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Estado perde investimentos do setor automotivo

15/08/2012

Fabricantes gaúchas de carroçarias de ônibus buscam o crescimento e a maior competitividade interna e externa com plantas no Sudeste

Responsável por mais de 50% da produção nacional de carroçarias de ônibus, o Rio Grande do Sul deve perder rapidamente a condição de líder neste mercado. As grandes encarroçadoras do Estado confirmaram investimentos de R$ 235 milhões na construção de novas fábricas em três diferentes estados da região Sudeste. Caminho idêntico segue a Randon, maior fabricante de implementos rodoviários do Brasil, com mais de 35% da produção nacional, que já investiu em nova planta e na aquisição de unidades fora de Caxias do Sul. No seu plano de investimentos de R$ 2,5 bilhões para os próximos cinco anos, metade ficará no Rio Grande do Sul.

Este movimento na indústria metalmecânica gaúcha, especialmente no segmento automotivo pesado, se assemelha ao ocorrido na década de 1990, quando a atividade calçadista iniciou a migração de plantas para cidades do Nordeste, atraída por incentivos fiscais e em busca de maior competitividade para fazer frente aos concorrentes estrangeiros. Ao final daquela década, a região Nordeste já respondia por mais de 60% dos volumes físicos exportados.

A migração do segmento metalmecânico, no entanto, decorre muito mais por questões estruturais do Rio Grande do Sul e pela necessidade de aproximar-se dos principais mercados consumidores e do parque de fornecedores. Embora os empresários evitem dar destaque em demasia aos incentivos fiscais de estados e municípios, reconhecem que eles facilitam a definição.

O diretor-geral da Comil Ônibus, de Erechim, Sílvio Calegaro, entende que este movimento não é novo. Ele lembra que os maiores fabricantes de modelos urbanos, que a Comil produzirá em Lorena, interior de São Paulo, já estão estabelecidos na região Sudeste.

A Marcopolo, líder do segmento no Brasil, tem fábrica em Xerém, no Rio de Janeiro, desde 2001, quando adquiriu a Ciferal. A Caio está localizada em Botucatu (SP) desde a década de 1940. Em janeiro de 2001, foi adquirida pelo Grupo Induscar, tornando-se a Caio-Induscar,  maior encarroçadora de veículos urbanos do Brasil. O segmento de urbanos convencionais é de baixo valor agregado, com valores variando de R$ 100 mil a R$ 120 mil. Só o movimento de vaivém de chassis do Sudeste para o Sul representa de 5% a 6% do custo, exemplifica o diretor.

A unidade da Comil, que iniciará seu funcionamento ao longo de 2013, está localizada a 80 quilômetros da MAN e a 180 quilômetros da Mercedes-Benz, as duas maiores fabricantes de chassis do Brasil. Erechim, como comparação, fica a 1,2 mil quilômetros das montadoras. Além disso, estará próxima dos principais fornecedores de insumos básicos para a produção de carroçarias e dos grandes mercados consumidores urbanos: Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, que concentram cerca de 60% do total das aquisições de ônibus para transportar pessoas em cidades. “Vamos produzir um ônibus com qualidade acima do oferecido atualmente ao mercado, com preço mais acessível”, acrescenta. Não é intenção da Comil, pelo menos inicialmente, usar a fábrica de Lorena para exportação.

A Neobus, líder nacional na fabricação de micro-ônibus com mais de 50% da produção, investe R$ 90 milhões em uma fábrica na cidade de Três Rios, no Rio de Janeiro. Anunciada em fevereiro, a unidade deve iniciar a produção até o final deste trimestre, com a geração de 1,2 mil novos empregos e capacidade para até 13 ônibus por dia.

O presidente da Neobus, Edson Tomiello, destaca que o objetivo é preparar a empresa para atender as demandas decorrentes da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Além disso, o Rio de Janeiro é hoje o principal mercado da encarroçadora, especialmente de micro-ônibus. Também pesaram na decisão os benefícios tributários concedidos pelo governo do Rio e pela prefeitura. Em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado, o município construiu um Centro Vocacional Tecnológico, preparado para formar 2,4 mil pessoas por ano em 16 cursos técnicos para atender a demandas da Neobus e do polo automotivo de Resende e Areal, distantes em torno de 100 quilômetros.

A construção de unidade em Três Rios também objetiva abrir espaço na fábrica de Caxias do Sul para atender ao novo negócio da Neobus. A empresa, em conjunto com a Navistar, produzirá ônibus completos sob a marca NeoStar. O foco inicial serão os mercados dos Estados Unidos e América do Sul. Com estas ações, a meta de faturamento para 2014 é de R$ 1 bilhão, quase o dobro dos valores de 2011.

Mudança só deve ser tomada via decisão política

Para a economista e professora da Universidade de Caxias do Sul Carolina Gullo, a migração de empresas gaúchas para outros estados é difícil de ser contida em função das condições atuais do Estado, especialmente as de natureza financeira. Ela recorda que mais de 80% da arrecadação são usados para pagar o funcionalismo, outros 17% para o custeio da máquina e 18% para quitar as dívidas com a União. “Não há margem para negociar com as empresas”, enfatiza.

A economista destaca que a solução terá que vir a partir de mudanças na matriz da dívida, e reconhece que é uma decisão política que desgastará quem a fizer. “Mas não haverá outro jeito. Alguém terá de assumir este ônus para o Rio Grande se recuperar.”

O diretor de relações com investidores da Marcopolo e integrante do Conselho de Economia, Estatística e Finanças da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, Carlos Zignani, reconhece que o Rio Grande do Sul perderá empregos com este movimento. Também vê que o governo está preocupado com a situação, mas não tem agido para resolver o problema. Por enquanto, são apenas medidas paliativas.

Plano da Randon prevê 50% de aportes no Rio Grande do Sul

Em sua estratégia de atingir receita bruta total de R$ 10,4 bilhões em 2016, as empresas Randon investirão R$ 2,5 bilhões em seu novo plano quinquenal. A meta é crescer interna e externamente por meio de ampliação da capacidade de produção das plantas fabris localizadas no Rio Grande do Sul, que receberão em torno de R$ 1,3 bilhão, e via aquisições, fusões e parcerias estratégicas. Uma das primeiras ações neste sentido foi tomada ainda em 2010, com a aquisição do controle acionário da Folle Indústria de Implementos Rodoviários, de Chapecó (SC). De acordo com Erino Tonon, diretor vice-presidente de operações, um dos objetivos da Randon é estar cada vez mais próxima do mercado consumidor.

Segundo ele, a compra está alinhada com a estratégia de destinar investimentos para o fortalecimento de segmentos específicos, em polos regionais, visando a consolidar ainda mais a presença do grupo no mercado doméstico. A Randon, com o enquadramento dos programas de desenvolvimento do governo de Santa Catarina e da cidade de Chapecó, planeja aplicar R$ 100 milhões em investimentos para aquisição, ampliação de capacidade e modernização da nova unidade, atingindo 400 empregos e receita anual na ordem de R$ 350 milhões no horizonte de até cinco anos.

Ainda em 2010 a Randon decidiu investir numa planta para suas empresas de autopeças em Resende (RJ), junto ao complexo da MAN, fabricante de ônibus e caminhões. Com investimento inicial de R$ 30 milhões, a unidade terá capacidade de produção de itens automotivos para freios e suspensão para atender à demanda de 300 unidades/dia de ônibus e caminhões. A decisão de investir em Resende decorreu principalmente da vantagem de encurtar a cadeia de produção, pois parte dos insumos vem de São Paulo para Caxias do Sul e retorna em forma de produto para a região Sudeste.

Foco na exportação

Com a capacidade de produção tomada e sem espaço físico para aumentar a planta fabril, localizada na unidade Planalto da Marcopolo, em Caxias do Sul, a diretoria da Volare decidiu pela construção de nova fábrica para os miniônibus. Dentre as dezenas de alternativas avaliadas ao longo de 18 meses, a escolha por São Mateus (ES) teve como fator decisório a possibilidade de a empresa combinar aumento de produção com a estratégia de fortalecer a internacionalização da marca.

Mesmo reconhecendo que a empresa terá benefícios públicos do estado e da prefeitura – o que também chegou a ser negociado com outros municípios – o diretor Milton Susin assegura que pesou a localização estratégica de São Mateus para envio dos veículos ao exterior, pela proximidade com os portos existentes no Espírito Santo, e para o recebimento de insumos. “Como havia a necessidade de nova operação fabril, optamos por buscar local que também favorecesse o escoamento da produção, que será destinada, quase que na sua integralidade, para exportações.”

O investimento de R$ 35 milhões será aplicado na construção de uma fábrica nova, que deverá estar pronta para produção em julho de 2013. Terá capacidade inicial para mil unidades anuais e meta, de acordo com Susin, de 500 veículos no segundo semestre do próximo ano. “Nosso objetivo é operar a pleno desde o início das atividades.” O diretor observa que o mercado em que a Volare atuará, de países da África e da América do Sul, tem potencial para 1,5 mil unidades/ano.
Segundo Susin, inicialmente será produzido apenas um modelo no Espírito Santo, ainda em análise pela diretoria, veículo que também deverá, em situações pontuais, atender aos mercados do Norte e Nordeste do Brasil.

A estratégia inicial contempla a montagem do miniônibus no Espírito Santo por cerca de 300 trabalhadores. As unidades serão enviadas desmontadas de Caxias do Sul, e algumas peças poderão ser fornecidas pela controlada Ciferal, que tem fábrica de modelos urbanos no Rio de Janeiro. No futuro, dependendo da velocidade do projeto, Susin admite ser possível produzir componentes por lá.

A Marcopolo também está investindo, em parceria com a Caio-Induscar, em uma fábrica de componentes para ônibus em Joinville (SC). O investimento no primeiro ano será de R$ 10 milhões, aportados em base paritária pelos dois sócios. Além da fabricação de peças e acessórios para o mercado interno, também serão montadas carroçarias específicas destinadas à exportação. O investimento total da Marcopolo para o período 2011-2016 é de R$ 450 milhões, sendo R$ 350 milhões nas unidades gaúchas localizadas em Caxias do Sul.

Reajustes do aço e gás agravam situação

O mês de julho preconizou mais três movimentos que deverão interferir fortemente na competitividade da indústria metalmecânica gaúcha, podendo determinar novas decisões de migrações de empresas para outros estados. O mais recente foi o reajuste de 14,4% no preço do gás, autorizado pela Petrobras e repassado às distribuidoras. A justificativa para o aumento refere-se ao custo de importação do gás boliviano pelo Brasil verificado nos últimos meses e também à elevação da taxa de câmbio.

As empresas de Caxias do Sul, representadas pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Simecs) consomem, por mês, em torno de 70% do total do gás que abastece o setor industrial da cidade, o que significa mais de dois milhões de metros cúbicos. Para o presidente da entidade, Getulio Fonseca, o aumento no preço do gás foi mais uma notícia de impacto para o setor, que anteriormente contabilizou reajuste de 8% nos custos do aço.

Para o dirigente do Simecs, o elevado custo destes produtos básicos tem reduzido o nível de competitividade do setor metalmecânico de Caxias. As empresas do segmento do Simecs absorvem 60% do aço consumido no Rio Grande do Sul. Já em nível nacional, o consumo local corresponde a aproximadamente 3% do aço plano comercializado no Brasil.

O terceiro ponto que agravou a situação da atividade foi o reajuste dos trabalhadores. O dissídio coletivo fechou com alta de 7,5%, significando quase 3% de aumento real. Em manifestação em reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, o vice-presidente da Marcopolo, José Antônio Fernandes Martins, afirmou que, mantida a situação atual de reajustes reais nos salários, sem a aceleração na redução dos tributos, a indústria se inviabilizará no curto prazo. Fonseca observa que Caxias tem um dos salários médios mais altos do setor metalmecânico nacional, situação que também inibe a chegada de novas empresas.

Os elevados custos de logística, decorrência da infraestrutura deficiente, também estão influenciando as decisões das empresas. Ele destaca que o governo tem tomado algumas ações, mas ainda insuficientes para mudar este quadro. Os demais estados têm sido mais eficientes na atração de empresas, ressalta.

Fábrica-modelo da Comil será instalada na cidade de Lorena

A unidade que a Comil construirá na cidade paulista de Lorena terá capacidade para a produção de 20 ônibus/dia, o dobro dos volumes atuais da planta de Erechim. O diretor-geral Sílvio Calegaro observa que o prédio seguirá conceitos modernos de construção e terá índice de automação elevado. Serão gerados 500 empregos diretos e cerca de mil indiretos, especialmente por fornecedores que serão atraídos pela encarroçadora.

A unidade de Erechim focará na produção de veículos rodoviários e outros modelos de maior valor agregado, que exigem um trabalho quase que artesanal. Calegaro avalia que a planta poderá produzir menos do que atualmente, mas terá receita e resultados superiores. Ele ressalta que era inviável crescer em Erechim, por falta de espaço e disponibilidade de mão de obra.

Na busca por nova localidade, de acordo com o executivo, a proximidade dos clientes e fornecedores superou qualquer incentivo tributário. “Incentivos fiscais não foram prioridade para definir o local de produção, e sim a facilidade logística.” Mas destaca a eficiência e o interesse do governo estadual e da prefeitura de Lorena para atrair o investimento. “Eles tiveram papel fundamental na decisão de ir para São Paulo, abrindo portas para uma negociação positiva”, assinala.

Jornal do Comércio

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13 Comentários leave one →
  1. joseluizdacosta@yahoo.com.br Link Permanente
    16/08/2012 0:54

    Eu sendo empresário vou onde posso fazer mais barato, RS ou SC ou RN …..A migração vai acontecer. No calçado foi para o Nordeste e agora vai para China, Índia….

  2. 16/08/2012 1:20

    80% pro funcionalismo. e eles querem mais… não tem como evoluir assim. em 30 anos rio grande terá mais população que porto alegre cidade dos chupins. isso ainda vai piorar.

  3. 16/08/2012 5:38

    O RS está sem rumo. Ou melhor, com rumo ao buraco. Como pode o governo do Estado assistir isto inerte? Já se foram as calçadistas, agora as metalúrgicas e todo o complexo produtiva que as acompanha. Uma sociedade não pode viver só de comércio e serviços. O RS definitivamente chegou ao fundo do fundo do poço….

  4. 16/08/2012 7:44

    “Mas não haverá outro jeito. Alguém terá de assumir este ônus para o Rio Grande se recuperar.”

    Já tivemos uma pessoa que queria assumir este ônus: a ex-governadora Yeda!
    O governo dela estava sanando as contas do estado.

    Mas disso ninguém se lembra né?

    CPERS e PT se uniram para derrubá-la e, agora, mal se falam. As contas do estado vão de mal a pior e, com a péssima administração atual, o buraco fica cada vez mais fundo.

  5. JULIÃO Link Permanente
    16/08/2012 7:53

    Pobre, Rio Grande!

  6. Tulio Ramos Link Permanente
    16/08/2012 8:15

    Esperamos que com essa debandada da indústria aqui do RS, o Estado se foque em serviços e na indústria tecnológica (Tecnosinos, Tecnopuc e afins).

  7. Felippe Hermes Link Permanente
    16/08/2012 8:21

    isto é meio q natural, grandes empresas n podem se concentrar em apenas um local… se olharmos o ABC paulista veremos o risco q a concentração significa para as empresas… GREVE… uma grande quantidade de trabalhadores de um mesmo setor em uma mesma região é um problema trabalhista certo para estas empresas

    a GM em SP esta com problemas, oq pode significar um ganho para a GM de Gravataí, e aliás, acho q ja até li alguma notícia sobre como as greves no ABC estavam fazendo a empresa se espalhar (até aqui no Ceará ja estão buscando apoio do governo para investir)

  8. Felippe Hermes Link Permanente
    16/08/2012 8:25

    Tarso ja esta colocando em prática a falácia do PAC… anunciando investimentos rotineiros de 2012 até 2100 como se fosse um grande feito e uma conquista do governo… é a lógica do PAC, contar td q é número e apresentar um grande número… depois qdo as notas de q apenas x% foram cumpridos, vc faz outro PAC, e depois outro… agora este mais recente ja leva em conta investimentos em ferrovias q devem ser feitos entre 2018 e 2048… mas fica bonito anunciar R$ 133 BILHÕES

    • JULIÃO Link Permanente
      16/08/2012 9:56

      Pois é, estava lendo que esse valor de 133 bilhões de reais inclui 35 bilhões de reais que serão gastos com a manutenção dos projetos anunciados nos próximos 25 anos depois de concluidas.

      Cara, eles são muito canalhas.

      • Felippe Hermes Link Permanente
        16/08/2012 17:52

        aguarde e vc vai ver q vão incluir financiamento de TV como “investimento pra copa”

  9. 16/08/2012 8:54

    E’ isso ai, continuem votando no PT!!! Eles mandaram a FORD embora prq sao guascas ignorantes e involvidos no mundo do crime, essa decisao quebrou qualquer chances de o RS se desenvolver, malditos bastardos foram e sao incapazes de administrar uma banca de jornal, mas querem ser chamados de vossas exelencias e senhor dotor, so’ que trabalho eles odeiam. Adoram enrolar e enganar esse gente ignorante que vota neles.

    E’ MUITO FACIL, TUDO QUE SAI DA BOCA DE PETISTA E’ MENTIRA, NAO INTERESSA OQUE SEJA!

  10. 16/08/2012 8:57

    “mais de 80% da arrecadação são usados para pagar o funcionalismo” Pense nisso quando ouvir falar sobre aumento para vereadores ou os CCs

  11. Aline Schmitz Link Permanente
    17/08/2012 8:56

    Muito triste, como isso sempre acontece no RS? Não somos capazes nem de manter empresas tradicionais, que nasceram aqui? Quem dirá então buscar novos investimentos…Há algo muito errado na nossa política gaúcha, parece que ninguém está aí, mas daqui a alguns anos estaremos depenados (na educação já estamos) e falidos!

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