Triste Porto Alegre…

… é o que se constata ao retornamos à Capital do Não, após viagem a algumas capitais brasileiras

Todas as férias são para descansar, curtir. Minhas férias felizmente foram assim.

Mas, muitas vezes, ao chegarmos de volta à Porto Alegre, é inevitável o choque cultural, uma deprê ou uma enorme vergonha ao ver nossa cidade eternamente parada.

Em minhas últimas férias estive em Aracaju e Curitiba. E fiquei abismado com o outro mundo que encontrei lá. Um mundo anos luz à frente em termos de cuidados com a cidade. Urbanismo. Educação do povo. Criatividade. Vontade geral de ser bonita, moderna e atrativa.

Minha viagem foi a destinos que não têm nada de fantástico. Mesmo assim, foram capazes de me causar um impacto ao retornar à Capital da Resistência.

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ARACAJU

Vamos começar pelo aspecto geral da cidade. Aracaju é uma grata surpresa. Das menores capitais do país, sem grandes pretensões, a cidade tem uma ótima aparência: é muito bem cuidada. Também é uma cidade que cuida até dos detalhes. As praças são bonitas e os prédios históricos ao redor são todos iluminados com iluminação cênica. Me admirei com a quantidade de prédios históricos com bonita iluminação.

Toda cortada por rios, Aracaju é uma cidade com muitas pontes. E aqui vem outra grande surpresa: praticamente todas as pontes tem iluminação cênica ! Isso dá um up incrível no visual da cidade, é uma baita valorização do que eles têm.

Falando em ponte, a principal da cidade poderia simplesmente ser uma ponte qualquer. Mas não: fizeram uma imponente ponte estaiada. Que também, é lógico, tem uma belíssima iluminação. Resultado: a ponte, que poderia ser somente uma travessia, também virou um cartão postal da cidade.

Um dos rios da cidade ganhou um calçadão. Um senhor calçadão. Bonito, bem equipado, e cheio de gente frequentando. Virou point e área nobre na cidade. O calçadão tem inclusive um mirante.

Agora, um detalhe que quase ninguém sabe: eis uma cidade que investe pesado em ciclovias. Há quase 80 quilômetros de delas. As ciclovias estão por todas as avenidas. Realmente chama a atenção.

A cidade está enfeitada com bonitos cajus gigantes, com decorações feitas por artistas, na proposta do Cow Parade. São um sucesso.

Orla da praia de Atalaia: Aracaju não é uma legítima cidade litorânea. Ela nasceu e cresceu nos rios, e sua orla marítima era somente uma periferia distante. Nos anos 90, a cidade decidiu ousar e apostou nesta orla, criando um enorme complexo de parques, atrações, calçadão e paisagismo junto à orla. À reboque, vieram hotéis, empreendimentos, bares, restaurantes.

O parque na orla é realmente de tirar o chapéu. Há jardins, monumentos, lagos, bares, árvores, ciclovia, atrações lindas como estátuas belíssimas (que fazem muito sucesso!), equipamentos de lazer…

Ah, Aracaju criou um lugar especial para ver o pôr do sol. Atrás da cidade há um bonito espaço com píeres, pérgulas, calçadão, bares… e é um sucesso de público.

É: Aracaju é uma cidade bem menor que as grandes metrópoles brasileiras, mas tem atrações que muita metrópole não tem.

Sem ser uma cidade rica ou um estado rico, fica bem claro que existe vontade de fazer as coisas.

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CURITIBA

1) A “Rua da Praia” é uma pérola. Muita vida no Centro à noite. Cidade dos Chafarizes.

Vou começar falando de assuntos quem vêm sendo recorrentes aqui mesmo no Blog Porto Imagem. Por exemplo: chafarizes. Curitiba tem abundância de chafarizes funcionando. Uma coisa que eu, como porto-alegrense desacostumado com isso, fiquei boquiaberto. Uma das principais praças deles, a que tem o grande teatro deles e a bonita Faculdade Federal do Paraná, poderia ser comparada, em parte, à nossa Praça da Alfândega. Pois bem, nessa importante praça curitibana há um frondoso chafariz. Vocês acharam isso ótimo? Pois esse grande chafariz vai além: ele é de águas dançantes ! As pessoas na rua param, encantadas. Tiram fotos. Adoram.

Agora vamos na Rua da Praia deles, a Rua das Flores. Olha, é outro nível. Pra começar, também tem chafarizes ! Bem no meio do calçadão, chafarizes lindos.

Mais: a Rua da Praia deles tem dezenas e dezenas de floreiras. Lembra Gramado. Ao lado delas, há bastante bancos (bonitos e inteiros). Há pessoas usufruindo momentos de lazer nos bancos. Há pequenas cafeterias no meio do calçadão. A noite, há muita gente passeando na Rua da Praia deles, que também tem bares com mesas na calçada.

No fim da Rua das Flores há outra bonita praça com um grande chafariz.

No Jardim Botânico há chafarizes. Nos outros parques famosos também há chafarizes.

2) Tradicional parque, cercado

Nos arredores do Centro há o Passeio Público. É um parque bem antigo. Ele lembra a Redenção. E é CERCADO. Não com um cerca tosca, mas sim com majestosos portões. E o resto do cercamento se esconde com a vegetação. E de jeito nenhum isso torna o parque menos democrático. Nem com ar opressivo. Pelo contrário: nele, há uma multidão de pessoas descansando, caminhando, correndo, namorando, no meio da natureza farta, paisagismo cuidadíssimo, mini-zoo, árvores frondosas, chafarizes, e tudo cercado, cuidado e preservado. Não é anti-democrático. Nem opressivo.

3) Atrações da cidade têm mega infraestrutura para dar apoio ao turista

Não é novidade que Curitiba é uma cidade que oferece atrações a seus moradores e aos turistas. Atrações criadas, e com muita vontade. Mas a cidade também tem outras atrações que aproveitam tudo o que Deus lhe deu.

Mas o que eu vou falar é outra coisa. É o apoio total que a cidade dá às pessoas que desejam passear por ela.

Todas as atrações da cidade (por exemplo: mirante da torre telefônica, Museu do Oscar Niemeyer, os grandes parques, Ópera de Arame e a pedreira, etc) têm um quiosque. E bonito. Eles têm bancos, cafeteria, lancheria, informações turísticas, lojinha para venda de lembrancinhas… Ali as pessoas sentam um pouco, descansam, continuam admirando a atração da cidade onde estão… Além de que podem comer ou tomar algo, ou ir ao banheiro. Fico imagindo que diferença ABISMAL faria um quiosque assim bonito e com todo o apoio às pessoas, em lugares como o nosso lindíssimo Viaduto da Borges e suas bonitas vistas. Sem falar no mirante do morro Santa Tereza, que poderia ter todo tipo de infra de apoio às pessoas que desejassem permanecer um tempinho lá (infra e lazer que os morros de Belo Horizonte têm). As pessoas teriam condições de permancer um mínimo que seja no local, sem ter que chegar lá, olhar, e ter que ir embora. De novo, imaginem também isso no viaduto da Borges.

E parques também podem ter essa infraestrutura. Todos os parques de Curitiba tem todo esse apoio às pessoas.

4) Que paradas de ônibus ! E que corredores ! ! ! Que educação e limpeza ! Que modernidade pela cidade ! CURITIBA EXALA PUJANÇA E MODERNIDADE. Ali se vê e se entende o que é pujança.

Em quase toda a cidade as paradas e canaletas não são somente bonitas: são modernas, geniosas e funcionais. Curitiba mostra que é possível haver corredores de ônibus verdadeiramente bonitos, corredores que não degradam e enfeiam as avenidas, como os nossos. Aqui, a avenida que é escolhida para ter um corredor é como ela vai receber um monstro, ficar feia e degradada. Lá, os corredores e suas lindas paradas deixam as avenidas com cara de cartão postal. Quanta diferença de cultura! Essa diferença de cultura não é só no fato de os porto-alegrenses terem a sólida tradição de emporcalhar nossas paradas; a diferença de cultura também está nos projetos lindos e ousados das paradas de ônibus lá, versus projetos toscos e constrangedores aqui.

Não só as paradas de ônibus, mas toda a cidade de Curitiba transpira uma aparência moderna e pujante. É incrível como a cidade com seus prédios altos e modernos, seu mobiliário urbano estiloso, bonito e de nível, instalações modernas, muito verde, , muita limpeza, fazem nos sentir numa cidade rica e pujante.

5) Aqui se age

É incrível como Curitiba faz e acontece. A cidade cria. Curitiba AGE.

Por exemplo: é de se tirar o chapéu o parque Tinguá (?) , que aproveitou uma enorme pedreira e um grande desnível para criar uma cascata, um mirante, um lago, grandes gramados; e um belíssimo parque estilo clássico e florido na parte de cima.

Enche de turista lá.

O mirante da torre de telefone; o super estiloso Jardim Botânico; o parque alemão, que aproveitou somente uma ruina e costruiu um parque ao redor; a ópera de arame e um lago numa outra pedreira; uma terceira pedreira onde fizeram uma concha acústica e um parque; o centrinho histórico (dentro do Centro) bem badalado; paradas de ônibus modernas com pagamento antecipado, e que ainda por cima enfeitam a cidade; calçadão cheio de flores… Tudo isso mostra uma cidade com mentalidade para frente. Uma mentalidade de quem não tem medo de pensar grande, de mudar. Mentalidade de quem quer ser cada vez melhor.

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52 respostas

  1. Essa mania do povo do sul querer defender a cidade com unhas e dentes é o QUE MAIS CAUSA A ESTAGNAÇÃO! Qualquer coisa que é criticada vem um xiita e diz: “Não tá gostando vá embora seu traidor!” Aqui em Curitiba é assim, em Porto Alegre idem… O certo é assumir os defeitos pra corrigi-los, se não assumir então NÃO HÁ DEFEITOS e tudo continua a mesma m… Que Porto Alegre está mal cuidada é fato, deve-se assumir pra corrigir, que Curitiba tem muita favela, motoristas lixo, é fato, deve-se assumir pra corrigir e assim vai! Ficar se auto-elevando além de infantil não leva a nada.

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