Enquanto aqui o preço das passagens é salgado, o Uruguai incentiva o transporte de passageiros

O exemplo mora ao lado

Terminal Rodoviário de Rivera, cidade vizinha de Santana do Livramento Crédito: DANIEL BADRA / ÉSPECIAL / CP

Não apenas a descontinuidade de rotas, a suspensão de linhas e a precariedade dos coletivos retratam a situação do transporte intermunicipal de passageiros no Estado. Também o preço das passagens de ônibus entre as cidades gaúchas está cada vez mais pesando no bolso de quem necessita viajar. No Uruguai, país de 3,4 milhões de habitantes, onde o preço do óleo diesel custa quase o dobro do praticado aqui, as passagens do transporte intermunicipal apresentam preços acessíveis, especialmente se comparados aos praticados no Brasil.

Em Rivera, na divisa com Livramento, por exemplo, os passageiros que viajam a Montevidéu contam com três empresas de transporte coletivo: Turil, Nuñez e Agência Central. No país vizinho, o trajeto de 500 quilômetros de Rivera a Montevidéu pode ser feito com passagens que variam de R$ 40,00 a R$ 60,00.

A passagem aérea Rivera-Montevidéu da empresa BQB Líneas Aéreas também tem preço bastante atrativo. Uma viagem à capital uruguaia de avião – com duração de 45 minutos – custa apenas 39 dólares, equivalente a cerca de R$ 80,00.

Já no lado brasileiro, o serviço de transporte intermunicipal concentra-se em poucas empresas concessionárias. Uma passagem de Livramento a Porto Alegre, da Viação Ouro e Prata (trajeto de 500 quilômetros), em ônibus convencional, custa R$ 90,10 – R$ 10,10 mais cara que uma passagem de avião de Rivera para Montevidéu. Em ônibus leito, o custo sobe para R$ 155,10.

Alternativas são encontradas por aqueles que não dispõem dos recursos necessários para pagar o alto valor das passagens do transporte regular de ônibus intermunicipal. Santanenses que trabalham ou estudam na Capital, na região Metropolitana e na Serra aproveitam as excursões que saem aos finais de semana em direção à fronteira para compras nos free shops. Os ônibus de várias empresas chegam na cidade na manhã de sábado e só retornam na tarde de domingo.

Para a comerciária Tais Rodrigues, que mora em Caxias do Sul, esse tipo de transporte alternativo transformou-se em ótima opção de visitar com mais frequência os familiares. “Com R$ 100,00, é possível viajar mais vezes à fronteira. Num ônibus de linha, gastaria mais que o dobro”, comparou. Outra alternativa são as viagens em vans fretadas. De Caxias para Livramento, em média a ida e volta sai por R$ 80,00. Uma passagem de ônibus de Livramento a Caxias do Sul, pela única empresa que detém a concessão do trajeto, a Viação São João, custa 118,50.

Para RTI, serviço tem qualidade

A direção da Associação Riograndense de Transporte Intermunicipal (RTI) emitiu nota sobre matéria do Correio do Povo deste domingo, que tratou da precariedade do transporte intermunicipal no RS. “É necessário entender que a reportagem se refere a vários modais de transporte, não podendo as questões pontuais citadas ter tratamento generalizado”, diz a nota.

Assinada pelo superintendente da RTI, Jefferson Lara, o documento destaca que o transporte regular de passageiros, não clandestino, é operado por empresas que cuidam da qualidade dos veículos, da segurança dos passageiros, da preparação de seus colaboradores e da renovação da frota. “Disso resulta um transporte reconhecido nas pesquisas como de alta qualidade e que opera com tarifas menores que as de outros estados. E que alcança todos os municípios do Estado.” A nota prossegue destacando que o desafio das empresas é manter a qualidade e a segurança do serviço oferecido, reconhecido pela Agergs com índices de aprovação superiores a 80% em todas as pesquisas realizadas.

Correio do Povo



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito

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8 respostas

  1. Grade comparação ahahahah
    Comparar o “dolar” uruguaio com o Real Brasileiro é piada!
    Veja bem: 1 real = a 12 pesos, ou seja não da para associar o custo e tal, do dolar, peso e real de país para país, ou seja cada país tem sua realidade econômica!
    Por isso, GRANDE PORCARIA DE JORNALISMO! sem contextualizar, somente jogando babozeiras ao leo, onde qlqr um entende que o poder de compra do brasileiro é no mínimo 10x maior que o uruguaio!!
    E mais, como “concorrer” num país onde o MONOPÓLIO ainda persiste???
    ou seja, aqui, as empresas lotearam o Estado em áreas, onde “ouro e prata” dominam o noroeste; “embaixador” a zona sul, e por aí, vaí!
    Desse modo, percebe-se a FALÊNCIA DO MONOPÓLIO DO TRANSPORTE PÚBLICO INTERMUNICIPAL!!!!
    No entando, o então presidente Lula, falou algo ainda em 2010 sobre acabar com o monopolio das empresas em determinadas áreas, mas ainda NADA!!

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  2. Sei bem como é isso. Vivo em Livramento e a situação beira ao ridículo.
    Os ônibus que fazem a linha para Montevideo são excelentes e o preço citado vale tbm para o leito ( que no Uruguay é chamado de coche cama ). Não dá para entender. Aliás, dá para entender. É só pôr concorrência. Mas por aqui quem manda é a Ouro e Prata…..

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    • Esta história de obrigar todas as empresas a usar a mesma (única) rodoviária é a maior palhaçada que tem. Isto só serve para aumentar o preço da passagem, impossibilitar a venda de passagens online, e acabar com os incentivos para qualificação da rodoviária.

      A megabus nos EUA vende a passagem pela internet e pega os passageiros no centro de Manhatan, no meio da rua. A passagem é entregue direto ao motorista. Qual o problema de fazer isto aqui numa rua menos movimentada perto do centro?

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      • Pois é, qual a desculpa oficial pra isso? Honestamente não sei.

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        • A desculpa oficial é que facilita para o passageiro a “baldeação”. No entanto, isto é empurrado goela a baixo e estorquido deste, ao invés de dado a opção de escolher se prefere isto ou pagar bem menos e embarcar próximo a rodoviária ou em uma outra rodoviária (não pública).

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  3. O problema é isso mesmo, aqui no Brasil existe uma série de monopólios apoiados pelo estado. Isso seja no transporte intermunicipal ou no municipal mesmo. Notem que em ambos o que é observado é a mesma coisa: loteamento da rede para que não haja concorrência.

    Não que eu ache que devia haver duas empresas fazendo a linha do Cohab, mas devia haver licitação de tempos em tempos para novos players entrarem na disputa.

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    • Tinha uma época, uns cinco anos atrás, que uma empresa estava fazendo o trajeto POA-Livramento com uma espécie de ônibus “fretado”, mas que tinha horário regular e fazia o itinerário pela metade do preço da Ouro e Prata. Quando começou a bombar, puseram polícia rodoviária, justiça, ministério público, detran e acho que até o FBI, a CIA, os vingadores e o esquadrão classe A para acabar com o transporte alternativo. Não sem antes, claro, fazerem um terrorismo: “não tem segurança! esse ônibus vai capotar, explodir! vai acabar com bilhões de empregos das empresas regulares!”…

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  4. Nos EUA comprei 4 passagens da megabus.com pelo preço de 1 passagem aqui no Bra$il.

    A regulamentação imposta pelo DAER aqui impediria o modelo de negócio deles com venda de passagens pela internet e embarque fora da rodoviária. Aqui tanto a venda quanto o embarque só pode ser feito na rodoviária (11% a mais na passagem), as empresas só podem vender o voucher pela internet que de qualquer forma precisa ser trocado pela passagem na rodoviária.

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