SAP investe R$ 50 milhões e amplia operação no Estado

Patricia Knebel

Foi dado o start ontem para a duplicação do SAP Labs Latin America, localizado no Tecnosinos, em São Leopoldo. A multinacional está investindo R$ 50 milhões na construção de um novo prédio, de 9.927 metros quadrados e com capacidade para receber mais 500 colaboradores. A expectativa é de que o novo espaço esteja concluído até agosto de 2013.

Essa é a segunda fase do projeto da gigante alemã no Estado. A primeira foi concluída em 2009 e recebeu investimentos de R$ 41 milhões. O SAP Labs Latin America está focado no desenvolvimento de softwares e soluções para clientes, localização dos produtos da SAP para o mercado local e suporte técnico aos parceiros da América Latina.

O laboratório é parte de uma rede de 15 projetos similares espalhados pelo mundo. “A expansão do laboratório vai fortalecer o apoio que podemos dar aos nossos clientes que buscam inovação e gestão para ganhar competitividade”, destaca o presidente do SAP Labs Latin America, o alemão Stefan Wagner.

Como esse é um laboratório de desenvolvimento, os resultados dos investimentos são avaliados no médio e longo prazo e não são medidos em números de vendas. “Levamos muito em consideração a satisfação dos clientes, e, nesse quesito, podemos afirmar que estamos em uma curva ascendente”, revela.

A cerimônia que marcou a ampliação do SAP Labs contou com a presença de executivos da SAP vindos da Alemanha; representantes da Unisinos; empresários como Jorge Gerdau Johannpeter e o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig. O governador Tarso Genro e outros membros do governo estadual marcaram presença nas três inaugurações de ontem: Digitel, Altus e SAP.

Marcos Vinicius de Souza, representante de secretaria da Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), reforçou a postura do governo federal de incentivar o crescimento das operações de multinacionais para o País. “A estratégia é atrair esses centros de desenvolvimento, e esperamos que a SAP possa realizar projetos com cada vez maior valor agregado.”

A decisão da SAP de construir o laboratório no Estado e, agora, de dobrar a sua capacidade, teve como grande impulso a qualidade dos recursos humanos encontrados na região. A empresa não contou com incentivos fiscais em nenhuma das fases. Para suprir a demanda por novos colaboradores – atualmente já trabalham ali 550 pessoas -, a ideia é formar e buscar novos talentos, especialmente junto às universidades.

Apesar de esse investimento no SAP Labs Latin America não influenciar diretamente as operações SAP Brasil, já que o laboratório se reporta à operação global, deve apoiar indiretamente os planos de expansão da SAP. “Temos um objetivo de crescimento para os próximos anos, e o SAP Labs vai nos ajudar, na medida em que ampliará as atividades de suporte e inovação”, comenta o presidente da SAP Brasil, Luís César Verdi.

O executivo não revelou números da operação no País, já que a SAP está em “quiet period”, período de silêncio que as empresas listadas na bolsa de valores precisam respeitar nos dias que antecedem o anúncio dos resultados. Verdi não quis comentar os rumores de que está deixando a presidência da operação da multinacional no Brasil para ocupar um cargo ligado a área de inovação na SAP América Latina. Esses anúncios devem ser feitos nos próximos dias.

Altus quer aumentar volume de negócios com “alfaiataria”

Com foco em projetos de automação de plataformas de petróleo e hidrelétricas, a fábrica de painéis da Altus, inaugurada ontem, já está em operação.

A unidade tem 3,5 mil metros quadrados, está localizada em Sapucaia do Sul e recebeu investimentos de R$ 2 milhões. A capacidade de produção é de 3 mil colunas de painéis elétricos por ano. “A nossa expectativa é aumentar de forma significativa o volume de negócios da Altus a partir desse projeto”, afirma o presidente da empresa, Luiz Gerbase. Durante a cerimônia, foi feita uma homenagem a Nelson Felizzola, executivo da Altus e um dos grandes responsáveis por esse projeto, que faleceu há cerca de um ano.

A unidade funcionará de forma alinhada com a de São Leopoldo, no Tecnosinos. E terá um foco maior em customização, atuando como uma espécie de alfaiataria de eletroeletrônica. “A automação faz com que qualquer processo industrial seja viável. Esses painéis são o cérebro dos sistemas usados em indústria de plataformas e usinas hidrelétricas”, acrescenta. Também é nesse local que são realizados Testes de Aceitação em Fábrica (TAF) nos equipamentos enviados para os clientes.

“Essa nova operação da Altus é resultado da política industrial do governo federal, que criou mecanismos para estimular o conteúdo local, utilizando as compras de empresas, como a Petrobras, para desenvolver a indústria local”, observa o presidente do Badesul, Marcelo Lopes.

O secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), Mauro Knijnik, está otimista com os rumos da tecnologia no Estado. “Estamos construindo o Vale do Silício do Rio Grande do Sul”, acredita. (PK).

Jornal do Comércio



Categorias:Economia Estadual

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1 resposta

  1. Ótimas notícias! Veja que são apenas empresas de tecnologia, são desenvolvedoras de tecnologia e que geram pouquíssima poluição. A Altus é inclusive nacional e gaúcha! Isso não acontece com a grande maioria da cadeia automotiva nacional, que recebem altíssimo amparo do governo e não são nada mais do que montadores de lego – monkey job.

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