Um arranha-céu híbrido para Porto Alegre

Projeto de um arranha-céu híbrido desenvolvido pelo arquiteto Luis Henrique Bueno Villanova, em seu trabalho final de graduação

Trata-se de um Arranha-Céu Hibrido em Porto Alegre, criado a partir de uma contestação ao nosso plano diretor que não permite edificações altas. Foi utilizado como terreno para o edifício uma quadra localizada na Av. Farrapos, Av. Voluntarios, R. Garibaldi e R. Ernesto Alves. Foi repartida em possíveis lotes e aplicado o plano. Dos volumes resultantes foram estipulados usos e reunidos numa única torre. Nisso foi obtido uma área permeável duas vezes maior ao que o PDDUA exige. Sendo assim, um edifício alto poderia ser, em determinados casos, uma melhor solução do que os nossos 52m de altura.

INTRODUÇÃO

A época industrial teve grande significado na cronologia das cidades. A partir dela a migração tornou-se uma necessidade na vida dos seres humanos, o que resultou num constante e crescente inchaço das capitais. Devido à este movimento migratório, estas se reconfiguraram para suportar a demanda populacional, e isto culminou em vários problemas que até então não existiam, entre eles, a falta de planejamento habitacional.

Atualmente mais de 50% da população mundial vive em grandes cidades (ex: New York, London, São Paulo) que foram moldando-se através dos séculos, porém alguns problemas agravaram-se neste decorrer. A alta densidade das quadras gerou um solo impermeável e pouquíssimas áreas verdes, resultando em problemas ambientais gravíssimos como enchentes e superaquecimento global. As metrópoles precisam de uma reformulação urgente, tanto do poder público como dos habitantes, pois a população continuará a crescer. Em 2050 há a extimativa de que 75% da população mundial viva nas grandes cidades.

Através destas análises pôde-se avaliar a necessidade de edifícios híbridos na configuração das metrópoles, podendo desta maneira, agrupar diversos serviços em um único prédio. O que modifica a estrutura de uma quadra padrão, tornando o solo permeável através de maiores áreas verdes.  O arranha-céu híbrido nasce dentro deste panorama atual.

Sua idéia justifica-se sob uma quadra convencional da cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, estado da região extremo-sul do Brasil. O perfil desta cidade enquadra-se no estereótipo de cidade intermediária, onde existem muitos imigrantes oriundos do interior do estado e de capitais próximas, sendo uma capital tanto de permanência quanto de trabalho. O que gera um crescimento imobiliário imenso, o que não significa espaços dignos para moradia.

A escolha da quadra foi feita após estudos dos bairros de Porto Alegre, analisando a população, densidade construtiva, serviços e áreas verdes. Chegando-se à zona do 4° distrito. Este é caracterizado por hotéis antigos, bordeis, pavilhões abandonados e déficit em áreas públicas. Criando, assim, uma necessidade de regeneração. O projeto encontra-se em uma região com tráfego intenso, próximo da rodoviária e do centro da capital, entre duas vias que conectam a entrada da cidade ao centro comercial e financeiro. Estas vias possuem grande importância na história da capital, a av. Farrapos e a av. Voluntários da Pátria, pois fizeram parte dos primeiros planejamentos para a cidade.

A proposta nasce de uma evolução de uma quadra base da capital, que não possui padrão de altura e as volumetrias são parecidas, onde então se aplicou o plano diretor atual, chegando-se à uma quadra convencional da última década, pertencente à penúltima revisão do plano no ano de 1999. Após este resultado, buscou-se subverter este lógica, aplicando a teoria contemporânea de quadra aberta, liberando espaço no solo para infiltração da água e traçando conexões com o território. Os volumes resultantes da aplicação do plano explodem-se, agrupando-se conforme a lógica funcional do programa (hotel, comércio e residência). Constituindo o Arranha-céu Híbrido.

O EDIFÍCIO

O edifício de 256m consiste em 12 volumes diferentes, que são agrupados peça hierarquia de uso. Hotel, localizado na parte inferior, acomodam até 280 pessoas. Comercial, localizado nas fachadas leste, sul e oeste, tem 5000 trabalhadores divididos em salas corporativas e escritórios. São mais 110 apartamentos que consistem a parte residencial, com diferentes tipologias de plantas. Abrigam 330 pessoas.

Isso tudo, gera um consumo de 250.000L/dia de água na parte comercial. Nas áreas do hotel e do residencial este consumo é em torno de 150.000L/dia.

Todos estes serviços e moradias criam uma influência urbana significativa na cidade, criando a necessidade de estacionamentos subterrâneos, pois a região já não suporta a demanda existente. Assim, foram destinadas 1000 vagas para o comercial e 240 vagas para o residencial, localizadas nos pavimentos subterrâneos do edifício. O último subsolo atende o residencial e os demais o comercial. Mais 350 vagas destinadas para ajudar suprir a demanda da região.

Para dar vida ao térreo, são oferecidos serviços que atendem as necessidades do local. Tendo assim, na parte da Av. Farrapos, um pequeno shopping na base da edificação. Também no pavimento térreo, contem uma área verde (100% permeável) duas vezes maior do que o plano de Porto Alegre requer. Destinada para o lazer e conforto da população ali existente. E a zona seca faz a conexão entre as duas avenidas, dando um caráter único ao lugar.

Cada uso possuí entradas e circulações independentes. Sendo a das residências localizada no primeiro subsolo e a do hotel no térreo. Já o comercial tem duas entradas, a principal ao lado da residencial e a outra dentro do shopping.

MAIS IMAGENS E DIAGRAMAS

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Texto e imagens: 

Arq. Luis Henrique Bueno Villanova

CAU-RS 118391-5

Blog do autor:

http://biparquitetura.blogspot.com.br/



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Arranha Céus, Plano Diretor, Prédios, Reurbanização, Sustentabilidade

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56 respostas

  1. Cara, coisa mais feia esse projéto!

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  2. Para quando?

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  3. Eu acho que esse projeto DEVERIA sair SIM do papel, e ser construído, Poa precisa ousar mais em seus “Arranha- céus”. Poa não terá futuro se essa lei ai continuar a existir, deveriam acabar com essa maldita lei, que a meu ver, um dia ou outro atrapalhará o crescimento da cidade (se já não está atrapalhando).
    Em Belho Horizonte existe um projeto que acho que vai sair do papel, se trata de um enorme edifício de 350 metros!! Isso é que é futuro, uma cidade com construções altas e modernas, e não prédios de 52 metros.
    Acho Porto Alegre uma cidade bonita e um pouco calma, mas Poa precisa urgentemente de um projeto desses e que saia do papel.

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  4. depois que o de gravatai bombar, quero ver o que vão dizer. é sempre assim se dependesse dessas peçoas (com c mesmo) seriamos uma sesmaria até hoje.

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