Porto Alegre faz parceria para reduzir perdas de água

Jessica Gustafson

Presser e Machado assinaram protocolo de intenções nesta quinta-feira FREDY VIEIRA/JC

Uma parceria foi selada nesta quinta-feira na Capital, entre o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) e a estatal Obras Sanitárias do Uruguai (OSE), para a troca de experiências positivas e conhecimento tecnológico entre as duas organizações. O principal tópico de cooperação, que será desenvolvido através de futuros convênios, é a diminuição da perda de água, decorrente de ligações clandestinas. Para que o desperdício consiga ser sanado, será necessária a implantação de programas sociais que auxiliem a população de baixa renda a custear o serviço, como já acontece no Uruguai.

“Fui convidado a ir até Montevidéu participar de um seminário sobre a redução das perdas de água, um problema muito comum tanto no Brasil quanto no Uruguai. Existe hoje toda uma tecnologia voltada para essa questão e isso nos motivou a firmar esse acordo mútuo”, explica Flávio Presser, diretor-geral do Dmae.

A OSE tem interesse nos conhecimentos do departamento no que diz respeito à hidrometração, que é a medição do gasto mensal do consumo de água. A Capital possui hoje um laboratório de hidrômetros, que está sendo credenciado junto ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), para que os usuários passem a ter certeza de que estão pagando o equivalente ao consumido.

A estatal uruguaia é responsável pelo abastecimento de água potável em toda a República Oriental do Uruguai e pelo serviço de saneamento no interior do país desde 1952. Por meio da reforma constitucional no ano de 2004, o Uruguai passou a ser o primeiro país do mundo a declarar como direito humano e fundamental o acesso à água potável e ao saneamento. Também ficou estabelecido que estes serviços seriam prestados exclusivamente pelo Estado. A organização atende com água potável 98% da população, que corresponde a 3,3 milhões de pessoas.

“Nós temos muita similaridade, principalmente em relação ao fator social das pessoas. Isso nos permite estudar a modelagem diferencial que é utilizada lá, no sentido de atender à população de baixa renda”, revela Presser. Para Porto Alegre, o convênio pode representar a possibilidade de implantação de um novo conceito para o abastecimento destas áreas. De acordo com o diretor-geral do Dmae, no Uruguai as políticas de serviços básicos, incluindo o de saneamento, são associadas às de cunho social, feitas pelo Ministério de Integração Social. Assim, ele acredita ser oportuno implantar o modelo, não só na Capital, como em todo o País. “A lei municipal não nos permite isenção. As pessoas que não têm condições de pagar pelo serviço precisam ter subsídios diretos, como Bolsa Família, para que sejam recebidos esses recursos fiscais. A isenção desta tarifa não cabe ao prestador de serviço e sim às políticas sociais”, conclui Presser.

A comitiva da OSE conheceu a Estação de Tratamento de Água Moinhos de Vento e alguns locais que integram o Projeto Integrado Socioambiental (Pisa). Segundo Milton Machado, presidente da estatal, com a parceria, serão feitas trocas de conhecimento de gestão, de questões comerciais e de tecnologias. De acordo com ele, a OSE está interessada em conhecer o Pisa, pois ele apresenta características ambientais muito importantes. “Estamos com vontade de aprender com as experiências implantadas aqui, conhecer a cobrança tarifária de Porto Alegre e conversar sobre a implantação das políticas de inclusão sociais que já acontecem no Uruguai”, ressaltou o presidente.

Jornal do Comércio



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2 respostas

  1. Complicado… muito complicado… pessoal adora um “gato”… quero só ver… ainda mais se tiverem que pagar…

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  2. interessante.

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