História resgatada na Rua São Carlos

Prédio construído em 1928 está sendo restaurado e vai abrigar Centro Cultural no bairro Floresta

Um antigo espaço nas esquinas da ruas Hoffmann com São Carlos, que ficou muito tempo abandonado, começa a tomar um novo formato e sua restauração pode devolver parte da história a cidade. Esta pelo menos é a ideia dos atuais donos da área de aproximadamente dois mil m2 localizada no bairro Floresta, próximo a avenida Farrapos e que está sendo restaurada desde agosto do último ano. A construção teve como responsável o arquiteto e artista plástico alemão Joseph Lutzenberguer. O pai do famoso agrônomo e ecologista José Antonio Lutzenberguer foi o responsável pela construção de dois prédios e um galpão no local, em 1928. O espaço é considerado hoje área de interesse cultural do município e serviu de casa de aluguel na década de 20 para trabalhadores das industrias instaladas na região.

Conforme João Felipe Chaves Barcelos Wallig, arquiteto sediado em São Paulo e que coordena o atual projeto, após um período de ocupação indevida os herdeiros conseguiram retomar os prédios. “Queremos devolvê-los a cidade e torná-los de uso público, com utilidade para o bairro”. Conforme Wallig o projeto contempla um Centro Cultural, com espaço para teatro, exposições e restaurante, e salas para escritórios, com espaços alugados. “Vamos restaurar todo o complexo e sua utilização vai marcar um novo olhar para esta região que está em processo de revitalização”, lembra.

Os prédios

A configuração da quadra que abrange as duas ruas, mostra dois edifícios com 32 apartamentos e disposição de acessos. Os prédios que foram construídos para serem casas de aluguel para operários da zona industrial na época de indústrias como a Wallig, Gerdau, Fiatecci e Brahma, têm também um galpão onde funcionava uma grande oficina. Sua arquitetura eclética mistura tendências nos dois mil m2 de área construída. “Varandas com janela saltada para melhor aproveitamento solar estão entre alguns dos pontos de destaque das construções”, lembra Vitor Pena de escritório de São Paulo, que está a frente da restauração do prédio.

Sobre Lutzenberguer

Segundo a biografia do arquiteto logo que chegou a Porto Alegre, Joseph Lutzemberguer foi trabalhar para a construtora Weis & Cia e projetou prédios importantes, como a Igreja São José, o Palácio do Comércio e o Instituto Pão dos Pobres, em Porto Alegre. A partir de 1938, deu aulas no antigo Instituto de Belas Artes, ensinando nas cadeiras de arte decorativa e mural, geometria descritiva, perspectiva e sombras. Como artista plástico é considerado hoje um dos maiores expoentes na arte gaúcha em técnicas da aquarela e desenho, com um traço preciso e um impecável senso de forma, além de ser um finíssimo observador da natureza e dos costumes do povo. Entre seus temas prediletos estão a cidade com seus casarios e habitantes, a guerra, a vida campeira, e o auto-retrato. Também deixou uma série de pinturas murais retratando cenas sacras diversas no interior da Igreja São José, embora segundo a bibliografia consultada os painéis tenham sido realizados por seus alunos, sob sua supervisão e a partir de projetos originais seus. Como arquiteto, seu estilo se caracteriza pela sobriedade e funcionalidade, com soluções formais muitas vezes arrojadas, empregando um estilo eclético com tendência ao déco, e eliminando ornamentações supérfluas. São dele também projetos em Caxias do Sul, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul, Novo Hamburgo e Caçapava do Sul. Com a explosão da Primeira Guerra Mundial, ele serviu às forças alemãs como projetista de armamentos, combatendo na França e na Bélgica. Nos intervalos das lutas desenhava e pintava à aquarela cenas militares e paisagens, parte das quais ainda se encontram no Museu Militar de Munique.

Jornal Floresta



Categorias:Prédios, Restaurações | Reformas

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26 respostas

  1. Tem uma tese de doutorado bem legal com muitas fotos de residencias no 4º Distrito

    A MODERNIDADE DE PORTO ALEGRE: ARQUITETURA E ESPAÇOS URBANOS PLURIFUNCIONAIS EM ÁREA DO 4º. DISTRITO (2010)

    “A presente tese enfoca a assimilação das transformações sociais, culturais e
    arquitetônicas nos anos 1900 até 1950, em Porto Alegre, centrada nas adjacências
    da rua Voluntários da Pátria. A proximidade entre moradia e trabalho, tendo como
    atrativo a possibilidade de emprego no promissor distrito industrial da cidade, foi
    fundamental para que se formasse neste local, uma comunidade de grande
    diversidade associativa e étnica.”

    Em 2 partes, tem montanhas de fotos, desenhos de fachadas de casas, plantas, vale a pena dar uma olhada.

    Clique para acessar o 427576%20A.pdf

    Clique para acessar o 427576%20B.pdf

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  2. Para mim e acredito que para muitos também, essa noticia que já havia lido no Jornal do bairro Floresta, é de grande importância, pois particularmente passei boa parte da minha adolescência nesta região, inclusive neste prédio onde tive muitos amigos na juventude.
    O galpão a que se referem, nos fundos deste prédio que fica nas esquinas das Rua São Carlos e Hoffmann, funcionou uma fabrica de mosaicos usados para fazer as calçadas de Porto Alegre. era a fábrica do “seu” Morgado. Mais tarde virou uma oficina mecânica. E na frente do prédio funcionou durante anos a estofaria do “seu” Julio. Muito boas lembranças deste local o qual espero que realmente consigam recuperá-lo e devolve-lo a comunidade através deste projeto de transforma-lo em um ambiente cultural. Parabéns aos envolvidos.

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  3. Tenho medo que infestem a regiao com aqueles blocoes horrorosos da FIATECI…..Progresso SIM, mas preservando a identidade local!

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