendedores locais e possíveis parceiros um projeto global de revitalização do local. Certa feita, disse ao nosso Secretário que a Fazenda deveria dar um desconto substantivo no IPTU a todos os que pintassem, reciclassem, renovassem suas edificações dentro das normas da Prefeitura. Mas pior do que isto, a Prefeitura não dá desconto no IPTU e ainda apresenta dificuldades para qualquer coisa que se queixa fazer aí.

Em seguida, poderíamos implantar algo semelhante ao que foi feito em Barcelona com uma região degradada, parecida com a realidade do IV Distrito, transformada em “@21”, um espaço para a tecnologia da informação, com incentivos fiscais. Aqui, poderia ser dado apoio a uma rota de gastronomia, uma rua para utilidades domésticas especialmente na área de iluminação, coisas que já existem, mas que poderiam melhorar. Poderia haver uma rota de locais de entretenimento ao longo da Farrapos, com os devidos cuidados. Mas o “quente” mesmo para alavancar a região seria de propor uma indústria limpa, uma soma de tecnologia de informação, com laboratórios farmacêuticos, clínicas de saúde, indústria óptica e correlatos de saúde. Isto comporia um sistema local de produção.

Mas não podemos esquecer de incentivar uma miscigenação de tudo isto com habitações variadas, que mesclariam classes sociais. Por isto, foi um equívoco fazer aquelas casinhas na Vila dos Papeleiros/Santa Terezinha, quando deveríamos ter treinado aquelas pessoas, para outras atividades profissionais, construído um grande edifício, dando espaço para uma composição para o projeto do Minha Casa Minha Vida, que faria uma ligação com o prédio da Rossi/Fiatecci. Isto sim que teria sido ousado. E é assim que começo a pensar o IV Distrito.Espero estar iniciando um novo processo de debates com este artigo, podendo surgir outras e melhores idéias a partir deste.

Adeli Sell

Vereador de Porto Alegre

(enviado diretamente do Vereador Adeli Sell)



Categorias:Artigos, Revitalização 4º Distrito

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12 respostas

  1. Eu moro no 4 distrito e penso que se deveria fazer dele uma “nova cidade baixa”, visto que em algumas partes da região quase não temos residências, logo os boêmios não incomodariam ninguém como acontece hoje na Cidade Baixa.

    Esta semana mesmo passei pela Ernesto Alves e fiquei imaginando como seria se ela fosse cheia de bares, restaurantes e assemelhados, mais ou menos como o Dragão do Mar em Fortaleza (foto abaixo)

    Infelizmente isto nunca vai acontecer por aqui, ou vai demorar tanto que não terei mais idade para usufruir.

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