Tarso anuncia fim de contratos de pedágios

Denise De Rocchi

Os contratos com as empresas Univias, Brita Rodovias, Santa Cruz Rodovias, Coviplan e Rodosul, que se encerram no primeiro semestre de 2013, não serão renovados, conforme anúncio feito ontem em ato público, no Palácio Piratini. As rodovias estaduais que hoje fazem parte dos sete polos rodoviários, criados em 1998, passarão ao controle da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que adotará o modelo de pedágio comunitário. A praça de Farroupilha, na RS-122, será extinta. Já as rodovias federais incluídas no programa de concessão serão devolvidas ao Ministério dos Transportes, que pretende suspender a cobrança de tarifa.

Em discurso, o governador Tarso Genro (PT) criticou a forma como os contratos foram fechados, sem a exigência de que as empresas executassem obras de melhoria nos trechos concedidos. “Os contratos que foram feitos pelo governo (Antonio Britto) que apresentou esse plano são lesivos aos interesses da sociedade, que só permitiram às empresas acumular, e elas fizeram bem em pegar esse serviço. Quantas pessoas não desejariam pegar essa mamata?”, disse o governador.

Questionado sobre a possibilidade de as concessionárias acionarem judicialmente o Estado, Tarso disse que este é um direito delas, mas que o governo vai questionar o desequilíbrio financeiro e as perdas que as empresas alegam ter sofrido. Tanto ele quanto o secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, garantiram que a nova estatal, a EGR, terá condições de assumir as rodovias ano que vem e aumentar os investimentos sem aumento das tarifas. Uma das possibilidades é buscar financiamentos junto ao Bndes para investir. “A EGR pode antecipar obras e pagar com os recebíveis que terá nas cabines de cobrança. Estamos discutindo também com o Badesul (Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul) uma parceria como acionista minoritário”, disse o secretário. O governo fala em praticar tarifas mais baixas, mas o valor dos pedágios dependerá de estudos a serem feitos pela consultoria contratada.

A substituição das atuais concessões por pedágios comunitários foi saudada por representantes de associações de municípios e de sindicatos presentes no ato no Piratini. O presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas do Rio Grande do Sul, José Carlos Silvano, reclamou que as empresas arrecadaram R$ 5 bilhões durante a vigência do programa estadual de concessão rodoviária, valor que, sustenta, seria suficiente para duplicar diversos trechos. A deputada estadual Marisa Formolo (PT), que participou da frente parlamentar que se opôs à renovação dos contratos, considera que a mudança não é só uma questão política. “Não foi feita uma duplicação nestes 14 anos, aumentou o número de veículos, mudou o transporte de cargas. Hoje não é mais só bi-trem, temos veículos com 90, 100 toneladas, todos desgastando as estradas. Temos que rever a infraestrutura”, completa.

A deputada sugere reavaliar a localização de alguns pontos de cobrança quando a EGR assumir as rodovias, retirando, por exemplo, o posto de pedágio de São Francisco de Paula e colocando um na Rota do Sol, que precisa de mais recursos para manutenção.

Até o encerramento desta edição, as empresas ainda não haviam recebido a notificação extra-judicial sobre o encerramento dos contratos. As concessionárias querem analisar o que embasou a decisão do governo estadual antes de se manifestar sobre o caso e sobre as críticas feitas pelo governador.

Jornal do Comércio



Categorias:Meios de Transporte / Trânsito, Pedágios

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21 respostas

  1. O problema é a maldita mania do povo gaúcho em polarizar TUDO entre “direita” e “esquerda”. Os pedágios sãoum furto qualificado (para ser mais exato), não existindo qualquer justificativa plausível para a renovação das suas concessões. Não acho que o estado seja um grande exemplo, mas um primeiro passo era necessário.

    Sou contra o tipo de qualquer cobrança, pois fere o direito constitucional de ir e vir em detrimento do bem econômico, e conhevanhamos: Pedágio em estrada sem via dupla é o supra sumo da cara de pau e da “lage” destas concessionárias.

    Certamente a solução não está em estatizar tudo, mas este modelo, que tudo privatiza, já mostrou-se falido, em ainda temos o exemplo do nosso sistema de comunicação (celulares), o que mostra o “oba-oba” que é este país, onde o dinheiro cala e compra aquilo que deseja, e o trabalhador…

    Quem paga pedágio, que vive na estrada sabe o absurdo que é. Não acho que ainda haja alguma coisa pra se discutir sobre a não renovação da concessão destas máquinas “caça níqueis”.

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    • Discordo, acho sacanagem o cara que mal tem grana pra comer pagar via impostos a manutenção de estradas. Quem usa que pague, mas que seja um valor razoável, o que não é o caso quando pagas 10 reais numa estrada mais ou menos com um super serviço de guincho, que já foi pago por nossos seguros carissimos. Cobertura de celular e uma central de socorro já serve.

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    • Não existe almoço grátis. Ou o motorista paga o pedágio, ou o mendigo da esquina vai acabar pagando junto.
      Somente quem usa um serviço deve pagar por este!

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      • Caro Adriel

        O mendigo pagará de uma forma ou de outra, simplesmente porque no preço das mercadorias está incluído o preço do pedágio e hoje em dia no transporte de cargas há situações em que o transportador paga mais de pedágio do que de combustível. Agora imagine uma pessoa que transporta batatas, provavelmente se contarmos o preço do pedágio do caminhão de adubo, de outros insumos, o transporte do proprietário da plantação e por fim o transporte das batatas propriamente dito, posso estar errando, mas errando por pouco que mais ou menos 2% a 5% deste custo pode ser dos pedágios.

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    • Eduardo

      Fechei contigo. Pedágio só se justifica quando é uma alternativa. Por exemplo ou ir por uma estrada mais lenta e não pagar nada ou ir por uma auto-estrada e chegar mais depressa. No Rio Grande do Sul o esquema das “Praças de pedágio” se assemelham muito com os pedágios cobrados na Idade Média para entrar ou sair de uma cidade.
      Vou usar termos um pouco duros, mas é uma verdadeira cretinice o que se implantou, é uma violação constitucional do direito de ir e vir, principalmente sabendo-se que as estradas foram construídas com dinheiro público. As chamadas rotas alternativas eram verdadeiras vias carroçáveis em que não era indicado a saída da estrada pedagiada.
      Em todo o país europeu (nos USA eu não conheço) antes de se entrar num trecho pedagiado há uma indicação da rota alternativa, aqui se esconde as rotas alternativas.

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  2. as concessões foram feitas em um período em q o estado estava quebrado, por isso a meta era arrecadar… nestes 15 anos o governo gaúcho agiu de forma séria, buscando o equilíbrio financeiro, e hoje podemos negociar concessões cujo objetivo seja o de atrair investimentos e n de encher os cofres do governo para cobrir déficits… e ai vc acorda e ve q azar é do governador q assumir em 2018 qdo as estradas estiverem sucateadas e os cofres vazios como sempre

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  3. falou tudo Phil, nao mudo uma virgula!!!

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  4. Tarso anuncia fim das estradas gauchas!! Esse seria o verdadeiro headline desta noticia. O PT so’ queria mais um cabide de empregos para sua manada de inuteis. Eles sao totalmente contra investimentos em infra-estrutura. Isso tira dinheiro da compra de votos e campanhas politicas deles. Alem do mais eles sao contra a classe media, que tem carros, se morrer milhares eles nao estao nem ai.

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  5. Convenhamos, há pedágios no RS que são piada! Em que lugar do mundo há pedágio em estrada que não é duplicada?

    A ideia de uma nova licitação com uma empresa pública concorrendo com as empresas privadas para limitar o preço e puxar a qualidade, assim como acontece com as universidades é bem interessante, mas me parece que a tendência é a EGR assumir todas as praças de pedágio, daí é péssimo!

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    • “Concorrendo com empresas privadas”… acho que você não entendeu direito o que está sendo feito!

      Até pq, a concorrência entre estradas na maior parte das vezes é quase nula por haver poucas estradas que levam para o mesmo lugar. Para haver concorrência precisaria ter 2 e idealmente mais de 3.

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      • Eu me referia à concorrência no processo de licitação e não concorrência entre estradas propriamente dita.

        As empresas públicas e privadas entregam propostas em seus envelopes… Como as empresas privadas sabem que a empresa pública fez um estudo e vai concorrer a tendência é o preço diminuir. Evitando o dumping entre empresas privadas.

        Isso não quer dizer que não ocorra dumping entre todas as empresas, públicas e privadas, como ocorre com as empresas de ônibus de PoA.

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  6. A idéia do governo é oferecer pedágios até 30% mais barato do que é hoje… pois bem, as empresas hoje pagam mais de 20% só de imposto para o governo. Já que o objetivo é dar estradas de “graça”, ou pelo menos pelo menor custo, pq este insiste em cobrar este imposto? Quem paga imposto é sempre o consumidor, e não a empresa.

    Ou seja, o governo vai estatizar para cobrar a mesma coisa que poderia ter sido cobrado caso abrisse mão da sua parte desde o início das concessões.

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  7. Republica Bolivariana Riograndense !!!

    O próximo passo é nacionalizar a Gerdau, a Marcopolo e a Randon, além de expulsar a GM.

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    • Pensamentos assim que acabam contribuíndo com essa mamata que virou nosso estado. E quem se ferra como sempre é o trabalhador, pagando 50 reais de pedágio pra ir e voltar de Poa à Passo Fundo…enquanto “eles” enchem os bolsos rindo.

      Roubavam na cara dura, tava mais do que na hora de acabar com essas palhaçada que foram os pedágios.

      Concessões que prestavam um grande DEServiço público, com estradas ruins e preços ultra faturador.

      Boa a atitude do governador,. e olha que eu não tenho qualquer afeição política por direita ou esquerda.

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      • O problema é que a administração do estado é ainda pior. Fosse boa, não teriam criado o sistema de concessões num primeiro momento, certo?
        Pode ter certeza: Todo o roubo e safadeza que são cometidos pelas concessionárias vão continuar sendo cometidos por essa estatal. Essa é a triste verdade. Se antes os empresários corruptos embolsavam o nosso dinheiro, agora serão os cupinchas do governo do estado a fazê-lo.

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        • Errado. O pedágio da rs239 (caminho para Gramado) é comunitário, por isso que é barato e a estrada é boa. Eu gostaria de verr isso em todas, por que um estado falido não deve pagar estrada pra quem tem grana poder passear no final de semana de graça.

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    • Excelente medida tomada pelo Governador!

      Lendo um comentário que nem o teu fico pensando se tu não faz parte de nenhuma dessas concessionárias…..

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    • Caro Sebá

      Defender os pedágios impostos sob uma ideia de modernidade do governo Brito, é um ato de coragem hoje em dia, e somente alguém pode fazer isto se não coloca o seu nome, pois se há uma unanimidade hoje em dia é a inutilidade desses.

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